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quinta-feira, 26 de março de 2009

VIVA SALVADOR - 460 ANOS

Vista aérea de Salvador Foto: Sandra Bigollo

Domingo, 29 de março de 2009, a cidade de Salvador da Bahia completa 460 anos. Marcada pela riqueza cultural, diversidade de etnias, belezas naturais, arquitetura colonial e tantos outros atributos, Salvador com suas igrejas, ladeiras, casarios, festas, praias e guetos é uma cidade apaixonante que encanta baianos, brasileiros e gente de todos os lugares do mundo. Nasci aqui embora tenha passado minha infância inteira mudando de cidade em cidade no interior do estado. Só em 1983, quando vim definitivamente para a capital estudar, é que pude conhecer de verdade a minha cidade natal. Foi amor a primeira vista. Parafraseando Chico Buarque, "ver Amaralina, foi que nem beijar menina, que cenário de platina, que poema à beira mar".

Salvador tem uma importância histórica fundamental para o Brasil tendo sido a sua primeira capital. **"A história da cidade de Salvador inicia-se 48 anos antes de sua fundação oficial com a descoberta da Baía de Todos os Santos, em 1501. A Baía reunia qualidades portuárias e de localização, o que a tornou referência para os navegadores, passando a ser um dos pontos mais conhecidos e visitados do Novo Mundo. Isso fomentou a idéia de construção da cidade. O rei D. João III, então, nomeou o militar e político Thomé de Sousa para ser o Governador-geral do Brasil e fundar, às margens da Baía, a primeira metrópole portuguesa na América.

Em 29 de março de 1549, a armada portuguesa aportava na Vila Velha (hoje Porto da Barra), comandada pelo português Diogo Alvares, o Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de Cidade do São Salvador da Baía de Todos os Santos, que desempenhou um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano entre os séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil de 1549 a 1763.

O trecho que vai da atual Praça Castro Alves até a Praça Municipal, o plano mais alto do sítio, foi escolhido para a construção da cidade fortaleza. Thomé de Souza chegou com uma tripulação de cerca de mil homens – entre voluntários, marinheiros soldados e sacerdotes, que ajudaram na fundação e povoação de Salvador.

Em 1550, os primeiros escravos africanos vieram
da Nigéria, Angola, Senegal, Congo, Benin, Etiópia e Moçambique. Com o trabalho deles, a cidade prosperou, principalmente devido a atividade portuária, cultura da cana de açúcar e comercialização o algodão o fumo e gado do Recôncavo.



A riqueza da Capital atraiu a atenção de estrangeiros, que promoveram expedições para conquistá-la. Durante 11 meses, de maio de 1624 ao mês de abril de 1625, Salvador ficou sob ocupação holandesa. Em 1638, mais uma tentativa de invasão da Holanda, desta vez com o Conde Maurício de Nassau que não obteve êxito.

A cidade foi escolhida como refúgio pela família real portuguesa ao fugir das investidas de Napoleão na Europa, em 1808. Nessa ocasião, o príncipe regente D. João abriu os portos às nações amigas e fundou a escola médico-cirúrgica, primeira faculdade de medicina do País.



Em 1823, mesmo um ano depois da proclamação da Independência do Brasil, a Bahia continuou ocupada pelas tropas portuguesas do Brigadeiro Madeira de Mello. No dia 2 de julho do mesmo ano, Salvador foi palco de um dos mais importantes acontecimentos históricos para o estado e que consolidou a total independência do Brasil. A data passou a ser referência cívica dos baianos, comemorada anualmente com intensa participação popular.

Dos planos iniciais de D. João III, expressos na ordem de aqui ser construída "A fortaleza e povoação grande e forte", o compromisso foi cumprido por Thomé de Souza e continuado pelos que os sucedem. São filhos de Catarina e Caramuru, que se misturaram com os negros da mãe África e legaram à Salvador a força de suas raças criando um povo “gigante pela própria natureza”." **



Esta semana, em comemoração aos festejos do aniversário da cidade, uma televisão local está realizando uma enquete para decidir qual a música que melhor representa a cidade. Tarefa difícil haja a vista a riqueza de músicas que falam com maestria sobre Salvador. Foram dez canções previamente escolhidas para que o internauta pudesse dar o seu voto. Veja abaixo a relação e as letras de cada uma delas. Eu mesmo sinto muito a falta de Chame Gente(Armandinho/Moraes Moreira), para mim não poderia ficar fora de tal relação. Contudo, como bom baiano que sou e apaixonado pela cidade, darei o meu voto. Seja qual for a escolhida, o que importa é que todas elas homenageiam com beleza a bela São Salvador.




São Salvador

(Dorival Caymmi)

São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra de Nosso Senhor
Pedaço de terra que é meu
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do branco mulato
A terra do preto doutor
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do Nosso Senhor
Do Nosso Senhor do Bonfim
Oh Bahia, Bahia cidade de São Salvador
Bahia oh, Bahia, Bahia cidade de São Salvador

Baianidade Nagô
(Evany)

Já pintou verão
Calor no coração
A festa vai começar
Salvador se agita
Numa só alegria
Eternos dodô e osmar
Na avenida sete
Da paz eu sou tiete
Na barra o farol a brilhar
Carnaval na bahia
Oitava maravilha
Nunca irei te deixar meu amor

Eu vou
Atrás do trio elétrico vou
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo a minha baianidade nagô
Eu queria
Que essa fantasia fosse eterna quem sabe um dia a paz
Vence a guerra
E viver será só festejar

Êô êô laiá êô êô laiá

We Are The World of Carnaval
(Nizan Guanaes)

Ah, que bom você chegou
Bem-vindo a Salvador
Coração do Brasil
Vem, você vai conhecer
A cidade de luz e prazer
Correndo atrás do trio
Vai compreender que a baiano é
Um povo a mais de mil
Ele tem Deus no seu coração
E o Diabo no quadril
We are Carnaval
We are, we are folia
We are, we are the world of Carnaval
We are Bahia

Bahia com H
(Denis Brian)

Dá licença, dá licença meu senhor
Dá licença, dá licença pra Ioiô
Eu sou amante da gostosa Bahia porém
Pra saber seus segredos serei baiano também
Dá licença de gostar um pouquinho só
A Bahia eu não vou roubar, tem dó
Já disse o poeta que terra mais linda não há
Isso é velho, do tempo em que já se escrevia Bahia com H
Deixa eu ver, com meus olhos de amante saudoso
a Bahia do meu coração
Deixa ver Baixa do Sapateiro,
Chaio, Barroquinha, Calçada, Taboão
Sou amigo que volta feliz pra teus braços abertos Bahia
Sou poeta e não quero ficar assim longe da tua magia
Deixa ver teus sobrados, igrejas, teus santos
Ladeiras e montes tal qual um postal
Dá licença de rezar pro Senhor do Bonfim
Salve a Santa Bahia imortal, Bahia dos sonhos mil
Eu fico contente da vida em saber que a Bahia é Brasil

A Bahia Te Espera
(Chianca de Garcia/Herivelto Martins)

A Bahia da magia, dos feitiços e da fé.
Bahia que tem tanta igreja, que tem tanto candomblé.

Para te buscar nossos saveiros já partiram para o mar.
Yayá Eufrásia, ladeira do Sobradão
Tá preparando seu candomblé
Velha Damásia da ladeira do mamão
Tá preparando o acarajé

Para te buscar nossos saveiros já partiram para o mar
Nossas morenas roupas novas vão botar
Se tu vieres, virás provar o meu vatapá
Se tu vieres viverás nos meus braços a festa de Yemanjá

Vem, vem, vem
Vem em busca da Bahia
Cidade da tentação
Onde o meu feitiço impera
Vem
Se me trazes o teu coração
Vem
Que a Bahia te espera

Bahia, Bahia, Bahia, Bahiaaaa

Rebentão
(Carlos Pita)

Moro numa cidade cheia de ritmos
Que sobe e que desce ao som da maré
Ela canta, ela dança
Ela toca, ela vibra
Ele bate com a mão
Ela dança com o pé
Ele faz samba na porta do ônibus
Liberdade é o negro do ilê
Ela dança com a lata na cabeça
Sua trança bonita, ela é badauê

Iô, iô, iô, rebentão
Iô, iô, iô, de maré
Ele bate na palma da mão
Ela dança com a ponta do pé

Moro numa cidade cheia de ritmos
Que sobe e que desce ao som da maré
Ela canta, ela dança
Ela toca, ela vibra
Ele bate com a mão
Ela dança com o pé
Eles passam cantando com a tribo em festa
É muzenza na cor, é muzenza na fé
Basta ouvir os tambores tocando
Que a cidade já sabe Olodum como é

O Canto da Cidade
(Tote Gira/Daniela Mercury)

A cor dessa cidade
Sou eu!
O canto dessa cidade
É meu!..

O gueto, a rua, a fé
Eu vou andando a pé
Pela cidade bonita
O toque do afoxé
E a força, de onde vem?
Ninguém explica
Ela é bonita...

Uô Ô!
Verdadeiro amor
Uô Ô!
Você vai onde eu vou...

Não diga que não me quer
Não diga que não quer mais
Eu sou o silêncio da noite
O sol da manhã...

Mil voltas o mundo tem
Mas tem um ponto final
Eu sou o primeiro que canta
Eu sou o carnaval...

É D'Oxum
(Gerônimo/Vevé Calazans)

Nessa Cidade Todo Mundo É d'oxum
Homem, Menino, Menina, Mulher
Toda Essa Gente Irradia Magia
Presente Na Água Doce
Presente n'água Salgada
E Toda Cidade Brilha
Seja Tenente Ou Filho De Pescador
Ou Importante Desembargador
Se Der Presente É Tudo Uma Coisa Só
A Força Que Mora n'água
Não Faz Distinção De Cor
E Toda A Cidade É d'oxum
É d'oxum, É d'oxum, É d'oxum,
Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar
Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar
É d'oxum, É d'oxum

Na Baixa dos Sapateiros
(Ary Barroso)

Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia
A morena mais frajola da Bahia.
Pedi-lhe um beijo, não deu,
Um abraço, sorriu,
Pedi-lhe a mão, não quis dar, fugiu...

Bahia, terra da felicidade,
Morena, eu ando louco de saudade.
Meu Senhor do Bonfim
Arranje outra morena igualzinha pra mim.

Oh! amor, ai,
Amor bobagem que a gente não explica, ai, ai,
Prova um bocadinho, ô
Fica envenenado, ô
E pro resto da vida é um tal de sofrer
Ôlará, ôleré.

Ô Bahia,
Bahia que não me sai do pensamento.
Ouve o meu lamento, ô
Na desesperança, ô
De encontrar nesse mundo
Um amor que eu perdi na Bahia, vou contar.

Ô Bahia,
Bahia que não me sai do pensamento...

Salvador é Um Porto Seguro
(Moraes Moreira)

Salvador é um porto seguro
Seguro que é tanta agonia
Há tanta beleza
Tanta tristeza e alegria

É um porto, é um porto sete portas
Sempre abertas pra magia
De todos os santos
Que vem baixar na Bahia

É um porto parto e chego
Fica o nêgo e português
Olho aberto de índio
Enxergando até chinês

É um porto, é um porto
Portugal
É um porto, é um porto é um
Carnaval


Vista áerea da orla com destaque para o farol da Barra
**Trecho retirado do site oficial de turismo de Salvador

segunda-feira, 3 de março de 2008

DIÁRIO DE FÉRIAS - O Que é Bom Dura Pouco

"Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão. Poderá morrer de saudades, mas não estará só!"
Amir Klink

Duas palavras podem definir bem os dias finais das minhas férias junto ao meu compadre Zé Filho e os seus amigos: Engov e Sonrisal. A farra gastronômica e etílica que me foi proporcionada na minha estada em Canaã, consumiu alguns comprimidos de tais medicamentos e alguns litros de água no "cura ressaca".

Farras à parte, reencontrar Zé Filho e Jane, amigos cujos laços sentimentais que nos unem, acredito eu, vem de muitas vidas atrás, foi uma coisa maravilhosa. Com a distância que hoje nos separa, temos nos visto e nos falado muito pouco ou quase nada. Agora, após esta minha visita a eles, esses laços se refortaleceram de maneira implacável. Valeu também para me reaproximar da minha afilhada, Jade, e me tornar familiar para os pequenos Igor e Hugo. Uma amizade de trinta e dois anos não se apaga com a distância. "Podem os kilômetros separar-nos dos amigos?" Definitivamente não. Richard Bach está coberto de razão.

Essa alegria do reencontro, foi também fundamental para abrandar a minha dor de deixar Júlia no Pará. Diante de tais reflexões, ficou mais fácil assimilar essa mudança e, aos poucos, trazer de volta a alegria ao coração.

Não tenho palavras para expressar a imensa satisfação e gratidão que sinto pelas pessoas que me receberam de forma tão calorosa e carinhosa. Que me deixaram à vontade como se estivesse em minha própria casa e que de tudo fizeram para tornar os meus dias no Pará os mais agradáveis possíveis. Zé Filho, Jane, Jade, Igor e Hugo, pela hospedagem em Canaã e pelo o amor e carinho que me dedicaram. Gracinha, a secretária deles, pela paciência e dedicação nos dias em que estive lá. Cícero, Aninha e Bruna pelos maravilhosos almoços e por terem viajado 180km para me levarem confortavelmente à Marabá, cidade onde peguei o vôo de volta. Verena e Vicente pelas farras memoráveis e os maravilhosos momentos de descontração. Rose, que além de participar das nossas farras, assumiu o papel de guia turístico e me levou pra conhecer lugares maravilhosos como o Núcleo Urbano da Companhia Vale do Rio Doce em Carajás. Efigênia por ter me acolhido em Carajás de forma tão carinhosa. Elisângela, Paulo, Paulo Hugo, João Vítor, Ana Paula e Campeão, que me receberam de portas abertas na sua casa em Belém, sem contar as intermináveis caronas de Paulo e a sua força fundamental para conseguir a vaga e o desconto na escola para Júlia. D. Maria Helena que também me recebeu com muito carinho e franqueou a sua mesa para os meus almoços espetaculares em Belém. Lene que preparou estes cardápios fantásticos. Ainda vou querer muitas receitas, ela não sabe o que a espera. Cynthia que me apresentou os mais belos pontos de Belém e viabilizou minha hospedagem na capital.

Pra finalizar, os amigos que fiz ou reencontrei em Carajás. Marquinhos, João, sua esposa Luciana e sua linda filha Geovana, Maurício e sua esposa Socorro. Bruno, a esposa Sol e a filinha linda deles que por coincidência também se chama Júlia. Pedro que tocou ao violão, de forma belíssima, Paisagem Na Janela(Lô Borges/Fernando Brant) atendendo a um pedido meu e sua simpatissísima esposa Ângela. E ainda muitos outros cuja memória não consegue lembrar os nomes já que o contato foi menor, mas que também tiveram sua parcela de colaboração para que eu tivesse dias tão felizes por lá.

Sempre me considerei um privilegiado por ter os amigos que tenho. Por isso procuro honrar e retribuir toda a "riqueza" que eles me dão. E, através dos amigos, é que trago do Pará as mais gratas lembranças e uma saudade serena, mesmo tendo deixado por lá a pessoa que mais amo na vida: a minha filha Júlia. E, por ela e por esses amigos é que tenho certeza que em breve voltarei. MUITO OBRIGADO!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

FOTOS DE VIAGEM - II

Com Júlia no Mangal das Garças

Torre do Mirante - Mangal das Garças

Caranguejada na casa de Paulo

Cynthia e Júlia no Mangal das Garças

Ana Paula, Paulo Hugo e João Vítor, primos de Júlia

Cerveja "mofada" no churrasco de Zé

Zé Filho no "cura ressaca"

Minha comadre Jane

Jade com os irmãos gêmeos Hugo e Igor

Cangaceiro no churrasco, tava apenas começando...

Colégio Pitágoras - Carajás

Colégio Pitágoras - Carajás

Vista da Av. Mãe Maria - Carajás

Arara Azul - Zoológico Carajás

Monumento na entrada de Carajás

Com minha afilhada Jade

Marquinhos, eu, Maurício e João em almoço na casa de Maurício

Filé à Parmegina, talharim ao alho e óleo, arroz e purê de batata. Cardápio que preparei no sábado, dia 23/02, na minha despedida na casa de Zé.

Com Aninha em Marabá

Com Cícero e sua filha Bruna em Marabá

Domingo, 24/02/08, 6hs da manhã, ainda se via a lua no aeroporto de Marabá momentos antes da minha volta pra Bahia.

DIÁRIO DE FÉRIAS - Canaã - O Churrasco

Encontrar Verena e Rose não foi tanta surpresa assim já que eu sabia que elas moravam lá e elas sabiam que eu iria visitar a cidade a qualquer momento, embora não tivessem a menor idéia de quando eu chegaria. Mas encontrá-las justamente no momento da minha chegada foi muita coincidência. Verena é baiana, irmã do meu cunhado Moisés, marido da minha irmã, e eu já a conhecia a muito. Rose é de lá e no São João passado veio com Verena pra Bahia onde a conheci e fizemos juntos muitas farras nascendo desta forma uma nova amizade. Inclusive falei aqui na Carta do Blog que tinha a intenção de visitá-las. Assim como a Aninha, irmã de Verena, e Cícero, o seu marido, com quem sempre me dei muito bem, e que já moram em Parauapebas a muitos anos. Reencontrar os amigos é sempre algo muito bom.

Chegamos em Canaã por volta das 3hs da madrugada mas a minha linda afilhada Jade esperava acordada pelo padrinho. O abraço apertado e emocionado que ela me deu muito me tocou e me deixou cheio de remorsos por ter sido tão ausente. Nestes anos todos nem um telefonema sequer. Só recentemente começamos a nos falar pelo MSN. Nunca é tarde para revermos nossas posturas e corrigí-las se preciso. Ela é uma menina muito carinhosa e não imaginava que gostasse tanto de mim assim. Por isso, jamais ficarei novamente tanto tempo sem dar notícias ou ligar para ela. Imediatamente tirei da mala uma blusa que levei para ela. Tinha receio que não gostasse, mas no dia seguinte, ou mais tarde, quando acordei já a encontrei vestida com o presente. Sinal que ela gostou.

Para homenagear a minha chegada, Zé Filho tinha programado um churrasco para o sábado, dia 16, por coincidência aniversário de minha mãe e de Verena, com os seus amigos. Alguns eu já conhecia embora nem imaginasse que iria encontrá-los por lá, outros conheceria naquela ocasião.

Um deles foi Marquinhos. Para falar dele é preciso voltar bastante no tempo. A última vez que o vi, ele devia ter uns dez anos de idade. Filho de um irmão do ex-marido da minha irmã, uma vez saí com o bugre do meu então cunhado para dar umas aulas de direção a ele e a Léo, o meu sobrinho. Primeiro foi Léo. Várias voltas nas tranquilas ruas de Serrinha. Quando foi a vez de Marquinhos, ele não andou nem 50m e a polícia parou o carro. Fomos todos nós parar no posto policial. Carro apreendido e eu tomando o maior pito dos canas por estar dando o carro a uma criança. Por sorte, alguém avisou meu cunhado, muito conhecido na cidade e, depois de umas conversinhas com os policiais, ele deu o velho "jeitinho brasileiro" e voltamos pra casa com carro e tudo. Hoje, uns dezesseis anos depois, estava eu ali, naquele longínquo rincão, tomando umas geladas com aquele moleque que vi sair dos cueiros. Outro que vi no berço também foi João. Irmão de Marquinhos, que não foi ao churrasco por estar viajando no dia, mas depois nos encontramos muitas vezes e tomamos muitas geladas. Hoje, os dois são dentistas e têm uma clínica lá em Canaã.

No churrasco conheci uma figura muito legal, Maurício. Apaixonado por culinária, nem precisa falar que me identifiquei de cara com ele. Pescador e caçador por paixão, é apreciador de pratos exóticos e me apresentou diversas iguarias maravilhosas. O cara me aparaceu com um tal molho de maçã que é de comer rezando.

O churrasco rolou o dia inteiro. Eu, que já não aguento mais o tranco, num determinado momento da festa, saí de fininho e fui pra dentro de casa dormir um pouco. Deitei de roupa e tudo. Bermuda, camisa e tava inclusive com a carteira no bolso. Quando deram minha falta, meu compadre logo desconfiou da minha fuga. Aí, se juntou com outros filhos da puta, me carregaram dormindo, com roupa e tudo e me puseram debaixo do chuveirão "cura ressaca", marca registrada em todas as casas que Zé Filho já teve. Todo molhado, o jeito foi acordar e começar tudo de novo até altas horas da madrugada.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

DIÁRIO DE FÉRIAS - Rumo ao Interior - 5º dia

Quando o ônibus da Açailândia, Belém-Canaã, com quarenta minutos de atraso, finalmente entrou em movimento deixando a rodoviária, sem querer me peguei fazendo uma retrospectiva da minha vida deste último ano desde quando Júlia foi morar comigo até àquele momento quando eu a estava deixando com a mãe em Belém. Muitas imagens vieram à cabeça e, embora eu fingisse ler o "Caçador de Pipas", não conseguia assimilar uma linha sequer daquelas páginas, eu chorei. Chorei muito, chorei até ficar cansado e adormeci para os únicos trinta minutos de sono daquela angustiante viagem de treze horas que me separavam de Parauapebas, não o meu destino final, mas a cidade onde eu desceria. Me sentia como aquele cara da música de Djavan: "...sabe lé, o que é morrer de sede em frente ao mar?..." Quando acordei fui buscar forças no fundo da minha alma para me confortar com as sábias palavras de Richard Bach: "Não fique triste nas despedidas. Uma despedida é necessária antes de vocês poderem se encontrar outra vez. E se encontrar de novo, depois de momentos ou de vidas, é certo para os que são amigos." Difícil no entanto, é por em prática tal sabedoria. Contudo, imaginei que aquele forte abraço de Júlia, momentos antes quando a deixei na escola e me despedi dela, não foi o último, mas apenas o primeiro dos muitos que ainda iremos trocar. Me reconfortei um pouco, mas uma tristeza aguda foi minha companheira naquela longa viagem .

O abraço da despedida. "Eu te amo Júlia, nunca esqueça disso. Em nenhum momento sequer, papai vai deixar de pensar em você. Em breve nos veremos novamente".

As horas se arrastavam naquele ônibus sacolejante e fiquei me amaldiçoando por ter economizado uns míseros reais e transformado uma viagem de cinquenta minutos em treze horas. Viva Santos Dumond que inventou o avião e vaia para mim que comprei passagem de ônibus.

Durante a viagem não me restou outra alternativa senão forçar a vista e me afundar na leitura para não ver o tempo passar. A belíssima história de "O Caçador de Pipas", no entanto muito triste, aliada ao meu estado fragilizado, por várias vezes fazia com que insistentes lágrimas salgassem a minha tez. Foi uma viagem iterminável. Quando a noite caiu, a luz de leitura com defeito, fez com que eu largasse o livro de lado e as horas demorassem mais ainda de passar. Quando de repente acontece o milagre. A meia-noite em ponto o maldito "buzu" pára na rodoviária de Parauapebas. E, é óbvio, meu compadre Zé Filho não estava lá me aguardando. Previsível demais. Conhecendo meu amigo, compadre e irmão José Filho desde fevereiro de 1976, não podia esperar nenhuma pontualidade por parte dele. Nem tudo estava perdido. Em frente à estação, um barzinho que me pareceu interessante. Atravessei a rua e sentei no bar. Não acreditei quando na mesa ao lado avistei minha amiga Rose. Foi uma festa danada. Em outra mesa estava Verena, com o seu namorido Vicente que até então eu não conhecia, apenas de fotos e nome. Logo em seguida Zé Filho chegou e com eles tomei o primeiro dos muitos copos de cerveja que ainda tomaria no interior do Pará.

Vicente, Verena, eu e Rose no Bar Sportv em frente a Rodoviária de Parauapebas no exato momento da minha chegada.

FOTOS DE VIAGEM - I

Júlia na despedida de Salvador - Ao fundo o Elevador Lacerda


Ainda na despedida com o Olodum no Pelourinho


Já em Belém-Pa no Parque da Residência


Com Cynthia no Parque da Residência


Com a estátua do Poeta Ruy Barata no Parque da Residência


Plantas no Parque da Residência


Com Júlia no interior da Estação das Docas


Pôr do sol visto da Estação das Docas


Baía de Guajará - Vista da Estação das Docas


Com Júlia na área externa da Estação das Docas


Área externa da Estação das Docas


Palco móvel no interior da Estação das Docas


A casa das Onze Janelas


Com Júlia no Forte do Castelo - Ao fundo o Ver o Peso


Forte do Castelo


Uma visitante imponente, a Garsa.


Ainda no Forte do Castelo


Mercado do Ver o Peso visto do Forte do Castelo


Júlia no Mangal das Garças



Cynthia e Júlia no Mangal das Garças - Ao fundo o Restaurante Manjar das Garças


No peer do Mangal das Garças


Torre do Mirante - Mangal das garças