quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

POLIDOLENTES

Poema de José Ribeiro de Almeida recitado por Aristóteles Emanuel.

Polidolentes.mp3


Dos humanos no calvário
De refletir não desisto
Festejando o aniversário
Do Senhor, meu Jesus Cristo.
Refletir ou meditar,
Havemos nós de convir
Não vale a pena chorar,
Só vale a pena sorrir.
Longe da paz, o barulho.
Construindo a desigualdade
Com o preconceito e o orgulho,
Eliminando a humildade.
Minoritário, sensível
Nunca atinge o inatingível.
Dos humanos no plenário
Frente à quantidade imensa
Dos que são da indiferença
Que é o bloco majoritário.
Infortúnio produzindo
Para quanta criatura,
Sem pão, saúde e sem teto.
Gente aos poucos sucumbindo
À carência de ternura,
De proteção e de afeto.
Perseguidas e humilhadas,
Sem conceito, sem valor,
Estão desmoralizadas as palavras
Paz e amor.
Cantadas pelos mortais
Das duas à revelia
Superficialmente tais como:
Boa noite e bom dia.
Feliz é guri vivendo
Mesmo que o mundo desabe
Sem nada disso sabendo
E sem saber que não sabe.
Na esperança da esperança
Do planeta no tumulto
Que beleza ser criança,
Que tristeza ser adulto.

COLUMBINA

Já tá ficando sem graça isso. Qualquer dia vão me processar. Vejo um vídeo com poema da Samantha no Anjo Baldio e roubo para postar aqui. Será que alguém pode ser preso por adorar as palavras de uma poeta como ela? Ainda bem que no Brasil não existe pena de morte...




Poema: Columbina
Autora: Samantha Abreu
Intérprete: Samantha Abreu

Não deixe de ver:
Mulheres Sob Descontrole
Alta Intimidade
Versos de Falópio
São universos onde Samantha bota pra fuder!

P.S. Por falar em Anjo Baldio, é outro lugar onde não se deve deixar de ir. Nelson é daqueles baianos que orgulham a nossa terra.

POEMA DE MENINA

Dois dias atrás, eu estava super concentrado no computador, escrevendo para o blog, quando entra minha filha Júlia de oito anos com um papel na mão, com sua matraca indesligável e uma total falta de discernimento para saber a hora de não interromper, me falando: - Pai, dê uma paradinha aí que eu queria ler uma coisa para você. Me tirou totalmente a concentração e o meu primeiro impulso foi de mandá-la sair e voltar depois, mas sempre procuro ficar atento ao que ela tem a dizer. Então, parei, salvei o que estava escrevendo e disse: - Fala filha! - Pai, não sei se isso é poesia. Se não for, o que será então? Aí ela leu pra mim exatamente o que vou transcrever aqui, sem mudar uma palavra sequer, apenas consertando uns pequenos erros de português. Até o título, foi ela quem deu.

A Emoção da Vida
Poema de Júlia Lopes

Emoção não se engole
Emoção é o que se tem
E a vida passa tão rápido
Que a gente não percebe
Pois assim é a vida
Que te quer e que te tem
Mas assim é a vida
E os covardes não vencem
Essa luta tão incrível
Que é a vida
Pois assim acaba
Nossa história de viver

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

MÁRCIO VALVERDE - Todosamba


Posso até parecer chato e tendencioso falando aqui mais uma vez do meu grande amigo e parceiro Márcio Valverde. Na verdade, é que acho uma injustiça artistas como ele continuarem no mais absoluto anonimato junto ao grande público. É bem verdade que Márcio já escreveu seu nome na história da música de Santo Amaro, e, portanto, da música brasileira já que as duas se confundem. Teve até música gravada por Maria Bethânia, no CD Diamante Verdadeiro - Ao Vivo, 1999. A canção foi "Recôncavo", parceria dele com outro amigo e grande poeta Chico Porto. Eu particularmente não gostei muito dessa gravação, mas sem dúvida foi um justo reconhecimento ao talento desse compositor, santamarense como ela.

Ele também já ganhou um importante prêmio da Fundação Cultural do Estado da Bahia, no final da década de 90, o que lhe valeu o direito de gravar seu primeiro CD, "Bússola". Participou também de festivais da Educadora FM de Salvador, realizados em moldes muito interessantes. As inúmeras músicas inscritas são submetidas à um júri especializado que selecionam 50. Estas são incluídas na programação da rádio e a partir daí o júri é o ouvinte que dá o seu voto pelo telefone ou pela internet. Na edição 2004, sua música, "Dos Erês", parceria com Nélio Rosa, não ganhou, mas ficou entre as 15 que foram incluídas no CD das melhores classificadas. O mesmo aconteceu em 2005 com a canção "Da Saudade", também parceria com Nélio Rosa.

Este final de semana, fiquei hospedado em sua casa durante a famosa festa da Lavagem da Purificação em Santo Amaro, e, além de comer, beber e dormir de graça, recebi de presente seu segundo disco, Todosamba. Gostei muito do que ouvi. Já conhecia algumas canções mas ainda não tinha ouvido o cd inteiro. Fiquei muito feliz com o presente. Os sambas de Márcio são de muito sentimento, melodias primorosas enriquecidas com belas letras já que ele está sempre rodeado de grandes poetas, sendo inclusive, um deles.

"Deixa pra lá, começou o samba agora, vamos sambar, bate palma, puxa o samba, eu vou cantar..." Deixa Pra Lá(Márcio Valverde/Nelson Elias) um samba pra cima com a cara de Santo Amaro. Já em "Revel"(Márcio Valverde/Chico Porto) a poesia é marcante em versos como "...volta, estou aqui, ainda são de aço as cordas do meu coração, volta, estou aqui, ainda trago as manhãs nas mãos..." Em "Nossa Canção"(Márcio Valverde/Luciano Carôso/Nélio Rosa), ele nos brinda, além da bela melodia, com versos tais como "...eu só vou saber quando me doer quanto foi amor, e na noite fria, essa melodia como cobertor."

São treze sambas de primeira linha, poesias em forma de música que mais parecem carícias para os ouvidos. Vou compartilhar quatro delas com vocês e, se alguém tiver interesse em adquirir o cd, pode mandar um e-mail. Tenho certeza que não vai se arrepender.

Deixa Assentar a Poeira
(Márcio Valverde/Chico Porto)

...A vida é vento que passa
E o tempo é o pai da razão
Eu vivo a verdade do meu coração.

Mas deixa...

Deixa assentar a poeira
Pra falar de nós dois
Ainda está me doendo
Vamos deixar pra depois,
Vamos deixar pra depois

Viva da sua maneira
Que eu vivo como posso viver
Só quero guardar
Bons momentos de você,
Bons momentos de você

Não adianta fingir
Que nada aconteceu
O nosso amor se quebrou
Pra não dizer que morreu

Agora nem você nem eu
Devo insistir por favor
Quem navegou nesse mar, navegou.

Quando a saudade apertar
E a vida entristecer
Peça as águas do mar
Para cuidar de você.
A vida é vento que passa
E o tempo é o pai da razão
Eu vivo a verdade do meu coração.

FICHA TÉCNICA

Voz: Márcio Valverde
Violão: Júnior Figueiredo
Cavaquinho: Márcio Parede
Tan-Tan: Clédson de Almeida
Bateria: Walmir Paim
Baixo: Jonivon Freitas
Pandeiro: Agnaldo
Coro: Agnaldo, Antonio Reis, Bitencourt, Clédson e Reginaldo Santos
Arranjo: Júnior Figueiredo


12-Deixa Assentar ...

Nossa Canção
(Márcio Valverde/Luciano Carôso/Nélio Rosa)

Será que ela escuta
Essas frases curtas
Da nossa canção
Que eu fingindo acaso
Canto num compasso
Bem fora do tom.
Frases tão banais,
Digo nunca mais
Canção popular
Roupa que apertou,
Vaso que quebrou
Verso por lembrar
Eu só vou saber
Quando me doer
Quanto foi amor
E na noite fria,
Essa melodia como cobertor.

Quanto se perdeu
Do que era seu
Na voz do cantor
Quanto já se foi,
Tanto de nós dois
Ninguém escutou
Na voz da saudade
Parece verdade
Que eu era feliz
Verso temporão
Som contravenção
Doura a tarde gris
Eu só vou saber
Quando me doer
Quanto foi amor
E na noite fria,
Essa melodia como cobertor.

FICHA TÉCNICA

Voz e violão: Márcio Valverde
Piano: Airton Moura
Sax Tenor: Kiko Souza
Surdo: Clédson de Almeida
Arranjo: Márcio Valverde


07-Nossa Canção.mp...

Como Diria Noel
(Márcio Valverde/Nélio Rosa/José Raimundo Cândido)

Moet Chandon, Channel
Elle est três jolie
Como diria Noel
Ela não sabe o que diz

Já trocou o carnaval
Pelas luzes de Paris
E diz que é a tal
E diz que é atriz.

Causa aborrecimento
Relembrar o seu passado
Quando vivia ao meu lado
No morro do Sacramento
Ah, esse seu sotaque...
Não há quem resista
Ele é o charme do disfarce
Da falsa turista
E hoje quem diz
Que essa dama de fino trato
Já armou muito barraco
Na lavagem da matriz

FICHA TÉCNICA

Voz e violão: Márcio Valverde
Cavaquinho: Júnior Figueiredo
Baixo: Jonivon Freitas
Bateria: Walmir Paim
Rebolo: Clédson de Almeida
Sax Soprano: Val Alencar
Arranjo: Márcio Valverde e Júnior Figueiredo

09-Como Diria Noel...

Anoitecendo
(Márcio Valverde/Mabel Veloso)

A rua estreita vai fazendo curvas
Os corredores com os batentes altos
Abrem as janelas pra olhar em frente
Pelos passeios se espalham cadeiras
E as conversas pela noite adentro
Alguns vizinhos pelas persianas
Olham escondido o namoro alheio.

Dentro da casa a TV ligada
Fala do mundo de cruéis notícias
E pelos becos correm mexericos
De casamentos que caminham mal.

A noite espicha e a cidade dorme
Nos corredores as cadeiras calam
E pelos quartos confissões são feitas
Antes do sono quando o amor se deita

FICHA TÉCNICA

Voz e violão: Márcio Valverde
Piano: Airton Moura
Flauta: Kiko Souza
Participação especial(voz): Lívia Milena
Arranjo: Márcio Valverde e Júnior Figueiredo


13-Anoitecendo.mp3

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

CASA

Eu estou encantado com a poesia de Nélio Rosa. Quero então compartilhar com vocês algumas delas.

CASA

Ergo paredes com pedras e desvario,
já não me sinto só no meio do mundo
nem mais me assusta onde o sertão profundo
estrada é vale, montanha, mar e rio.

Para minhalma cama, mesa e calor,
a minha casa rasa pro meu amor.

Maré vazante, barco à deriva, frio,
tudo escorrendo entre os dedos da mão,
não tenho sede e não navego em vão:
sei que há o mar no fim de todo rio.

Para minhalma cama, mesa e calor,
a minha casa vaza pro meu amor.

Uma cidade erguida por um fio,
Terra estranha é alma de pessoa,
que não se pisa, mas se sobrevoa:
(Lançar semente à beira de algum rio).

Para minhalma cama, mesa e calor,
a minha casa asa pro meu amor.

Este poema faz parte do livro O Terno do Meu Avô e Outros Pertences do poeta Nélio Rosa. Ele foi lançado num estojo acompanhado de um cd com alguns dos poemas do livro cantados ou recitados por diversos artistas baianos, sobretudo, santamarenses. Márcio Valverde, que fez a produção artística do disco e musicou a maioria dos poemas do cd inclusive este aqui, presenteou-me com esta relíquia que tanto me toca e sensibiliza. Aguardem que outros virão por aí.

FICHA TÉCNICA

Márcio Valverde:
Violão
Roberto Mendes: Voz


02-Casa.mp3

MUQUECA DE CAMARÃO


Cumpade vou te ensinar
A fazer um bicho bão
Bóia das mais saborosa
Que cumi num outo dia
Quande tive de passage
Pelas banda da Bahia

O prato chega na mesa
Fervendo e fumaçando
O cheiro é uma beleza
A boca vai logo aguando

Por isso cumpade amigo
Eu vou te dá a receita
Desse trem delicioso
Que chega a cê tentação
Bonito, bão e gostoso
Muqueca de camarão

Pegue logo um caderninho
Pra notar os gridiente
Que cê vai cortar tudinho
Juntar num ricipiente

O tamanho num importa
Pode ser pequeno ô grande
Cebola, tumate, pimentão
Mói de cebolinha e coentro
Não esqueça do limão
Que tumbém vai levar dentro

Tem tumbém leite de coco
E o mió vô te dizer
Azeite de oilva um pôco
Mais azeite de dendê

Agora fique ligado
Pro modo de preparar
Pegue os camarão limpinho
Bote no tempero pronto
De alho sal e cuminho
Q´ueles vão ficá no ponto

Esprema bem o limãozinho
Por cima dos fruto do mar
Deixe ali um bom tempinho
Que é pra mode marinar

Esquente numa panela
O azeite de oliva
Vá fitrando os camarão
Q´ueles vã fica rosado
Vai subir um cheiro bão
E ficar cheio de cardo

Tenha cuidado cumpade
Com o tempo da fritura
Se você tirar mais tarde
Vai ficar com a carne dura

E camarão ocê sabe
Pra ficar no ponto certo
De cumer bem o bichinho
Sem reiva, sem aperrio
Ele só vai ta bonzinho
Se tiver muito macio

Agora escorra o cardo
E separe os camarão
Deixe tudo reservado
Pru mode da precisão

E agora meu amigo
É que o bom vai começar
Num tacho de barro quemado
Com carinho e atenção
Despeje os tempero cortado
E o cardo do camarão

Jogue o leite de coco
Misture tudo no tacho
Tampe, mas num seja lôco
Cozinhe no fogo bem baxo

Quando os tempero tiver
Um pouco amolecido
Que subir um bão cheirinho
Gostoso de muito prazer
Pode jogar os bichinho
E o azeite de dendê

Vô dá um aviso importante
Acho bom que aproveite
Pra num ficar enjoante
Não abuse do azeite

Agora pra terminar
Só farta mais um poquinho
Tampe o tacho novamente
Pra ficar tudo a contento
Enquanto tiver bem quente
Cozinhe por mais um tempo

Mais uma vez vô falá
Seja prudente e seguro
Cuidado pra num demorar
Pro bicho num ficar duro

E pros retoque finá
Pra da beleza e gosto ao prato
Tem um segredo de vida
Que te digo num momento
Jogue por cima da cumida
Cebola em rodela e coentro

E agora meu amigo
É bom tu se prepará
Acredite no que digo
É só cumer e rezar

Por isso que é bão viajá
Proutas banda lá de longe
Num é tutu nem torresmo
Nem tropêro de feijão
Mas é gostoso messm
Muqueca de camarão

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

HORIZONTE BELO

Em outubro do ano passado, quando fui à Belo Horizonte pela primeira vez na vida, fiquei encantado com a Beleza da Cidade, suas belas mulheres e muito emocionado por estar no palco onde surgiu o movimento musical que mudou a minha vida, o Clube da Esquina. Na viagem de volta, de uma forma inusitada que já contei aqui em outro post, escrevi o poema intitulado Natasha & Letícia. Quando meu amigo Márcio Valverde o leu, resolveu musicá-lo. Fez umas interferências na letra, eliminou alguns versos e assim nasceu esta canção que marcou o meu retorno às parcerias musicais. Aqui segue ela do jeito que ficou registrada numa gravação caseira e sem qualidade mas que dá pra referenciar a canção.

P.S. Nesta gravação a letra ainda não estava totalmente definida. A real é a transcrita abaixo.
Horizonte Belo
(Márcio Valverde/Adriano Carôso)

Que saudade do Clube da Esquina,
Dos seu versos imortais.
Que do Malleta à Santa Tereza,
Deram belos horizontes, muito mais!

Belos, sempre belos, musicais...
Belo Horizonte, muito mais!

Nascimento para minhas aventuras,
Brant me tomou pela raiz.
Borges me levaram na loucura.
Voar nas asas do 14 Bis.

Guedes, Venturinis e Antunes,
Multiplicaram sons de norte a sul.
Nos permitindo o prazer da festa,
As serestas de Paulinho Pedra Azul.

Belos, sempre belos, musicais...
Belo Horizonte, muito mais!

FICHA TÉCNICA
Márcio Valverde:
Violão e Voz
Luciano Carôso: Pitaco providencial que trocou o "Mil tons para minha desventura" por "Nascimento para minhas aventuras" (pra mim lhe valeria até a parceria mas Márcio o retirou sem dó nem piedade)
Lívia Milena: Tentativa de transformar nossa canção numa casa de tolerância
Vira-lata Anônimo: Latido de fundo musical


marcio_adriano.mp3

domingo, 20 de janeiro de 2008

TALENTO

Gosto muito do que escreves
As palavras parecem carícias
Brincam com sentimentos e emoções
Rimas ricas, ricos poemas
Inventivos e de finais surpreendentes
Entram no ouvido da gente
Lindos dizeres, versos silentes
Elevam as batidas dos corações

Fidalgos são os seus versos
Ilimitadas canções
Deslumbram o universo
Alimentam paixões
Lindos dizeres, versos silentes
Glamoures luzentes
Olhares, verões!

QUANDO VOCÊ CHEGOU

Eu estava perdido em pensamentos
Absorto nas mais profundas elucubrações
Quando você chegou

Nadava contra maré e o vento
Caminhava pra trás sem emoções
Quando você chegou

Comprava com cheques sem fundos
Cozinhava com água e fogo alto
Quando você chegou

Brigava com a vida, peitava o mundo
Fazia carícias e carícias no asfalto
Quando você chegou

Quando você chegou
Meu relógio andou em sentido horário
E meu mundo pareceu melhor

Quando você chegou
Tomou posse, me tirou desse contrário
Acabou a minha dor

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

BARBOSA ROMEU

Hoje, revirando o baú da minha vida, lembrei do Barbosa Romeu. Um edifício velho em Pitangueiras de Brotas onde meu irmão Edmundo morou um certo tempo, num apartamento sub-solo que mais parecia uma caixa de fósforos, quando fixou moradia em Salvador depois de perambular por esse mundo de meu Deus sem rumo, sem moradia fixa e sem endereço. Acho que o Barbosa Romeu foi o primeiro lugar onde Edmundo pôde, por exemplo, apresentar um comprovante de endereço, desses tão exigidos em qualquer um dos cadastros que precisamos fazer nessa vida.

As lembranças daquela época, final da década de 80, são as melhores possíveis embora, no que diz respeito ao quesito financeiro, foram tempos difíceis para todos nós. Lembro do dia 8/8/88, quando a dureza tava foda, o saudoso Pintado do Bongô chegou na casa de Edmundo e encontrou ele tomando um caldo com uma banda de pimentão dentro e aí perguntou: -Que porra é essa?. Edmundo sem jeito, tentando disfarçar, falou: -Isto é uma sopa que aprendi na Espanha. -Espanha porra nenhuma, você tá é passando fome caralho! Parece que a combinação dos oitos não foi muito boa pra Edmundo. Pintado era assim, um desbocado com um senso de humor dos mais aguçados possíveis, mas que levou para o túmulo, o grande mérito de ter sido o mestre de percussão de Carlinhos Brown e o amor e admiração de uma infinidade de pessoas. Por falar em Brown, foi lá no Barbosa Romeu que presenciei ele, sentado na cama de Rá Nascimento que na época dividia o apartamento com Edmundo, mostrar em primeira mão a, até então, inédita "Meia Lua Inteira" e dizer que tinha feito uma merda. Deu a música pro Chiclete Com Banana e agora Caetano queria gravar. Graças a Deus tudo deu certo. Chiclete gravou e Caetano também e a música foi um dos temas de maior sucesso da trilha sonora da novela Tieta da Rede Globo, na voz de Caetano é claro e um estrondoso sucesso nacional. Também, depois que Caetano gravou, a versão do Chiclete ficou muito pequena.

Uma das melhores lembranças que tenho de lá, é da festa de inauguração da geladeira. Isso mesmo, inauguração da geladeira! Durante muito tempo não havia geladeira no ap. Quando Edmundo comprou sua primeira geladeira, isso até me fez lembrar de uma outra história, teve uma festa de comemoração. Foi fantástico. Muita música, poesia e alegria e, é claro, até pra justificar o motivo da festa, muita cerveja gelada.

Lá no Barbosa Romeu, vivemos momentos de muita intensidade. Foi uma época de muita criação. Edmundo e Rá fizeram muitas canções belíssimas, Rudney Monteiro também estava sempre presente com melodias maravilhosas que Edmundo letrava. Foi lá que nasceu uma parceria fantástica, dois irmãos que se juntaram e fizeram um quilo de músicas lindas que até hoje encontram-se no anonimato. Coisas do destino e da nossa indústria fonográfica e radiodifusão que executa ao extremo as "Boquinhas da Garrafa", as "Eguinhas Pocotó", os "Sou Chicleteiro" da vida enquanto ignora melodias e poemas lindíssimos que muito podiam aumentar a sensibilidade, cultura e dignidade do nosso povo. Fazer o que? Foi justamente ouvindo parte dessas músicas de Luciano e Edmundo que bateu uma saudade danada daquela época e uma vontade de escrever sobre o Barbosa Romeu. Bons tempos que não voltam mais.

Baile No Coração
(Luciano Carôso/Edmundo Carôso)

Sol
Quando o sol nascer
Vai reacender
Tudo que é olhar e farol

Som
Diga que quer ser
Se você crescer
Música de um mundo melhor

Baile no coração
Reggae no bem querer
Rumba nessa emoção

Pão
Pão pra quem colher
No trigo o que vê
Pão para quem não colha pão

Grão
Não para moer
Grão para nascer
Grão para que venham outros grãos

Baile no coração
Reggae no bem querer
Rumba nessa emoção

P.S. Meu irmãozinho Luciano Carôso que além de um grande músico e compositor, é uma fera nos assuntos cibernéticos, ao contrário de mim, me ensinou uma maneira de colocar um link para áudio nas minhas postagens. Adorei este recurso e pretendo usá-lo sempre que necessário. Vivendo, fazendo e aprendendo. Então, para inaugurar meu novo conhecimento, vai o link abaixo pra quem quiser ouvir Baile No Coração.

FICHA TÉCNICA
Graça Reis:
Voz
Luciano Carôso: Voz e violão base
Rá Nascimento: Voz, violão solo e percussão em tampo de violão
Edmundo Carôso: Voz, entrada na hora errada e bobagens faladas
Gravado em Burro Preto. Pequeno toca-fitas mono CCE de Edmundo que registrou muitas criações no Barbosa Romeu



baile_no_coracao.m...

LINDO PRESENTE


Ganhei de Mary este presente lindo e queria compartilhar com as adoráveis Gabriele Fidaldo, Carol Barcellos, Nanda Nascimento, Talita Tata Fada Maluca Adorável, Samantha Abreu e mais uma lista imensa de mulheres maravilhosas que não caberia num post ou num blog mas cabe na mente e no coração.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

FLOR CRISTALINA

Todo mundo devia conhecer a poesia de Magal e a música de Rá. São duas coisas que não dá pra explicar. Aqui exponho uma parceria dos dois. Pena que não posso mostrar a melodia de Rá pra tão belo poema. (Ah, Ah! Agora eu posso)
Confira o áudio de "Flor Cristalina" no link abaixo na voz de Rá Nascimento


Flor cristalina
Chuva fina na calçada
Mitigando os teus olhos
Cristalinos de luar

Pelo destino
Pelas ruas do caminho
Como o destino do rio
Que se entrega todo ao mar

Serei o fio
De cabelo esquecido
O decote em seu vestido
Debruçada na janela

E os olhos dela
Aquarela dos meus sonhos
Meu coração em pedaços
Nunca esquece o teu olhar

Me dá um beijo
Que eu te dou o meu abraço
Me dá carinho
Que eu te dou meu coração

Linda menina
Abre a porta e a janela
Deixa o sol da primavera
Florescer teu coração

A flor cristalina
A flor dessa menina....

Poema de Jorge Magalhães sobre melodia de Rá Nascimento.

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ÔNIBUS ERRADO


Lembro bem daquele dia
Impresso, grafado na memória
A amizade batia à nossa porta
Na esperança louca de entrar
Encontrou-a escancarada

Desse encontro casual
Ávida porta se abria
Vida e luz para ambos
Infinitas partículas
Lampejos e centelhas
A porta nos trazia

Demos passos errados
A maioria não, foram certos...

Cada instante que dividimos
O horizonte que caminhamos
São pedaços de uma vida
Traduzida em amizade
Aonde dois se tornam um

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

NA PONTA DA CANETA

Quando os alemães bombardearam Guernica
Não sabiam que Picasso estava à espreita
Quando Lorca foi embora
Com a Espanha franquista
Não sabia que afinal tudo crepita
Na ponta da caneta...

Quando os homens tolos acamparam na ilha
Já traziam seus estragos na bandeja
Quando a barca foi embora
E a perderam de vista
Não sabiam que no mais tudo se explica
Na ponta da caneta...

Na ponta da caneta
Por onde sai a tinta
Por onde o ego grita a sua queixa
Na ponta da caneta

Na ponta da caneta
Por onde alguém se explica
Por onde alguém desdenha a sua gueixa
Na ponta da caneta....

Poema de Edmundo Carôso musicado por Luciano Carôso

Esta gravação é caseira e experimental. Feita quando a letra ainda não estava 100% definida. Vale o que está escrito acima.
FICHA TÉCNICA
Luciano Carôso:
Violão
Graça Reis:
Voz


na ponta da caneta...

domingo, 13 de janeiro de 2008

UMAS E OUTRAS

Uma recita Pessoa e Drumond
Outra sabe de cor as letras do Calypso

Uma gosta de música
Outra gosta de arrocha

Uma degusta um bom vinho
Outra se embriaga de Dom Bosco

Uma passa o reveillon em Itapema
Outra abre a mala do carro na praia de Cabuçu

Uma saboreia com prazer um bom filé
Outra joga farinha no meu molho madeira

Uma gosta muito de sexo
Outra gosta muito também

Não sei o que faço
Sem uma, sem outra, me torno ninguém.

sábado, 12 de janeiro de 2008

A SEGUNDA VEZ A GENTE NUNCA ESQUECE

A segunda vez foi muito mais gostosa. Não desprezando a primeira, mas a segunda é que foi a vez. Foi com Madalena, vamos chamá-la assim, que é um nome bonito da mesma forma que ela. Era uma noite chuvosa na capital da Bahia, nunca vou esquecer. Eu tinha quinze anos e ela quarenta e cinco. Acho que fez uma caridade, mas foi fundamental pra formar o homem que sou.

Não posso esquecer que meu irmão Edmundo, achando que eu era donzelo, foi quem maquinou tudo. Tava em casa, na casa da minha madrinha onde morava na época, quando ele me ligou. – Páre tudo que você tá fazendo e venha pra cá agora. É esse o jeito dele. Ainda bem que obedeci prontamente, Me deu o endereço e, como era tão perto, fui andando mesmo. Ainda não tinha começado a chover. Muita água ía rolar naquela noite.

Quando cheguei ao apartamento de Madalena, uma médica madura e linda, deu vontade de sair correndo. Muito medo e pavor. Eu já imaginava o que Edmundo queria. Ele queria me mostrar a beleza de uma mulher. E eu estava doido pra conhecer. Mas ainda morria de medo.

Na casa, além de Madalena, tinham mais duas mulheres e um cachorro. Marina, Mastrange e Sigmund. Mastrange e Sigmund íam viajar para São Paulo e Edmundo estava apaixonado por Marina. Isso era muito fácil. Só olhar para aquelas coxas torneadas, morenas e com cabelos louros, dava pra se apaixonar. Foi aí que Edmundo falou em segredo: - Você vai levar Mastrange com Madalena pro aeroporto enquanto eu "brigo com Marina porque ela se pintou" e quando voltar verás que "o mar é uma gota". Só que foram muitas gotas de chuva até o Dois de Julho, como antigamente se chamava nosso aeroporto.

Foi nesse dia que eu descobri que existe uma casa, se é que se pode chamar assim, pra mim aquilo é uma prisão, para embarcar os animais no avião. Mastrange e Sig seguiram seu rumo e eu pela primeira vez dirigi em Salvador. A maluca da Madalena me deu o carro pra levar na volta. O pior é que o limpador de pára-brisas, que não limpa nada por sinal, não estava funcionando. Mas a chuva funcionava e muito bem e eu não via nada além das pernas deliciosas de Madalena.

Quando chegamos em casa, Marina dormia no sofá e Edmundo estava com cara de felicidade. Madalena entrou para o quarto e ele disse: -Aguarda que volto já. Entrou também e fechou a porta. Aí eu pensei: - Que filho da puta! Me deixou aqui na mão e vai ficar com ela! Voltou dez minutos depois dizendo: - Entre, ela está nua, agora é com você. Nunca vou lhe perdoar por me despir do prazer de tirar a calcinha de Madalena! O resto foi bom demais!

"MEU MOTIVO" - Não Resisti....


Poema: "Meu Motivo"
Autora: Samantha Abreu (http://samanthaabreu.blogspot.com/)
Intérprete: Samantha Abreu (http://mulheressobdescontrole.wordpress.com/)
Essa Samantha é foda......

CALCINHA


Calcinha?
Ela foi feita pra ser tirada.
Mas isto é uma arte,
E, como toda arte,
É privilégio de poucos...
Ah se eu fizesse parte desta casta!

ACROSS THE UNIVERSE


Aqui do meu canto baldio
Ouvindo Across The Universe
Queria escrever um poema
E não me vem nem um verso
Nada que eu possa falar

Choro, choro e verto lágrimas
Na minha vida vazia
Que melodia linda e precisa
Também não precisa chorar
Por causa dessa melodia....

A letra não sei o que fala
Nem mesmo sei o que falo
Se é falo ou vulva que tenho
Atravessaria um mundo
Um poema ou um engenho
Para dizer que te amo

Te amo muito.....across
O universo te espera
E eu muito mais ainda...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

COZINHAR FAZ BEM

Na Diversão...


Eu adoro os finais de semana. Primeiro porque tem a folga semanal do meu estressante trabalho, envolto em números, cifras, clips e papéis, e, principalmente, porque neles, posso exercer a minha mais fervorosa paixão: cozinhar. Quase sempre assumo o fogão nos sábados e domingos e isso me dá um prazer inenarrável. Convidar os amigos, inventar novas receitas e confraternizar, é realmente muito bom. Renova minhas energias e me deixa pronto pra mais uma segunda, outro dia que adoro, ao contrário da maioria das pessoas.

Amanhã é sábado e já me encontro pensando em qual cardápio irei trabalhar. Talvez uma massa, uma moqueca, um prato exótico, ainda não sei. Só sei que amanhã vou acordar cedo para ir à feira, local onde normalmente decido o prato principal, enquanto seleciono os melhores ingredientes. Costumo falar que o prazer de cozinhar começa na feira e termina na pia após lavar os pratos, outra coisa que gosto muito de fazer. Acredite quem quiser. Quem me conhece sabe que não estou mentindo.
Moqueca de Polvo e Camarão que preparei no carnaval 2007

Neste último natal, passei com a família na casa da minha irmã em Teofilândia, interior da Bahia. Família grande por natureza consideravelmente aumentada pelo grande número de agregados que passaram a noite conosco. Assumi o já tradicional peru, que preparei à base de ervas aromáticas, vinho branco e suco de laranja e um bacalhau denominado Bacalhau à Monosa. Uma receita própria, nascida a partir de uma conversa que tive com o querido amigo Adolfo, colega do curso de cozinheiro que fiz no Senac, na Casa do Comércio aqui em Salvador. Terça à noite, com meu sobrinho João Paulo, o mais novo de Sílvia minha irmã, outro que está se apaixonando pela arte de cozinhar, fizemos um rodízio de pizzas que que deixou com remorsos aqueles que vinham prometendo dieta para 2008. Foram dez pizzas ao todo, dos mais variados sabores.
João Paulo. Seguindo os caminhos do tio.


Com meu cunhado Moisés e as pizzas do rodízio

No ano novo, fui para Itapema, uma paradisíaca praia próxima à Santo Amaro da Purificação, onde preparei uma imensa moqueca de camarão com direito a catado de aratu na entrada. Segundo diria Moreira, outro apaixonado pelo fogão, nem cachorro come. Como é que come se não sobra?

Sou daqueles que gosta do próprio tempero e embora tenha crescido ouvindo Mame Blue falar que elogio de boca própria é vitupério, não me canso de gabar o meu próprio pirão. Sem nenhuma modéstia, gosto muito do que faço.

Por causa dessa paixão, que começou cedo e por necessidade, hoje tenho este blog. Houve uma época que eu achava que blog era coisa de desocupado e nunca tive a intenção de ter um. No entanto, meu irmão Luciano e sua esposa Valéria, me convidaram para postar umas receitas no blog dos dois, o Cozinhar Faz Bem. Lá comecei a estrapolar a receita simples e pura e escrevi alguns textos sobre o assunto. Foi a conta. Tomei gosto pela coisa e hoje estou aqui interagindo neste mundo maravilhoso, que tanto tem me ensinado e me conquistou de cheio. Hoje meu blog é minha nova paixão. Eepero que o fogão não fique com ciúmes. No meu coração tem lugar e carinho para os dois. Bom final de semana a todos e, é claro, bom apetite!

Salmão a Lyce - Uma das últimas invenções

A MÁSCARA


A máscara que carrego comigo
É a mesma que tiro
Quando estou ao seu lado

Pra você me mostro inteiro
Sem entrelinhas nem subterfúgios
Sou apenas o que sou

Desmascarado, fico fiel
E fiel, me entrego completo
A você e ao seu amor

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A PONTE


Um dia eu parei naquela ponte
As águas que abaixo corriam
Chamavam-me ao seu encontro
Como se da fortuna, fossem elas a fonte

Posto para me atirar
Águas dos olhos também corriam
Ensimesmado, roto e tonto
Voei num segundo de encontro ao mar

Mergulho cego, desesperado
Do outro lado a vida vinha
Pedindo louca para eu voltar

Mas, uma vez atirada a pedra,
Proferida a palavra,
Não há mais jeito de retornar.

O COMEÇO

Começar o dia feliz é como nascer de novo, com a certeza que agora vamos saber viver!

NADA

Nada me traz tanta riqueza como os amigos que tenho,
Nada me traz tanta incerteza como as coisas que sei,
Nada me traz tanta tristeza como os sorrisos que não dou,
Nada me traz tanta leveza como o peso do seu amor!

domingo, 6 de janeiro de 2008

VERSOS DE FALÓPIO


"Porque hoje é sábado!"
Eu gosto do Versos de Falópio!
Mas quem não gosta?

Eu gosto dos versos de falópio
Me soam como ópio
Me fazem viajar

Eu gosto dos sons de Gabriele
La femme belle
Nas noites de luar

Da poesia louca de Samantha
Que do meu peito arranca
Emoção e dor

Por isso meu coração abriu
Nem cinza nem o breu
Lhe tiram o esplendor

Eu gosto dos versos de Lais
Que me deixam feliz
Me fazem viajar

De Minas à Salvador, minha paixão
Nos braços de Galrão
Dormir e descansar

O sobrenome dispensa comentários
São versos relicários
Que brotam de Hollanda

Syssy anda me abandonando
Mesmo assim eu sigo amando
Me digam quem não ama?

Pensei que era interior da Bahia
Quando naquele dia
Conheci Jacobina

Mas era mato da paulicéia louca
Escorrendo da boca
Os versos da menina

Por isso,

Quero domingo e segunda
Já que meu peito inunda
De tanta emoção

Terça, quarta, quinta e sexta
Embora eu não mereça
A luz dessa visão

Eu gosto do Versos de Falópio
E quem não gosta?
Hoje é sábado!

Poema escrito nas últimas horas do sábado, 05/01/2008.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

FRACTAL


Meu coração é um fractal desvairado
Contorcendo-se em imagens
De infinito amor

Anda descompensado
Louco em suas viagens
De alma clara e singela

Meu coração é um fractal infinito
De artérias embaraçadas
E aorta multicor

Ele é fiel e bonito
Com suas linhas traçadas
Seguindo o caminho dela

Bate, bate coração
Divida-se em fractais
Porque dos seres normais
O amor é a razão

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

AS MENINAS


Um dia queria eu
Sentir o que era ser ela
Pra entender o que o meu
Faz de bom por dentro dela

Entender o seu olhar
Brilhante e revirado
As lágrimas rolando e o breu
Depois que eu tinha gozado

Algo muito especial
Acontece com a mulher
Se só quero lhe dar pau
Me diz porque que ela quer?

Me fala porque sedenta
Se abre sem ter pudor
Se entrega toda pra mim
Chega ao máximo esplendor?

O seu sexo pulsimétrico
Sua vulva, seu milílmetro
Se escancara ao me encostar
Transformando-se em centímetro

O que ela vê em mim
Tendo perto a presença
O carinho, o olor
De boceta tão sedenta?

Que te dá tão mais carinho
Que te dá tão mais prazer
Que não deixa seu grelinho
Tão sedento de foder

E pra foder a mulher
Tão sensível que ela é
Temos que reconhecer
É melhor outra mulher

Sabe como lhe chupar
Como lhe arrancar gemidos
Fazer a vulva molhar
Endurecer os mamilos

Escorrer dessa vagina
A mais gostosa receita
Retirar dessa menina
O sabor dessa boceta

A loucura desse amor
O roçar de seus pinguelos
Beijo na boca, sabor
De siri e cogumelos

Foi assim que me contaram
As belas Carla e France
Quando me escararam
Este mais lindo romance.

ACRÓSTICA LOUCURA

Você é uma puta sem nome, uma brumA

Amou-me, beijou-me e se foi de miM

Derramou do sexo pulsante e gostosO

Imensos jatos de orgasmo, um torpoR

Agora me explica, o que faço com a dor?

BILHETE PRA SANDRA


Há tempos que tô querendo
Escrever um bilhete pra Sandra
Pra saber onde é que anda
A nossa tenra paixão

Os momentos de loucura
Que vivemos na Bahia
Mas que foram embora um dia
Nas asas de um avião

Nenhuma linha ou palavra
Nem poesia garbosa
Nenhuma carta ou bilhete
E eis que agora o deleite
Nos versos de Nélio Rosa

Este pequeno poema acima, imaturo e com o estilo cordelista que tanto me persegue, foi escrito de supetão, movido pelo desapontamento que senti ao ler o poema homônimo de Nélio Rosa, integrante do livro "O Terno do Meu Avô e Outros Pertences". Nélio, poeta baiano de Feira de Santana, com fortes raízes santamarenses, amigo-irmão e parceiro do meu amigo-irmão e parceiro Márcio Valverde, é um mestre nas palavras. Seu livro é belo desde à casca ao conteúdo, e deveria ser apreciado por todos os amantes da poesia, mas como infelizmente estamos no Brasil e mais propriamente na Bahia, onde a leitura é privilégio de poucos e publicar um livro de poemas é privilégio de loucos, Nélio fez o seu livro sem contar com editora, com um patrocínio sequer, e não tem condições de efetuar sua distribuição e divulgação para fazê-lo chegar às livrarias e ao público específico que facilmente o consumiria. Uma pena. Eu tive a sorte de, sendo amigo de Márcio que fez a produção do cd que acompanha o livro e musicou alguns poemas para o disco, receber de presente um estojo contendo o livro e um cd. Estou extasiado com a poesia de Nélio. Quando li "Bilhete Pra Sandra", logo me vieram à tona os versos acima. Por um motivo específico, que aqui não cabe falar, sempre quis escrever um bilhete pra ela. Agora transcrevo aqui os versos do poeta Nélio. Sou realmente corajoso de expor os meus, diante de tanta beleza.

Bilhete Pra Sandra
Nélio Rosa

O poeta Gilberto

pôs naquela canção

que'cê tem o condão

pra estar longe e perto


Ele tinha razão

(esse poeta Gil?!),

mas o que ele não viu

é o que vejo então:


é muito além do alto

da montanha e do salto
que eu agora procuro,

haverá do outro lado

(sempre dissimulado)
algum porto seguro?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

CORPO EM CHAMAS

Esta sua presença,
Este seu ar de dona de mim,
Esta cama chamando o amor
Este não e este sim.
E este corpo querendo queimar
Pra que eu possa sentir seu calor
E viver em seu corpo
Um imenso prazer
E ficar em você esta noite...

Esta sua distância
Que me deixa aqui sem ação
E estas linhas falando de amor
Nesta minha canção
Que um dia eu fiz pra você
Pra tentar penetrar sem pudor
No seu interior e no seu coração
Com as cordas do meu violão...

E você quem é?
É só uma mulher
A impor os meus trilhos....
Me pondo pra longe de ti sem saber

Vou voltar outro dia
Sem seguir o seu guia
Ou quem sabe amanhã.....

Poema escrito em 1984, quando eu tinha 15 anos, sobre melodia de Márcio Valverde e Luciano Carôso.

SONETO SEM SENTIDO

Escrevo este soneto
Por não ter nada a dizer.
Por faltarem as palavras.
Porque não sou poeta.

São idiossincrasias
Minhas que repudio.
Não tenho o que falar,
Boto tudo na caneta

Falo, falo, falo e falo mais
Nada, nada, nada digo enfim.
Exponho a minha cara no papel.

Este sou eu, sem máscaras,
Isto é o que está dentro de mim.
É isto que eu vou levar pro céu!