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terça-feira, 5 de maio de 2009

BA x VI - "Quem Não Sabe Brincar, Não Desce Pro Play"

Domingo passado, eu entrei numa aventura sem igual. Não iria contar aqui, mas como meu irmão, se aproveitando da infinita vantagem que o fato lhe dá, está escancarando em seu blog, mentiras escabrosas, resolvi contar a verdade dos fatos para que vocês, queridos leitores, leiam as duas versões e tirem as próprias conclusões. Eu sou um grande admirador de contistas. Daquelas pessoas que têm o talento de pegar uma história real e transformar num conto de carochinhas. De prender o leitor como se aquilo fosse o maior romance do mundo. Edmundo é mestre nisto, mas nada lhe dá o direito de falar tamanhas inverdades ao meu respeito. Até porque, sou torcedor do Bahia desde que tinha sete anos de idade, e ele, bem mais velho que eu, achava que futebol era coisa de maluco. Cansei de o ver falar que ouvir um jogo no rádio, além de lhe dar uma profunda depressão, era coisa de quem tinha de se internar. Pois é, eu não me internei e muita crítica sofri por causa disto. Até que o tal, depois de entrar na fase dos enta, foi trabalhar no Vitória(leia vicetória,com letra minúscula e tudo). O cara virou, da noite para o dia, o maior rubro negro que já conheci. E o maior pirracento também. Coisa que sempre fui, independente o assunto, seja futebol ou mulher, física quântica ou poesia, por causa de tudo que aprendi com ele, que sempre foi um espelho e ídolo pra mim. Mas, resumindo a narração, vamos aos fatos reais.

Sábado, 02 de maio, era meu aniversário e eu, a contive de meu pai, fui para o interior comemorar. Edmundo, sabido de marca maior, que conhece minhas fraquezas como ninguém, me ligou e disse: -Velho Diu! Tenho dois ingressos para o Ba-Vi. Se você quiser me dar uma carona, já que meu carro está parado por causa da batida, te dou o outro pra gente ir junto. Eu falei: -Tedinho não sei, vou pra Serrinha na carona de Ruy e não sei que hora ele volta no domingo. Vai ter o churrasco do meu aniversário, boca livre que meu pai tá bancando e isso eu não quero perder. Se Ruy voltar cedo eu vou com você. Ele, sabendo como me influenciar desde que eu nasci, disse: -Eu não posso garantir nada, se você não vier, vou fazer um plano B. Acho outro amigo, talvez um Vitória, que queira ir comigo, ingresso de graça e tudo o mais e aí não posso garantir nada. Meu orgulho foi às alturas e me deu vontade de mandá-lo tomar banho para não dizer outra coisa. Mas, como até então eu precisava dele, preferi ficar calado.

E, com medo de perder a boca livre do estádio, ou por saber que ele não queria amigo nenhum, Vitória ou Bahia, e sim o irmão de quem estava morrendo de saudade, do interior o liguei e falei: -Não marca nada com ninguém. Se Ruy não for cedo, vou embora de ônibus e chego no horário do jogo. O filho da puta falou: - Venha almoçar aqui em casa. Vou fazer um rango, a gente come e vai pro estádio depois. Eu disse: -Ôpa, muito bom. Como seu rango depois vamos pro jogo, assim não preciso gastar a grana para comer na rua. Nos 170kms que me separavam de Salvador, ele me ligou três vezes, querendo saber onde eu estava e se ia mesmo cumprir o nosso combinado. Eu sempre falando que estava chegando.

Parei na porta de casa ao meio dia na carona gratuita de Ruy. Nem me despedi direito, subi, botei a camisa do Bahia, como chovia muito e fazia frio, pus o gorro também. Peguei meu carro e fui filar o feijão na casa do carcamano. Chegando lá ele falou: -Meu coração tá apertado, algo me diz pra não irmos pro estádio. -Que nada, vim de viagem tão cedo, agora vai amarelar? No fundo eu estava com o mesmo sentimento. Algo me dizia para não ir. Comemos o feijão, maravilhoso por sinal, e saímos pro campo. Eu ainda o chamei para tomar uma, mas ele, cheio de mania que é, disse que só beberia do meio do segundo tempo pra frente. Eu achei pertinente.

Eu precisava comprar pilhas para o meu rádio e Edmundo queria que eu comprasse no mercadinho do condomínio dele. Lá só tinha pilha da bala, alcalina de R$ 4,25. Eu que comprei meu radinho por R$ 5,00 no camelô da Fonte Nova, não aceitei pagar. Disse: - Vou comprar no camelô a paraguaia por R$1,00. Ele falou: - Vendedor de rádio e pilha é que não vai faltar nas redondezas do estádio.

No caminho para o estádio, ele o tempo todo falava: -Vamos voltar, ouvimos o jogo pelo rádio tomando uma lá em Gil(um bar em seu condomínio), não tomamos chuva e, independente do resultado, estou preocupado com você. Todo fantasiado de Bahia. Até nos encontrarmos na volta do jogo, você voltará na contra-mão da torcida do Vitória, que estará alegre ou feliz, mas com certeza a fim de brigar. Vi que o cara tinha total razão, ainda quero escrever sobre isso. As torcidas estão transformando um lazer numa guerra. Uma diversão numa tortura. Paramos no estacionamento, pagamos R$ 5,00, comprei uma capa de chuva por mais R$ 5,00, e fomos em direção ao estádio. Não havia um vendedor de pilhas sequer. Fomos até depios do campo e voltamos e nada. No caminho, eu fantasiado de Bahia, ele de Vitória, cruzamos com um grupo de torcedores rubro-negros. Uns quinze mais ou menos. Quando me viram com a camisa do Bahia cantaram: "Camisa feia, cheia de cor, todo viado que conheço é tricolor!" Eu tremi na base. Imaginei a cena que Edmundo havia descrito. Eu voltando na contra-mão da torcida. Não importava o resultado. Estava ali para tomar no cu, além de porrada é claro. Comecei a temer pela minha sorte. Aí resolvi aceitar a sua proposta. Voltar para casa. Mas aí ele começou a tirar onda. Já tá aqui, voltar pra que? Foi aí que Deus intercedeu.

Naquele momento, caiu um toró torrencial. Foi o motivo que achei para convencer o cara. Vale lembrar que, no meio do engarrafamento monstro que pegamos, tinha uma campanha de vacinação contra gripe. Os agentes nos convenceram a tomar a vacina. Ele desceu primeiro enquanto eu tentava encostar o carro. Ouvi a agente falando pra ele: -O Sr. Vai tomando a vacina enquanto seu filho estaciona. Toma filho da puta! Mesmo assim voltou ele cartando que eu era torcedor W.O. Pôs até esse título no seu post. Ou seja, que eu tinha corrido do pau. Mas ele topou. Naquele momento, nem imaginávamos ainda que o jogo iria passar na tv, ao vivo para todo mundo. Fomos pra Gil e assistimos ao jogo na televisão devidamente protegidos do torrencial dilúvio que caiu sobre o Barradão, mais conhecido como Barralixo.

O Bahia precisava ganhar por uma diferença de dois gols para ser campeão. Edmundo já havia falado que não gostaria que nossa rivalidade esportiva transformasse aqule encontro fraternal numa briga de família. Fizemos este pacto então. O jogo começou e logo aos 14min o Baêa meteu 1x0. Edmundo ficou logo emburrado. Mais tarde começou a reclamar de uma falta que o juiz não marcou. Eu falei: - Quem não sabe brincar não desce pro play. Infeliz idéia esta minha. Ele, que não conhecia o ditado, tomou aquilo como pirraça. Nos descontos do primeiro tempo, aos 46min, o Baêa broca de novo: 2x0. Placar do primeiro tempo. Eu, já me sentindo o campeão, entoei uns versos de uma paródia que fiz com o hino do Vitória, fazendo alusão ao fato do time nunca ter sido campeão brasileiro. Eu já fui duas.

Eu sou, um time sem glória
Não tenho história, nem tradição
Eu sou, sou o vicetória

E nunca fui um campeão

No segundo tempo tudo mudou de figura. O vitória, que jogava pior que o Bahia, fez 2X1 e em seguida empatou o jogo. A cada lance Edmundo falava: - Quem não sabe brincar não desce pro play. Quando o jogo acabou ele ligou para o filho e contou a mesma cantilena: - Quem não sabe brincar, não desce pro play. Mesmo assim tomamos amigavelmente mais um lote de cerveja até que fui para casa.

Segunda, quando acordei na maior ressaca, recebi um recado do meu sobrinho Pablo, filho de Edmundo, que havia ligado e dizia: - Quem não sabe brincar, não desce pro play.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

BORA BAHÊÊÊA MINHA PORRA!

Se tem uma coisa que eu gosto na vida é de futebol e das gozações que os torcedores fazem uns com os outros. Só lamento a violência que vem se espalhando nos estádios e entre as torcidas rivais no Brasil. Na Bahia esse problema ainda não tomou proporções muito sérias, mas é preciso tomar cuidado pois, como diria meu pai:, - Filho só puxa a pai quando é ladrão de cavalo. Ou seja, o que não presta a gente aprende logo.

Torcedor saudável do Bahia que sou, até porque ninguém é Bahia doente, no máximo convicto, observo a nossa torcida e vejo que não importa a divisão em que esteja, não importa a merda de time que temos, não importa nada, a torcida do Bahia, ou Baêêêa, como gostamos de chamar, é uma torcida fantástica, uma torcida fiel. Não tenho medo de dizer, a mais fiel do Brasil. Que timão que nada! Quero ver a torcida do Corínthians ou Flamengo, botar sessenta mil pagantes no estádio na terceira divisão jogando com o Fast. Por causa desse jogo, através de uma crônica muito interessante que recebi por e-mail, descobri um blog de torcedores fanáticos, O Baheaminhaporra, e através dele, o Espalitando Dente, que eu curto pra caralho. E agora, depois do Bahia dar de 2x0 no Vitória, em pleno Barradão, jogando pior é bem verdade, mas aí fica mais gostoso ainda, e com direito a um frangaço do goleiro Viáfora, segundo a torcida do Bahia, o mais novo contratado do Tricolor de Aço, recebo um novo e-mail, com uma nova crônica, que mais uma vez quero compartilhar com vocês.; Torcedores do Bahia ou não, isto não é uma provocação acintosa, é apenas uma brincadeira saudável. Os verdadeiros baianos de coração, entenderão isso facilmente. Uma coisa nela me chamou muita atenção. A forma como retrata o linguajar dos baianos. Principalmente a linguagem popular. Já falei sobre isso numa opinião sobre o filme Ó Paí Ó.

Como muitas pessoas que me visitam, não são da Bahia ou do Brasil, e não conhecem de perto a realidade sobre a qual estou falando, vou fazer um pequeno prefácio para a crônica e um glossário regionalista para melhor entendimento. Esta crônica está publicada no blog Baheaminhaporra e quem quiser lê-la ali, com direito à fotos e seus comentários, clique aqui.

Prefácio:

Bahia e Vitória são os times de futebol com mais expressão na Bahia. O Vitória, embora bem mais velho que o Bahia que foi fundado em 1931, tem reconhecidamente por várias fontes de informação uma torcida muito menor. Ele que há anos festejou seu centenário, está atualmente numa melhor fase, com lugar na primeira divisão do campeonato brasileiro, o Bahia na segunda, e tem ganho quase todos os campeonatos estaduais nos últimos anos. Se não estou enganado, a última vez que o Bahia foi campeão baiano, foi em 2001. De lá para cá o Vitória levou todoas exceto uma edição vencida por um time do interior do estado. A rivalidade das torcidas é muito grande. O Bahia "se gaba" de duas estrelas no peito. Uma pela Taça Brasil de 1959, ganha em cima do Santos de Pelé no Maracanã, uma vez que perdeu na Fonte Nova e ganhou na Vila Belmiro, sendo disputada uma terceira partida em campo neutro. Alguns torcedores do rival não reconhecem este título como o de campeão brasileiro, mas a verdade é que este foi o primeiro campeonato realizado a nível nacional; e, a segunda, pelo título de campeão nacional ganho em pleno Beira Rio em cima do Internacional de Porto alegre. Embora o jogo tenha sido realizado em fevereiro de 1989, era a edição do campeonato do ano de 88.

Por outro lado, a torcida rubro negra, se vangloria de ter um estádio próprio, de estar em melhor situação nos campeonatos regional e nacional atualmente e em franco crescimento numérico por causa dessas situações. Para piorar a história para o tricolor, em novembro de 2007, como frisei em alguns textos no marcador Futebol aqui no blog, aconteceu uma tragédia lamentável no jogo que ascendeu o Bahia de volta para a segunda divisão do Brasileirão, que deixou a Fonte Nova interditada e o Bahia sem estádio para jogar. Durante todo o ano de 2008, o tricolor mandou os seus jogos na cidade de Feira de Santana, a 110km de Salvador, onde não teve a presença maciça de público a que estava acostumado e onde obteve um rendimento lastimável, tanto no Baianão como no Brasileiro, onde não chegou sequer a almejar um subida para a primeira divisão.

Por causa do forte impacto negativo econômico e social que tal situação provocou para o estado, o governo resolveu reformar o Estádio Roberto Santos, mais conhecido como estádio de Pituaçú. Era para ser inaugurado no ano passado, mas uma série de "coisas aconteceram". A obra foi embargada por supeitas de irregularidades no orçamento e se arrastou o ano todo. Alguns dizem que a juíza era da "família rubro negra", outros falam que que o governador é Bahia e ladrão, se aproveitando para beneficiar o seu time e seu bolso. Nada sobre isso posso contestar ou afirmar. Só duas coisas posso falar sobre o impasse. Torcedores do Bahia e do Vitória estão errados. Os do Bahia quando acham que o estádio de Pituaçú é deles. Não, não mesmo. É um estádio público onde qualquer um, inclusive o Vitória, pode mandar seus jogos desde quando pague os 6% da renda de aluguel e se responsabilize pela manutenção do espaço e seus equipamentos. Os do Vitória quando falam que a obra foi feita para beneficiar o Bahia. Não. Todos ganham com isso. Principalmente o futebolo baiano e a Bahia, um pólo turístico fortíssimo que acaba de ser confirmada como sede de um jogo da seleção pelas eliminatórias da copa no referido Pituaçú.

De resto é rir das gozações de tricolores e rubro-negros que até hoje, e espero que para sempre, se harmonizam, mesmo com todas as piadas, independente dos resultados. É claro que, puxando a sardinha para o meu lado, acabo de ganhar de 2x0 do Vitorinha em pleno Barradão. Isto tem um sabor especial.

A Crônica:
De Quatro
Assinada por Bolota do Bahia

Porra, véi... dia bonito da porra que fez domingo. Levantei cedo pra caralho. Quando abri o olho, tava batendo 11:30 no relógio. Dei uma espiada na broca da parede e vi o solzão virado no estopô. Balancei a nêga do meu lado e disse carinhosamente: "Acorda, porra. Acorda nessa desgraça que a gente vai quebrar essa gelada na praia antes de ir pra Pituaço".
Como era um dia muito especial pra mim, resolvi levar a sacaneta pruma praia de bacana. Jardim de Alá. Ou como diz meu bróder Obama:"God´s Garden".
Peguei meu ingresso, o dinheiro do buzú e me piquei com a neguinha.

Normalmente eu escolho a barraca que eu vou ficar pela trilha musical. A que tiver tocando o som mais nigrinhagem, é a que eu fico. Fui passeando entre as barracas e comecei a ouvir um som que eu não escutava há uns 10 anos. Um repertório que ia do antigo Gera-Samba, passando por Neon do Samba, Pagolada, Feras Potentes e finalizando com o show do Kiribamba LIVE em Juiz de Fora (MG). Só os clássicos.

"A capenguinha, a capenguinha, a capenguinha, a capenguinha, a capenguinha, a capenguinha quer andar. A capenguinha quando não tá de muleta, ela pega no porrete pra poder se equilibrar..."

Era esse o nível do som. Puro jazz. Bom pra caralho.
O nome da barraca era Ponto G. Pronto. Achei a porra do Ponto G. Pelo menos uma vez na minha vida eu achei essa porra. Com um nome desse, não tive dúvida. É aqui mermo.

Pedi logo uma gelosa e uma dúzia de lambreta. O lugar era muito bacana. Várias gostosas. O único mal é que tinha muito pombo. Parecia o Barradão, a porra.
Tava tudo muito de fuder até a hora que encontrei Helinho Sabonete.

Sabonete é um torcedor do vice. Ele tem esse apelido porque, dizem as más línguas, quando ele serviu ao exército, foi tomar banho, deixaram cair um sabonete e ele foi catar do chão. Depois desse incidente, o bicho ficou manco. Não sei porquê.

O fato é que o sacana resolveu tirar sarro com a minha cara. Disse que eu não tinha estádio. Que tava a não sei quanto tempo sem ganhar porra nenhuma e todas aquelas merdas que a gente tá acostumado a ouvir dos vices. E pra fuder com tudo, ainda disse que a gente ia tomar pau do Ipitanga!! Aí eu pirei. Mandei ele repetir o que ele disse:

- Repita aí o que você falou, véi..
- O Jahia vai tomar de 1 a zero do Ipitanga - o filadaputa repetiu.
- Repita aí de novo, véi...
- Tá surdo, porra gordo?? o Jahia vai tomar gude preso do Ipitanga.

Rapaz... o sangue me subiu à cabeça. E a nega dizendo "calma, calma". O garçom dizendo "segura o gordo". E a baiana de acarajé dizendo "fudeu!!". E o pombo dizendo "gurururu, gurururu...." aí eu explodi.

- Ó seu viado desgraçado filadaputa corno manco do cu brocado. O Bahia hoje vai meter de 4 que nem fizeram com você no quartel, sinhá nisgraça. Só vou apostado, miserável!!

- Bora!! Pra cada gol do Bahia, uma grade pra você. Pra cada gol do Ipitanga, uma grade pra mim.

Eu não sei se o sacana tava bebo ou maluco. Só sei que aceitei a porra da aposta doida do fornecedor de briôco.

Saí virado na porra da praia. Já era dez pras três e eu ainda tinha que pegar a zorra do buzú pra Pituaço. As palavras de Sabonete ecoavam na minha cabeça... mas o Bahêa não ia me decepcionar. Não dessa vez.

Cheguei lá no estádio e me arrepiei de ver a massa tricolor. Puta que pariu. Coisa linda demais. A cidade é nossa, galera. Agora temos 2 estádios!! Um numa ponta (a boa e velha Fonte) e o outro na outra ponta da cidade. E que estádio. PituAÇO é lindo pra caralho. Me senti numa Copa do Mundo. Sem putaria nenhuma.

Hino do Brasil, Placar eletrônico de última geração, helicóptero jogando pétalas brancas, vermelhas e azuis... um SHOW!

Fui pegar logo meu copão de cerveja. Cerveja cara da porra!! 3 real lá dentro. E o balcão também era meio apertado, mas vamo nessa. Começou o jogo. O Ipitanga na pressão e eu ouvindo a voz de Sabonete na minha cabeça... "O Jahia vai tomar cacete" porra... será que vou ter que pagar engradado praquele viadinho??

Minha cerveja acabou. Mandei a nêga pegar outra pra mim. Foi ela subir a zorra da escada que eu só vi Élton matar a bola na coxa e meter um tirambaço pro fundo da rede!! GOOOOOOL DO BAHIA MINHA PORRAAAA!!!! AHAHAHAHA!!! UMA GRADE!!!! UMA GRADE!!!! UMA GRADE!!!!
Fiquei feliz pra caralho!!! Pena que a nêga não viu o gol... pena uma porra!!! Vai ver foi isso!!! Ela tava dando azar, a miserável.
Ela voltou com um copão e fiquei vendo o jogo. O Bahia até que melhorou. Vai ver é viagem da minha cabeça. Deixa a nêga quieta curtindo o jogo do tricolaço.

Só que aí o Ipitanga desceu num contra-ataque virado na porra. O sacana do atacante chutou a queima roupa e Marcelo espalmou. O cara chutou de novo e Marcelo defende novamente. Caralho! Que sufoco.
E pra fuder com tudo, meu copo ficou vazio.
- Neguinha.... pega outra pra mim?
Quando eu peço assim cheio de carinho, num tem não certo... a nêga faz tudo que eu quero. Lá foi ela pegar outra cerva.

Fiquei olhando ela subir pra pegar a cerveja. E não é que quando ela sumiu da multidão, Hélton Luiz recebe um passe da porra, sai picado, deixa dois zagueiros pra trás e BROCA!!! GOOOOOOOOOOLLLL DO BAHIA, PORRA!!!! DUAS GRADES!!! DUAS!!! DUAS GRADES!!!!
É grade pra caralho!!! Eu nem queria mais a cerveja que a nêga foi pegar. Fica lá, mizéra!!! Já tenho 2 grades!!! AHAHAHAHAHAHAH!!!
Mas aí ela voltou cheia de chamego. Me deu um beijo na boca, entregou meu copão e a gente ficou curtindo o intervalo juntinho. Feliz da vida.

Aproveitei também o intervalo pra bater o mijão. Porra véi... banheiro de primeiro mundo. Mijar em mureta nunca mais. A porra limpinha, véi. Bonito pra caralho. Naquele dia eu tava achando tudo lindo! Até mictório.

Nada de mijar na mureta, viu, porra??

Começa o segundo tempo. O Bahia só administrando. Naquele reme-reme. Naquele toquinho pra cá, toquinho pra lá. Deu uns 20 minutos e a nêga percebeu que meu copão tava vazio.
- Quer tomar, mais uma, preto?
- Porra, nêga... pegue lá pra mim, vá...

E lá foi ela. Com aquele bundão pra lá e pra cá. Eu fiquei lá olhando aquele bundão lindo subindo a escada. Hipnotizado. Aí ela sumiu. Quando voltei o olho pro campo, tava rolando um bafafá na área do Ipitanga, a bola sobra pra Hélton Luiz e.... saco!!! 3 grades de cerveja. Na moral... comecei a ficar com pena de Sabonete. Ô, meu Deus. O desgraçado vai ter que falar com a moça nos balcões BPN da Insinuante e pedir um empréstimo pra pagar minha aposta. Fale com a moça, filadaputa!!

A nêga tava demorando dessa vez. Mal terminei de comemorar o terceiro, quando o pequeno Ananias broca mais um. Quatro. Quatro a zero, papá!!! Quatro grades de pura alegria!! Eu tinha cantado a pedra. Sabonete tomou no cu. Dessa vez não foi literalmente. Mas deve ter doído pra caralho do mesmo jeito.

Neguinha chegou com a minha cerveja na hora de um pênalty do Ipitanga. Só que o dia era do Bahia. Pituaçu era do Bahia. O sacana mandou a bola lá na casa da porra.

A torcida era só alegria. "Rubro-negro otário!! Enfie no cu seu aterro sanitário!!!". Era só o que se ouvia na saída do estádio. "Vamos torcer pro Bahia ser campeão, em Pituaçu meu Caldeirãoooo!!!". Caldeirão mermo. Aquela porra ferveu, véi. E se você não foi, vá!!! Porque é bom demais. E arranje um otário rubro-negro pra apostar umas grades. Eu já ganhei quatro, pai véi!!!

BORA BAHÊA, MINHA PORRAAAAAAAA!!!!

Glossário Regionalista:

Se Gaba: Conta vantagem.
Véi: Velho no sentido de amigo, camarada, colega...
Da Porra: Legal, bonito, bom, muito bom...
Virado no Estopô: Muito forte
Nêga: Espôsa, companheira, amante, namorada...
Pituaço: Referência ao estádio de Pituaçú. Mistura de Pituaçú com Aço de Tricolor de Aço, como o Bahia é comumente chamado pela torcida, e uma forma corriqueira de evitar rimas indesejadas usada na Bahia.
Vice: Alusão ao apelido carinhoso de Vicetória colocado no Esporte Clube Vitória pela torcida do Bahia uma vez que já chegou à vice-campeão mas nunca foi campeão brasileiro.
Buzú: Ônibus coletivo.
Me Piquei: Saí, fui embora.
Nigrinhagem: Popular, povão, baixo astral.
Mermo: Mesmo.
Porrete: Pênis.
Gelosa: Cerveja bem gelada.
Lambreta: Espécie de marisco em concha, semelhante à um búzio, muito consumido na Bahia cozido no vapor.
Pombo: Homosexuais, pessoas desprezíveis.
Barradão: Apelido do Estádio do Esporte Clube Vitória, o Manoel Barradas.
Manco: Capenga, com uma perna menor que outra.
Tirar Sarro: Fazer gozação, brincar.
Jahia: Apelido carinhoso que a torcida do Vitória colocou no Esporte Clube Bahia na sua atual má fase.
Gude Preso: Perder de uma zero.
Nisgraça: Desgraça.
Briôco: Ânus.
Virado na Porra: Muito chateado.
Engradado, Grade: Caixa de cerveja contendo 24 unidades.
Mijar na Mureta: Alusão ao fato dos banheiros da Fonte Nova estarem em estado degradável e os torcedores, inconscientes, fazerem xixi em qualquer muro do estádio.
Sai Picado: Saiu correndo, com muita velocidade.
Mizéra: Azarada, miserável, pé frio.
Reme-reme: Apaziguando, meio sem querer fazer nada.
Bafafá: Confusão.
Balcões BPN: Alusão às Lojas Insinuantes, loja de eletro-domésticos baiana com sedes em várias cidades brasileiras que disponibilizam os Balcôes BPN, um banco para empréstimos pessoais, normalmente com taxas de juros elevadas.
Fale Com a Moça: Jargão utilizado na propaganda do Balcão BPN da Insinuante sobre as meninas que atendem no banco. -Se precisa de um empréstimo, fale com a moça...
Cantado a Pedra: Expressão oriunda do jogo de dominó, quando uma pessoa advinha a pedra que irá ser posta na mesa a seguir. Acertado a jogada, no caso, acertado o placar do jogo.
Aterro Sanitário: Alusão ao estádio do Vitória construído na área onde funcionava um antigo aterro sanitário da cidade de Salvador.

sábado, 1 de dezembro de 2007

ERA PRA SER UMA FESTA! – Não Podemos Esquecer!

A hora que Nonato perdeu o penalty. Ninguém podia imaginar o que estava para acontecer mais tarde!

Não quero ser o chato batendo na mesma tecla, mas agora que os ventos do esquecimento começam a soprar sobre a tragédia da Fonte Nova, acho que, até em respeito às vítimas e à dor dos seus amigos e familiares, precisamos continuar as discussões, pressionar os órgãos competentes e exigir a punição dos responsáveis.

Naquela tarde fatídica de 25 de novembro de 2007, eu estava lá. No intuito de me divertir, de comemorar a subida do Bahia para a 2ª divisão, junto com os amigos, Duda, Marcão, Ruy Bala, Marcelo, Erenilson, Saracura e tantos outros companheiros de Fonte. Estávamos a poucos metros do local que desabou e não vimos absolutamente nada. Aliás, isto foi uma coisa intrigante, parece que a mão de Deus intercedeu para que a tragédia não tivesse proporções muito maiores. Na hora do acontecido, faltavam dez minutos para o fim da partida, muitos já comemoravam, outros como eu estavam apreensivos com medo do Bahia levar um gol e deixar pra resolver na última partida(que bom que isto não aconteceu, teríamos amargado mais um ano de terceirona), a verdade é que, de um jeito ou de outro, todos estavam tão ligados no campo, que muito poucos perceberam o desabamento. Vocês já imaginaram o pânico absurdo que poderia se instalar se o estádio todo tivesse visto que parte da arquibancada desabou? Como os mais de sessenta mil torcedores que lotavam a Fonte Nova se comportariam numa situação dessas? Sem dúvida pânico geral.

A verdade é que apenas um pequeno grupo que estava ao redor do local percebeu o desabamento e o pânico foi rapidamente e eficientemente controlado pela polícia. Nós mesmos ficamos mais de vinte minutos sentados onde assistimos ao jogo esperando a confusão da saída diminuir, só tivemos conhecimento da tragédia quando, ao irmos embora, tentamos passar pelo local desabado que estava interditado e os policiais nos puseram a par do acidente e solicitaram que desviássemos nossa rota de saída. Soubemos ali apenas que havia mortes, mas não tínhamos idéia das proporções do desastre.

Havia vários trios elétricos nas proximidades do estádio esperando para animar o carnaval da comemoração, mas a imprensa de forma coerente e acertada apelou para que eles não ligassem o som. Não havia mais o que comemorar e sim o que lamentar. Foi aí, ouvindo o rádio no carro de volta para casa, que tive maiores informações e percebi o tamanho da merda que havia acontecido. Comecei a temer por muitos amigos que costumavam ficar bem ali onde a arquibancada foi abaixo. Ao chegar em casa, comecei a ligar para as pessoas mais próximas me certificando que estavam bem e também a receber vários telefonemas de amigos e parentes preocupados comigo. Uma dessas ligações foi muito especial para mim. Era Júlia, minha filha. Ela estava com um casal de amigos na Ilha de Itaparica quando ouviu alguém comentar a tragédia e imediatamente ligou para o pai procurando saber se estava bem. Aí a ficha caiu e vi que qualquer um, inclusive eu, poderia ter despencado junto com a arquibancada naquele momento. Agradeci a Deus por demais. Nasci novamente.

Hoje, menos de uma semana depois, após o anúncio da futura implosão da Fonte Nova e da construção de um novo estádio, já quase não se ouve falar no acidente e na possível punição dos responsáveis. Estão criando uma nova polêmica com base nos prós e contras de tal implosão, sobre a importância do novo estádio para Salvador e a possibilidade de ser sede de jogos da copa de 2014, e abafando a verdadeira causa da discussão: a morte de sete seres humanos que, como nós, queriam apenas vibrar com o seu time e foram estupidamente assassinados pela irresponsabilidade, incompetência e ganância de uns poucos. Foram sete, mas poderiam ter sido milhares. Não podemos nos calar, temos de exigir a punição dos responsáveis e novas posturas dos políticos, dirigentes esportivos, da própria imprensa que nunca antes exigiu a interdição da Fonte Nova e hoje fica bradando que já sabia, para evitar que outras tragédias como estas aconteçam por aí afora. Quando é que teremos mais dignidade neste país?

Pena que tenha sido deste jeito, mas tem que valer como exemplo e aviso que precisamos mudar nossa postura cômoda, apática e covarde se quisermos ter mais respeito e consideração por parte daqueles que detém o poder. Queremos os responsáveis na cadeia, pagando pela morte dos sete inocentes que saíram de suas casa para uma festa e nunca mais retornarão aos seus lares, para o aconchego dos seus familiares.

Estão esperando os laudos da perícia técnica como se isto fosse preciso para saber que ali existiu uma reunião de incompetência, descaso e irresponsabilidade. Quem não sabe que a Fonte Nova, estádio com quase cinqüenta anos, o anel superior, justamente o que desabou, com exatos trinta e seis anos, estava carente de manutenção? Quem não via aquelas infiltrações e as ferragens das estruturas já aparentes e completamente oxidadas? Os banheiros imundos, sem água e sem nenhuma condição de serem usados por um ser humano normal? É muito descaso com um local que tanta renda gerou para o estado e que, por longos anos foi a segunda casa para muitos torcedores baianos. Leiam o depoimento que Roberta, uma amiga minha, torcedora fanática do Bahia me mandou pelo orkut: “As lágrimas insistem em cair pela tragédia e agora se misturam com o dissabor de saber que a minha 2ª casa, aquela que “me viu” sorrir, chorar, gritar, vibrar, desmaiar, brigar, invadir, desesperar, proteger, ser protegida... Palco de diversas fotos, de diversos amigos, de mais uma família núcle, a BAMOR, e mais outros familiares aderentes, TERROR, POVÃO, GARRA... Enfim, a tristeza de saber que não tem mais jeito, que domingo (25.11.07) foi meu último jogo ali na FONTE NOVA, na minha 2ª casa que faz parte da minha vida. Choro mesmo, sem vergonha, é como se arrancassem um pedaço de mim, da minha vida, desculpem mais um desabafo. Todos os momentos ficarão pra sempre na memória, todos sem exceção. Vamos Bahia, Vamos ser campeão e essa estrela será dedicada às VÍTIMAS, a CLEBER, e agora a FONTE NOVA.” Comovente e revoltante.

Por isso meus amigos não vamos deixar que este trágico acidente caia no esquecimento. Vamos cobrar dos responsáveis para que eles paguem por seus atos criminosos. Não vamos deixar que fatos como estes se repitam. Por nós e pela memória dos sete companheiros que se foram nesta tragédia!


Após o final do jogo, a torcida do Bahia faz feio, invade o campo e depedra o estádio. Reparem que todos comemoravam sem saber que uma tragédia acabara de acontecer!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

INDIGNAÇÃO!

Alguém viu ontem nos jornais televisivos os vereadores passeando em Buenos Aires com o nosso dinheiro? Fazendo chacotas sobre o congresso fantasma do qual foram “participar”? Se vangloriando de aumentar a quantidade de empregos para seus gabinetes e de aumentarem a verba destes à ínfima razão de 600%? Discutindo questões importantíssimas para seus respectivos municípios como: qual restaurante escolher para ir, e qual deles era o mais bonito? O pior é que nenhum desses subversivos vai parar na cadeia. Afinal gravações com câmera escondida sem autorização da justiça não valem como prova. Afinal o povo, mesmo assistindo a absurdos como este, continua votando neles. Seria uma boa piada se não fosse deprimente.

E o governador da Bahia, o Sr Jaques Wagner, eleito em primeiro turno diga-se de passagem, parafraseando outro ilustre político brasileiro ao falar: - Eu não vi nada. Não sei de nada. Os relatórios não apontavam problemas estruturais na Fonte Nova.? Sensibilizado, nosso chefe de estado, tão humano e solidário que é, marcou presença no enterro das vítimas. Que ato louvável! E o Raimundo Nonato, mas conhecido como Bobô, gaguejando e imitando o ilustre governador, ao dizer que nunca teve conhecimento de relatórios que apontassem tais problemas? Que se soubesse da vinda de peritos, engenheiros e arquitetos para inspeção do estádio, organizaria uma recepção para colocá-los em discussão com os técnicos da SUDESB (Superintendência de Desportos do Estado da Bahia), órgão responsável pela administração e manutenção do estádio, do qual este Bobô é presidente, diretor ou sei lá o quê? Será que ele pensa que o povo é bobo? Talvez ele tenha razão. E tem gente preocupada se a Bahia vai sediar jogos da copa. Seria uma boa piada se não fosse trágico.

Como diria Paulo Bono, com processo ou sem processo, vão todos eles tomar no cu!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

MAIS UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

Consternada, revoltada e em luto absoluto amanheceu a população baiana, a nação tricolor e porque não dizer todo o Brasil. O que aconteceu ontem na Fonte Nova, foi mais um dos absurdos a que estamos sujeitos pela total falta de escrúpulos, ações e providências dos órgãos responsáveis. Algo que poderia facilmente ser evitado bastando apenas ações coerentes e sensatas dos facínoras miseráveis que comandam nossa vida.

Eu, freqüentador assíduo do estádio, ficando inclusive sempre muito próximo ao local que desabou, sem nenhum conhecimento técnico em engenharia, muitas vezes já falei que tinha medo daquela merda vir abaixo. O abandono e a falta de manutenção eram visíveis. Diversas partes da estrutura metálica do concreto encontravam-se expostas (falo no passado por imaginar que este fato foi o bastante para transformar a Fonte em peça de museu), as infiltrações eram gritantes.

O pedaço de arquibancada que cedeu, simplesmente caiu e formou um buraco de aproximadamente 10 metros, veja foto aqui, encontra-se justamente na parte do estádio onde fica a torcida Bamor. Torcida organizada, famosa na Bahia por ser considerada uma das mais animadas e presentes do Brasil e, portanto, uma das que mais pula durante os jogos, e, foi justamente o fato dos torcedores estarem pulando demais naquele momento, que fez a estrutura ruir. Agora pasmem! Justamente este local ficou recentemente interditado por um tempo por falta de condições estruturais. Com isso, a capacidade do estádio diminui consideravelmente e, consequentemente as arrecadações também. Sem querer insinuar que uma coisa tem a ver com a outra, teria sido por isso que algum irresponsável emitiu um laudo permitindo a reutilização do espaço? Não é uma coincidência desastrosa? Quem terá sido este engenheiro que no mínimo é um incompetente? Ta difícil de aparecer. Como sempre, quando acontecem tragédias de grande porte como esta, o jogo de empurra já começou. Não existem responsáveis. Ficam na conversa mole, um botando a culpa no outro, até o fato cair no esquecimento de um povo cuja memória, principalmente a política, não é um dos seus pontos fortes. Até quando iremos estar sujeitos às barbáries assim?

O que era pra ser uma festa linda, já que o jogo de ontem ascendeu o Bahia para a 2ª divisão do campeonato brasileiro, se tornou dor, lamentações e luto. Sentimos demais pelas vítimas, pela dor dos seus familiares e amigos e, por isso mesmo, não podemos nos calar. Qualquer um poderia estar entre eles. Nós próprios, um irmão, um pai, um amigo, um filho. Não podemos deixar passar mais esta oportunidade de exigirmos aquilo que temos direito por lei, mas nos é negado a cada instante: segurança e dignidade.

Lamentável também foi o comportamento da torcida tricolor na noite de ontem. Mesmo depois de toda esta tragédia, invadiu o gramado comemorando, proporcionando aos telespectadores cenas deprimentes de vandalismo e barbárie. Torcedores quebrando o estádio, arrancando o gramado, destruindo o carrinho da maca e tantos outros absurdos, não como revolta ao trágico acontecimento, mas a título de comemoração ignorando a dor e desespero de muitos dos seus co-irmãos. Um vexame. Uma vergonha para nosso estado, para nossa torcida, para todos nós, exposto em cadeia nacional e mundial. Atestado de provinciano. Mais uma vez a irresponsabilidade dos órgãos públicos, aqueles cujas contas são pagas por nosso suor e trabalho e pelo dinheiro dos nossos impostos, ficou patente. Onde estava o contingente policial capaz de impedir tal invasão? Simplesmente não existia.

Outro absurdo foi o fato de que, mesmo com a lotação máxima preenchida, 60.000 (sessenta mil) torcedores, os portões do estádio foram abertos uns dez minutos antes de acabar a partida permitindo a entrada de parte da multidão que estava fora do estádio. Mais outra triste coincidência. Fui justamente nesta hora que tudo aconteceu.

O Bahia subiu. A Bahia desceu. Precisamos pensar muito sobre tudo isto. Uma coisa é certa, não há o que comemorar.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

VUMBORA BAÊÊÊÊÊÊÊÊAAAA!!!!!

Hoje recebi de um amigo um e-mail despretensioso que achei muito interessante. É na verdade uma pequena crônica, dessas histórias que circulam pela internet e a gente nunca sabe quem escreveu. Achei muito interessante e tem inclusive muito a ver com o que escrevi em Teste Para Cardíacos. Por isso, resolvi transcrevê-la aqui. Pena que não posso dar crédito ao seu autor. Lá vai!


BAÊÊÊÊÊÊÊÊAAAA!!!!!


Seu Jurandir chegou em Salvador num vôo da GOL, às 19:20 do dia 7 de outubro. Saiu do avião e partiu para buscar sua mala no saguão de desembarque. Como a bagagem demorava de aparecer na esteira, Seu Jurandir sacou a Maxi-Goiabinha que a aeromoça tinha lhe oferecido e ele havia guardado no bolso para mais tarde. A mala chegou, ele colocou no carrinho e saiu pelo portão para procurar um táxi.

- “Quanto é o táxi até...
Ele olhou um papel na sua mão e completou:
... Ondina?”
- “Ondina? 88 conto”
- disse o motorista.

Seu Jurandir fez cara feia, mas entrou no carro mesmo assim. Afinal, Seu Jurandir é paulista e veio conhecer Salvador pela primeira vez no alto dos seus 53 anos. O táxi partiu e logo depois que passou pelo túnel de bambuzais, o motorista fez um pedido:

- “O senhor se incomoda se eu ligar o rádio?”

Seu Jurandir observou o motorista. Era um homem que aparentava uns 40 anos. Tinha uma aparência serena, óculos escorregando pelo nariz e uma boina azul, vermelha e branca na cabeça. Seu Jurandir disse que não se incomodava, mas ficou surpreso quando o rádio ligou. Não era bossa nova ou MPB, nem pagode, arrocha ou axé. O que estava ecoando dos alto falantes do táxi era um jogo de futebol.

- “É que eu torço pro Bahia, sabe? E esse jogo é decisivo” - explicou-se o motorista.

Seu Jurandir não era muito de papo, nem de futebol. Assistia de vez em quando a um jogo do São Paulo na TV, time pelo qual ele carregava uma certa simpatia. Por isso, ficou calado, ouvindo o locutor do jogo junto com o motorista. O locutor gritava:

- “6 MINUTOS DE ACRÉSCIMO!!!”

A cada berro do locutor, Seu Jurandir percebia que o motorista ficava mais nervoso. A aparência serena inicial dava lugar a um semblante de desespero. O homem suava e fazia o sinal da cruz enquanto o carro passava pela Avenida Paralela.

- “Não é possível. A gente precisa de um golzinho só!!!” - desesperava-se o motorista.
- “TERMINA O JOGO NO ACRE!” - berrava o locutor.
- “Pelamordedeus, a gente só depende da gente!!!” - desesperava-se ainda mais o motorista.

Seu Jurandir começou a ficar assustado. O motorista estava suando que nem cuscuz, embora o ar-condicionado do carro estivesse ligado no máximo.

- VAI QUE DÁ BAHIA!!!! - berrava o locutor.
- Vai que dá Bahia!!!! - repetia o motorista.

Seu Jurandir já se segurava na porta do carro, quando o locutor recitou:

- “É A ÚLTIMA CHANCE! LÁ VEM CARLOS ALBERTO, CRUZOU NA ÁREA, CHARLES DE CARRINHO.............................................................GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!”

O motorista começou a tremer, chorar e gritar ao mesmo tempo:

- “É goool, é goool, é gooool, bora Bahêa minha porra, bora Bahêa, minha nirgraça!!! Aí bando de rubro-negro feladaputa! Toma aí!!! É a estrela! Eu disse, eu disse!!! É goool porra!! É gol do Bahia caralho!!”

As mãos do homem tremiam, o táxi já não andava em linha reta. Agora, quem se desesperava era Seu Jurandir, que pedia assustado para o táxi parar.

“Pára, pára!” - gritava Seu Jurandir.
“Bahêa, Bahêa! - gritava o motorista.

Meio que em estado de choque, o motorista finalmente encostou o carro no Posto 2 da Paralela. Bastou o táxi parar, para ele deixar seu Jurandir sozinho no carro e sair pela porta correndo e gritando uns 15 putasquepariu.

Sozinho no carro, Seu Jurandir observava o cenário ao seu redor. Carros buzinando, fogos explodindo no céu, gente gritando, chorando, ajoelhando. Cada vez mais carros chegavam ao posto em festa, comemorando o que parecia ser um título inédito. Em meio ao buzinaço, o motorista voltou pro táxi.

“Desculpa, senhor. É que é muita emoção. Esse time é foda.”

Agora curioso, Seu Jurandir perguntou:
- O Bahia foi campeão?
- Campeão? Não, se classificou pro octogonal”
- respondeu o motorista ofegante.
- Octogonal?
- É, o octogonal da Série C.
- Da Série C? Terceira divisão?
- É ganhamos do Fast, do Fast do Amazonas. 1x0, caralho!
- “Sei, sei”
- disse um incrédulo seu Jurandir.
Ainda em êxtase, o motorista perguntou:
“Pra onde é que o senhor está indo mesmo?”
E o seu Jurandir respondeu:
- “Pro aeroporto. Volta pro aeroporto que eu não fico mais um segundo nessa terra de maluco.”

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

TESTE PARA CARDÍACOS



O Esporte Clube Bahia continua pondo à prova o já mais que sofrido coração do seu torcedor. Time de tradições, duas vezes campeão brasileiro, com a torcida mais fiel do Brasil, mesmo na terceira divisão mantém uma das melhores médias de público do ano, isto considerando as três divisões do campeonato brasileiro. Castigado por anos a fio de administração desastrosa, há muito que o time não dá uma alegria substancial à sua torcida. Domingo passado foi um dia inesquecível. Dependendo de outro resultado, o Bahia jogou na Fonte Nova precisando vencer para se classificar para o octogonal decisivo e manter acesa a chama da esperança de, pela primeira na sua história, ascender através de resultados conquistados no campo. No outro jogo, Rio Branco x ABC, estava tudo dando certo. Terminou empatado em 0 x 0, só faltava o Bahia fazer sua parte e balançar a rede uma vezinha apenas. Eu, impossibilitado que tava de ir ao estádio, já que era aniversário do meu afilhado Eduardo, estava na festa ouvindo pelo rádio. Aos 43min, quando o locutor anunciou o término da outra partida e que o juiz daria mais 6min de descontos, não tinha a menor condição de continuar ouvindo aquela tortura, e passei o rádio para o amigo Romário, outro Bahia doente como eu. Na verdade, naquele momento, fiz o que costumamos chamar de jogar a toalha. Perdi a esperança. Mas quem torce pelo Bahia deve saber que o jogo só acaba quando o juiz apita. Não é que aos 50min os pés milagrosos do atacante charles classificou o tricolor? Joguei o copo de cerveja para o alto e, junto com a maioria dos convidados, transformamos o aniversário de Edu, filho de torcedores do Vitória, numa festa da torcida azul, vermelha e branca. Quando acabou os parabéns, entoei os primeiros versos: "Somos a turma tricolor, somos a voz do campeão...", foi um coro lindo. Sob os protrestos do meu compadre Gil, que nada pode fazer, transformamos a pequena sala numa extensão das arquibancadas da Fonte Nova. Agora convenhamos: só mesmo o Bahia para, na terceira divisão, merecer uma matéria de mais de 3min no Globo Esporte nacional. Veja o vídeo.



E, para matar as saudades deste sofredor cansado de sofrer....

terça-feira, 1 de maio de 2007

FUTEBOL - Não Dá Pra Ir de Encontro À Chico Buarque

A Torcida do Baêêêêaaaaa.......Na Fonte Nova


O futebol é coisa dos apaixonados. Mesmo que ele acabe casamentos, toda mulher devia saber que um fanático por futebol, tem um grande potencial de homem carinhoso. O problema é que a comparação entre a importância do esporte e da esposa, é inevitável na cabeça das mulheres que, enciumadas, teimam em relacionar o futebol com puladas de cercas ou coisas do gênero.

A ausência do marido enquanto ulula insanamente no estádio, é sempre relacionada com a traição. Não vejo a coisa assim. Apiaxonado por futebol que sou, frequentador de estádios e farrista de primeira, sofri na pele esta questão. Nunca usei o futebol como pretexto de fuga da mulher amada, até porquê se você ama realmente, não foge, leva ela com você. O problema é que ela quase nunca quer. Ou então perderia o pretexto da reclamação, ou acha ridícula nossa atitude perante a comoção fanática do torcedor. E quase sempre não quer que você vá. Não importa.

Não podemos forçar a mulher a sentir a mesma emoção, assim como elas não podem forçar-nos a abdicar de algo que faz parte do nosso íntimo, da nossa paixão, que não está dedicada exclusivamente à ela, sem precisar mensurar o que é mais ou o que é menos. É claro que ela é sempre mais.

Se há uma relação verdadeira, tem que haver concessões, um tem que compreender o outro. Sempre sonhei em ter a minha mulher como companheira de estádio, e fiz tudo pra que isso acontecesse. O problema é que, a única vez que casei, arranjei logo uma torcedora do Payssandu para o sacramento, informal mas sacramento. Tentei de todo jeito mas não consegui transformá-la em Bahia.

Ainda tentei aliciar a minha filha para tal, levando-a nos estádios desde pequena, fantasiada do meu time de coração e, naquela época, com uns três anos, até que gostava. Acontece que Júlia é ela mesma, personalidade muito forte, e ninguém vai conseguir influenciá-la. Hoje simplesmente detesta futebol. Tenho pena do seu futuro marido, vai precisar de muito jogo de cintura. Mesmo assim, a sua nobreza de caráter a faz ficar feliz toda vez que meu Bahia ganha, ela comemora pela felicidade do pai. É uma filha retada de bôa.
Hoje, desiludido que estou com as agruras que tenho passado com meu time, estou um pouco arredio do futebol. Sei no entanto, que isto é um paiol interior. Basta uma faísca e a explosão é inevitável.

O Futebol
(Chico Buarque)
Para Mané, Didi, Pagão, Pelé e Canhoteiro

Para estufar esse filó
Como eu sonhei
Só
Se eu fosse o Rei
Para tirar efeito igual
Ao jogador
Qual
Compositor
Para aplicar uma firula exata
Que pintor
Para emplacar em que pinacoteca, nega
Pintura mais fundamental
Que um chute a gol
Com precisão
De flecha e folha seca

Parafusar algum joão
Na lateral
Não
Quando é fatal
Para avisar a finta enfim
Quando não é
Sim
No contrapé
Para avançar na vaga geometria
O corredor
Na paralela do impossível, minha nega
No sentimento diagonal
Do homem-gol
Rasgando o chão
E costurando a linha

Parábola do homem comum
Roçando o céu
Um
Senhor chapéu
Para delírio das gerais
No coliseu
Mas
Que rei sou eu

Para anular a natural catimba
Do cantor
Paralisando esta canção capenga, nega
Para captar o visual
De um chute a gol
E a emoção
Da idéia quando ginga
(Para Mané, para Didi, para Mané, Mané para Didi, para Mané para Didi, para Pagão para Pelé e Canhoteiro)


quarta-feira, 25 de abril de 2007

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ


Conta a lenda que Zeboré, através da genética, herdou de seu pai uma de suas principais qualidades: ser um homem de visão. Intelectual, empresário bem sucedido, Zé tinha suas convicções e as defendia com unhas e dentes. Dentre elas a de que futebol era coisa de maluco, de quem não tinha o que fazer. Achava um absurdo, um ser humano passar a tarde de domingo com um radinho de pilha na mão, escutando palavras inaudíveis do locutor gritando feito um insano. Para ele isto era prenúncio certo de depressão na segunda. Exceto por farras homéricas tendo como pretexto os jogos do Brasil nas copas do mundo e umas poucas incursões a estádios levados por amigos loucos, segundo ele, apaixonados pela arte de chutar a bolinha.

Um alvo certeiro das suas críticas era o seu irmão Dibi. Torcedor fanático do Arranca Toco, principal rival do Perna de Pau, os dois melhores times da cidade onde moravam. Dibi era daqueles piolhos de estádio, onvinte assíduo de jogos e resenhas. Dos que se fantasiam dos pés a cabeça nos dias de peleja e, assim como todo bom torcedor, detesta quando falam mal do seu time ou da sua paixão. Frustradas foram todas as tentativas de Dibi de convencer Zeboré do contrário. Fazer vê-lo a beleza do esporte, a integração do torcedor, a diversão saudável que alivia as tensões da vida e das preocupações pessoais. Dibi desistiu, pensava estar ali um caso perdido. Estava enganado. A vida dá muitas voltas e às vezes nos prega peças arrasadoras.

Depois da bancarrota, Zeboré se viu na mais profunda depressão. Sem trabalho ou perspectiva, sua reserva esvaindo-se pelo ralo abaixo, sem luz no fim do túnel. Já quase jogando a toalha, Carequinha, grande amigo de vida, outro louco apaixonado pelo esporte, assume uma função na diretoria do Perna de Pau e convida-o a assessorá-lo. O salário não era dos melhores, mas qualquer coisa é melhor do que nada. Assustava-lhe a idéia de trabalhar neste mundo do qual se considerava um ET. Sem opção mais aprazível Zeboré aceitou o desafio.

Ainda segundo a lenda, uma semana depois, nosso personagem foi visto vestido de Perna de Pau até o pescoço, gritando desesperadamente no meio da torcida nas arquibancadas do estádio do seu, agora, clube do coração, discutindo regras, ou cagando-as talvez, e ainda por cima empunhando rente ao ouvido, um rádio de pilha que mais parecia um micro system. É isso aí Zeboré, esse mundo dá voltas….