sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

FÉRIAS

ME AGUARDEM NO ANO QUE VEM!

DEDICATÓRIA


"Gosto do Pessoa na pessoa,
Da rosa no Rosa", já disse o poeta.
Gosto muito de você
Que dá luz à prosa,
Da sua poesia concreta.

Por isso este mimo impresso,
Que agora humildimente,
Esta dedicatória em versos,
Tentam tocar o seu ser
Como se fosse um presente!

Deicado à Lai

FELIZ 2008!


Mais um ano vai embora. Novo ano se aproxima. Vale pensar nos erros do passado, procurar não repeti-los, pra que venha um futuro melhor. Uma nova vida nos espera. Vamos encará-la com dignidade e respeito.

Sempre procuro fazer o já manjado balanço de final de ano e programar os objetivos pro ano seguinte. É claro que nem tudo dá certo, mas é preciso estabelecer metas e procurar cumpri-las. O homem que não tem objetivos passa pela vida sem vivê-la, apenas passa. As metas são o combustível do nosso progresso e, como nada cai do céu além de chuva, raio e avião, precisamos fazer a nossa parte.

Muitas coisas boas aconteceram em 2007 para mim. A melhor delas foi minha filha ter vindo morar comigo, pena que agora ela está prestes a ir para Belém do Pará morar com a mãe e já estou chorando de saudades. Depois disso, sem dúvida, voltar a escrever foi tudo de bom. Fazer este blog tem sido um imenso prazer, uma terapia. Conhecer este universo e interagir com ele foi e está sendo muito gratificante. Sem contar os talentos que descobri por aqui e olha que não foram poucos.

Pensando em entrar o novo ano de cara nova, mudei também a cara do blog.

Por isso quero agradecer o carinho de todos, os comentários, as contribuições e tudo de bom que vocês têm me dado. Espero corresponder a tanto e cada vez mais ter a presença de vocês.

Desejo de coração um feliz 2008, com muita paz, muita saúde, muito sucesso e realizações. Não sou muito bom para mensagens, nada original, mas o sentimento é verdadeiro e sincero. Quero deixar externado aqui o meu muito obrigado a todos, muitos beijos e um FELIZ ANO NOVO!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

VIAJANDO PELO UNIVERSO DOS BLOGS

Ler blogs está se tornando um vício. Fico impressionado com a quantidade de pessoas anônimas com um puta talento escrevendo nesta rede coisas que nos deixam sem ar, como disse Gabriele Fidalgo. Nesta viagem, tenho descoberto pérolas de imensa beleza e inestimável valor. Diversos estilos e propostas vão me apaixonando e enriquecendo. A medida que me encanto com cada um deles, coloco seu link aqui. Sei que minha turma de leitores é muito pequena, mas não posso deixar de dar a eles a oportunidade de conhecer estas maravilhas. Hoje, viajando pelo Anjobaldio, vi um vídeopoema de Samantha Abreu, uma paranaense de tirar o fôlego pelo talento e sensualidade. Não resisti à tentação de colocá-lo aqui também. Não pedi permissão a ela, espero que não se importe, mas quero brindar quem me lê, com este vinho de safra sem igual que é o poema "As Sombras".

Agora, vou viajar para o feriadão de fim de ano, onde não terei acesso à rede e fico me perguntando como será a síndrome de abstinência. Por segurança, levarei uns livros para qualquer eventualidade.





Poema: "As Sombras"
Autora: Samantha Abreu (http://samanthaabreu.blogspot.com/)
Intérprete: Samantha Abreu (http://mulheressobdescontrole.wordpress.com/)

E eu que já pensei um dia que blog era coisa de quem não tinha o que fazer! Como sou babaca!

PS. Prezada Samantha, se for de sua vontade posso retirar seu vídeo daqui, é so falar. De qualquer forma, muito obrigado!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

ESCLARECENDO

A partir de um comentário da talentosíssima Gabriele Fidalgo, percebi que as pessoas podem pensar que os poemas "Boas Festas" e "Natal da Filha da Marofona", publicados imediatamente anteriores à essa postagem, são meus o que é um equívoco. Na verdade, eles fazem parte do marcador "Poemas de Zé Ribeiro", meu falecido avô paterno. Falo dele no texto intitulado "Zé Ribeiro - É por isso que Tote não presta!"

É importante deixar claro a autoria de tais versos. Temos que dar o devido crédito ao criador. Gabriele, mais uma vez muito obrigado pelo carinho. Um grande abraço!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

BOAS FESTAS!


Boas Festas Amigos,
Boas Festas.

Sendo mais que perfeito no julgar
Na cristandade do seu trono augusto
Nunca deixou ninguém a separar
Todos têm para o mestre
O mesmo custo

Eu também sou cristão,
Mas de falar o que é vero, é real,
Não tenho susto
Pois há separação, irei mostrar
Que o Cristo desta vez
Vem sendo injusto

O preço dos pirões que era de cá
Há muito se fazendo de santinho
Subiu, chegou no céu e ficou lá

Será reza meu Deus dos tubarões?
E o que faz dando apreço a tal precinho,
Quem do templo tangeu os vendilhões,
Que não tange do céu esse mocinho?

Corrija essa injustiça, um Deus não erra
Enxote Jesus Cristo o malandreco
Metendo-lhe o chicote no fucinho
E mande que ele desça para Terra
Não deixe este malandro aí no céu

Boas Festas, estou a recebê-las
Grafadas nos cartões só para ler
Boas Festas Jesus,
Como hei de tê-las,
Enquanto este pilantra não descer?


Feliz Natal amigos. Que 2008 venha cheio de boas novidades para
todos nós!

domingo, 23 de dezembro de 2007

O NATAL DA FILHA DA MARAFONA


Vamos dormir?
E ela diz:
Papai Noé não vai vir?
Mais tarde, vem por aí...
E trás boneca pra mim?
Mão na orelha a meretriz:
Vem trazendo uma daqui!

Para o brinquedo comprar
A mamãe perambulando
Levou a noite a esperar
Quem não estava esperando


No vasto balcão da orgia
Posta para se vender
Viu voltar a luz do dia
Sem ninguém aparecer


Pela manhã, na cozinha
A inquirição de Helenita
Cadê mamãe bonitinha,
Minha boneca bonita?


Ei-la chorosa,
Apertando a filinha contra o seio
Levei a noite esperando
Papai Noel e não veio


Distante dos lamaçais
Quem não nasceu no bordel
Espera pelos natais
O velho Papai Noel
Que é uma ilusão que não cai


Mas Helenita, a rolinha,
Que privilégios não tem?
Não espera por papai,
Espera por mamãezinha
Que a esperar vive também


Pois na sua condição,
Dela mamãe, notem bem!
Esperar é profissão
Dia que chega porém
É doloroso viver
Vendo se aparece
Quem não ficou de aparecer


Para os brindes infantis
O velho Noel reclama
Os sapatos dos guris
Postos embaixo da cama
Durante a noite sagrada


De Helenita,
Esse anjo afeito,
A dormir no mesmo leito
Da mamãe desventurada
Seus sapatinhos eu acho,
Que do serralho no clima
Em vez de postos em baixo
Devem ser postos em cima.


Lá longe dos tremedais
Felizes portanto aqueles
Que venturosos natais
Gozam no clima da fé
Papai Noel é o deles
O dela é papai não é...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

FALSO COGNATO


Uma das poucas coisas que aprendi do inglês é que PUSH significa empurre. Por que será que sempre me atrapalho com as portas?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

SETEMBRO

"Quando entrar Setembro,
E a boa nova andar nos campos...
...A lição sabemos de cor,
Só nos resta aprender."
Sol de Primavera(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)

Era Setembro
As primeiras pétalas surgiam
Traziam cor para os campos
Beleza para os olhos
Mel para os lábios

Era Setembro
Nasciam várias centelhas
Cantos ferozes bramiam
Como se longe buscassem
Ternura nos seus afagos

Era Setembro
Tinha luz nos meus olhos
Rima nas minhas palavras

Rima nas palavras dela
Doce no mar de Abrolhos
O gosto bem me lembro

Era Setembro
E os campos que ora floriam
Enchiam a vida de cor

Era Setembro
As rosas que ora nasciam
Enchiam o campo de amor

Era Setembro...

O PROGRAMA


Acabado o sexo ela vestiu sua roupa e se perguntou o que estaria fazendo ali. Não era por amor, nem por dinheiro. Sentira pena daquele rapaz. Quando ele a abordou, ela deu o preço: R$ 100,00. Ele oferece R$ 20,00. É só o que tenho. Não quero sexo, quero uma companhia, alguém pra conversar. Estou trabalhando, por R$ 20,00 nem um boquete dá pra fazer. Mas eu preciso, me ouve um minuto, eu te imploro. As lágrimas molharam seu bonito rosto. Não sabe porque, mas sentiu uma imensa vontade de fazer algo por ele e entrou no carro. É por pouco tempo. Quase não ganhei nada esta noite. O rapaz ligou a máquina e andou em silêncio por alguns minutos nas avenidas da cidade grande. Talvez dez, vinte minutos, ela não olhou o relógio.

Estacionou numa rua erma, escura. Ela sentiu medo, preferiu não falar nada. Quando começou a falar, foi compulsivo. Falou excessivamente, mas não fez uma queixa sequer. Não falou mal da vida, não se queixou do trabalho, da família, da saúde, apenas falou. Perguntou o estilo de música que ela gostava. Tim Maia. Colocou “Azul da Cor do Mar”. “Ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir, tenho muito pra contar, dizer que aprendi...”. Sabe, quando eu era criança e ouvia esta música, ficava me imaginando recebendo minha professora Adélia no altar. Ela era bonita, cativante. Sonhava muito casar com ela. Fantasias de alunos com professores são comuns. Você já teve alguma? Sim, tinha um professor do ginásio que eu era apaixonada. Alex. Não era bonito, mas me atraía bastante. Coisa de adolescente...

Passaram-se horas. Agora o rapaz não mais parecia sofrido nem triste. Tinha paz no seu semblante. Ela sentia-se bem, sentia-se leve. Gostava daquele papo, esqueceu da calçada e do dinheiro que estava perdendo ou deixando de ganhar. Fazia muito que não era tratada como um ser humano comum, uma pessoa que tem defeitos e qualidades, uma mulher. Ele a convidou para um lanche. Como pode pagar se só tem os R$ 20,00 que vai me dar? Pensou, mas ficou para si. Aceitou o convite. Foram a uma lanchonete 24hs. Ele ofereceu o cardápio e disse que ela escolhesse à vontade. Intrigada, ela se preocupou em pedir algo bem barato, que os R$20,00 dessem pra cobrir. Um hambúrguer por favor. Dois. Ele complementou. Você tem filhos? Tenho um garoto de quatro anos, por isso estou nessa....Sua mão tocou suavemente o seu braço e disse: não precisa falar nada. Não quero saber o porque você faz o que faz. Se faz com dignidade é o que importa. Você me parece digna. Procuro ser. Como ele se chama? Marcelo. Bonito nome.

A conversa se estendeu por longos minutos e já quase amanhecia quando ela, por única e espontânea vontade, o beijou. Sem trocar mais palavras, os olhares falaram por elas, foram para um motel e se amaram como um casal de apaixonados que transa pela primeira vez. Ele acende um cigarro. Ela abre uma Ice. Ela pergunta. Você é casado? Sou. Não se atreveu perguntar porque o rapaz encontrava-se ali. Apenas sussurrou baixinho, bem.... Mais uma vez ele a beijou. Fizeram amor novamente e o relógio era a última coisa que importava. Acabado o sexo ela vestiu sua roupa e se perguntou o que estaria fazendo ali. Não era por amor, nem por dinheiro. Sentira pena daquele rapaz. Agora sentia admiração e respeito. Levantou, vestiu a roupa. Preciso ir. É a minha hora. Ele se vestiu, pagou a conta e perguntou: posso levá-la em casa? Sim. Na saída ele disse: obrigado pela noite, você foi maravilhosa. Sacou a carteira e pegou uma nota de R$ 100,00. Guarde o seu dinheiro. Não quebre esse encanto. Preciso desta noite na memória por toda a minha vida. E o silêncio reinou até a casa da garota.

ANTES DAS SEIS


O dia amanhece,
As nuvens estão escuras,
Os pássaros cantam,
A moldura do meu ser está desbotada.

Voltam os problemas,
Voltam os amores,
Os desencantos também.

Ontem fui ao cinema.
Película de beleza sem igual.

Por um momento pedi ao sol
Que não voltasse a raiar,
Mas o dia amanhece...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

PRANTO

PRANTO
(Márcio Valverde/Adriano Carôso)


Não vigie o meu pranto
A minha dor não se permite
Ser teu par

Não vigie o meu pranto
Tua saudade não me fará
Voltar atrás

Escute com calma o meu canto
Debruce nas linhas que escrevo
Com olhos de interpretar

A dor, parafuso aluído
Segura o pino dos meus ossos,
Meus destroços.
A vida inteira amarguei.

Me deixe em paz no meu canto
Que o teu ciúme foi a morte.
Minha morte verdadeira.

Não vigie o meu pranto
Não tenho tempo a mágoas
Ou saudades derradeiras.

INGRATIDÃO

INGRATIDÃO
(Márcio Valverde/Adriano Carôso)

Você esqueceu da água
Da fonte que lhe nutriu
Pongada na minha aba
Seguiu o curso do rio

Deu um corte de navalha
Em quem nunca mereceu
Meu pranto agora desaba
É mais forte do que eu

Você me deixou de lado
Remando contra maré
Cometeu ingratidão
Desdenhou da minha fé
Zombou da minha canção
Isso é triste não se faz
Vá cumprir o seu destino
Atracando em outro cais

Agora eu vou viver
Sem me desesperar
Vá montar sua morada
Longe do meu coração
Sofrer a troco de nada
Isso é muita ingratidão.

SANTO AMARO – Diário de Bordo


Trilhos Urbanos
(Caetano Veloso)

O melhor o tempo esconde
Longe, muito longe

Mas bem dentro aqui
Quando o bonde dava a volta ali

No cais de Araújo Pinho
Tamarindeirinho
Nunca me esqueci
Onde o imperador fez xixi

Caba doce Santo Amaro,
Gosto muito raro
Trago em mim por ti
E uma estrela sempre a luzir

Bonde da Trilhos Urbanos
Vão passando os anos
E eu não te perdi
Meu trabalho é te traduzir

Rua da Matriz ao Conde
No trole ou no bonde
Tudo é bom de ver
São Popó do Maculelê

Mas aquela curva aberta,
Aquela coisa certa
Não dá pra entender
O Apolo e o Rio Subaé

Pena de Pavão de Krishna
Maravilha vixe Maria mãe de Deus
Será que esses olhos são meus?

Cinema transcendental
Trilhos urbanos, Gal
Cantando o Balancê
Como eu sei lembrar de você.


Santo Amaro da Purificação é uma cidade iluminada. Terra de artistas e poetas, tão bem cantada nos versos de um dos seus mais ilustres filhos, Caetano Veloso, como se vê na letra de “Trilhos Urbanos” acima. Santo Amaro tem uma importância fundamental na minha formação como pessoa. Sou o homem que sou porque tive o privilégio de passar parte da minha infância lá. Caso contrário, seria muito pior. Lá também nasceram os primeiros rabiscos e versos que criei. Lá conheci Márcio Valverde, amigo, irmão e parceiro. Santamarense nato e apaixonado, Márcio foi um dos responsáveis diretos para que eu voltasse a compor e a ter coragem de expor novamente os meus versos. Um dia ele me ligou após ter lido o texto que escrevi sobre a cidade e sobre ele logo no início deste blog. Reclamou que o chamei de ingrato e me convidou a voltar a compor com ele. No início não dei muita importância, não estava tencionando voltar a fazer música, mas o destino nos reserva caminhos e às vezes não temos como lutar contra eles.

Quando voltei de Belo Horizonte, encantado com a cidade e inspirado pelos fluidos do Clube da Esquina, uns versos vieram me perseguindo. Começou no caminho para o aeroporto. Sem lembrar que lá estava em horário de verão e o meu celular no horário de Salvador, coloquei o aparelho pra despertar a tempo de me preparar para vencer os quase 50km que separam o centro da cidade até COFINS. Acordei com calma e fui me arrumando para descer, fechar a conta do hotel, tomar o café da manhã e seguir viagem de volta. No meio do banho me dei conta do equívoco e que estava uma hora atrasado. Sem o desjejum, peguei um táxi correndo e pedi ao motorista que adiantasse para que eu não perdesse o vôo. Enquanto o carro seguia em disparada pelas ruas da cidade, eu, morrendo de medo, burilava na cabeça os versos de Natasha & Letícia que já publiquei aqui. Cheguei ao aeroporto com o poema pronto, mas, como estava em cima da hora, não tive tempo de registrar em papel antes de entrar no avião. Pedi ao comissário que me conseguisse caneta e papel e ele ficou de levar assim que tudo estivesse em ordem para decolagem. Acontece que dormi antes e cheguei ao Rio de Janeiro, onde fiz uma conexão, sem registrar o poema. No Galeão comprei um caderno e uma caneta. A princípio temi não recordar os versos compostos em meio ao pânico do táxi em alta velocidade, mas enquanto aguardava o almoço consegui enfim passar pro papel as insistentes palavras. Quando cheguei a Salvador, me dei conta que tinha esquecido o caderno no carrinho de bagagens no aeroporto do Rio. Mas, o poema me perseguiu e lembrei dele inteirinho em casa onde definitivamente fiz o seu registro em arquivo ponto doc. Aí tive a idéia de mandar um e-mail pra Márcio com o poema. No dia seguinte ele me respondeu que tinha gostado e que aguardasse, pois iria por a letra na caixa do seu violão. Meu irmão Luciano que conhece o cara como ninguém me disse logo: - Se ele guardou na caixa da viola é porque gostou e vai rolar. Não deu outra. Dois dias depois me liga Márcio às onze horas da noite e canta a música pra mim. Foi uma emoção muito legal. Natasha & Letícia virou "Horizonte Belo", a primeira das muitas músicas que pretendo fazer. Com umas pequenas alterações e a exclusão da última estrofe, a canção ficou pronta.

Pois bem, sexta passada, 14/12/07, viajei a Santo Amaro a fim de passar o final de semana com Márcio e sua família, a esposa Lívia e os filhos Flor e Gabriel. Levei comigo minha princesinha Júlia e muita saudade daquela terra. Uma terra de amores, uma terra onde enquanto de um lado da praça rola uma roda de violão com boêmios apaixonados, no outro lado acontece uma briga de gangues de rua sem que um interfira no barato do outro. Isto é Santo Amaro, uma cidade bipolar. A cidade pulsa cultura e exala poesia por todos os poros.



Sexta foi o dia do reencontro. Saímos à noite para Praça da Purificação onde jogamos conversa fora, ou dentro, no lendário Chapéu de Palha enquanto as crianças brincavam no jardim. O Chapéu é o bar mais antigo da cidade. Muitos estabelecimentos já abriram e fecharam suas portas, já foram moda e decadência e o Chapéu continua intacto, encravado no meio da principal praça da cidade. Desde 1967 ele é palco de paixões, canções, poemas, brigas, beijos, amores, violões, vidas e mortes. Um patrimônio do lugar.

Sábado pela manhã Márcio me convidou para comer uma feijoada na feira. Enquanto esperávamos o prato o maluco falou: -temos que escrever algo sobre a ingratidão. “Você esqueceu da água, da fonte que lhe nutriu”. Eu prontamente respondi: -“pongada na minha aba, seguiu o curso do rio...” E assim nasceu "Ingratidão". Letra e melodia(feita de boca) na mesa da barraca de feira, regada a feijoada e coca cola. Em casa no violão, acertamos os detalhes e fechamos a canção. Era hora de ir para a Pedra, visitar os amigos Humberto e Edna e o maravilhoso estabelecimento que eles tem por lá, o Solar da Pedra. Levamos a criançada e passamos o dia na piscina degustando umas geladas e a saborosa companhia dos anfitriões e da sua filha Ana Geórgia. Nada como a presença de amigos tão queridos para aflorar a sensibilidade e aumentar a inspiração.

À noite, após a cerimônia de formatura de alfabetização da impagável Flor, uma artista de 06 anos de idade, eu e Márcio voltamos sozinhos pro Chapéu. Lá falamos das nossas vidas, das nossas artes, dos nossos amores e desencontros. Lá também escrevemos "Pranto". Um poema a quatro mãos que aguarda uma melodia para virar música. Foi aí que chegou um grupo de pessoas de fora com um violão na mão. Nem precisava contar, afinal estávamos em Santo Amaro, mas o bar inteiro virou um único grupo abençoado pelas canções que Robson, Paschoal(estes do grupo de visitantes) e Márcio Valverde tocaram até quase quatro horas da manhã. Uma maravilha.

Hoje, ou melhor ontem pois já passa da meia-noite, fomos à praia de Itapema, passar o dia com os sogros de Márcio, Seo Raimundo e D. Naná. Mais cervejas, mais feijoadas, mais canções e amizades. Santo Amaro, me aguarde!

Com Márcio Valverde no lendário Chapéu de Palha
Na foto acima o famoso Solar de Biju onde
hoje funciona o Campus da Universidade estadual numa das esquinas da Praça da
Purificação em Santo Amaro-Ba.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

SEGUNDA-FEIRA


Ao contrário do que todos dizem acho que segunda-feira é o melhor dia da semana. É a real possibilidade de grandes reviravoltas. A segunda é o melhor dia pra você refletir e mudar sua vida. Pra melhor é claro. Só não vá acordar de ressaca. Boa semana para todos!

sábado, 8 de dezembro de 2007

PLÁGIO

Se eu fosse Beto Guedes
Comporia O Sal da Terra
Se fosse Djavan,
Oceanos, Ilhas e Aliás

Chamava Lucia e o caralho....

Se Buarque fosse
Outros Sonhos eu teria
Nos Anos Dourados de Tom
Eternizados na voz de Maria

A Globo que me esperasse...

Não Enche, Caetano.
Lenine, Todas Num Só Ser.
O Pavão de Ednardo
Mistérios, não posso crer

Saramandaia bastasse...

Um dia serei criança
Um dia serei feliz
Na casa do João de Barro
Dançar e cantar, Sorri! Smile!

Charles Chaplin!

P.S. Caetano, não me processe por favor!

CHICADA

Hoje passei a tarde na casa de Vieira. Foi muito especial. Não falo pelo cardápio maravilhoso preparado por sua esposa, um risoto de camarão sem igual, que inveja! Isto foi tudo de bom. Mas, o prazer de partilhar de tanta cultura, de tanta sensibilidade musical e tanta candura, é outra história.

Conheci Vieira há pouco tempo. Ele é o tipo do cara que, pra pessoas como eu, despreparadas e preconceituosas, você não gosta a primeira vista e depois tem que engolir suas primeiras impressões. Quando o vi pela primeira vez, de terno, compenetrado, com cara de certinho, nem sonhei que ali dentro se escondia um intelectual, uma pessoa com a sensibilidade à flor da pele e um violonista de marca maior. Vieira é tão retado que me fez ouvir hoje, pela primeira vez, uma música de Chico Buarque, “Mambembe”. O mais importante: tocada por ele. Eu que achava conhecer todo o trabalho de Chico. Ledo engano! Depois, pra acabar de me matar, ele botou o cd com o próprio Chico cantando.

E não foi só isso. Veio Gil, Caetano, João Bosco, Djavan, Vinícius, Maria Bethânia, Tom, e que tom especial, o DVD do Free Jazz Festival, Tributo à Antonio Carlos Jobim, além de outras pérolas da MPB. Passaram-se quatro horas e pareceram quatro minutos...

E, pensar que tudo isto veio de um convite que o fiz e não cumpri. Ainda bem que não sou confiável.

Passar a tarde com ele e Armênia, Paulo e Lai, outros seres muito especiais, é ganhar uma nova vida, um novo gás e saber que você não está sozinho. Que na estrada infinda da solidão, a companhia é o mais precioso tesouro. Valeu Vieira! Que venham chicadas, boscadas, tonzadas, caetanadas, adrianadas e vieiradas. Essas são as melhores!

ONDA

Em lugares nunca dantes navegados,
A têmpera do mar não evolui.
A nau singra oceanos,
as águas gélidas.
Da proa,
o cais,
a luz.


Assim
jamais
se perdoa.
Enfim faz cabidela,
náufrágio lusitano,
exêntricas razões. Se conduz
por mares de marolas e legados.



sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

SATÉLITE


Um dia eu fui à lua
Encontrar um passarinho
Colher uma rosa, comprar pão.

Um dia eu fui à lua
Comprei o meu terno de linho
Prensei a minha canção

As crateras são moradas
Não há santos nem cavalos
Nem fogo de dragões

Somente a terra azul iluminada!

Lá o meu inimigo
Abriu o tapete vermelho
Lustrou meus sapatos

A lua é boa demais,
Um dia vá lá!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

QUANDO O DESTINO QUER...

Continuação da estória publicada em 20 de setembro de 2007


Quando Evandro acordou, a visão que teve foi assustadora. Seu corpo desacordado no chão de uma biblioteca intacta. Seus livros valiosos jaziam na estante, criteriosamente arrumados como sempre. Estaria tendo uma alucinação. Há poucos instantes as prateleiras estavam vazias. Como isto poderia acontecer? Lembrou da sala e correu para verificar. Ficou surpreso ao perceber que não andava e sim flutuava lentamente. Um forte terror invadiu sua mente e ele teve por um momento nova ânsia de desmaio. Na sala, tudo no seu devido lugar. O fio do telefone conectado, o aparelho na devida posição. O que estaria acontecendo? Voltou à biblioteca e ficou longos minutos contemplando o seu corpo no chão sem entender o que estava acontecendo.

Foi aí que lembrou do acidente. Mais uma vez o remorso o corroeu. Rapidamente saiu flutuando até local e mais surpreso ainda ficou ao ver o mendigo são e salvo, sentado na calçada comendo um pão velho provavelmente dado por algum transeunte. De repente o inesperado. O mendigo levanta-se, visivelmente bêbado e atravessa a rua rapidamente. Um carro, em alta velocidade o atropela jogando-lhe a alguns metros de distância. O mendigo agonizava e sangrava muito. O carro parou e seu motorista desceu. Como podia? Era ele. Assustado olhou em volta como se procurasse testemunhas àquela hora da madrugada. Após alguns segundos de dúvida, pegou o mendigo colocou no banco de trás e o levou a unidade de emergência mais próxima.

Lá chegando imaginou como a vida era injusta, como o mundo era cruel. Como podia alguém ser tratado num local como aquele? O que estava sendo feito com os milhões que o governo arrecadava com a previdência? Bem, ele não ia consertar o mundo. Estava mesmo preocupado em saber o estado do pedinte. Foi aí que veio o médico e deu a notícia. O mendigo não resistira aos ferimentos e acabara de vir a óbito. Evandro empalideceu. Uma dor aguda começou a tomar-lhe o braço esquerdo projetando-se levemente para o peito. De repente a dor ficou insuportável, como se alguém batesse em seu peito com muita força. Perdeu os sentidos e desmaiou. Imediatamente o médico acionou os enfermeiros e o removeram para uma unidade de tratamento intensivo. Muitos aparelhos foram ligados. Deram vários choques em seu peito, uma agitação insana tomou conta da sala. o aparelho que monitorava seus batimentos mudou o gráfico na tela e o ritmo dos sinais. Não entendia nada, mas devia ser uma coisa boa a tirar pela mudança positiva dos semblantes da equipe. O médico então retirou a máscara e falou sorrindo: - Ainda não foi desta vez meu amigo! Só então Evandro entendeu que estava morto.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PRESENTE DE GREGO - Não Podemos Esquecer II

Continuando as discussões sobre a Fonte Nova e lembrando das declarações do nosso ilustre governador, o Excelentíssimo Sr Jaques Wagner, após a fatídica tragédia, gostaria que os leitores escutassem sua entrevista no site de Claudio Humberto concedida antes da viagem à Suíssa junto com o Presidente Lula, custeada com o nosso dinheiro é claro. Cada um que faça suas comparações e tire suas próprias conclusões. Ouça aqui

sábado, 1 de dezembro de 2007

ERA PRA SER UMA FESTA! – Não Podemos Esquecer!

A hora que Nonato perdeu o penalty. Ninguém podia imaginar o que estava para acontecer mais tarde!

Não quero ser o chato batendo na mesma tecla, mas agora que os ventos do esquecimento começam a soprar sobre a tragédia da Fonte Nova, acho que, até em respeito às vítimas e à dor dos seus amigos e familiares, precisamos continuar as discussões, pressionar os órgãos competentes e exigir a punição dos responsáveis.

Naquela tarde fatídica de 25 de novembro de 2007, eu estava lá. No intuito de me divertir, de comemorar a subida do Bahia para a 2ª divisão, junto com os amigos, Duda, Marcão, Ruy Bala, Marcelo, Erenilson, Saracura e tantos outros companheiros de Fonte. Estávamos a poucos metros do local que desabou e não vimos absolutamente nada. Aliás, isto foi uma coisa intrigante, parece que a mão de Deus intercedeu para que a tragédia não tivesse proporções muito maiores. Na hora do acontecido, faltavam dez minutos para o fim da partida, muitos já comemoravam, outros como eu estavam apreensivos com medo do Bahia levar um gol e deixar pra resolver na última partida(que bom que isto não aconteceu, teríamos amargado mais um ano de terceirona), a verdade é que, de um jeito ou de outro, todos estavam tão ligados no campo, que muito poucos perceberam o desabamento. Vocês já imaginaram o pânico absurdo que poderia se instalar se o estádio todo tivesse visto que parte da arquibancada desabou? Como os mais de sessenta mil torcedores que lotavam a Fonte Nova se comportariam numa situação dessas? Sem dúvida pânico geral.

A verdade é que apenas um pequeno grupo que estava ao redor do local percebeu o desabamento e o pânico foi rapidamente e eficientemente controlado pela polícia. Nós mesmos ficamos mais de vinte minutos sentados onde assistimos ao jogo esperando a confusão da saída diminuir, só tivemos conhecimento da tragédia quando, ao irmos embora, tentamos passar pelo local desabado que estava interditado e os policiais nos puseram a par do acidente e solicitaram que desviássemos nossa rota de saída. Soubemos ali apenas que havia mortes, mas não tínhamos idéia das proporções do desastre.

Havia vários trios elétricos nas proximidades do estádio esperando para animar o carnaval da comemoração, mas a imprensa de forma coerente e acertada apelou para que eles não ligassem o som. Não havia mais o que comemorar e sim o que lamentar. Foi aí, ouvindo o rádio no carro de volta para casa, que tive maiores informações e percebi o tamanho da merda que havia acontecido. Comecei a temer por muitos amigos que costumavam ficar bem ali onde a arquibancada foi abaixo. Ao chegar em casa, comecei a ligar para as pessoas mais próximas me certificando que estavam bem e também a receber vários telefonemas de amigos e parentes preocupados comigo. Uma dessas ligações foi muito especial para mim. Era Júlia, minha filha. Ela estava com um casal de amigos na Ilha de Itaparica quando ouviu alguém comentar a tragédia e imediatamente ligou para o pai procurando saber se estava bem. Aí a ficha caiu e vi que qualquer um, inclusive eu, poderia ter despencado junto com a arquibancada naquele momento. Agradeci a Deus por demais. Nasci novamente.

Hoje, menos de uma semana depois, após o anúncio da futura implosão da Fonte Nova e da construção de um novo estádio, já quase não se ouve falar no acidente e na possível punição dos responsáveis. Estão criando uma nova polêmica com base nos prós e contras de tal implosão, sobre a importância do novo estádio para Salvador e a possibilidade de ser sede de jogos da copa de 2014, e abafando a verdadeira causa da discussão: a morte de sete seres humanos que, como nós, queriam apenas vibrar com o seu time e foram estupidamente assassinados pela irresponsabilidade, incompetência e ganância de uns poucos. Foram sete, mas poderiam ter sido milhares. Não podemos nos calar, temos de exigir a punição dos responsáveis e novas posturas dos políticos, dirigentes esportivos, da própria imprensa que nunca antes exigiu a interdição da Fonte Nova e hoje fica bradando que já sabia, para evitar que outras tragédias como estas aconteçam por aí afora. Quando é que teremos mais dignidade neste país?

Pena que tenha sido deste jeito, mas tem que valer como exemplo e aviso que precisamos mudar nossa postura cômoda, apática e covarde se quisermos ter mais respeito e consideração por parte daqueles que detém o poder. Queremos os responsáveis na cadeia, pagando pela morte dos sete inocentes que saíram de suas casa para uma festa e nunca mais retornarão aos seus lares, para o aconchego dos seus familiares.

Estão esperando os laudos da perícia técnica como se isto fosse preciso para saber que ali existiu uma reunião de incompetência, descaso e irresponsabilidade. Quem não sabe que a Fonte Nova, estádio com quase cinqüenta anos, o anel superior, justamente o que desabou, com exatos trinta e seis anos, estava carente de manutenção? Quem não via aquelas infiltrações e as ferragens das estruturas já aparentes e completamente oxidadas? Os banheiros imundos, sem água e sem nenhuma condição de serem usados por um ser humano normal? É muito descaso com um local que tanta renda gerou para o estado e que, por longos anos foi a segunda casa para muitos torcedores baianos. Leiam o depoimento que Roberta, uma amiga minha, torcedora fanática do Bahia me mandou pelo orkut: “As lágrimas insistem em cair pela tragédia e agora se misturam com o dissabor de saber que a minha 2ª casa, aquela que “me viu” sorrir, chorar, gritar, vibrar, desmaiar, brigar, invadir, desesperar, proteger, ser protegida... Palco de diversas fotos, de diversos amigos, de mais uma família núcle, a BAMOR, e mais outros familiares aderentes, TERROR, POVÃO, GARRA... Enfim, a tristeza de saber que não tem mais jeito, que domingo (25.11.07) foi meu último jogo ali na FONTE NOVA, na minha 2ª casa que faz parte da minha vida. Choro mesmo, sem vergonha, é como se arrancassem um pedaço de mim, da minha vida, desculpem mais um desabafo. Todos os momentos ficarão pra sempre na memória, todos sem exceção. Vamos Bahia, Vamos ser campeão e essa estrela será dedicada às VÍTIMAS, a CLEBER, e agora a FONTE NOVA.” Comovente e revoltante.

Por isso meus amigos não vamos deixar que este trágico acidente caia no esquecimento. Vamos cobrar dos responsáveis para que eles paguem por seus atos criminosos. Não vamos deixar que fatos como estes se repitam. Por nós e pela memória dos sete companheiros que se foram nesta tragédia!


Após o final do jogo, a torcida do Bahia faz feio, invade o campo e depedra o estádio. Reparem que todos comemoravam sem saber que uma tragédia acabara de acontecer!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

INDIGNAÇÃO!

Alguém viu ontem nos jornais televisivos os vereadores passeando em Buenos Aires com o nosso dinheiro? Fazendo chacotas sobre o congresso fantasma do qual foram “participar”? Se vangloriando de aumentar a quantidade de empregos para seus gabinetes e de aumentarem a verba destes à ínfima razão de 600%? Discutindo questões importantíssimas para seus respectivos municípios como: qual restaurante escolher para ir, e qual deles era o mais bonito? O pior é que nenhum desses subversivos vai parar na cadeia. Afinal gravações com câmera escondida sem autorização da justiça não valem como prova. Afinal o povo, mesmo assistindo a absurdos como este, continua votando neles. Seria uma boa piada se não fosse deprimente.

E o governador da Bahia, o Sr Jaques Wagner, eleito em primeiro turno diga-se de passagem, parafraseando outro ilustre político brasileiro ao falar: - Eu não vi nada. Não sei de nada. Os relatórios não apontavam problemas estruturais na Fonte Nova.? Sensibilizado, nosso chefe de estado, tão humano e solidário que é, marcou presença no enterro das vítimas. Que ato louvável! E o Raimundo Nonato, mas conhecido como Bobô, gaguejando e imitando o ilustre governador, ao dizer que nunca teve conhecimento de relatórios que apontassem tais problemas? Que se soubesse da vinda de peritos, engenheiros e arquitetos para inspeção do estádio, organizaria uma recepção para colocá-los em discussão com os técnicos da SUDESB (Superintendência de Desportos do Estado da Bahia), órgão responsável pela administração e manutenção do estádio, do qual este Bobô é presidente, diretor ou sei lá o quê? Será que ele pensa que o povo é bobo? Talvez ele tenha razão. E tem gente preocupada se a Bahia vai sediar jogos da copa. Seria uma boa piada se não fosse trágico.

Como diria Paulo Bono, com processo ou sem processo, vão todos eles tomar no cu!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

MAIS UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

Consternada, revoltada e em luto absoluto amanheceu a população baiana, a nação tricolor e porque não dizer todo o Brasil. O que aconteceu ontem na Fonte Nova, foi mais um dos absurdos a que estamos sujeitos pela total falta de escrúpulos, ações e providências dos órgãos responsáveis. Algo que poderia facilmente ser evitado bastando apenas ações coerentes e sensatas dos facínoras miseráveis que comandam nossa vida.

Eu, freqüentador assíduo do estádio, ficando inclusive sempre muito próximo ao local que desabou, sem nenhum conhecimento técnico em engenharia, muitas vezes já falei que tinha medo daquela merda vir abaixo. O abandono e a falta de manutenção eram visíveis. Diversas partes da estrutura metálica do concreto encontravam-se expostas (falo no passado por imaginar que este fato foi o bastante para transformar a Fonte em peça de museu), as infiltrações eram gritantes.

O pedaço de arquibancada que cedeu, simplesmente caiu e formou um buraco de aproximadamente 10 metros, veja foto aqui, encontra-se justamente na parte do estádio onde fica a torcida Bamor. Torcida organizada, famosa na Bahia por ser considerada uma das mais animadas e presentes do Brasil e, portanto, uma das que mais pula durante os jogos, e, foi justamente o fato dos torcedores estarem pulando demais naquele momento, que fez a estrutura ruir. Agora pasmem! Justamente este local ficou recentemente interditado por um tempo por falta de condições estruturais. Com isso, a capacidade do estádio diminui consideravelmente e, consequentemente as arrecadações também. Sem querer insinuar que uma coisa tem a ver com a outra, teria sido por isso que algum irresponsável emitiu um laudo permitindo a reutilização do espaço? Não é uma coincidência desastrosa? Quem terá sido este engenheiro que no mínimo é um incompetente? Ta difícil de aparecer. Como sempre, quando acontecem tragédias de grande porte como esta, o jogo de empurra já começou. Não existem responsáveis. Ficam na conversa mole, um botando a culpa no outro, até o fato cair no esquecimento de um povo cuja memória, principalmente a política, não é um dos seus pontos fortes. Até quando iremos estar sujeitos às barbáries assim?

O que era pra ser uma festa linda, já que o jogo de ontem ascendeu o Bahia para a 2ª divisão do campeonato brasileiro, se tornou dor, lamentações e luto. Sentimos demais pelas vítimas, pela dor dos seus familiares e amigos e, por isso mesmo, não podemos nos calar. Qualquer um poderia estar entre eles. Nós próprios, um irmão, um pai, um amigo, um filho. Não podemos deixar passar mais esta oportunidade de exigirmos aquilo que temos direito por lei, mas nos é negado a cada instante: segurança e dignidade.

Lamentável também foi o comportamento da torcida tricolor na noite de ontem. Mesmo depois de toda esta tragédia, invadiu o gramado comemorando, proporcionando aos telespectadores cenas deprimentes de vandalismo e barbárie. Torcedores quebrando o estádio, arrancando o gramado, destruindo o carrinho da maca e tantos outros absurdos, não como revolta ao trágico acontecimento, mas a título de comemoração ignorando a dor e desespero de muitos dos seus co-irmãos. Um vexame. Uma vergonha para nosso estado, para nossa torcida, para todos nós, exposto em cadeia nacional e mundial. Atestado de provinciano. Mais uma vez a irresponsabilidade dos órgãos públicos, aqueles cujas contas são pagas por nosso suor e trabalho e pelo dinheiro dos nossos impostos, ficou patente. Onde estava o contingente policial capaz de impedir tal invasão? Simplesmente não existia.

Outro absurdo foi o fato de que, mesmo com a lotação máxima preenchida, 60.000 (sessenta mil) torcedores, os portões do estádio foram abertos uns dez minutos antes de acabar a partida permitindo a entrada de parte da multidão que estava fora do estádio. Mais outra triste coincidência. Fui justamente nesta hora que tudo aconteceu.

O Bahia subiu. A Bahia desceu. Precisamos pensar muito sobre tudo isto. Uma coisa é certa, não há o que comemorar.

sábado, 24 de novembro de 2007

COXA E SOBRECOXA

Você já rimou sendas com ainda? E luz com cristais? Então vá no Bar do Luiz e peça uma coxa e sobrecoxa aberta, de preferência preparada e servida por Beto ou Simpson. Tem tres coisas na vida que a a pessoa não pode morrer sem fazer. Ouvir Elomar, fuder e comer uma coxa e sobrecoxa aberta no Bar do Luiz!

SUCO DE LIMA - Ou Melhor: Limada!

Seresta Sertaneza
(Elomar)

Nos raios de luz de um beijo puro
me estremeço e eis-me a navegar
por cerúleas regiões
onde ao avaro e ao impuro não é dado entrar
tresloucado cavaleiro andante a vasculhar
espaços de extintos céus
num confronto derradeiro
vencí prometeu, anjo do mal
o mais cruel
acusador de meus irmãos
nestes mundos dissipados
magas entidades dotam o corpo meu
de poderes encantados
mágicos sentidos
na razão dos céus
pois fundir o espaço e o tempo
vencer as tentações rasteiras
do instinto animal
só é dado a quem vê no amor
o único portal
através de infindas sendas
vias estelares um cordel de luz
trago atado ao umbigo ainda
pois não transmudei-me ao reino dos cristais
apois Deus acorrentou os sábios
na prisão escura das tres dimensões
e escravisados desde então
a serviço dos maus
vivem a mentir
vivem a enganar
a iludir os corações
visitante das estrelas
hóspede celeste visões ancestrais
me torturam pois ao tê-las
quebra o encanto e torno ao mundo de meus pais
À minha origem planetária
enfrentar a mansão da morte do pranto e da dor
donzela fecha esta janela
e não me tentes mais.

Hoje eu passei a maior parte do dia conversando com Lai. Conversar com Lai é um exercício de prazer. Um aprendizado. A mulher é foda. È muita inteligência para uma pessoa só. De conversar tanto com ela, acabei lembrando de um cara que tem uma importância imensa na minha vida, só que não sabe disso. O cara ajudou a ser quem eu sou, a formar o meu caráter. Dentre tantas coisas boas que ele me proporcionou, foi ele quem me apresentou a Elomar. Precisava vir um cara de Brasília para me mostrar o que o baiano tem. Não falo apresentar fisicamente, mas à canção, o que, no caso de Elomar, é muito mais importante.

Lembro quando, em 1984, eu morava no pensionato de D. Celina no Rio Vermelho dividindo um quarto com meu irmão Luciano. Não me lembro porque motivo Luciano foi embora. Eu tremia de medo. Quem viria ocupar aquela vaga? Com qual estranho eu teria de dividir o meu quarto? Um dia, na hora do almoço quando eu cheguei da escola, D. Celina me falou que tinha alugado a vaga do quarto para um cara de Brasília. Segundo ela, gente boa, coroa e bancário. Não conheci e não gostei! Parafraseando Guimarães Rosa( como alguém me disse um dia mas não posso confirmar esta afirmação). Preconceito é foda! Como eu podia não gostar de alguém que sequer conhecia? Só por julgar que ele estava invadindo o meu espaço? Ainda por cima com o nome de Lima. Fazia-me lembrar das limadas que minha mãe me dava quando eu tava doente. Só faltava vomitar. Lima entrou na minha vida como se fosse remédio, que você só toma porque não tem jeito. Não sabia eu ainda, teria de engolir tudo que pensei e ainda bem que não falei.

Naquele dia, o da notícia do novo hóspede, já encontrei as coisas dele no meu quarto, ou melhor, no de D. Celina. Se fosse meu, Lima não estaria lá. Ainda bem que era dela. Mas, como ele tava trabalhando, não o conheci de imediato. Fiquei imaginando a cara dele. Só via uma coisa muito feia. Ainda não sabia que era linda. À noite, como costumava fazer sempre depois da janta, fui pra janela do quarto pitar um cigarrinho. Defronte do prédio tinha uma barraquinha. Dessas que parecem banca de revista, mas, na verdade, é um bar. Tinha um coroa de cabelo relativamente comprido, encostado no balcão tomando uma cerveja. Não sei porque motivo mas aquela pessoa me chamou à atenção. Na mesma hora pensei: bem que meu novo colega de quarto poderia ser como aquele cara. Um sujeito que chega do trabalho, ao fim do dia, e passa na barraquinha pra tomar uma. Sangue bom esse cara. Foi simpatia instantânea. Só não falo amor à primeira vista porque seria muita viadagem e, nem eu nem Lima, somos chegados a tal. Mas fiquei com inveja por aquele não ser o meu colega de quarto. Eu não sabia, mas era ele. Ainda bem!

Lima passou por minha vida como um meteoro. Rápido demais, mas deixou marcas que uma existência inteira não pode apagar. Uma delas foi Elomar. Hoje, conversando com Lai, me acabei de chorar ouvindo “Seresta Sertaneza”, música que conheci muitos anos depois de Lima e cantada por um mineiro, Saulo Laranjeira, no disco Minas de Lua de 1985, mas que só conheci na década de 90. Tinha de ser mineiro! Lembro como se fosse hoje do dia que Lima me falou de Elomar. Falou como se falasse de alguém que eu conhecesse muito. Eu até já tinha visto o cara no MPB 80. Aquele festival da Globo. Lembram? Cantando “O Peão na Amarração”. Não entendi nada e não gostei. Como é que um menino de onze anos pode gostar de “O Peão na Amarração”? “...É a ceguera de dexá, Um dia de ser pião. De nun comprá nem vendê,. Robá isso tomém não De num sê mais impregado I tomém num sê patrão ...”. Como diria Juvenal, ou melhor Billy, ou melhor ainda, o Nego Preto, vá matar o cão! “O Peão na Amarração” é tudo de bom assim como Lima.

Sinto uma saudade danada deste cara. Gostaria muito de reencontrá-lo. Agora, botando fé nesta rede maluca e poderosa, quero crer que ele leia este texto e me mande um e-mail, me dê um alô. Obrigado Lima por ter invadido o meu espaço e me apresentado a Elomar. Você é foda! É dez!

P.S. Hoje eu disse a Lai: “no dia que eu escrever algo como “Seresta Sertaneza”, posso morrer em paz!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

TUBAÍNA E BOLACHÃO

Quando eu era criança costumava comprar no armazém de seu Zé uma garrafa de Tubaína para tomar comendo bolachões. Do caralho! Pra quem não sabe, Tubaína era um refrigerante de décima categoria que tinha duas grandes vantagens. O tamanho e o preço. Era vendido numa garrafa igual à de cerveja de 600ml e custava o que hoje seria o equivalente a menos de um real. Eu adorava Tubaína, principalmente a de tuti-fruti. Mas, o tempo passa e não perdoa ninguém. Hoje, boto a culpa nos bolachões e tubaínas para justificar minha barriga indecente formada pela prática de muito esporte: palitinho e levantamento de copo.

Quando olho pra minha barriga, sinto um remorso danado. Tive tudo pra levar uma vida certinha, ser um esportista, magro, bonito e um grande funcionário público ou mesmo um bom professor. Bom estudo pelo esforço dos meus pais, boa orientação e todas as oportunidades que poucos na vida têm a sorte de ter. Joguei todas pela janela. Escolhi o pior caminho. O do sedentarismo, de fumar mais de um maço de cigarros por dia, de comer os pratos mais calóricos, tomar todas e por aí vai. Por causa disso, ganhei uma apnéia moderada. Chega a ser chique o nome da doença. APNÉIA MODERADA! Faz a gente roncar e dormir muito mal. Fora o risco de morrer sem respirar durante o sono.

Por que será que a maior parte dos seres humanos escolhe os caminhos errados para seguirem nas suas vidas? Por que comigo não foi diferente? Em vez de perder tempo fazendo essas perguntas absurdas eu deveria dar um basta em tudo isto e começar do zero. Nunca é tarde para mudar. Poderia começar hoje, mas hoje tem jogo do Bahia na Fonte Nova valendo o primeiro lugar no octogonal final da série C e não dá pra fazer uma mudança tão drástica num dia assim. Deixemos então para amanhã. Amanhã porém é sexta-feira e não dá pra começar um regime e parar de fumar na boca de um fim de semana. Pensando bem, uma data boa para esse tipo de reviravolta é na cabeça do ano novo. Ano que vem deixo de fumar, no ano novo vou caminhar na orla, vou fazer um concurso público. Vou consertar a minha vida. Alguém duvida?

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

DESEJO

Lua, linda gostosa.
A vida te fez pra mim.
És um mantra para os meus ouvidos,
Rima pão com marfim.
Cada pedaço do seu corpo
Inspira a minha canção.
Ah! Como te quero...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A PRIMEIRA VEZ

Eu tinha uns 14 anos de idade quando aconteceu. Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece, mas comigo foi diferente. Até ontem, enquanto eu lia os textos quase eróticos de Paulo Bono, o dia que perdi a minha virgindade estava apagado na minha memória. A segunda vez não, esta ficou gravada nos meus mais íntimos escaninhos, a primeira, no entanto, só veio à tona ontem, 24 anos depois.

Foi com a Magali, vamos chamá-la assim. Ela era irmã de uma quase vizinha em Santo Amaro da Purificação e, como era desempregada e despreparada, fazia as vezes de secretária doméstica na casa da irmã. Seus sobrinhos eram meus amigos de bola de gude, de jogos de botão, tênis de mesa, babas no campo do Círculo Operário, das viagens proibidas para o banho poluído e fedorento na Pitinga, aos fundos da fábrica de papel que jogava todos os seus detritos naquelas águas e tantas outras travessuras infantis. Bons tempos aqueles. Não tínhamos vídeo game, mas tínhamos bicicleta. Não tínhamos computadores, mas tínhamos os amigos e a Pitinga. Lá por sinal, sempre havia o concurso da maior pica, dos pentelhos mais crescidos e as histórias das experiências sexuais de cada um. Um querendo contar mais vantagens que o outro. Eu, donzelo que era, sempre procurava ficar à parte destas conversas. Quando não havia jeito, inventava mentiras que não convenciam a ninguém, principalmente a mim mesmo. Bons tempos aqueles! “Eu era feliz e não sabia”. Donzelo mas feliz.

Magali, embora fosse uma baranga de primeira, exercia sobre mim um poder de sedução fascinante. Deixava-me excitado toda vez que a encontrava. Eu, com meus hormônios aflorando mais intensamente a cada dia, ficava alterado sempre que estava perto dela. O pior é que a moça, não tão moça assim, já que devia beirar os quarenta anos, parecia ter um fetiche pedófilo e provocava mais ainda o menino a cada dia, que não agüentava mais masturbar-se no banheiro da casa da irmã dela ou da sua própria. Era foda!

Ela foi me envolvendo num jogo de sedução digno das histórias de Nelson Rodrigues. Uma vez, eu estava no quarto conversando com um de seus sobrinhos quando ela entrou e disse a ele que sua mãe o chamava. Meu amigo prontamente atendeu. Ela prontamente sentou ao meu lado e começou a acariciar meu pênis por cima do short. Quando o minúsculo aumentou de tamanho, tornou-se pequeno então, ela num gesto rápido, puxou para fora pela lateral da cueca e começou a masturbá-lo de uma forma sensacional. Eu quase fui à loucura. Foi aí que sua irmã entrou no quarto e ela num gesto muito mais rápido que o primeiro, tirou a mão dali e disfarçou como se nada tivesse acontecido. Eu queria um buraco para enfiar a cara, mas acho, ou melhor, tenho certeza, que D. Filomena, a irmã de Magali, nada percebeu. Era uma senhora ingênua e desligada.

Tantas outras situações como esta se repetiram depois. Eu comecei a freqüentar aquela casa quase todo dia, na esperança que Magali me brindasse com gestos obscenos, como da vez em que levantou a saia na minha frente, enfiou o dedo na vagina e depois lambeu. Quase um orgasmo infantil. Outra vez ela botou minhas mãos por cima dos seus seios grandes e moles. Aí não foi tão bom assim. A ereção, porém, foi inevitável.

Um dia, meus pais haviam viajado para visitar minha irmã no final de semana em outra cidade e me deixaram sozinhos em casa. Embora eu fosse um garoto de apenas 14 anos, isto não era incomum. Eles confiavam em mim. Aí eu pensei: - esta é minha oportunidade. É hoje! Saí de casa correndo e ofegante até vencer os dois pequenos quarteirões que separavam Magali da minha primeira trepada. Embora Magali me instigasse de todas as formas, nunca dantes havia tomado a iniciativa de nada. Me borrava de medo. Enquanto corria pensava, hoje tenho que tomar coragem e chamá-la pra minha casa. Preciso completar o serviço e me tornar um homem de uma vez. Ao chegar, respirei fundo e entrei procurando manter a calma. -D. Filomena! Cadê os meninos? –Foram jogar bola meu filho! Porra, só faltava esta! Tinha de encontrar um pretexto pra ir lá dentro ver Magali e dar um jeito de falar com ela. –Vou entrando pra beber uma água! D. Filó, sentada na máquina de costura apenas mandou que pedisse a Magali na cozinha. Era tudo que eu esperava. Magali estava na pia lavando pratos e eu, tomado por uma coragem que não sabia possuir, rocei nela por trás já completamente alterado e fiz o convite: -Meus pais viajaram, estou sozinho em casa. Quando acabar o serviço vai lá pra gente namorar um pouquinho. Ela se virou, botou meu pau pra fora e caiu de boca como quem devora um picolé sem morder, apenas chupando. Fez isto por alguns segundos, parou, me recompôs, levantou e falou: -Você acha que tenho idade pra trepar com menino? Se enxerga! Filha da puta de uma figa!

Voltei pra casa desolado, querendo matar aquela cachorra. Não tinha outro jeito porém. Coloquei um vinil na vitrola com o som nas alturas. “A Página do Relâmpago Elétrico” de Beto Guedes. Fui pro banheiro e bati a que até então, tinha sido a melhor punheta da minha vida, e olha que tinham sido muitas. De sacanagem, não pensei em Magali. Fantasiei Gretchen, que àquela época era a rainha do bumbum, e que bumbum!, e a musa erótica de toda a minha geração, fazendo comigo as sacanagens que Magali fazia. Gozei alucinadamente e depois de tomar um bom banho relaxei no sofá da sala ao som de Lumiar. “Anda, vem jantar, vem comer, farrear até chegar lumiar....” Viajando intensamente na música adormeci. Não sei por quanto tempo fiquei em sono profundo, mas deve ter sido um bocado. Acordei com a campanhia tocando insistentemente. Era Magali. Visivelmente bêbada, mas não a ponto de não poder me fazer homem naquela tarde de sábado. Pra falar a verdade, foi uma merda. Não sei se porque estava puto, se porque ela era um baranga, só sei que preferi mil vezes a Gretchen. E, por causa disso, até ontem apaguei da memória a minha primeira vez! Boa mesmo foi a segunda com Madalena, mas esta é uma outra história....

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

VAMOS ESPALITAR DENTE!

Por causa de um comentário no texto "Vumbora Baêêêâaa!!!", descobri o Bora Bahêêêa Minha PORRA. Por causa do Bahêa Minha Porra, descobri o Espalitando Dente que é um blog de um cara muito talentoso, Paulo Bono. Ele é um sacana que escreve bem pra caralho e diz que seu texto é uma merda. Coisas de intelectuais. Ainda por cima é Flamenguista. Mas como ele mesmo diz, nem todo feirense é desonesto, logo nem todo Flamenguista é um chato. Pra este eu tiro o chapéu.

Ele fala em um dos seus textos que alguns blogs lhe fazem rir, outros são como um tapa na sua cara (acho que o meu será assim pra ele) e outros lhe dão inveja. O blog dele me deu uma inveja da porra. Pelo texto delicioso e escrachado que não me deixou sair da frente do micro até terminar de ler a última postagem das que aparecem no primeiro acesso. Só não fui mais adiante porque após um final de semana prolongado, de muita cerveja, churrasco, moquecas e piscina na praia de Itacimirim, o corpo já não respondia aos estímulos da mente. Tudo bem, já pus o seu link nos meus favoritos e de agora pra frente serei um assíduo leitor das suas histórias bacanas. Parabéns Paulo! É pela qualidade do seu blog que convoco os meus leitores a espalitarem os dentes sempre. Por mais que os professores de etiqueta de plantão falem que isto é feio e falta de educação. Como você diria, eles que vão se fuder!!!

A CESAR O QUE É DE CESAR!

Graças ao comentário do leitor Anizio Silva a quem muito agradeço pela atenção e cortesia, localizei a publicação da crônica do Sr Jurandir. Foi inicialmente publicada no blog Bora Bahêêêa Minha Porra, postada por Bruno Cartaxo. Este não deixa claro se é o seu autor mas está de parabéns, se não pela autoria, pela grata idéia de publicar esta história. Obrigado Anizio!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

ONTEM

Ontem foi um dia especial. Foi aniversário de Júlia!

Juvenal me achou no orkut(e olha que eu jurava que este FDP não tinha a mínima intimidade com micros e net´s). Tudo bem que ele entra no perfil da esposa, mas o importante é que é ele. Trocamos até confidências amorosas...., atualizamos telefones e aproveitamos para matar a imensa saudade que nos separa.

Ontem teve festa pra Juju na escola. Festa esta que me valeu trabalhar até 1h da manhã, fazendo o bolo e o hot dog! Festa esta que me fez acordar às 5hs pra fazer a pipoca evitando assim que ela ficasse com gosto de dormida. Só pai mesmo! Mais do que isto, só uma mãe é capaz de fazer. Por falar em mãe, ontem eu briguei com Cynthia! Perdi as contas dos dias em que não brigava com ela! Mas ficou tudo bem!

Ontem eu chorei lembrando que Júlia vai embora pra Belém em fevereiro e eu só a poderei vê-la nas férias de meio e final de ano. Isto se tiver condições de pagar as passagens necessárias.

Ontem eu comi demais...

Ontem eu implorei para estar perto de Lílian, conhecer sua filha que por acaso também chama-se Júlia, ou talvez não tão por acaso assim, e conhecer o gaúcho que está fazendo a felicidade da minha amiga. E ele que não faça! Ah!!!

Ontem eu daria tudo para rever Liane, de quem me reaproximei a muito pouco tempo sem tê-la encontrado uma vez sequer.

Ontem eu faria de tudo para deitar no colo de seu Arcy e dizer que o amo.

Eu queria ser o super-homem, girando a terra para trás e ressuscitando todos os meus amores que se foram antes de mim.

Ontem foi foda! Eu mergulhei no íntimo do mais íntimo sentimento. Eu pensei que ía morrer.

Por que sentia tanta saudade e necessidade de abraçar a todas as pessoas que amo?

Achei que era o fim. Mas não foi. Graças a Deus! Ontem foi mais um começo, mais uma chance de superação, mais um jeito de ser feliz, enfim, mais um dia...Vamos nos entregar ao ontem para receber o verdadeiro amanhã!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

VUMBORA BAÊÊÊÊÊÊÊÊAAAA!!!!!

Hoje recebi de um amigo um e-mail despretensioso que achei muito interessante. É na verdade uma pequena crônica, dessas histórias que circulam pela internet e a gente nunca sabe quem escreveu. Achei muito interessante e tem inclusive muito a ver com o que escrevi em Teste Para Cardíacos. Por isso, resolvi transcrevê-la aqui. Pena que não posso dar crédito ao seu autor. Lá vai!


BAÊÊÊÊÊÊÊÊAAAA!!!!!


Seu Jurandir chegou em Salvador num vôo da GOL, às 19:20 do dia 7 de outubro. Saiu do avião e partiu para buscar sua mala no saguão de desembarque. Como a bagagem demorava de aparecer na esteira, Seu Jurandir sacou a Maxi-Goiabinha que a aeromoça tinha lhe oferecido e ele havia guardado no bolso para mais tarde. A mala chegou, ele colocou no carrinho e saiu pelo portão para procurar um táxi.

- “Quanto é o táxi até...
Ele olhou um papel na sua mão e completou:
... Ondina?”
- “Ondina? 88 conto”
- disse o motorista.

Seu Jurandir fez cara feia, mas entrou no carro mesmo assim. Afinal, Seu Jurandir é paulista e veio conhecer Salvador pela primeira vez no alto dos seus 53 anos. O táxi partiu e logo depois que passou pelo túnel de bambuzais, o motorista fez um pedido:

- “O senhor se incomoda se eu ligar o rádio?”

Seu Jurandir observou o motorista. Era um homem que aparentava uns 40 anos. Tinha uma aparência serena, óculos escorregando pelo nariz e uma boina azul, vermelha e branca na cabeça. Seu Jurandir disse que não se incomodava, mas ficou surpreso quando o rádio ligou. Não era bossa nova ou MPB, nem pagode, arrocha ou axé. O que estava ecoando dos alto falantes do táxi era um jogo de futebol.

- “É que eu torço pro Bahia, sabe? E esse jogo é decisivo” - explicou-se o motorista.

Seu Jurandir não era muito de papo, nem de futebol. Assistia de vez em quando a um jogo do São Paulo na TV, time pelo qual ele carregava uma certa simpatia. Por isso, ficou calado, ouvindo o locutor do jogo junto com o motorista. O locutor gritava:

- “6 MINUTOS DE ACRÉSCIMO!!!”

A cada berro do locutor, Seu Jurandir percebia que o motorista ficava mais nervoso. A aparência serena inicial dava lugar a um semblante de desespero. O homem suava e fazia o sinal da cruz enquanto o carro passava pela Avenida Paralela.

- “Não é possível. A gente precisa de um golzinho só!!!” - desesperava-se o motorista.
- “TERMINA O JOGO NO ACRE!” - berrava o locutor.
- “Pelamordedeus, a gente só depende da gente!!!” - desesperava-se ainda mais o motorista.

Seu Jurandir começou a ficar assustado. O motorista estava suando que nem cuscuz, embora o ar-condicionado do carro estivesse ligado no máximo.

- VAI QUE DÁ BAHIA!!!! - berrava o locutor.
- Vai que dá Bahia!!!! - repetia o motorista.

Seu Jurandir já se segurava na porta do carro, quando o locutor recitou:

- “É A ÚLTIMA CHANCE! LÁ VEM CARLOS ALBERTO, CRUZOU NA ÁREA, CHARLES DE CARRINHO.............................................................GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!”

O motorista começou a tremer, chorar e gritar ao mesmo tempo:

- “É goool, é goool, é gooool, bora Bahêa minha porra, bora Bahêa, minha nirgraça!!! Aí bando de rubro-negro feladaputa! Toma aí!!! É a estrela! Eu disse, eu disse!!! É goool porra!! É gol do Bahia caralho!!”

As mãos do homem tremiam, o táxi já não andava em linha reta. Agora, quem se desesperava era Seu Jurandir, que pedia assustado para o táxi parar.

“Pára, pára!” - gritava Seu Jurandir.
“Bahêa, Bahêa! - gritava o motorista.

Meio que em estado de choque, o motorista finalmente encostou o carro no Posto 2 da Paralela. Bastou o táxi parar, para ele deixar seu Jurandir sozinho no carro e sair pela porta correndo e gritando uns 15 putasquepariu.

Sozinho no carro, Seu Jurandir observava o cenário ao seu redor. Carros buzinando, fogos explodindo no céu, gente gritando, chorando, ajoelhando. Cada vez mais carros chegavam ao posto em festa, comemorando o que parecia ser um título inédito. Em meio ao buzinaço, o motorista voltou pro táxi.

“Desculpa, senhor. É que é muita emoção. Esse time é foda.”

Agora curioso, Seu Jurandir perguntou:
- O Bahia foi campeão?
- Campeão? Não, se classificou pro octogonal”
- respondeu o motorista ofegante.
- Octogonal?
- É, o octogonal da Série C.
- Da Série C? Terceira divisão?
- É ganhamos do Fast, do Fast do Amazonas. 1x0, caralho!
- “Sei, sei”
- disse um incrédulo seu Jurandir.
Ainda em êxtase, o motorista perguntou:
“Pra onde é que o senhor está indo mesmo?”
E o seu Jurandir respondeu:
- “Pro aeroporto. Volta pro aeroporto que eu não fico mais um segundo nessa terra de maluco.”

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

LAMENTOS FRATERNAIS

Como quer me tirar do sofá
Se me nega a cadeira?
Como se os caminhos do egoísmo
Não tivessem várias versões.

Como se além do seu umbigo
Habitasse algo que não a sua arte.
Nos momentos de não fale comigo
Como se da sua vida
Eu não fizesse parte

Nos limites mais profundos do amor
Talvez eu deva muito
Assim não me enxergo
Deito no meu travesseiro,
Na minha almofada
E durmo o sono dos deuses.

Me faz muito mal eu sei, exagero.
Mas tava precisando da tela branca do word,
Das carícias geladas de um computador.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

EU DETESTO CIGARRO DE MENTA

Em 1983, com menos de catorze anos de idade, vim do interior para estudar na capital. Cheguei a Salvador complexado, me sentindo inferior. Fui estudar numa escola de classe média graças ao imenso sacrifício dos meus pais. Eu achava, naquela época, que todo mundo ali estava em melhor situação do que eu, mas depois fui descobrindo que a coisa não era bem assim.

Eu era magro, quase um esqueleto andante, pobre, do interior e tímido. Prato cheio pra quem quer se sentir menor, e eu me sentia assim. Na nova escola, observava bem os colegas sem, no entanto, me aproximar de nenhum deles. Foi aí que reparei numa menina que para mim era o que se podia chamar de bonita e gostosa, aliás, muito gostosa. Logo fiquei apaixonado, uma paixão platônica que durou uns três anos mais ou menos. Como todo otário, deixei que nascesse entre nós uma forte amizade, achando que assim, posteriormente, poderia conquistar o seu amor. Ledo engano. Nunca passou da amizade, mas hoje, muitos anos depois, sei que foi melhor assim. Afinal, não há nada na vida que supere o infinito valor de uma amizade sincera. Os verdadeiros amigos passam anos sem se ver e, quando se reencontram, parece que se viram na véspera. Nada mudou. Foi assim sábado passado, com a minha amiga Estér.

Fazia mais de três anos que não nos víamos nem nos falávamos. Como sempre aconteceu nas nossas vidas, sempre passamos longos períodos assim. Mesmo durante os muitos anos em que éramos quase vizinhos, ficamos deveras afastados. Aí ela me achou pelo orkut e combinamos de nos encontrar. Foi uma noite muito legal. Relembramos muitas histórias e agora vou contar algumas delas.

Ainda no início do ano letivo, quando ainda não havíamos nos aproximado muito, houve um fato que fez com que conversássemos pela primeira vez. Não foi nada bom. Também, raciocinando melhor, não foi uma conversa e sim um monólogo onde só ela falou. Na verdade, uma puta bronca onde ela descascou todas em cima de mim. Só faltou me chamar de ladrão. E bem que ela estaria no direito e coberta de razão já que o ato em que fui flagrado era literalmente um roubo. Naquela época eu estava começando a fumar e Estér era uma dos muitos fumantes que tinham na escola. Na hora do intervalo, por causa da minha timidez e falta de entrosamento, às vezes eu ficava na sala sozinho, estudando. Aí bateu uma vontade danada de fumar e, como eu não tinha cigarros, decidi pegar um dentro da sua bolsa que sabia eu, lá não faltaria. Abri a distinta e retirei o cigarro. Foi aí que Estér entrou na sala e me pegou com a boca na botija. Que vergonha!

Estér era uma aluna excelente. Passava direto em tudo. Uma fera em matemática e sabia tudo de inglês. Eu nunca fui um aluno ruim, mas em inglês era e sou até hoje uma negação. Foi aí que essa menina me deu uma prova absurda de sua amizade o do quanto gostava de mim, mesmo que não fosse da forma que eu esperava. Na reta final do ano letivo, meu desempenho em inglês estava fraquíssimo e a prova final era inevitável. Ela já vinha me dando aulas de reforço há um bom tempo, mas, nem eu nem ela acreditávamos que eu fosse conseguir passar de ano. Ela já estava quase passada, mas fez a loucura de quase tirar zero na última prova do ano pra ir pra final e poder me ajudar. Acreditem, ela não passou direto propositalmente para me dar pesca, ou cola, como preferirem na prova final. No dia da bendita sentamos em fila, ela na frente e eu atrás. Tremíamos de nervosismo pois tínhamos combinado que ela marcaria as questões antes de assinar e aí trocaríamos as provas. Não sei como conseguimos, mas deu tudo certo. O fiscal não viu e os colegas que presenciaram usaram a lei do silêncio que impera entre aqueles que sempre se utilizam de tal artifício. Ninguém dedurou a gente. Pra aumentar a minha vergonha, antes de dar o resultado, a professora me chamou para uma conversa reservada. Não consigo lembrar o nome dela. Aí ela falou:

- Adriano, sei que você é um menino correto, um aluno exemplar e que isto não é do seu feitio, mas estou desconfiada que você pescou na final.
Eu, muito surpreso, perguntei:
- Porque a senhora acha isto professora?
- É que sua nota foi muito alta e todo mundo sabe que inglês não é o seu forte.
- Foi por causa de Estér professora.
- Como assim?
- Ela tem me dado aulas de reforço durante toda última unidade. Me ajudou muito e estudei pra caramba.

Falava enquanto cruzava os dedos e mentalmente pedia perdão a Deus por este ato leviano e repulsivo. Até hoje carrego comigo este remorso, mas esta história valeu muitas gargalhadas na noite de sábado.

Teve uma que eu não lembrava, foi Estér quem falou pra aumentar o meu vexame. Um dia, sem coragem de me declarar, deixei uma carta apaixonada no meio das suas coisas. Não lembro do conteúdo, mas se bem me conheço, no auge da minha adolescência, deve ter sido extremamente romântica. A filha da puta achou a carta e ficou calada. Nunca comentou nada. Me deixou na maior dúvida, se ela não tinha achado ou se não queria nada comigo. Óbvio que era a segunda opção a correta.

A conversa rolou solta até quase meia-noite quando ela foi buscar sua filha numa festa. Bebemos um bocado de cerveja e, só pra variar, fumamos muito. A menina agora inventou uma moda de fumar cigarro de menta. Eu detesto, mas acabei fumando alguns só pra castigar o corpo. Essa menina me faz fazer cada coisa!

Bons tempos aqueles. Eu e Estér, envelhecemos, casamos, tivemos filhos, separamos, mas continuamos unidos por uma laço muito forte que, sem dúvida, veio de outras vidas. Eu gosto demais dessa loura, e não é de farmácia não, que contrariando todas as expectativas, de burra não tem nada. Valeu Estér! Até a próxima!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

NATASHA & LETÍCIA - Que Bom Conhecer Belo Horizonte!

Que saudade do Clube da Esquina,
Dos versos imortais desses mineiros.
Que do Malleta à Santa Tereza,
Deram belos horizontes a muitos brasileiros.

Belos, sempre belos, musicais...

Mil tons para a minha desventura,
Brant me tomou pela raiz.
Borges me levaram na loucura.
Voar nas asas do 14 Bis.

Belos, sempre belos, musicais...

Guedes, Venturinis e Antunes,
Multiplicaram sons de norte a sul.
Nos permitindo o prazer da festa,
As serestas de Paulinho Pedra Azul.

Belos, sempre belos, musicais...

Belo Horizonte, horizonte belo,
Jamais esqueceremos seus cantores.
Letícias, Natashas, outras mulheres,
Derramam neste mundo seus amores.

Belos, sempre belos, musicais!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

NOITE DE LINDOS SONHOS!

Telegrama
(Zeca Baleiro)

Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bobo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...
Mas ontem

Eu recebi um telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo: Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!Que tanto te ama!
Que muito muito te ama!
Que tanto te ama!...

Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...

Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português da padaria...
Mama!

Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu! Quero ser seu!
Quero ser seu!Quero ser seu papa!

Hoje eu acordei assim como Zeca Baleiro define muito bem nesta canção. Feliz, pra cima, renovado, remoçado, cantando sem parar e com vontade de beijar o mundo. O que será que aconteceu?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

TESTE PARA CARDÍACOS



O Esporte Clube Bahia continua pondo à prova o já mais que sofrido coração do seu torcedor. Time de tradições, duas vezes campeão brasileiro, com a torcida mais fiel do Brasil, mesmo na terceira divisão mantém uma das melhores médias de público do ano, isto considerando as três divisões do campeonato brasileiro. Castigado por anos a fio de administração desastrosa, há muito que o time não dá uma alegria substancial à sua torcida. Domingo passado foi um dia inesquecível. Dependendo de outro resultado, o Bahia jogou na Fonte Nova precisando vencer para se classificar para o octogonal decisivo e manter acesa a chama da esperança de, pela primeira na sua história, ascender através de resultados conquistados no campo. No outro jogo, Rio Branco x ABC, estava tudo dando certo. Terminou empatado em 0 x 0, só faltava o Bahia fazer sua parte e balançar a rede uma vezinha apenas. Eu, impossibilitado que tava de ir ao estádio, já que era aniversário do meu afilhado Eduardo, estava na festa ouvindo pelo rádio. Aos 43min, quando o locutor anunciou o término da outra partida e que o juiz daria mais 6min de descontos, não tinha a menor condição de continuar ouvindo aquela tortura, e passei o rádio para o amigo Romário, outro Bahia doente como eu. Na verdade, naquele momento, fiz o que costumamos chamar de jogar a toalha. Perdi a esperança. Mas quem torce pelo Bahia deve saber que o jogo só acaba quando o juiz apita. Não é que aos 50min os pés milagrosos do atacante charles classificou o tricolor? Joguei o copo de cerveja para o alto e, junto com a maioria dos convidados, transformamos o aniversário de Edu, filho de torcedores do Vitória, numa festa da torcida azul, vermelha e branca. Quando acabou os parabéns, entoei os primeiros versos: "Somos a turma tricolor, somos a voz do campeão...", foi um coro lindo. Sob os protrestos do meu compadre Gil, que nada pode fazer, transformamos a pequena sala numa extensão das arquibancadas da Fonte Nova. Agora convenhamos: só mesmo o Bahia para, na terceira divisão, merecer uma matéria de mais de 3min no Globo Esporte nacional. Veja o vídeo.



E, para matar as saudades deste sofredor cansado de sofrer....

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A VIDA E A MORTE

Em junho deste ano, recebi um e-mail de minha amiga Sheila. Esta menina me conhece muito, sabia que o texto me tocaria profundamente. Desde aquele dia, tenho ruminado muito sobre ele e, quanto mais o leio, mais admirado e apaixonado fico. Não quero falar sobre minhas impressões, acho que cada um deve ter a própria, mas gostaria muito de compartilhar com todos. Vale salientar que não verifiquei a autenticidade da autoria, estou transcrevendo o que me foi passado. Contudo, pela genialidade e estilo, acredito mesmo que tenha sido escrito pelo Rubem.

A Vida e a Morte

Era no tempo de toca-discos. Eu estava ouvindo um long-play com poemas de Drummond e Vinícius. O perigo eram os riscos que fazem a agulha saltar. Felizmente até ali tudo estava liso, sem pulos ou chiados. Era a voz doVinícius, voz rouca de uísque e fumo. Chegou o poema "O Haver", meu favorito, em que o poeta fazia um balanço da sua vida, o que restara.
"Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio..." "Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido..." "Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança..."
Começava, naquele momento, a última quadra, e de tantas vezes lê-la eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando o último verso que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.
O pôr-do-sol é belo porque suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata não tivesse fim ela seria um instrumento de tortura. Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?
O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema é o silêncio. Nasceria então uma outra coisa em seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.
A voz do Vinícius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo. "Restaesse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante..."
Eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso: "... sem saber que é a minha mais nova namorada."
Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás, talvez tivesse achado o poema tão bonito que se recusava a ser cúmplice de seu fim, não aceitava a sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinícius repetindo palavras sem sentido: "sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova..."
Levantei-me do meu lugar, fui até o toca-discos e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer, "sem saber que é a minha mais nova namorada." Depois disso foi o silêncio.
Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema, dança. Já no primeiro momento quando o compositor ou o poeta ou o dançarino preparam a sua obra, o último momento já está em gestação. É possível que a última quadra do poema tenha sido a primeira a ser escrita pelo Vinícius. A vida é tecida como as teias de aranha: começam sempre do fim. Quando a vida começa do fim ela é sempre bela por ser colorida com as cores do crepúsculo.
Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço. "Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer." (Eclesíastes 3.1-2)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

DIREITO DE RESPOSTA

Ontem recebi um comentário falando sobre o meu texto "BRASIL - Pirataria, Tropa de Elite, Calheiros e outras excrescências!" escrito por uma leitora por nome Fernanda. Ela condena o fato de que eu critico a forma como os oficiais do BOPE são treinados. Isto é a democracia. Cada um com sua opinião. Ela tem a dela, eu tenho a minha. Obrigado Fernanda!
Fernanda Disse:
É impressionante como as pessoas não entendem o que o filme quer passar! Como você acha que os policiais deveriam ser treinados? Para passar a mãozinha na cabeça dos traficantes? Sinceramente, todo mundo já percebeu que assim não funciona! Porque você acha que o BOPE é respeitado na favela?
Minha Resposta:
Fernanda,
Respeito a sua opinião mas não concordo com ela. Você acha que é criando assassinos sanguinários que iremos resolver o problema do tráfico de drogas? Você chama de respeito o sentimento que os traficantes nutrem pelo BOPE? Por acaso já parou para pensar na quantidade de vidas inocentes que suas ações exterminam sem nenhum tipo de remorso? Ou você é daqueles que acham que se estão no morro são marginais e portanto devem ser exterminados? Hitler, graças a Deus, já morreu faz tempo. Nosso problema é muito mais profundo. Reside na falta de eduação, nos péssimos ganhos da polícia, na miséria do nosso povo, no interesse que a classe política tem em manter a nossa ignorância e falta de educação, na ganância do povo sempre querendo ganhar mais, mesmo que isso signifique a morte de fome de um semelhante. BOPE nenhum vai resolver esta questão. O BOPE pra mim é tão ruim quanto o traficante, uma vergonha, um absurdo, uma isntituição nazista e podre. Desculpe por não concordar com você. Por acaso gostaria de receber aquele treinamento?

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

FIDELIDADE PARTIDÁRIA

Mais uma palhaçada do Gran Circo Planalto Central! Uma nova receita da Pizzaria Congresso Brasileiro! A gente tá é f.....

ÇEN COMEMTARIO... II

Meu irmão Luciano, na sua lucidez e competência, mandou um comentário na minha última publicação, Sem Comentários..., muito interessante. Com muita propriedade, definiu tudo em poucas palavras. O vídeo já havia me chamado a atenção pelos absurdos ortográficos e políticos. Contudo, prefiri não me manifestar. Deixei a cargo dos leitores para que estes tirassem suas próprias conclusões. Agora, transcrevo aqui as suas palavras que, acredito eu, não devem ficar ocultas num campo de comentários, onde pouca gente se aventura a ler.
Meu irmão:
Olha o texto que aparece no início do vídeo: "quando você ver um politico vire as costa para ele, mas antes cuspa no chão de nojo. não cumprimente de o seu despreso". Tirando os problemas de acentuação, pontuação e articulação sintáxica, a ortografia das palavras em negrito fala por si só. Está aí a razão pela qual o parlamentar brasileiro é um dos mais caros do mundo. Aquele que o colocou no congresso carece de educação (básica, muitas vezes) e é ignorante ao ponto de pensar que não tem responsabilidade por isso e que dar "despreso" e "cuspir no chão de nojo" irá resolver a questão. E o pior é que a classe política tem total conhecimento deste fato e sabe que para se manter nesta situação (como uma das mais bem pagas do mundo) é só sustentar o estado de ignorância e deseducação deste sujeito que produziu o vídeo.
Pobres de nós, brasileiros.