quarta-feira, 24 de outubro de 2007

EU DETESTO CIGARRO DE MENTA

Em 1983, com menos de catorze anos de idade, vim do interior para estudar na capital. Cheguei a Salvador complexado, me sentindo inferior. Fui estudar numa escola de classe média graças ao imenso sacrifício dos meus pais. Eu achava, naquela época, que todo mundo ali estava em melhor situação do que eu, mas depois fui descobrindo que a coisa não era bem assim.

Eu era magro, quase um esqueleto andante, pobre, do interior e tímido. Prato cheio pra quem quer se sentir menor, e eu me sentia assim. Na nova escola, observava bem os colegas sem, no entanto, me aproximar de nenhum deles. Foi aí que reparei numa menina que para mim era o que se podia chamar de bonita e gostosa, aliás, muito gostosa. Logo fiquei apaixonado, uma paixão platônica que durou uns três anos mais ou menos. Como todo otário, deixei que nascesse entre nós uma forte amizade, achando que assim, posteriormente, poderia conquistar o seu amor. Ledo engano. Nunca passou da amizade, mas hoje, muitos anos depois, sei que foi melhor assim. Afinal, não há nada na vida que supere o infinito valor de uma amizade sincera. Os verdadeiros amigos passam anos sem se ver e, quando se reencontram, parece que se viram na véspera. Nada mudou. Foi assim sábado passado, com a minha amiga Estér.

Fazia mais de três anos que não nos víamos nem nos falávamos. Como sempre aconteceu nas nossas vidas, sempre passamos longos períodos assim. Mesmo durante os muitos anos em que éramos quase vizinhos, ficamos deveras afastados. Aí ela me achou pelo orkut e combinamos de nos encontrar. Foi uma noite muito legal. Relembramos muitas histórias e agora vou contar algumas delas.

Ainda no início do ano letivo, quando ainda não havíamos nos aproximado muito, houve um fato que fez com que conversássemos pela primeira vez. Não foi nada bom. Também, raciocinando melhor, não foi uma conversa e sim um monólogo onde só ela falou. Na verdade, uma puta bronca onde ela descascou todas em cima de mim. Só faltou me chamar de ladrão. E bem que ela estaria no direito e coberta de razão já que o ato em que fui flagrado era literalmente um roubo. Naquela época eu estava começando a fumar e Estér era uma dos muitos fumantes que tinham na escola. Na hora do intervalo, por causa da minha timidez e falta de entrosamento, às vezes eu ficava na sala sozinho, estudando. Aí bateu uma vontade danada de fumar e, como eu não tinha cigarros, decidi pegar um dentro da sua bolsa que sabia eu, lá não faltaria. Abri a distinta e retirei o cigarro. Foi aí que Estér entrou na sala e me pegou com a boca na botija. Que vergonha!

Estér era uma aluna excelente. Passava direto em tudo. Uma fera em matemática e sabia tudo de inglês. Eu nunca fui um aluno ruim, mas em inglês era e sou até hoje uma negação. Foi aí que essa menina me deu uma prova absurda de sua amizade o do quanto gostava de mim, mesmo que não fosse da forma que eu esperava. Na reta final do ano letivo, meu desempenho em inglês estava fraquíssimo e a prova final era inevitável. Ela já vinha me dando aulas de reforço há um bom tempo, mas, nem eu nem ela acreditávamos que eu fosse conseguir passar de ano. Ela já estava quase passada, mas fez a loucura de quase tirar zero na última prova do ano pra ir pra final e poder me ajudar. Acreditem, ela não passou direto propositalmente para me dar pesca, ou cola, como preferirem na prova final. No dia da bendita sentamos em fila, ela na frente e eu atrás. Tremíamos de nervosismo pois tínhamos combinado que ela marcaria as questões antes de assinar e aí trocaríamos as provas. Não sei como conseguimos, mas deu tudo certo. O fiscal não viu e os colegas que presenciaram usaram a lei do silêncio que impera entre aqueles que sempre se utilizam de tal artifício. Ninguém dedurou a gente. Pra aumentar a minha vergonha, antes de dar o resultado, a professora me chamou para uma conversa reservada. Não consigo lembrar o nome dela. Aí ela falou:

- Adriano, sei que você é um menino correto, um aluno exemplar e que isto não é do seu feitio, mas estou desconfiada que você pescou na final.
Eu, muito surpreso, perguntei:
- Porque a senhora acha isto professora?
- É que sua nota foi muito alta e todo mundo sabe que inglês não é o seu forte.
- Foi por causa de Estér professora.
- Como assim?
- Ela tem me dado aulas de reforço durante toda última unidade. Me ajudou muito e estudei pra caramba.

Falava enquanto cruzava os dedos e mentalmente pedia perdão a Deus por este ato leviano e repulsivo. Até hoje carrego comigo este remorso, mas esta história valeu muitas gargalhadas na noite de sábado.

Teve uma que eu não lembrava, foi Estér quem falou pra aumentar o meu vexame. Um dia, sem coragem de me declarar, deixei uma carta apaixonada no meio das suas coisas. Não lembro do conteúdo, mas se bem me conheço, no auge da minha adolescência, deve ter sido extremamente romântica. A filha da puta achou a carta e ficou calada. Nunca comentou nada. Me deixou na maior dúvida, se ela não tinha achado ou se não queria nada comigo. Óbvio que era a segunda opção a correta.

A conversa rolou solta até quase meia-noite quando ela foi buscar sua filha numa festa. Bebemos um bocado de cerveja e, só pra variar, fumamos muito. A menina agora inventou uma moda de fumar cigarro de menta. Eu detesto, mas acabei fumando alguns só pra castigar o corpo. Essa menina me faz fazer cada coisa!

Bons tempos aqueles. Eu e Estér, envelhecemos, casamos, tivemos filhos, separamos, mas continuamos unidos por uma laço muito forte que, sem dúvida, veio de outras vidas. Eu gosto demais dessa loura, e não é de farmácia não, que contrariando todas as expectativas, de burra não tem nada. Valeu Estér! Até a próxima!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

NATASHA & LETÍCIA - Que Bom Conhecer Belo Horizonte!

Que saudade do Clube da Esquina,
Dos versos imortais desses mineiros.
Que do Malleta à Santa Tereza,
Deram belos horizontes a muitos brasileiros.

Belos, sempre belos, musicais...

Mil tons para a minha desventura,
Brant me tomou pela raiz.
Borges me levaram na loucura.
Voar nas asas do 14 Bis.

Belos, sempre belos, musicais...

Guedes, Venturinis e Antunes,
Multiplicaram sons de norte a sul.
Nos permitindo o prazer da festa,
As serestas de Paulinho Pedra Azul.

Belos, sempre belos, musicais...

Belo Horizonte, horizonte belo,
Jamais esqueceremos seus cantores.
Letícias, Natashas, outras mulheres,
Derramam neste mundo seus amores.

Belos, sempre belos, musicais!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

NOITE DE LINDOS SONHOS!

Telegrama
(Zeca Baleiro)

Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bobo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...
Mas ontem

Eu recebi um telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo: Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!Que tanto te ama!
Que muito muito te ama!
Que tanto te ama!...

Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...

Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português da padaria...
Mama!

Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu! Quero ser seu!
Quero ser seu!Quero ser seu papa!

Hoje eu acordei assim como Zeca Baleiro define muito bem nesta canção. Feliz, pra cima, renovado, remoçado, cantando sem parar e com vontade de beijar o mundo. O que será que aconteceu?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

TESTE PARA CARDÍACOS



O Esporte Clube Bahia continua pondo à prova o já mais que sofrido coração do seu torcedor. Time de tradições, duas vezes campeão brasileiro, com a torcida mais fiel do Brasil, mesmo na terceira divisão mantém uma das melhores médias de público do ano, isto considerando as três divisões do campeonato brasileiro. Castigado por anos a fio de administração desastrosa, há muito que o time não dá uma alegria substancial à sua torcida. Domingo passado foi um dia inesquecível. Dependendo de outro resultado, o Bahia jogou na Fonte Nova precisando vencer para se classificar para o octogonal decisivo e manter acesa a chama da esperança de, pela primeira na sua história, ascender através de resultados conquistados no campo. No outro jogo, Rio Branco x ABC, estava tudo dando certo. Terminou empatado em 0 x 0, só faltava o Bahia fazer sua parte e balançar a rede uma vezinha apenas. Eu, impossibilitado que tava de ir ao estádio, já que era aniversário do meu afilhado Eduardo, estava na festa ouvindo pelo rádio. Aos 43min, quando o locutor anunciou o término da outra partida e que o juiz daria mais 6min de descontos, não tinha a menor condição de continuar ouvindo aquela tortura, e passei o rádio para o amigo Romário, outro Bahia doente como eu. Na verdade, naquele momento, fiz o que costumamos chamar de jogar a toalha. Perdi a esperança. Mas quem torce pelo Bahia deve saber que o jogo só acaba quando o juiz apita. Não é que aos 50min os pés milagrosos do atacante charles classificou o tricolor? Joguei o copo de cerveja para o alto e, junto com a maioria dos convidados, transformamos o aniversário de Edu, filho de torcedores do Vitória, numa festa da torcida azul, vermelha e branca. Quando acabou os parabéns, entoei os primeiros versos: "Somos a turma tricolor, somos a voz do campeão...", foi um coro lindo. Sob os protrestos do meu compadre Gil, que nada pode fazer, transformamos a pequena sala numa extensão das arquibancadas da Fonte Nova. Agora convenhamos: só mesmo o Bahia para, na terceira divisão, merecer uma matéria de mais de 3min no Globo Esporte nacional. Veja o vídeo.



E, para matar as saudades deste sofredor cansado de sofrer....

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A VIDA E A MORTE

Em junho deste ano, recebi um e-mail de minha amiga Sheila. Esta menina me conhece muito, sabia que o texto me tocaria profundamente. Desde aquele dia, tenho ruminado muito sobre ele e, quanto mais o leio, mais admirado e apaixonado fico. Não quero falar sobre minhas impressões, acho que cada um deve ter a própria, mas gostaria muito de compartilhar com todos. Vale salientar que não verifiquei a autenticidade da autoria, estou transcrevendo o que me foi passado. Contudo, pela genialidade e estilo, acredito mesmo que tenha sido escrito pelo Rubem.

A Vida e a Morte

Era no tempo de toca-discos. Eu estava ouvindo um long-play com poemas de Drummond e Vinícius. O perigo eram os riscos que fazem a agulha saltar. Felizmente até ali tudo estava liso, sem pulos ou chiados. Era a voz doVinícius, voz rouca de uísque e fumo. Chegou o poema "O Haver", meu favorito, em que o poeta fazia um balanço da sua vida, o que restara.
"Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio..." "Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido..." "Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança..."
Começava, naquele momento, a última quadra, e de tantas vezes lê-la eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando o último verso que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.
O pôr-do-sol é belo porque suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata não tivesse fim ela seria um instrumento de tortura. Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?
O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema é o silêncio. Nasceria então uma outra coisa em seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.
A voz do Vinícius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo. "Restaesse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante..."
Eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso: "... sem saber que é a minha mais nova namorada."
Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás, talvez tivesse achado o poema tão bonito que se recusava a ser cúmplice de seu fim, não aceitava a sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinícius repetindo palavras sem sentido: "sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova..."
Levantei-me do meu lugar, fui até o toca-discos e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer, "sem saber que é a minha mais nova namorada." Depois disso foi o silêncio.
Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema, dança. Já no primeiro momento quando o compositor ou o poeta ou o dançarino preparam a sua obra, o último momento já está em gestação. É possível que a última quadra do poema tenha sido a primeira a ser escrita pelo Vinícius. A vida é tecida como as teias de aranha: começam sempre do fim. Quando a vida começa do fim ela é sempre bela por ser colorida com as cores do crepúsculo.
Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço. "Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer." (Eclesíastes 3.1-2)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

DIREITO DE RESPOSTA

Ontem recebi um comentário falando sobre o meu texto "BRASIL - Pirataria, Tropa de Elite, Calheiros e outras excrescências!" escrito por uma leitora por nome Fernanda. Ela condena o fato de que eu critico a forma como os oficiais do BOPE são treinados. Isto é a democracia. Cada um com sua opinião. Ela tem a dela, eu tenho a minha. Obrigado Fernanda!
Fernanda Disse:
É impressionante como as pessoas não entendem o que o filme quer passar! Como você acha que os policiais deveriam ser treinados? Para passar a mãozinha na cabeça dos traficantes? Sinceramente, todo mundo já percebeu que assim não funciona! Porque você acha que o BOPE é respeitado na favela?
Minha Resposta:
Fernanda,
Respeito a sua opinião mas não concordo com ela. Você acha que é criando assassinos sanguinários que iremos resolver o problema do tráfico de drogas? Você chama de respeito o sentimento que os traficantes nutrem pelo BOPE? Por acaso já parou para pensar na quantidade de vidas inocentes que suas ações exterminam sem nenhum tipo de remorso? Ou você é daqueles que acham que se estão no morro são marginais e portanto devem ser exterminados? Hitler, graças a Deus, já morreu faz tempo. Nosso problema é muito mais profundo. Reside na falta de eduação, nos péssimos ganhos da polícia, na miséria do nosso povo, no interesse que a classe política tem em manter a nossa ignorância e falta de educação, na ganância do povo sempre querendo ganhar mais, mesmo que isso signifique a morte de fome de um semelhante. BOPE nenhum vai resolver esta questão. O BOPE pra mim é tão ruim quanto o traficante, uma vergonha, um absurdo, uma isntituição nazista e podre. Desculpe por não concordar com você. Por acaso gostaria de receber aquele treinamento?

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

FIDELIDADE PARTIDÁRIA

Mais uma palhaçada do Gran Circo Planalto Central! Uma nova receita da Pizzaria Congresso Brasileiro! A gente tá é f.....

ÇEN COMEMTARIO... II

Meu irmão Luciano, na sua lucidez e competência, mandou um comentário na minha última publicação, Sem Comentários..., muito interessante. Com muita propriedade, definiu tudo em poucas palavras. O vídeo já havia me chamado a atenção pelos absurdos ortográficos e políticos. Contudo, prefiri não me manifestar. Deixei a cargo dos leitores para que estes tirassem suas próprias conclusões. Agora, transcrevo aqui as suas palavras que, acredito eu, não devem ficar ocultas num campo de comentários, onde pouca gente se aventura a ler.
Meu irmão:
Olha o texto que aparece no início do vídeo: "quando você ver um politico vire as costa para ele, mas antes cuspa no chão de nojo. não cumprimente de o seu despreso". Tirando os problemas de acentuação, pontuação e articulação sintáxica, a ortografia das palavras em negrito fala por si só. Está aí a razão pela qual o parlamentar brasileiro é um dos mais caros do mundo. Aquele que o colocou no congresso carece de educação (básica, muitas vezes) e é ignorante ao ponto de pensar que não tem responsabilidade por isso e que dar "despreso" e "cuspir no chão de nojo" irá resolver a questão. E o pior é que a classe política tem total conhecimento deste fato e sabe que para se manter nesta situação (como uma das mais bem pagas do mundo) é só sustentar o estado de ignorância e deseducação deste sujeito que produziu o vídeo.
Pobres de nós, brasileiros.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

VUMBORA CINEMA BRASILEEEEIROOO!!!!!

O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias foi o filme nacional escolhido para, junto com outros quarenta e nove, concorrer às cinco vagas de indicações para melhor filme estrangeiro do Oscar, edição 2008. Eu particularmente acho a cerimônia do Oscar um saco, um mar de futilidades, os apresentadores quase sempre fazendo piadas que só americanos dão risadas, um jogo de cartas marcadas, e, além disso, acho muito difícil que um filme brasileiro tão cedo ganhe uma das tão desejadas estatuetas do evento. No entanto não custa torcer, se não fizer bem, mal não faz. Não assisti ainda mas boto muita fé na nova safra do cinema nacional. Se tem uma coisa que progrediu muito no país nos últimos anos foi a qualidade no nosso cinema. Temos aí uma infinidade de filmes comprovando tal fato, O Homem Que Copiava, Invasor, Durval Discos, Ó Paí Ó, Tropa de Elite dentre tantos outros desta nova geração. Na verdade, acho que, desde o maravilhoso O Quatrilho, o cinema brasileiro vem num processo de melhora acelerado, e, mesmo que não tenhamos os recursos nem os dólares de Holywood, estamos no caminho certo e um dia chegaremos lá. Parabéns ao cinema nacional e aos profissionais que o realizam. Hoje podemos nos orgulhar do nosso desempenho nas telonas graças à competência e peserverança desses resignados e heróicos homens cinematográficos. Por isso, não custa fazer a corrente de torcida para que nossos filmes, jamais saiam de férias dos nossos cinemas. Vejamos o trailler.


quinta-feira, 27 de setembro de 2007

QUATRO MIL – Por Essa Eu Não Esperava...

O Blog

Na semana passada, conversando com meu compadre Ray Vianna, ele disse que admirava a minha dedicação em manter este blog sempre atual e com novas publicações. Embora não seja bem assim, haja vista que às vezes fico tempos sem escrever, este fato se deve ao imenso prazer que sinto ao manter viva esta página. Quando em 05 de Abril deste ano, incentivado por meu irmão Luciano Carôso, escrevi o primeiro texto de abertura do blog, não poderia imaginar, sequer pretendia isto, o alcance que ele teria. Hoje, após quatro mil visitas, vi que não se pode brincar com o poder desta rede e fico muito feliz em saber que muita gente acompanha, lê os meus textos e as maluquices que escrevo. O blog é uma coisa interessante. Não fico botando a prova o que escrevo antes de publicar. Às vezes, dias depois quando leio, penso comigo: que merda! Mas aí não tem mais jeito já foi. Sempre gostei de escrever, mas sempre tive receio de mostrar os meus escritos. Na adolescência, até os meus quinze anos, não era assim. Não tava nem aí e até gostava muito do que escrevia. Depois foi dando uma insegurança danada até que parei completamente.

Com o blog, voltei a ativa. No início fui divulgando aos meus amigos, alguns hoje são visitantes frequentes, acompanham de perto e sempre interagem, dão sua opinião e muito me gratificam. Minha amiga Rose mesmo, morando bem longe, lá no Canadá, me mandou um e-mail esta semana dizendo que adora o blog e sempre entra para matar as saudades dos amigos e ter notícias da nossa terra. Mas, o que mais me surpreendeu com tudo isto, foi ter alcançado pessoas estranhas, dos mais longínquos rincões que se tornaram visitantes assíduas, fazendo comentários, mandando e-mails com críticas e sugestões. Outro dia, recebi uma mensagem no orkut da filha de um compositor que cito no blog, Roberto José, a Indiara Taíse. Ela agradeceu a citação e me convidou para participar da comunidade de seu pai de quem sou muito fã da poesia.

Novidades

Por tudo isto, tenho procurado a cada dia, tornar a visita ao blog mais interessante. Assim, tempos atrás, coloquei os links do Google News dos assuntos gastronomia, culinária, literatura, poesia e MPB, vídeos do Youtube e do Google, e, hoje, acabo de colocar as novidades de esportes da UOL, na barra lateral, com os links para as atualizações de notícias esportivas deste site.

A partir de agora também, estarei sempre fazendo enquetes com os assuntos mais badalados e comentados no momento. A primeira já está no ar, sobre o voto nas casas legislativas, Câmera dos Deputados e Senado Federal. Espero contar com a colaboração dos amigos. As enquetes estarão localizadas na barra lateral esquerda, logo abaixo dos Blogs e Sites que recomendo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

QUANDO O DESTINO QUER...

Quando Evandro entrou em casa logo percebeu que havia algo diferente. Já fazia muitos anos que ele morava sozinho e conhecia cada canto do lugar, a milimétrica posição de cada objeto, nada escapava ao rigoroso crivo do seu jeito sistemático de ser. Extremamente organizado notou imediatamente que o telefone estava um pouco mais a direita do que de costume. Quando foi conferir, erá óbvio que alguem o afastara para dar passagem à mão e alcançar o fundo da mesinha. Logo viu que o fio estava desconectado da tomada. Como poderia alguém ter feito aquilo. Não havia nem um sinal de arrombamento. A porta e fechadura estavam intactos. Ninguém possuía uma cópia da chave, nem poderia, aquele era o seu mundo, seu porto seguro, não havia como compartilhar com outrem. Ficou um pouco amedrontado. Será que havia mais alguém em casa? O que estaria fazendo ali? Seria um assalto? Uma vingança? Os pensamentos fluíram desordenadamente e uma sensação de pânico invadiu o seu interior.

Naquele momento, ele lembrou os acontecimentos da noite anterior. Fizera algo horrível, desumano e talvez estivesse agora pagando por sua conduta deplorável. Atropelou um mendigo e se negou a dar socorro. Chegou a parar o carro, viu o corpo agonizante e ensanguentado do homem no chão. Quando imaginou a sujeira que seria no seu estofamento novinho, olhou ao redor e, àquela hora da madrugada, não havia uma viva testemunha do acontecido. Contudo, tal atitude lhe tirou a paz. Não houve um segundo sequer desde o acidente, que sua mente não ruminasse um remorso sem fim. Começou a ficar assustado. Teria alguma relação com estes fatos da noite anterior?

Ofegante, começou a examinar cada detalhe e percebeu outros claros sinais de que alguém esteve ou estava ali. Apurou a audição, nem um ruído. Restava o andar superior onde ficava seu quarto, o banheiro e a biblioteca, o lugar mais preservado da casa, pelo qual ele seria capaz de morrer. Teve medo de subir os degraus, nem podia imaginar o que o esperava. Sem outra alternativa, começou a subir. A cada degrau seu coração acelerava. Tinha a impressão que saltaria do peito. Primeiro o banheiro. Nada além da torneira que pingava lentamente. Devia ter consertado o vazamento, pensou. No quarto outro sinal. O telefone da cabeceira também havia sido desligado. De resto tudo normal. A essa altura, o coração parecia furar-lhe o peitoral, tamanha a força e velocidade dos batimentos. Uma dor aguda começou a tomar-lhe o braço esquerdo projetando-se levemente para o peito. A respiração ficou mais difícil, faltava-lhe ar. Com as poucas forças que restavam, arrastou-se até a biblioteca. Ao entrar, olhando as estantes vazias, nenhum livro sequer, o que acontecera? Quem roubaria um monte de livros velhos? Para ele, era sua maior fortuna. Foi aí que a dor ficou insuportável, como se alguém batesse em seu peito com muita força. Perdeu os sentidos e desmaiou.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

BRASIL – Pirataria, Tropa de Elite, Calheiros e outras excrescências!



Acabo de assistir ao filme Tropa de Elite. Fico um tanto envergonhado de assumir em público tal fato, haja vista a desconcertante situação de confessar ser um, mesmo que circunstancial, colaborador da pirataria, algo cujos princípios éticos e morais me fazem condenar de imediato. Mesmo reconhecendo a imensidão deste problema que inicialmente quase extinguiu a indústria fonográfica brasileira, e agora abala de forma torrencial os alicerces das indústrias de cinema e vídeo, as dificuldades de solução para tal, num país com um povo ávido de entretenimento e lazer, cujos rendimentos só não são mais torpes que as ações dos Calheiros e cia ltda e a corrupção da nossa polícia cujo filme retrata cruelmente, vai ser quase impossível dar um freio num mercado que, na informalidade, vende por R$ 4,00 algo que não se compraria numa loja por menos de R$ 20,00. Sem contar os lançamentos cinematográficos que não saem abaixo dos R$ 80,00. Como convencer quem ganha um salário mínimo a pagar 500% a mais com argumentos como a geração de emprego e renda e a falta de pagamento de impostos dos piratas? Se estes pelo menos fossem bem aplicados, se nossa população não estivesse morrendo nas filas dos hospitais, talvez ainda tivéssemos uma chance.

Justamente agora que, aqui na Bahia, vários proprietários de vídeo locadoras fizeram manifestações pelo estado, só num dia foram destruídos mais de trezentos mil DVD´s e CD´s piratas, me caiu nas mãos uma cópia ilegal de Tropa de Elite. Neste caso então a coisa se torna ainda mais absurda já que o filme sequer estreou nas telonas e ainda surgiu um boato que não irá mais estrear. Resta-me o consolo de não ter comprado a tal, foi empréstimo de um amigo, como se isto diminuísse a minha culpa. Não iria perder a oportunidade de ver a brilhante película, não consegui resistir.

O filme é um soco na boca do estômago cujos efeitos são avassaladores. Qualquer cidadão sabe o mar de corrupção no qual está mergulhada a nossa polícia, mas ver o assunto tratado de forma escancarada, sem máscaras, sabendo que é tudo real, deixa o mais alienado dos telespectadores revoltado e indignado com a situação. Aqui mesmo, dizem as más línguas, lá no Morro do Águia, que já foi o maior ponto de venda de cocaína de Salvador, as viaturas da PM subiam e desciam constantemente para buscar o arrego, sem incomodar nem traficantes nem viciados.

Por outro lado temos que considerar o lado dos policiais. Pais de família, trabalham arriscando a vida a cada segundo para ganhar um salário de fome. Embora isto não seja desculpa nem argumento. Já imaginou se todo mundo que ganhasse pouco entrasse no mundo do crime e da corrupção para sustentar a família? Onde iríamos parar? Eu mesmo estaria empunhando uma pistola e fazendo assaltos, ou talvez tivesse no morro vendendo umas balas pra gurizada. Não, definitivamente não. Não é isto que quero dar de exemplo pra minha filha. Não é esta vida que quero pra mim. Prefiro conquistar com o suor do meu rosto, o pouco que ganho, sentindo-me feliz e honrado, dormindo tranqüilo enfim. Assim como eu, muitos não cedem às dificuldades, mas vamos convir que, se ganhasse melhor, bem melhor, seria mais fácil manter a polícia longe da corrupção e do crime. A verdade é que hoje pagamos pra ela proteger o ladrão e o traficante, enquanto ficamos sujeitos a todos os tipos de atrocidades. Para confirmar este fato, basta ler ou assistir um jornal diário.

Tudo fica pior quando vemos nossos governantes e legisladores, assim como o Roubalheiros, desculpem Calheiros, que lapso!, saírem impunes, sem máculas, absolvidos a portas fechadas, com votos secretos, onde sequer sabemos pra quem os filhos das putas que nós mesmos colocamos ali, estão trabalhando. Que nojo! Que absurdo! E o governo do trabalhador querendo foder sua classe? Brigando para acabar com 13º, para manter a CPMF. Alguém lembra do discurso do PT antes de ser governo? Cambada de aproveitadores, isso sim. Que saudade de Cristina Nicolloti. Por muito menos mandaria todos eles tomarem no cu. Pena que ela sumiu e a febre da sua inusitada música já passou.

Outra coisa que me repugnou, foi a forma como os membros do BOPE, Comando de Operações Especiais, retratados pelo filme, são treinados. Com humilhação, violência e desrespeito. Verdadeira máquina de ensinar a matar como se bebe uma garrafa de refrigerante, sem nenhuma culpa. Homens treinados para não terem sentimentos, para tratarem o seu semelhante como se fosse um lixo. Meu Deus, aonde vamos parar? É esta lição que daremos pras futuras gerações? Precisamos pensar nisto!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O SONHO

Nunca deixe de sonhar
O rio não larga o seu curso
O mar nunca cessa as ondas
O sonho não pode parar

Renove a cada dia a sua vida
Purifique o sangue nas veias
Remoce o seu coração

Estanque a sua ferida
Desfaça os fios da teia
Não perca a imaginação

O sonho é uma luz no fim túnel
Um oásis no meio do deserto
Que faz a solidão virar um lume
E o longe cada vez ficar mais perto

domingo, 9 de setembro de 2007

VAQUEJADA DE SERRINHA II

Público da Vaquejada 2006 no show de Zezé di Camargo e Luciano



É maravilhoso viajar pelo interior. Aqui em Teofilândia então onde conheço um monte de gente legal, terra do meu cunhado Moisés, onde mora minha irmã Sílvia, é uma delícia. A 20km de Serrinha, cidade onde já morei e hoje mora o meu pai, que está realizando a Vaquejada, festa concorridísima realizada anualmente, sempre em Setembro no final de semana mais próximo do feriado da independência. Este ano que o feriado prolongou o final de semana ficou ainda mais lotada. A festa muda a rotina da pequena cidade, hoje com uns 75mil habitantes. Não existem vagas nos hotéis, muitas pessoas alugam suas casas para os visitantes. Os bares ficam super cheios e o consumo de bebidas alcoólicas é extravagante. Este é um ponto negativo, algumas pessoas abusam demais. A cidade que tradicionalmente já tem mulheres de rara beleza, torna-se o metro quadrado com maior número de beldades da Bahia.

Na sexta à noite eu, Sílvia e Moisés fomos ao Parque Maria do Carmo para ver a festa. Teve show da Banda Calypso dentre outras. Fiquei assustado com a estrutura do lugar. Fazia muito tempo que não ia à Vaquejada. A última vez que fui lá, ainda era realizada num outro parque, defronte do atual, bem menor e sem a mega estrutura deste. Devia ter pelo menos umas 20mil pessoas e mesmo assim não tava apertado. Fiquei mentalizando e contabilizando os números do evento. Os ingressos custam R$ 20,00 na sexta, R$ 25,00 no sábado e R$ 45,00 no domingo. Considerando que das 20mil pessoas apenas 15mil pagaram imgressos, já que alguns privilegiados têm acesso gratuito, como eu que fiquei no camorote de um grande banco onde trabalha a minha irmã e um dos patrocinadores do evento, só a bilheteria rende R$ 1.350.000,00. Fora os camarotes que custam em média R$ 190,00 para todos os dias de festa. Acredito que pelo menos um terço dessas pessoas vão de carro e o estacionamento custa R$ 5,00. Aí seriam mais R$ 75.000,00. Ainda tem a taxa de inscrição dos vaqueiros que concorrem aos diversos prêmios, que varia de R$ 100,00 para amadores a R$ 500,00 para profissionais. Não sei precisar quantos inscritos mas com certeza são muitos. São cinco dias de corridas que acontecem até a madrugada. Embora eu ache a vaquejada um esporte malvado com os animais, no caso os bois, não posso deixar de reconhecer que é muito interessante. Numa pista de areia com 110m de comprimento, um boi corre com a dupla de vaqueiros cuja finalidade é, um guiar o animal para que o outro o segure pelo rabo e o derrube. O boi tem que cair no espaço de 10m demarcado por duas linhas ao final da pista. Quando isso acontece o narrador anuncia o pregão que se tornou famoso no meio: Valeu Boi! Vamos considerar também a quota de cada patrocinador. Este ano foram nove grandes empresas. Uma grande cervejaria, um grande banco, uma concessionária de celular, uma fábrica de caminhonetes americana, uma fábrica de tintas, uma fábrica de cachaça e outros. Não quero ser leviano e falar do que não sei, mas com certeza cada um dos patrocinadores não deixou menos de meio milhão para ligar sua marca ao evento. Ainda tem a taxa que os comerciantes pagam para vender qualquer tipo de produto por lá. Desde um velho espetinho de gato até restaurantes de grande porte, passando pelos bares, loja de souvenirs e outras coisas. Na cidade falam, não pude atestar a veracidade da afirmação, que a cervejaria dá ao evento, todas as latas que são vendidas durante a festa. Tenha certeza que são milhões. A latinha inclusive é personalizada especialmente para o evento. Aí, os donos de bares que exploram a festa, são obrigados a comprar a cerveja da organização. Dizem até que eles contratam catadores para recolherem as latas vazias e depois vendem por R$ 2,70 o quilo. Uma verdadeira mina de ouro esta festa. Mesmo com toda despesa de produção, segurança e estrutura, com o gasto nas premiações, que este ano foi em torno de R$ 100.000,00, é lucro certo. Lucram todos na verdade. Os organizadores, a cidade, a população, o visitante. De algum modo, dos lucros ao emprego, dos impostos à diversão, todos saem ganhando com a festa. Por isso, seus organizadores estão de parabéns. São dois irmãos muito conhecidos na região, Vardinho e Carlinhos, de quem fui vizinho dois anos quando morei em Serrinha, o segundo inclusive, era muito meu amigo, brincávamos de futebol de botão, gude e outras brincadeiras que hoje em dia estão acabando por causa dos computadores e jogos eletrônicos. A vida tratou de nos separar, cada um seguiu seu próprio rumo, mas foi bom reencontrá-lo na vaquejada.
Carlinhos(esquerda) e Vardinho, os organizadores, com Ivete Sangalo na edição 2006.

Quando voltamos pra casa eram mais de 4hs da manhã o que não me impediu de acordar cedo e ir para o mercado comprar as carnes que serão assadas logo mais no churrasco que faremos para despedida do feriado. Comer um beiju na manteiga, um espetinho de gato e tomar uma gelada com o amigo Souto, ou Duca, como preferirem. Depois uma excursão pelo bairro da Olaria, reduto da família de Moisés, cumprimentando o pessoal e bebericando mais umas geladas por lá. Aí fomos para o Jorro, levar a criançada num passeio. Caldas do Jorro é uma estância de águas térmicas, a 60km daqui de Teofilândia. Algumas décadas atrás, através de perfurações em busca de petróleo, jorrou uma água quente, com 48º, e hoje o lugar é muito visitado inclusive pelas propriedades medicinais das suas águas. Além do banho quente, lá é muito tradicional se comer bode. Frito ou assado, sempre acompanhado de uma deliciosa farofa d´água, um néctar dos deuses. Tem também o fígado de bode assado envolvido no redém, uma capa de gordura. Calorias à parte, vale a pena experimentar. A criançada, minha Júlia, Vitor, filho de meus compadres Gil e Mônica que trouxe comigo para o fim de semana, Moara, Mércia e Matheus, filhos de Moisés, amaram o passeio e se esbaldaram nas bicas térmicas. No Jorrinho, vilarejo perto do Jorro onde a água não é tão quente assim e eu, particularmente, acho um banho mais gostoso, curei um pouco a cerveja com horas e horas de banho. Assim, completamente renovado, estou aqui escrevendo este texto pra vocês e pronto pra tocar fogo na churrasqueira. Hoje é dia de Flafluzinho Pra Banguela!!!

sábado, 8 de setembro de 2007

VAQUEJADA DE SERRINHA!

São 4:13hs da manhã. Estou feliz, demasiado feliz. Sentimento antagônico daquele do último texto. Estou feliz sem motivos, ou talvez motivos hajam. Afinal, depois de quarta-feira, só existem motivos pra me alegrar. Uma aventura que, infelizmente, não posso contar. Hoje em Teofilândia, amanhã vou para o Jorro, ou melhor, mais tarde, daqui a pouco, como preferirem. Fui à Vaquejada de Serrinha, acabei de voltar. Embora uma festa linda, não mexe com minha pessoa. Prefiro uma festa íntima. Prefiro ser feliz! Nada que um banho quente não resolva. Estou morrendo de saudades de vocês!

NÃO SEI NADA

Não tenho tempo a perder,
Talvez eu morra amanhã.
Talvez eu seja mais um,
Talvez eu tenha importância.

Se meus amigos souberem
O quanto os amo, sincero.
Se meus amigos quiserem,
O mesmo que imploro e quero

Teria uma vida eterna,
Teria imenso prazer,
Pra seguir minhas jornadas,
Pra verter o meu amor

Pra que nesta caminhada
Não quebrasse o isopor.
Não saísse em disparada
Não tivesse desprazer.
Pra ver a mulher amada
Pra ver minha luz no cio.

Vou assim, em movimento,
Vou seguindo pelo rio.
Um lamento, um sofrimento,
Uma falta de pudor.
Uma voz cortando o tempo,
Um frio pro meu calor.
Um orgasmo inadimplente
A minha ignorância.
EU AMO!!!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

“PEGA NO TOMBA” – Fazendo Novos Amigos

Às 4:30hs da manhã na praça da concentração

É Tão Bom
(Luiz Caldas)

É tão bom
Quando a gente se entrega a beleza
Se sente em total realeza
Com a natureza e o amor...



Fazer novos amigos é uma beleza. Para isto, é preciso estar de peito aberto, livre de preconceitos e, às vezes, se meter em aventuras inenarráveis. Contudo, corajoso que sou, vou tentar narrar a viagem que fiz em 26 de agosto passado, para um vilarejo por nome Pedras Altas. Era a Festa do Vaqueiro que se realiza todo ano, da qual quase nada vi, já que no ponto alto da festa, dormia profundamente no passeio interno da casa onde fizemos nosso ponto de apoio e, provavelmente, roncava muito, rodeado por uma infinidade de garrafas de cervejas vazias, que a turma pôs ao meu lado de sacanagem, para fotografar e filmar meu vexame.

O convite partiu de Erenilson, um colega de trabalho cuja família mora em Feira de Santana, no bairro do Tomba. Seus pais são de Pedras Altas e até hoje mantêm uma casa na cidade que fica a aproximadamente 280km de Salvador e 170km de Feira. A estrada é a mesma que leva à Juazeiro da Bahia, fronteira com Petrolina-Pe, onde morei dos 05 aos 07 anos. Não lembrava quase nada da região mesmo tendo passado por lá na época que trabalhei viajando com bandas de forró e desbravei todo o interior da Bahia. Desta forma, pouco se conhece de onde se passa. Fazia muito tempo Erenilson insistia na minha ida. Resolvi aceitar o convite. A coisa funciona da seguinte forma. Um grupo de aproximadamente trinta amigos faz a vaquinha para bancar a viagem. Aluguel de ônibus, carne para o churrasco, um panelão de feijoada, a cerveja e o gelo. Tudo com muita fartura. Uma pechincha, tudo isto por R$ 30,00 para cada um.

Saí de Salvador de buzu no sábado, 25/08, descendo em Feira de Santana por volta das 10:40hs. Erenilson já me esperava na rodoviária com dois amigos, Feitosa e Dõe. De lá, fomos direto ao Centro de Abastecimento da cidade. Não sei se já comentei por aqui, mas adoro feiras, mercados, etc. É uma forma muito gostosa de interagir com o povo e a cultura de cada lugar. Primeiro paramos na barraca de Tia Nita. Uma velhinha de pelo menos 85 anos que, a cada garrafa que serve ao freguês surrupia um copinho e bebe com cara de imenso prazer, uma figura. Passeamos pelo Centro parando de bar em bar até chegar a um box-restaurante, onde degustamos um maravilhoso carneiro guarnecido com cuscuz de milho. De lá para o Tomba, continuando a via crucis pelos bares do bairro, até parar na mesa de sinuca onde o viciado Erenilson tratou de garantir nossas geladas através das tacadas certeiras, Aquela altura, não sei como ele conseguia jogar, já que o copo não deu conta de manter em pé. Animado pelas vitórias e pelos efeitos do álcool, derrubou-o no chão. Lembrei um e-mail de humor negro que certa feita recebi, onde dizia que era melhor ter mal de Alzeimer que de Parkison, haja vista ser melhor esquecer de pagar a conta que derrubar a cerveja. Erenilson concorda plenamente. Jantamos uma rabada em outro barzinho e fomos pra casa descansar os esqueletos para a jornada do dia seguinte.

Foi então que tive uma visão assustadora. Pensei que havia morrido e chegado ao inferno onde o Capeta me ordenou o pior dos castigos. Eram 4hs da manhã quando levantei ainda tonto e baratinado pelo sono. Ouvi uma zoada estranha, fiquei angustiado naquele escuro, num lugar que nunca havia visto antes. Levou um certo tempo até descobrir onde estava e que a tal zoada era, na verdade, o chuveiro onde Erenilson tomava seu banho. Quase corri desesperado quando a figura saiu nu do banheiro. Uma visão de terror, digna de haloween. Nervos abrandados, banhei-me também, vesti a roupa e saímos às 4:30hs para a concentração da viagem. Primeiros fomos a casa de Miguel, o tesoureiro, cozinheiro e churrasqueiro da turma e único abstêmio. Lá fizemos o desjejum com um delicioso e forte caldo de feijão. Aprovei o cozinheiro na hora. Lá também se encontrava o imenso isopor abastecido de gelo e latinhas. Era o único lugar seguro para guardá-lo. O resto da turma daria uma baixa com certeza em tão precioso conteúdo. Ajudamos Miguel a levar os bagulhos para a praça. Nesta altura o ônibus já nos esperava. Começaram a chegar os amigos do meu amigo. Alguns eu já havia conhecido no dia anterior, outros estava vendo pela primeira vez ali mesmo. Sei que não lembrarei todos os nomes, mas vamos tentar: Guaxinim, Tenente Pão Com Bufa, Feitosa, João Caruru, Caetano, Zé Braz, Tonho, Nêgo, Hugo, Tião e o filho Adriano, Júnior e o filho Felipe, Zé Pernambuco, Correia, Biro Biro, Paulo, Neto, Professor Embola Roda, Chico de Amália(…”Eu vou pra Maracangalha…”) e tantos outros cuja amnésia alcóolica não me permite lembrar. Desculpem àqueles que ficaram fora desta lista podem crer que estão no coração. Feitosa, de sacanagem, trouxe um coco gelado cujo conteúdo era 10% de água e o restante de cachaça. Saiu oferecendo a todos e alguns, uns desavisados como eu, outros por puro prazer, aceitaram a oferta e sofreram mais tarde as devidas consequências.

A turma na concentração às 6hs da Manhã. Miguel com a camisa do Bahia e Erenilson Rosa, o anfitrião, de camisa Rosa. Ai meu Deus!!!

A viagem começou da mesma forma que terminou. No maior clima de festa com a percussão comendo no centro na cozinha, sambas e sambas cantados por vozes apaixonadas, nem sempre afinadas, brincadeiras gostosas entre amigos que se dão bem e se respeitam embora quem venha de fora e não conheça a tradição do lugar, pode até se assustar com as trocas de amabilidades. Um pit stop tático no meio da viagem garante o término do café da manhã. Uma farofa de carne típica de posto de beira de estrada da Bahia. Chegando a Pedras Altas, bota-se o feijão pra ferver na casa dos pais de Erenilson, improvisa-se uma churrasqueira de blocos no fundo do quintal e parte-se para rodar a cidade, ver os desfiles de cavalos, visitar a represa, banhar-se nas águas geladas e renovadoras do Rio Jacuípe, paquerar as belas meninas vestidas ao estilo dos rodeios, cantar, dançar e beber. Apenas Miguel ficou em casa tomando conta do rango e da churrasqueira. Não pensem que ele se importa, esta é a sua diversão. Seu semblante transparece o imenso prazer que sente com sua função.



Na volta pra casa, o churrasco já rola a pleno vapor assim como a feijoada. A fartura é tanta que além de toda a excursão, várias pessoas da cidade e parentes dos anfitriões, filam a bóia na casa pequena, cujo coração não caberia neste texto de tão grande que é. É óbvio que depois de toda esta esbórnia, muitos, assim como eu, tiram sua madorninha depois do almoço. Estes sofrem nas lentes das máquinas e do câmera-man, especialmente contratado para registrar a viagem. Uma vez acordados, outro banho no Jacuípe renova todas as energias para a jornada da volta.

Foi uma delícia participar deste grupo, conhecer aquelas pessoas. Se Deus me der vida e saúde, quero voltar no próximo ano. Pois, se por acaso seu carro não pegar, bote no tombo. Se mesmo assim não der, passe no Tomba que ele pega.



Glossário Regionalista:
Vaquinha:
Reunião de dinheiro dado por diversos amigos com a finalidade de suprir alguma despesa.
Buzu: Ônibus.
Cuscuz: Espécie de bolo feito de fubá de milho com sal e liga de goma de tapioca cozido no vapor. Totalmente diferente do que se chama de cuscuz no sudoeste e sul do país.
Bagulhos: tralhas, bagagem.
Cozinha: Fundo do ônibus.
Amabilidades: Excluído o significado formal, forma irônica de ofensas.
Rango: Comida.
Filar a bóia: Comer de graça.
Pegar no Tombo: Botar o carro para pegar ao ser empurrado ao tempo em que solta-se a embreagem e acelera-se. Algumas regiões falam "pegar no tranco".

domingo, 2 de setembro de 2007

SATISFAÇÃO

Eu realmente precisava publicar alguma coisa. Mostrar aos leitores, sejam eles reais ou imaginários, que continuo vivo e o blog também. Outro dia recebi um comentário no texto de Ó Paí Ó com o seguinte conteúdo: “blog desativado???? Onde está aquela frequencia de prosas e poesias?”. Justo eu que reclamei tanto do poeta que parou de escrever no blog? Este pelo menos está escrevendo um livro e tocando um projeto pessoal de grande porte, e eu? Eu porra nenhuma! Na verdade estou muito tomado pelo trabalho, lendo bastante, mas a verdadeira razão pela ausência é a falta de inspiração. Ultimamente não tenho tido vontade de escrever. No entanto não posso simplesmente parar deixando ao relento os resignados corajosos que dedicam parte do seu tempo para ler minhas besteiras. Mas, meu compadre Ray Vianna já fala, que arte não é máquina de fritar pastel com produção industrial. Se não é assim para um artista do quilate dele imagine para mim, um embrião engatinhando no ofício de escrever? Hoje, aqui na paz do meu apartamento, no meio da minha solidão, enquanto a maniçoba fervilha no fogão, Júlia passeia de bicicleta com Luana, uma linda menina, coleguinha de escola e sua mãe, a simpatia em pessoa chamada Yone, enquanto Roberto Carlos despeja sua linda voz nos meus ouvidos, com seu romantismo implacável, sento no computador para escrever estas linhas. Nem mesmo o amigo Moreira, o único online no MSN, atende os meus pedidos de atenção. Com certeza deve estar tomando sua gasolina* lá em Teofilândia e babando sua linda netinha. Em mim, um imenso vazio, uma vontade de chorar, uma tristeza sem motivo nem explicação. Alguém já me disse que este é um claro sinal de depressão, será? Seja como for, estou sozinho. Morrendo de saudade do Rio Grande do Sul, de Sandra, de São Paulo. Como gostaria de estar agora em Sampa e pegar nos braços a filinha de Lílian, Júlia também, amiga invejosa esta Lílian. Na verdade tudo que eu queria neste momento era fazer exatamente aquilo que não está ao meu alcance já. Dormir com Priscila Fantin, passear de iate, comer a maravilhosa comida da minha avó materna Das Dores que nem cheguei a conhecer mas cuja fama atravessa gerações, ver o Bahia e o Vitória na primeira divisão . Enfim tudo aquilo que definitivamente não posso fazer agora. Apenas levantar e cuidar da panela no fogão. Beijos!!
*Gasolina: Cachaça destilada, de coloração amarela, apelidada por Moreira de gasolina pela semelhança com o combustível.

sábado, 4 de agosto de 2007

SALVADOR - SÃO PAULO - A Correção

Depois de ler a história podre da nossa viagem que eu publiquei aqui com a devida autorização dele, meu amigo Gatão ressalvou o fato de eu ter omitido três episódios importantes de tal aventura. Dois deles foram omissões propositais e continuarão assim, mas um deveu-se a um lapso de memória infeliz. Não é que tivesse esquecido do fato, estava apenas associando o acontecido a uma outra viagem da qual Gatão não participou. Não lembrei que ele estava presente e, além de testemunha, foi protagonista da história que seria o primeiro risco real de vida a que nos expusemos naquela fatídica jornada.

Afirmei aqui que, na noite do Rio de Janeiro, não fomos à rua por falta de recursos. Uma meia verdade já que o dinheiro estava realmente muito curto. No entanto, enquanto comíamos a pizza liguei para um grande amigo que conhecia há muito, desde os tempos em que trabalhei na Timbalada. Era Cosme Anchieta, o gerente da editora musical da Universal Music, com quem fiz sólida amizade enquanto trabalhei no meio. Por causa do seu trabalho, Cosme vinha muito a Salvador e fui apresentado a ele por meu irmão Edmundo. Compositor que é Edmundo estava editando a maioria das suas músicas com Cosme além do fato da Timbalada ser artista da Universal e ter várias canções no catálogo da editora. A simpatia foi mútua. Gostei dele de cara e acho que a recíproca foi verdadeira. Lembro da primeira vez que saímos juntos numa noitada em Salvador. Eu, com meu Fiat 147, apelidado por meu compadre Zé Filho de O Maestro, “um conserto em cada esquina”, levei o amigo para tomar umas geladas e comer uns petiscos no mercado do Rio Vermelho, mais conhecido como mercado do peixe. O resultado daquela noite foi que o deixei às 6hs da manhã no hotel e o nascimento de uma grande amizade.

Quando liguei pra ele, agora lembro muito bem, logo se prontificou a levar os paraíbas num passeio noturno pela cidade maravilhosa. Não lembro muito bem dos detalhes, mas sei que Cosme e a esposa nos pegaram na pizzaria e saímos pela noite. Logo percebi que o clima entre os dois não estava dos melhores, mas a refinada educação não deixou que passassem para nós as suas desavenças de casais. Depois de passarmos por alguns pontos da noite, paramos num bar chamado Petisco da Vila, reduto do renomado sambista Martinho na Vila Isabel. Lá degustamos várias geladas e algumas caipiroscas que Cosme insiste em chamar de caipirinha. Coisas da linguagem de cada estado. Noutro texto deste blog, explico como o baiano diferencia cada uma delas. Degustamos também um prato de nome desconhecido pra nós, mas de sabor extremamente familiar, o Osso Buco.

Depois de várias cervejas e caipirinhas, respeitando a linguagem dos nossos amigos, o clima entre os dois esquentou e nossa noite prematuramente terminou. Cosme pediu-nos desculpas e nos levou para casa. Acontece que meu amigo estava o que na Bahia chamaríamos de muito retado e saiu em disparada pelas ruas do Rio. Num determinado ponto do trajeto, havia uma blitz policial, com soldados ostentando armas exuberantes e assustadoras, que sinalizou para pararmos o carro. Em plena madrugada do Rio de Janeiro, Cosme acelerou e, contrariando as ordens policiais, furou o bloqueio e passou batido. Até hoje não entendo porque os policiais não atiraram no carro nem iniciaram uma perseguição cinematográfica. A verdade é que chegamos ilesos à casa de Kantney e, Cosme e esposa acertaram seus ponteiros e vivem até hoje um casamento sólido e feliz. Bom para todos. Principalmente pra mim que ainda estou aqui para contar tal história.

Minha confusão foi tanta que estava atribuindo este episódio à outra viagem ao Rio que fiz três anos depois, desta feita sozinho e fiquei hospedado na mesma casa do velho amigo Kantney. Desta vez, numa tarde de sábado, marquei com Cosme um encontro num bar que não consigo lembrar o nome, mas sei que fica na beira do mar e tem um número pelo meio. Talvez seja Barril 2000 ou algo assim. Marcamos às 13hs e se, não tivesse me embriagado enquanto o esperava, talvez estaria até hoje plantado por lá. Saí pelas 16hs trocando as pernas, andei por mais de 10min seguindo a orientação do garçon de como pegar o ônibus para o Cosme Velho e cheguei em casa para dormir e roncar até Kantney me acordar às 20hs para sairmos. Mas isto já é outra história. Vale lembrar que Cosme não perdeu comigo nem um milímetro de consideração por causa desta furada.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

ROBERTO CARLOS - A Biografia Proibida


Esta é a capa da biografia.

Acabo de ler a tão falada biografia não autorizada, Roberto Carlos em Detalhes e, cada vez mais, entendo menos o porque do cantor ter brigado tanto para retirar o livro das livrarias. Uma celebridade como Roberto, o artista de maior peso de todo o Brasil, deveria ter sido mais coerente e humano. Sim, estou usando a palavra humano pois achei uma desumanidade jogar por terra anos de pesquisa séria, um trabalho brilhante realizado pelo baiano Paulo César de Araújo.

Fã do cantor, assim como a maioria dos brasileiros, o autor faz uma abordagem carinhosa, séria, respeitando a pessoa do artista sem desnudar com sensacionalismo sua privacidade. É natural que o Brasil e o mundo tenham interesse em saber da vida do rei. E ele que tanto fez para chegar onde chegou deveria saber e respeitar este desejo. Pois Paulo César realizou o sonho de milhões e milhões de pessoas ao escrever este livro, aí vem Roberto Carlos e joga areia no brinquedo da mesma multidão que o colocou onde ele está. Uma maldade.

O livro é uma delícia. Um texto claro, fluente, com depoimentos históricos de pessoas que de alguma forma passaram pela vida de Roberto. Uns mais próximos, outros nem tanto assim. Tem também depoimentos do próprio Roberto Carlos extraídos de entrevistas fornecidas às mais diversas fontes inclusive ao próprio autor, além de muitas fotos interessantes. Sob todas as óticas que procurei observar o livro, desde a abordagem jornalística até a invasão da privacidade de alguém, não encontrei motivos que justificassem tal atitude. Que pena!

Não estou crucificando Roberto, de maneira nenhuma. Ele é humano como todos nós e portanto está passível de cometer erros. Neste caso, eu acho que ele errou. Por outro lado só alvoroçou mais a curiosidade de milhões de pessoas. Hoje o livro está por aí, passeando mundo afora em sua íntegra pela internet, e, quem não teve a felicidade de encontrar um exemplar adquirido antes da proibição, como eu, está tendo toda condição de lê-lo. No fim das contas acho que foi até uma espécie de promoção para o livro, pena que não valerá o pagamento de direitos autorais ao escritor, os mesmos direitos autorais que ajudaram a fazer de Roberto Carlos, uma das maiores fortunas do Brasil.

Não sou o único a reclamar, o jornalista Luís Perez, em artigo(leia aqui) publicado no Interpress Motor, defende: “Belíssimo tributo à vida e à obra de Roberto Carlos o livro “Roberto Carlos em Detalhes”, de Paulo César de Araújo. Não que não haja defeitos. Como fã declarado do cantor – e todos que me conhecem sabem disso –, encontrei inúmeras imprecisões, mesmo em transcrições de letras. Mas nada que comprometa o documento histórico (afinal, história é feita de versões, não de “verdades factuais”) que é o livro, que narra o processo de formação desse ídolo nacional, mas não sem trazer à tona minúcias bastante reveladoras. Uma das passagens mais interessantes é a forma como esse livro que o cantor tanto quer proibir aborda um ponto que permeia toda a obra de Roberto Carlos…”.

Li na veja que Roberto não ganhou a ação e sim fechou um acordo com a editora e o autor. Este não foi favorável mas diante da pressão da editora e seus advogados acabou cedendo. Parece que hoje está arrependido. Segundo a reportagem Roberto pagou uma verdadeira fortuna e é claro que Paulo César recebeu uma gorda comissão. No entanto acho que dinheiro nenhum paga a satisfação de um autor que dedica anos da sua vida num projeto para ver o reconhecimento do público por aquele trabalho traduzido na compra dos seus exemplares. Paulo não terá este prazer. Contudo, acho sinceramente que escreveu o livro muito mais pela admiração que sempre sentiu por Roberto do que antevendo generosos proventos com ele.

Fã de Roberto Carlos que sou, principalmente pelo seu trabalho do fim da década de 60 e toda a de 70, fiquei deliciado com a leitura. Pra mim valeu também para descobrir muitas outras coisas da história da nossa música, algumas nem têm tanto haver com Roberto Carlos assim. Estou sentindo uma tristeza imensa por ter terminado aquelas páginas. Fizeram-me uma grata companhia nos últimos dias e acabei me afeiçoando muito a elas. Eu ainda acredito que, mais cedo ou mais tarde, Roberto vai voltar atrás, pedir desculpas ao público e liberar a publicação. Uma imensa multidão ficará agradecida.

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Trechos do Livro

Para quem contesta a sua popularidade e o seu reinado...

"....Roberto Carlos é o mais popular cantor brasileiro de todos os tempos - e nenhuma celebridade deste país pode ser considerada mais conhecida ou mais adorada pelo público. Quando começou a fazer sucesso, o homem ainda não havia chegado à Lua, os Beatles ainda não haviam conquistado o mundo, a Guerra Fria ainda dividia o planeta, e o Brasil era apenas bicampeão mundial de futebol. Pois bem: o homem foi e voltou à Lua, os Beatles viraram lenda, a União Soviética acabou, o Brasil já conquistou o pentacampeonato e Roberto Carlos continua fazendo sucesso...."

Para os que acham que tudo foi fácil pra ele...

"...Já com Roberto Carlos não foi assim. Ninguém o convidou para nada. Quando chegou ao Rio de Janeiro, não tinha nenhum contato, nenhum conhecido no meio, nenhum parente importante. Chegou para arriscar a sorte, e apenas com a fé e um violão..."

"...Escaldado pelo fracasso do primeiro disco na Polydor, Roberto Carlos resolveu arregaçar as mangas e trabalhar mais pela divulgação de seu novo trabalho, sem esperar apenas pela gravadora. Diariamente ele percorria as emissoras de rádio, especialmente o programa do Chacrinha, na Rádio Mauá. "Eu pedi ao Othon Russo que desse mais trabalho a Roberto na CBS para ver se assim ele sossegava e espaçava as visitas diárias para três vezes por semana", afirma o apresentador. Paralelamente à sua atuação no rádio, na época Chacrinha comandava seu programa na TV Tupi, e lá também estava Roberto Carlos, participando do quadro "Adivinha quem é o cantor mascarado?". Roberto Carlos entrava de tarja preta no rosto, sentava em um banquinho e cantava ao violão Brotinho sem juízo. Em seguida, Chacrinha criava uma onda danada, perguntando ao público quem era aquele cantor. Ninguém tinha dúvida na resposta... era João Gilberto. Quando Roberto tirava a máscara, o público fazia oh!!!!!!!!!!, sem entender nada...."

Para os que acham que tudo foram flores para ele...

"...Roberto Carlos estava segurando as mãos de Maria Rita quando o coração dela parou, às 23 horas de domingo, dia 19 de dezembro de 1999. O artista chorou e rezou abraçado ao corpo de sua mulher, que viveu apenas 38 anos, oito meses e quatro dias. "A imagem de meu pai foi a coisa mais desoladora que vi na minha vida. Nessa hora, tive a dimensão real de sua dor. Até aquele momento, tinha sido uma coisa de luta, de vamos lá que tudo vai dar certo. Aí percebi que não seria do dia para a noite que ele iria superar aquilo", afirma Dudu Braga...."

"....Os médicos da Pro-Matre foram então chamados para examinar a criança e deram o diagnóstico: infelizmente, os olhos de Segundinho
(Dudu Braga) não haviam nascido perfeitos. Estavam com 40 de pressão, quando o normal é 15. E essa doença tem um nome: glaucoma congénito - que acarreta perturbações visuais transitórias ou definitivas. Glaucoma: infecção dos olhos, assim chamada pela cor esverdeada que toma a pupila (do grego glaukós - verde), caracterizada pelo aumento de pressão intra-ocular, dureza do globo do olho e atrofia da pupila ótica.

Naquele momento, Roberto Carlos estava envolvido no lançamento de seu novo álbum, O inimitável, e o diagnóstico dos médicos bateu como uma paulada em seu coração. Como normalmente acontece em casos que envolvem celebridades, o boato rapidamente se espalhou pelo Brasil: o filho de Roberto Carlos tinha nascido cego...."

Muitos não acreditaram nele e previram o seu fim...

"...Na contramão da comoção popular que o artista despertava, muito se especulou sobre a possível queda do rei. Diziam que ele não aguentaria muito tempo, que o sucesso acabaria no inverno seguinte, que era falso demais para perdurar. O jornalista David Nasser relatou: "Ninguém pensava, naquele início dos anos 60, que o moço triste de Cachoeiro de Itapemirim tinha vindo para ficar por tanto tempo. Eu também, quando o vi pela primeira vez, calculei que não passasse de um dos muitos passageiros da música". Opinião semelhante à que teve o jornalista e exgovernador da Guanabara Carlos Lacerda. "Pensei, pensaram muitos, que ele ia afundar nas margens plácidas de um Ipiranga de glória passageira."..."

"...Depois de fracassar com seu primeiro disco na Polydor, foi dispensado sem segunda chance da gravadora. "Ninguém tem uma bola de cristal para saber o futuro de um artista. Ele gravou, não vendeu e foi desligado", explica João Araújo, que assumiu o comando da gravadora logo após a saída de Roberto Carlos.

É curioso que, para Roberto Carlos, ninguém teve bola de cristal. Os radialistas só passaram a tocar suas canções depois que ele foi contratado pela CBS - como tocavam vários outros cantores que sumiram no tempo. O importante é identificar quem acreditou em Roberto Carlos antes de ele gravar seus primeiros discos naquela gravadora - quando era apenas um cantor de rádio ou da noite. E nesse papel só houve Carlos Imperial. Mesmo Chacrinha, só ajudou Roberto por insistência de Imperial. "O Imperial foi a minha bengala branca. Ele me levou pela mão através dos corredores das emissoras, das redações dos jornais, das fábricas gravadoras", afirmou o cantor numa entrevista nos anos 60...."

"...Em meio à polémica em torno da ascensão de Paulo Sérgio, e a queda de audiência de seu programa na televisão, não faltaram análises apocalípticas sobre a queda do ídolo. Os sociólogos de plantão também foram chamados a se manifestar sobre o fato. Marialice Foracchi, socióloga da Universidade de São Paulo, afirmou que Roberto Carlos se transformara em consumo e, por conseguinte, havia se desgastado. "Ele acabou se perdendo porque, generosamente, distribuiu as características que o tornavam tão especial. O seu modo de vestir, compor e falar foi partilhado por todos, imitado por todos. As diferenças gradativamente se anularam. A distância que, no palco, mantinha Roberto Carlos afastado mas ao mesmo tempo ao alcance de seu público dissolveu-se. Confundindo-se com o público, o ídolo adquiriu forma humana...", e por aí seguia toda uma tese sociológica para explicar por que teria se exaurido o mito Roberto Carlos.

O que ninguém analisava era se as canções de Roberto Carlos continuavam atingindo o grande público. Nota-se que, naquela época, o critério de avaliação do poder de Roberto Carlos estava no índice de audiência de seus programas, como se ele fosse essencialmente um apresentador de televisão, e não um cantor-compositor...."

Para os que não visualizam a dimensão da sua grandeza e do seu sucesso...

"...Nos demais países não houve um grupo ou cantor jovem com poder de fogo maior do que os Beatles. O Brasil talvez tenha sido o único país no qual, nos anos 60, os Beatles não foram os principais ídolos e vendedores de discos. Aqui quem mandava era Roberto Carlos e sua turma. Fenômeno que vai se repetir depois com o aparecimento do espanhol Júlio Iglesias. O que levou Caetano Veloso a afirmar que Roberto Carlos era o nosso ministro da Defesa.

O fenômeno Roberto Carlos chamava a atenção de todas as subsidiárias da CBS. Mensalmente fazia-se uma lista de best-sellers locais. Cada subsidiária tinha sua lista e a enviava com a quantidade de discos vendidos e a data de lançamento. Quando a matriz começou a ver o número de discos vendidos por Roberto Carlos, ficou estupefata. Nenhuma das outras subsidiárias conseguia vender tanto...."

******

É por tudo isso que concordo plenamente com Paulo César de Araújo, dentre as razões para um sucesso tão sólido e duradouro, uma das mais importantes é a imensa qualidade do seu repertório, principalmente nas canções da dupla Roberto e Erasmo. Canções que atravessaram o tempo, de geração em geração, ditaduras, manifestações, exílios, anistia, democracia, etc e, até hoje, estão vivas e atuais encantando o público das mais diversas classes sociais sem importar a faixa etária. Roberto Carlos, para mim, é uma unanimidade.

Como prova irrefutável de tal fato, estão aí "...Detalhes, Se você pensa, Outra vez, Cavalgada, Emoções, Fera ferida, Nossa canção, Olha, De tanto amor, Como vai você, O portão, Jesus Cristo, As curvas da estrada de Santos... E ainda, Sua estupidez, Café da manhã, Nossa Senhora, Proposta, As canções que você fez pra mim, Como é grande o meu amor por você..." dentre tantas outras que não caberiam neste relato. O cara é mesmo o REI!!!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

A TRAGÉDIA ANUNCIADA

Chocado, estarrecido, transtornado, de luto e revoltado. Assim amanheceu o povo brasileiro hoje, 18 de Julho de 2007, após o terrível e anunciado acidente ocorrido ontem em São Paulo que, ainda sem números oficiais, deve ter vitimado fatalmente mais de cento e oitenta pessoas. Alguém tem que se responsabilizar por esse caos que se estabeleceu na aviação do Brasil nos últimos tempos. Caos este que embora já existisse, vivia mascarado na irresponsabilidade do governo federal até outro fatídico desastre, a menos de um ano atrás, onde morreram cento e cinquenta e quatro pessoas no desastre com o avião da gol, deflagrar o escândalo para os ouvidos do povo.

Os contralodores culpam o governo, que culpa os controladores, que culpam os pilotos do Legacy que culpam os pilotos da Gol que não podem mais culpar ninguém. Assim, neste empurra empurra de responsabilidades, ninguém trará de voltas as vidas que se esvaíram nestes acidentes, nem amenizar a dor dos milhares de familiares e amigos das vítimas.

Muito se fala que a pista ainda não continha as ranhuras necessárias para a aderência dos pneus do avião na hora do pouso, principalmente em pista molhada, o que permite maior desempenho na freada e a manutenção da aeronave em linha reta. No entanto, acabo de ler no blog de Fernando Rodrigues, jornalista da Folha Online, que as informações preliminares reduzem consideravelmente a hipótese dos supostos defeitos da pista de Congonhas, serem os responsáveis pelo acidente: “O fato de o avião ter continuado em alta velocidade depois de ter atingido o solo –informação pendente de ser oficialmente confirmada com dados da caixa-preta– reduz muito a hipótese de os supostos defeitos na pista de Congonhas serem os únicos possíveis causadores da tragédia. Quando o avião derrapa por deficiência da pista quase sempre ocorre uma mudança imediata na trajetória em solo. As informações preliminares (atenção: preliminares!) dão conta de que o Airbus da TAM seguiu em linha reta até praticamente o final da pista, sem frear nem perder a direção.” A verdade é que, há dois dias atrás, um pequeno avião da empresa Pantanal derrapou na mesma pista sem maiores proporções. Não teria sido um aviso, um sinal?

É sempre assim, as informações são totalmente desencontradas e depois de muito estardalhaço tais tragédias caem no esquecimento sem a punição dos verdadeiros responsáveis. Até quando amargaremos esta situação?

Não me acho no direito de responsabilizar ninguém, até porque não tenho conhecimento técnico para tal, mas acredito que a postura do governo federal tem sido omissa, irresponsável e incompetente. O descaso para com os controladores de vôo, função de extrema responsabilidade já que lidam diariamente com milhares de vidas, que trabalham em condições adversas e recebem um péssimo salário é um destes indicativos. Isto não é novidade nenhuma. Veja a polícia de todo o Brasil, formada de elementos despreparados, ganhando misérias e que, em muitos casos, acabam virando pro lado crime, ou seja, fazendo exatamente o contrário do que deveriam fazer, para aumentar os parcos proventos e melhorarem a situação da família. De quem é a culpa? O governo alega que os cofres públicos não suportam aumentos nos gastos para realizar tais ações. Perguntamos então: de que cofres vieram os bilhões investidos para a realização do PAN? De que cofres saíram os milhões e milhões surrupiadas pela quadrilha da Construtora Gautama? De onde saíram os milhões do mensalão que o próprio governo usou para manipular os votos e apoios de parlamentares? De onde saiu o dinheiro que reformou o sucatão (termo usado pelo nosso presidente referindo-se ao avião presidencial)? De onde sairá a fortuna que cobrirá o recente aumento de quase 100% dado aos parlamentares e toda a corja de beneficiados que os rodeiam? Além de incontáveis outros absurdos.

Vi estes dias na televisão, um popular falando sobre o orgulho de ver o Brasil sediando uma competição de tamanha importância internacional como os Jogos Panamericanos. Até que teria o mesmo orgulho se não tivesse no nosso Brasil, milhões de pessoas morrendo na filas do SUS. Milhões de crianças nas ruas roubando, pedindo, se prostituindo sem direito à saúde ou educação. Se não saíssemos de casa todos os dias apreensivos, com medo de tudo, sem saber se vamos voltar. Se milhares de conterrâneos não revirassem os lixos urbanos em busca do alimento para matar sua fome. Se nossas estradas não matassem milhares por dia por causa de seus buracos, sua falta de sinalização e conservação mesmo que o povo pague um absurdo de impostos para mantê-las (mesmo assim a solução do governo é entregá-las nas mãos das empreiteiras que pagam propinas e propinas com o dinheiro do nosso pedágio), e etc, etc, etc. Aí eu me orgulharia do PAN e das medalhas do Brasil. Nesta situação porém, não vejo motivo de orgulho nenhum, apenas de revolta e vergonha.

Quantos acidentes serão necessários para que uma providência sensata seja tomada e o problema definitivamente resolvido. Quantas vidas teremos de perder, quantas lágrimas verteremos em vão?

O governo declarou luto oficial de três dias em homenagem às vidas perdidas no acidente da TAM. Esta é a providência do nosso presidente até o presente momento, além, é claro, de cancelar sua agenda recente. Uma lástima, uma vergonha.

Meus sentimentos mais sinceros às famílias que perderam seus entes queridos. Aos desencarnados, que estes encontrem a paz aonde estiverem agora, porque aqui na terra, principalmente no Brasil, está muito difícil.

sábado, 14 de julho de 2007

Ó PAÍ Ó - Rapaz! Neto retô!

Depois de assistir por duas vezes ao filme Ó Paí Ó, não pude deixar de escrever umas palavras sobre minhas impressões. Extremamente tocado, emocionado em demasia, não sei se tenho condições de ser imparcial nesta crítica, até pelo simples fato de ser baiano e amar profundamente a Bahia.

Um retrato fiel de Salvador, ou de pelo menos uma parte significativa e importante da cidade, o filme une humor e drama com total equilíbrio. Dos risos às lágrimas bastam segundos de projeção.

Não tive o privilégio de assistir ao espetáculo teatral que deu origem a película, homônimo, encenado pelo Bando de Teatro Olodum, que emprestou alguns atores para esta montagem. E por falar em atores não há como não destacar as excelentes atuações de Lázaro Ramos, Wagner Moura e Dira Paes. Na verdade, procure um ator com um fraco desempenho no filme. Desafio àquele que encontrar.

A forma como o jeito de falar do baiano, daquele baiano que habita o Pelourinho e suas adjacências, é caricaturado é de extrema perfeição. Quando andamos nas ruas da nossa cidade ouvimos tais expressões por todos os cantos.

A trilha sonora é maravilhosa. Os adjetivos seriam intermináveis para quem, embriagado que está com tamanha emoção, não tem a menor condição de falar sobre nada. Quanto mais sobre um filme de tamanha grandeza.

Parabéns aos autores, diretores, atores, técnica, empresários e todas as pessoas envolvidas neste projeto. Um presente para a Bahia e para o Brasil. Sei que o filme vai agradar brasileiros nos mais longínguos lugares, mas com o verdadeiro baiano, aquele que conhece a terra e seu povo no âmago da sua cultura, será difícil empatar.

Agora, escrevendo estas linhas lembrei de um reclame, que sempre ouço na Rádio Metrópole aqui de Salvador, de uma determinada copiadora. É o diálogo de dois baianos bem típicos, falando das façanhas do proprietário e das vantagens da sua loja. Pena que não sei como extrair este áudio e disponibilizar para os leitores. O começo, que me chamou muita atenção e retrata o falar dos meus conterrâneos além do meu próprio, diz assim:

- Rapaz! Neto retô!
Assista ao trailler do filme. O vídeo está disponibilizado
neste blog.

MALA É MALA EM QUALQUER LUGAR

Depois de ter chamado o poeta de mala e sofrer as consequências do meu impensado ato, venho aqui falar de outras malas que muito me incomodam: as malas virtuais, ou malas internáuticas, como costumo chamar. São um chute no saco de qualquer um.

Não precisa citar nomes, deixemos que as carapuças caiam em suas respectivas cabeças, se é que tais cabeças existam.

Não entendo como uma pessoa perde horas e horas na frente de um computador mandando e-mails de correntes que ajudam a disseminar os endereços eletrônicos para os distribuidores de vírus, numa progressão geométrica de razão elevadíssima, acreditando que seu desejo se realizará em dez minutos ou então acontecerá o contrário por ter quebrado a tal.

Outra chatice são as mensagens de amor, auto-ajuda, amizade e tantos outros temas que no fim das contas possuem a mesma finalidade das tais correntes. Se quiser mandar uma mensagem para alguém seja original e escreva você mesmo. Caso não goste de escrever escolha uma mensagem que tenha a ver com o destinatário e mande apenas pra ele. Se quiser mandar pra mais de uma pessoa, principalmente se elas não se conhecerem, tenha o cuidado de enviar através de cópia oculta. Um e-mail é como um telefone ou um endereço. Só quem tem o direito de dar é o seu dono, não podemos sair por aí divulgando aos quatros ventos algo de cunho pessoal, desrespeitando a privacidade de outrem.

Já não bastam os inúmeros spans que recebemos por dia, os e-mails que os intrusos nos mandam com vírus disfarçados em tantas formas e facetas? Será que ainda precisamos dos amigos para aumentar esta lista de inconvenientes que nos fazem perder o nosso precioso tempo filtrando o que presta e o que não presta na nossa correspondência eletrônica? Claro que não.

Outro lugar onde as malas reinam soberanas é o orkut. Quantas pessoas que você nunca viu ou ouviu falar te pedem para adicioná-las. Alguns que você até conhece te adicionam, acho que só para aumentarem o número de "amigos", sem nenhum aviso prévio, sem um scrapzinho sequer, mas nunca mais te mandam um recado ou interagem de alguma forma. Sem contar os que ficam mandando propagandas dos mais variados produtos, festas e etc. Não que eu ache um absurdo mandar um scrap para quem não se conhece, afinal quem entra no orkut sabe que estará exposto ao mundo, apenas esperamos que as pessoas tenham um mínimo de desconfiômetro e sensatez.

Tudo depende da forma como se aborda ou o que se quer com aquela pessoa. Por acaso você fica parando na rua um desconhecido pra dizer amenidades ou fazer comentários íntimos? Pois é, no orkut também deveria ser assim. Eu mesmo já mandei mensagens para desconhecidos. Uma vez elogiei o texto de uma menina que, através do perfil de uma amiga muito querida, acabei visitando o seu. Mesmo com uma abordagem discreta e elogiosa a resposta não foi das melhores. Ontem achei no orkut o perfil de uma jornalista da qual sou um grande admirador. Uma menina talentosa e culta, apresentadora de um programa de entrevistas numa rádio de Salvador cujo conteúdo é dos mais interessantes. Não resisti à tentação de mandar um scrap elogiando o programa e o seu trabalho. Desta vez fui melhor entendido e recebi uma resposta carinhosa.

Pois então, não sou o corretinho do pedaço, mas estou longe de ser aquilo que chamo de mala internáutica. Pelo menos é o que acho. Se alguém não concorda comigo que exerça o seu direito de resposta.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

OS PRESENTES

Ontem fui comprar um presente pra minha filha dar a uma coleguinha que fazia aniversário. Na dúvida do que levar, dentre as várias opções, fiquei inclinado em comprar o mais barato. Na verdade, por uma grande coincidência, aquele que mais gostei, era exatamente o de menor preço.

Aí me peguei com um pensamento estranho e repulsivo. Será que a família da menina não iria reparar o valor de tal mimo? Nunca valorizei um presente pelo seu valor material e sim pelo grande significado do ato de presentear. Significa que alguém, em algum momento, por algum motivo, lembrou de você com carinho. Este sim é o grande valor do presente. Principalmente aqueles que são dados fora das datas comemorativas como aniversário, natal, etc. Pra falar a verdade, os presentes que mais fundo tocaram o meu coração, foram singelas lembranças de muito pouco valor material mas de infinito valor pro meu íntimo. Ora, se a família não gostasse, problema dela. Era de coração que estava comprando. Não o mais barato, mas aquele que mais gostei.

Minha mãe conta um caso interessante, história verdadeira. Não vou citar nomes mas a coisa aconteceu assim. Certa feita, uma mulher mostrava a uma amiga os presentes que seu filho recebeu na festa de aniversário da véspera. De um em especial ela falou com muito desdém. Era uma gravatinha borboleta. - Como é que se dá uma coisa destas a uma criança? Uma porcaria! Acontece no entanto que a dita cuja esqueceu do comentário infeliz e mandou para o filho da mesma amiga, meses depois, quando este fazia aniversário, o mesmo presente que desdenhara no passado. Não que a amiga concordasse com ela mas ficou indignada com a situação. Foi assim que guardou o presente e devolveu ao filho da moça no aniversário seguinte. Bem feito!

“Cada presente de um amigo é um desejo por sua felicidade” Diz Richard Bach no seu livro “Longe é Um Lugar Que Não Existe”. É uma verdade profunda. É preciso valorizar o ato de presentear. Não importa o preço do presente mas a sinceridade de quem o deu. Por isso, ao receber uma lembrancinha, não deixe de agradecer e de ficar muito feliz.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

SALVADOR - SÃO PAULO - O Roteiro da Loucura e da Irresponsabilidade - V

Com Adalberto, o famoso Gatão.

QUERO VOLTAR PRA BAHIA

(Paulo Diniz/Odibar)

I don´t want to stay here
(Eu não quero ficar aqui)
I want to go back to Bahia
(Eu quero voltar pra Bahia)

Eu tenho andado tão só
Quem me olha nem me vê
Silêncio em meu violão
Nem eu mesmo sei porque

De repente ficou frio
Eu não vim aqui para ser feliz
Cadê o meu sol dourado?
Cadê as coisas do meu país?

I don´t want to stay here
I want to go back to Bahia

Via intelsat eu mando
Notícias minhas para o Pasquim
Beijos pra minha amada
Que tem saudades e pensa em mim



A viagem de volta foi um verdadeiro descalabro. Uma irresponsabilidade sem tamanho. Eu e Gatão devíamos ter sido multados em muitos e muitos reais para aprendermos a não mais arriscar a vida dos outros na estrada.

Já começa que eu tive a infeliz idéia de voltar pela BR 116 que cruza o estado de Minas Gerais. Queria que Gatão visse novas paisagens já que ele não conhecia. A estrada é muito pior de trafegar do que a BR 101, com muito mais curvas, estava em pior estado que a outra e o fluxo de caminhões é interminável.

Saímos de São Paulo às 7hs e lá pelas 11hs atravessávamos a fronteira do Rio com Minas. Se não estou enganado almoçamos em Juiz de Fora. Gatão tinha pressa de chegar a Salvador já que na segunda pela manhã tinha uma audiência na justiça do trabalho que não poderia faltar e começou a dar a idéia de não pararmos para dormir. Sugeriu que enquanto um dirigia outro cochilava ao lado. Não concordei. Achei muito arriscado. Poderíamos ser traídos pelo sono além do perigo que é a estrada à noite. Ele não desistia. Usava vários argumentos e não conseguia me convencer. Sem querer botar a culpa só nele, sei que a minha parcela é equivalente, foi muita insistência até que, no finalzinho da tarde, paramos para abastecer.

O posto estava cheio de caminhões. Foi quando Gatão teve a triste ideia: - Adriano! Sei como resolver nosso problema! Como é o nome daquilo que caminhoneiro toma para não dormir? – Arrebite. – Pois Vamos tomar isso daí. O cara desceu do carro e abordou um caminhoneiro que encontrava-se descansando na boléia. Fui atrás para conferir tamanha cara de pau. Ele perguntou como fazíamos para conseguir os tais remédios. O caminhoneiro não contente em nos indicar onde comprar, deu-nos uma cartela que continha quatro comprimidos junto com a receita: - Vocês dissolvem dois comprimidos numa dose de conhaque e bebem. Em seguida tomam um cafezinho. Acho que vai dar pra vocês virarem a noite sem precisar comprar mais.

Seguimos nossa viagem até por volta da 10hs da noite quando paramos para jantar. Tomamos os comprimidos. Pra mim foi um desastre. Quando virei o conhaque com os comprimidos dissolvidos quase boto tudo pra fora. Tive de me controlar para não vomitar. Imediatamente perdi a fome e não consegui comer nada. Gatão ainda jantou um pouco, mas vi que estava empurrando, comendo por obrigação. Não senti absolutamente nada na hora. Assumi novamente a direção e pegamos a estrada.

Meia hora depois comecei a sentir algo diferente. Uma coisa boa, uma euforia repentina. Perguntei a Gatão e ele disse estar sentido a mesma coisa. Deu uma vontade incontrolável de conversar aí abrimos a matraca descontroladamente. Sono nem pensar. Umas duas horas depois, eu já tava com vontade de tomar mais comprimidos. Sentindo nescessidade de reacender o barato. Preferi me calar, achei que Gatão reprovaria. Não demorou muito tempo e ele falou: - Adriano, o que você acha de tomarmos mais um? Concordei na hora. Tivemos que comprar mais já que tomamos de vez o que ganhamos. Foi muito fácil. O comércio de afetamina, principal substância dos chamados arrebites, rola solto nas estradas.

Aí foi um moto contínuo. Paramos várias vezes para tomar novas doses. Sempre dissolvido no conhaque. Não precisa falar que ficamos completamente embriagados. O pior é que não tínhamos consciência disso. Dirigi até Vitória da Conquista onde chegamos às 5hs da manhã. Não sei descrever o que estava sentindo mas estava completamente fora de mim. Ao mesmo tempo que sentia cansaço me sentia completamente desperto. A euforia deu lugar a um imenso vazio e derrepente não conseguia mais articular uma palavra sequer. Quando tentava falar parecia que a língua era maior do que a boca e não conseguia emitir nenhum som. Prostei catatônico no banco do carona enquanto Beto seguiu dirigindo e cantando músicas sem nenhum nexo.

Não sei como conseguimos chegar. Só pode ter sido obra de Deus. A verdade é que às 11hs da manhã do domingo desembarcamos na porta da casa de Gatão. D. Gracinha nos esperava com uma feijoada maravilhosa. Digo maravilhosa por conhecer o seu feijão, daquela porém nada consegui comer. Pelo menos já estava conseguindo falar. O efeito já começava a passar. Não me dando por satisfeito, sugeri tomarmos uma cerveja para comemorar a chegada. Depois de alguns copos, corri ao banheiro e botei o pouco que tinha no estômago pra fora. Gatão começou a falar coisas sem sentido. Fui para casa, precisava dormir. Nem tirei as bagagens do carro, fui direto pra cama sem banho sem nada. Fritei de um lado pra outro o resto do dia, a noite inteira até o amanhecer da segunda. Embora meu corpo estivesse dormindo, meus olhos continuavam abertos.

Foi uma experiência muito ruim, daquelas que nem devíamos provar. Não desejo a ninguém o que eu senti naquele dia. O pior de tudo é a ressaca moral. Pelo menos aprendi a lição e acho que Gatão também. Hoje quando lembramos damos muita risada, mas nada justifica nossa irresponsabilidade. Nada aconteceu mas poderia eu nem estar aqui pra contar essa história.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

A INDGNAÇÃO DO POETA

O poeta ficou enfurecido comigo. Chamou-me de língua de trapo, traidor além das outras suas insinuações cruéis. Tudo porque caí na asneira de dizer que ele estava chato agora que retomou a escrita de um livro nascido em 1988 e que, há muito, jazia na poeira e no limo da sua cabeça. Ainda se gaba de sublimar minhas imperfeições. Coisas de poeta!

Reclamei também por ter deixado os seus leitores, e me sinto no direito já que sou um deles e dois mais assíduos possíveis, à mingua sem textos nem explicações nas páginas do seu blog que ficou longos dias sem uma linha sequer.

Vi o tal livro nascer. Eram épocas difíceis e felizes para todos nós. Sempre acreditei nele e continuo acreditando agora que tomou outro rumo diferente daquele que parecia seguir àquela época. Tive também o prazer de ler parte dos originais tanto do embrião quanto do agora quase maduro objeto literário.

Minhas reclamações surtiram efeito, haja vista o poeta ter retomado com velocidade voraz suas publicações nesta rede.

Contudo tem sido um inferno conviver com o poeta. Não sei onde já li que todo poeta é maluco e chato. Neste caso o nosso personagem enquadra-se bem para ambas as expressões. O tal livro é desculpa pra tudo de errado que faz. Deixando sua progenitora à beira de um ataque de nervos com a desorganização total a sua volta. É sempre a mesma desculpa: - Mãe, eu tô escrevendo. – Mãe tô escrevendo um livro. Por causa disso se acha no direito de virar a casa de pernas pro ar impune. Coisas de poeta!

Inspirado em tal fato, eu que não tenho o dom da poesia mas forço a barra de vez em quando, fiz um pequeno poema para homenageá-lo. Espero desta vez não ser atacado nem chamado de traidor. Tomara que o poeta entenda que tudo que eu queria era voltar a ler os seus versos.



O Marquez dos Pobres
(Adriano Carôso)

Perdoai-o oh Lourdinha!
Tire do rapaz o crivo,
Ele está escrevendo um livro.

Ou Lourdinha, perdoai-o!
Como você está vendo,
O rapaz tá escrevendo.

Perdoai-o oh Lourdinha!
Sei que isso não querias,
Nosso Gabriel Garcia.

Dessarumando a casa,
O banheiro encharcando,
Mas um livro tá brotando.

Dê Lourdinha o seu perdão,
De santa progenitora,
Que só falta a editora.

Este ato oh minha mãe!
Pode até valer pro réu,
Um novo prêmio Nobel.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

CONTRA O VERSO II

Eu brigo por muitas coisas,
Nas quais eu não acredito.
Adoro chamar de feio,
Aquilo que acho bonito.

Eu sou foda, sou cruel!
Devia ser rebaixado,
De promotor a réu.