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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O VENDEDOR


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Conta a piada que um certo vendedor, desesperado pela grande maré de azar que atravessava, há meses não preenchia uma folha no seu talão de pedidos, resolveu não trabalhar naquele dia e vagava pela praia procurando espairecer. De repente, uma dor lancinante. Descalço que estava, topara com toda força num objeto metálico e quente por causa do sol em brasa. Depois de proferir palavrões inenarráveis, abaixou-se para acariciar o dedão na vã tentativa de aplacar a dor. Neste momento observou que o tal objeto, nada mais era que a lâmpada perdida por Aladim. Sem titubear, alisou o objeto mágico libertando o Gênio de séculos de prisão.
-O senhor é meu amo, pois me libertou. Com isso terá direito a três pedidos.
-Um minutinho só, enquanto vou correndo no carro buscar o talão.
Não sei se por coincidência ou por capricho do destino, veio parar na minha mão por empréstimo, o livro O Vendedor de Sonhos de Augusto Cury, justamente no momento que acabo de me tornar um vendedor, não de sonhos, não tenho tal pretensão, mas de remédios e produtos de farmácia. Ainda não descobri o que esse maravilhoso livro, pude perceber isso pelo pouco que li até agora, terá relação com minha nova atividade. Mas uma história destas, contada de maneira tão deliciosa, com ensinamentos profundos, com certeza terá sua contribuição no meu engrandecimento nesta nova jornada.

Ainda não tinha contado isto a vocês, mas depois de um ano desempregado, acumulando dívidas e à beira do desespero, me apareceu esta oportunidade que agarrei com mãos, pés, boca e tudo mais que sirva para agarrar alguma coisa. Vale lembrar que isto foi uma mudança radical na minha vida. Primeiro porque tive que me mudar. Agora fixei residência em Serrinha, a 170 km de Salvador, para poder atender a região que darei cobertura, o sertão baiano, na área da produção de sisal. São muitas cidades que visito semanalmente: a partir de Serrinha, que também faz parte do meu setor, vem: Teofilândia, Araci, Jorrinho, Caldas do Jorro, Tucano, Quijingue, Euclides da Cunha, Uauá, Canudos, Monte Santo, Cansanção, Nordestina, Queimadas, Santa Luz, Valente, Retirolândia, Conceição do Coité, até chegar novamente a Serrinha, perfazendo uma ferradura de mais de 600 km de extensão.

Depois, tem o fato de nunca eu ter tido experiência com vendas e não entender praticamente nada de medicamentos e suas substâncias com nomes estrambólicos, parecidos, muitas vezes, e de difícil assimilação. Com isso, venho dando muitas cabeçadas, mas, depois de quase três semanas de atividade, acho que estou me saindo até bem, numa otimista auto-avaliação. Este é um dos motivos, sem querer aqui dar nenhuma desculpa esfarrapada pelo meu desaparecimento do mundo maravilhoso dos blogs. A verdade é que pouco estou podendo acessar a net. Trabalhando quase 13 horas por dia, perambulando por cidades que, na sua maioria, não tem internet nos hotéis, como é o caso de agora que escrevo sozinho, num aconchegante, limpo e agradável quarto de hotel em Santa Luz, ficou mais difícil de escrever coisas novas, ler meus autores blogueiros prediletos e, principalmente, comentar nas suas maravilhosas postagens.

Bem, voltando ao vendedor, não consigo descrever a sensação sentida quando por fim, gastei a primeira folha do meu talão de pedidos. Foi deslumbrante, mesmo tendo sido um pedido pouco acima do pedido mínimo e longe de ser um bom pedido. Quase tremia ao preencher aquelas poucas linhas com quantidades, nomes confusos e pouca compreensão. Como um bom sinal, foi no meu primeiro dia de trabalho. Segundo os experientes da área, isto não é fácil. Ponto pra mim. É claro que venho dando minhas cabeçadas, mas aos poucos estou encontrando meu estilo, minha forma de vender. Não sonhos, estes vou tendo enquanto dirijo sob o sol escaldante do sertão baiano, suado nas roupas quentes e apresentáveis que agora sou obrigado a usar, mas os Diclofenacos, Losartanas, Fluoxetinas, Cloridratos e tantos outros acos, anas e inas da vida, pagando propinas a guardas rodoviários para não me multarem por causa das duas linhas de vidro trincado no pára-brisa do meu carro, que a precária situação financeira não me deixou trocar.

Já foram várias as garfes que cometi. Como perguntar ao cliente o fabricante de determinado remédio mais conhecido que o Papa e ouvi dele: -Já vi que você é marinheiro de primeira viagem. –Sim. Respondi. –Porém, não conheço nenhum marinheiro experiente que não tenha dado a primeira viagem ou alguém que aprendeu a nadar sem se jogar pela primeira vez na água. Semana passada, eu cometi uma outra que me deixou muito envergonhado. Depois de conhecer, num pequeno intervalo de tempo, mais de cem pessoas, cometi a imprudência de confiar na memória. Entrei num estabelecimento, sem consultar minhas anotações, que já tinha visitado na semana anterior e chamei sua dona pelo nome.
-Como vai Dona Maria Luiza?
-Bem, mas me chamo Rita de Cássia.
Desconsertado falei a primeira bobagem que me veio na cabeça:
-Maria Luiza e Rita de Cássia? É quase a mesma coisa, chega até a rimar.
Era a cidade de Queimadas, onde até hoje eu não tinha tirado nenhum pedido. É claro que a senhora não comprou nada em minha mão, por mais que eu tentasse me redimir. No lugar dela eu também não compraria.
- Não se zangue comigo D. Rita. Conheci muitas pessoas nos últimos dias e fica difícil gravar o nome de todas. Tire um pedidozinho com seu amigo, para batizá-lo na cidade. Ainda não vendi nada aqui em Queimadas. Preciso mandar o leite da menina.
-Não foi nada Adriano. Não tem nada a ver com isso. Estou sem faltas, já pedi o que precisava com outros representantes. Quem sabe na próxima semana.

Não botei muita fé. Aquelas palavras foi o que eu mais tinha ouvido nos últimos dias. Fui embora desolado sem vender um comprimido na cidade. Hoje, estava retornando à Queimadas e, entrando na cidade, alguns versos surgiram de repente na minha cabeça quase a porta da farmácia da simpática senhora. Então não titubeei. Desci do carro e entrei no estabelecimento falando:

O que D. Rita de Cássia precisa
É tirar um pedido com Adriano
Para que este não cometa o engano
De chamar-lhe Maria Luiza

E aí D. Rita de Cássia?
Flor das acácias de terras amadas
Minha caneta está pronta
Pra marcar na sua ponta
Meu batismo em Queimadas.
Ela riu, olhou meu catálogo e fez um gordo pedido. Mais um ponto para mim. Quem sabe um dia eu chego lá? Eu acredito e continuo sonhando.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

BAIANADA


Agora há pouco, por volta das 18h30, eu estava num ponto de ônibus esperando um amigo. Como este demorava, fiquei observando o intenso movimento de carros àquela altura do início da noite, na movimentada avenida da orla marítima no Jardim de Alah aqui em Salvador. Neste momento, ignorando o recuo apropriado para a parada no ponto, um motorista parou o ônibus no meio da rua abrindo as portas para embarque e desembarque dos passageiros. Não restando outra alternativa, quem descia ou subia no veículo tinha que atravessar a faixa de recuo. Foi então que um apressadinho, motivado pela irresponsabilidade brutal do motô*, resolveu fazer pior que ele e ultrapassá-lo usando o recuo do ponto, quase causando uma tragédia sem precedentes. Não tenho dúvidas que foi a mão de Deus que evitou o desastre. Imediatamente me lembrei de Caetano Veloso, um baiano que dispensa apresentações, e sua música "Vamo Comer", além do post que publiquei aqui, o Baiano na Direção. Gostaria que isto fosse uma brincadeira de 1º de abril, o dia da mentira, mas é a mais pura verdade. Basta ler ou assistir aos jornais locais diariamente para vermos a imensa incidência de acidentes de trânsitos, em boa parte fatais, na capital baiana. A maioria deles seriam evitados se houvesse mais consciência por parte dos motoristas, motociclistas, e pedestres, enfim, pela população em geral. Meu Deus! Até quando amargaremos esta vergonha, este recorde lastimável? Sei que este é um problema mais amplo, que ultrapassa as fronteiras baianas, mas, sinceramente, pelo que já vi e vivi longe daqui, acho que estamos na frente de outros estados, o que é lamentável e vergonhoso.

Como meu amigo demorou mais ainda, fiquei maquinando na cabeça cheia de indignação, os versos expostos a seguir. Não tem nenhuma pretensão poética, foi apenas uma forma de passar o tempo e de dar o meu grito de protesto. Não gostaria de dar razão a Caetano. Que pena!

BAIANADA

O ônibus pára no meio da rua
O carro ultrapassa pelo ponto
"Baiano, burro, nasce e cresce"**
Compra carteira por qualquer cem conto

Quebra-molas é sinal aberto
Canteiro, faixa intermitente
"Baiano, burro, nasce e cresce"
É os ás na direção valente

A vida é uma brincadeira
O carro arma para a guerra
"Baiano, burro, nasce e cresce"
A cada hora uma vida enterra

Tem sempre que chegar primeiro
A rua é pista de corrida
"Baiano, burro, nasce e cresce"
E esquece o valor da vida

Onde andam os nossos valores?
O respeito pela vida humana
"Baiano, burro, nasce e cresce"
Numa corrida cruel e insana

O trânsito é uma batalha
Avenida é campo minado
"Baiano, burro, nasce e cresce"
E passa no sinal fechado

E eu que também sou baiano
Já tô achando que não sou normal
"Baiano, burro, nasce e cresce"
E ainda fala que eu sou boçal

*Motô: Forma carinhosa que o baiano chama o motorista de ônibus.
**Versos de Caetano Veloso da música "Vamo Comer" "Baiano burro, nasce e cresce e nunca pára no sinal. E quem pára e espera o verde é que é chamado de boçal.".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A VOLTA

Voltei, "quero ficar bem a vontade, na verdade eu sou assim...."
Michel e Gilson Mendonça


Conforme prometido o blog volta às suas atividades agora em 2009 mais uma vez esperando que este ano nos traga gratas surpresas e realizações. Tive de dar uma trégua para curtir as férias. Não as minhas, mas sim as férias de Júlia que, como todos sabem, hoje morando em Belém-Pa, agora só a vejo uma vez por ano, e, nessas condições, uma ano parece um século, uma vida, uma eternidade, uma saudade, um provação, tudo menos um ano, quem sabe uma encarnação?

Por isso me deixo levar, no coração dessa menina, que tanto me ensina, e que muito me traz. Traz a felicidade, acaba com a saudade, bota no peito a paz. Fiz de todos os programas, comida italiana, pizza, cachorro quente. E, baiana que ela é, muito acarajé. Parque, rios, praias, cinema. Um verdadeiro poema, felicidade demais.

Distribuindo os presentes, satisfação total, curtindo no seio da família, dos nossos queridos entes, a beleza do natal. Isso foi tudo de bom, assim como o reveillon e o início do novo ano, que pro coração humano, é uma nova esperança. E isso não se traduz, de forma assim tão perfeita, como quando a gente se deita, no coração da criança.

Criança que lê um livro, ganhado de Papai Noel, na rede da casa de amigos, sugando o saber do papel. Papel que nos traz a lembrança, de tudo que fomos, somos e seremos um dia. Papel que desfaz a distância que nunca se venceria, com nossas pernas cansadas, palmas de pés calejadas de torpor e sofrimento. Criança que é a estrada mais curta para o firmamento.

Criança que nos leva, a visitar os amigos, ver a margem do São Francisco em tão boa companhia. Banhar-nos nas águas do rio, e sentir o arrepio de tamanha alegria. De comer um peixe frito, pescado naquelas águas aonde o mundo deságua, sofrimento e agonias. De beijar sem preconceito, um amigo verdadeiro, que trago dentro do peito e que transformo em canção. Beijar meu negão favorito, beijar o meu grande irmão.

Descansar assim a alma, a cabeça e o corpo físico, alcançar o inantingível e voar sem avião. São as férias que eu preciso pra voltar com emoção. E perceber que o passado, teve o seu valor, sua importância, que também me ensinou assim como ensina a criança que o mundo me presenteou. E agora volto, volto feliz, volto contente, volto pra ver minha gente, que tanto me acompanhou e que tanto bem me fez. Por isso volto de novo para abraçar o meu povo. E de coração eu dedico, um bico de amor pra vocês.










































Bico de amor. "Um desejo pra sua felicidade..."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

EU ACREDITO EM PAPAI NOEL

Como disse a amiga Leda, eu fui um bom menino este ano e papai noel se antecipou e me deu o melhor dos presentes. Trouxe minha filha Júlia para passar as férias comigo aqui em Salvador. Depois de quase um ano sem ver minha Preta, o coração andava apertado e a tristeza era muita. O prazer do reencontro no entanto faz a gente esquecer tudo. Vou aproveitar cada segundo dos 49 dias que ela vai passar aqui, 44 já que se passaram 5 desde que ela chegou.

Que saudade deste beijo!

Tomei um susto quando vi o quanto ela cresceu neste período. Como está mais bonita! Eita pai babão! Condecorada na escola com a medalha de
Honra ao Mérito pelo seu rendimento escolar, uma vez que passou em todas as matérias com média 9,5 e 10, cheia de si, desembarcou no aeroporto e quando me viu abriu um sorriso tão gostoso que não pude conter uma lágrima solitária que escorreu do olho esquerdo de tanta emoção. Aquele sorriso me fez ver o quanto a vida vale a pena, o quanto eu sou feliz e privilegiado.

Eu, Júlia e Lai


Contudo, ao desembarcar, fez logo a cobrança de uma coisa que havia me pedido por telefone pouco antes de vir: -Papai, não aguento mais de vontade de comer um acarajé! Eu tinha avisado a ela que sentiria falta em Belém, só que ela não me deu ouvidos. Já não dava mais para satisfazer o seu desejo àquela hora, tivemos que deixar o acarajé para o sábado. No entanto saímos para passear, eu estava com Lai e fui buscar o seu primo Pablo, filho de Edmundo, comemos uma pizza, jogamos palitinho, brincamos de dica, enfim, passamos uma noite perfeita.

No dia seguinte Edmundo veio para almoçar com a gente. Preparei um cardápio especial para ela. Fiz um omelete de carne que ela adora, espaguete ao alho e óleo a seu pedido, arroz, batatas fritas, salada de tomates com manjericão e inventei um prato que imaginei ela gostaria cuja receita está logo abaixo no fim desta postagem e o nome a própria Júlia sugeriu. Foi um dia maravilhoso, um prenúncio do quanto será bom este período e a comprovação que Leda esta certa. É por isso que eu acredito em Papai Noel!

Com o primo Pablo


FRANGO A JÚLIA PARMEGGIANA


Com Júlia, o prato principal e Edmundo ao fundo

Ingredientes


06 sobrecoxas de frango desossadas
06 fatias de mussarela
06 fatias de presunto de peru
02 folhas de louro
01 colherinha de sálvia desidratada
01 colherinha de orégano
200ml de suco de laranja
200ml de molho vermelho
01 colher de sobremesa de manteiga
01 colher de sopa cheia de catchup
03 colheres de sopa de azeite de oliva
20 folinhas de manjericão
Queijo parmesão ralado a gosto
Tempero pronto a gosto

Modo de Preparo

Em fogo baixo derreta a manteiga, coloque o azeite de oliva o molho vermelho, as folhas de manjericão e o catchup. Misture bem e deixe ferver por um minuto. Desligue o fogo e reserve.

Tempere as sobrecoxas desossadas com tepero pronto a gosto. Coloque-as numa bacia, salpique por cima o orégano e a sálvia. Coloque as folhas de louro, despeje o suco de laranja e deixe neste caldo por uma hora. Escorra bem as sobrecoxas e grelhe com as folhas de louro em cima. De preferência use para grelhar uma churrasqueira de boca de fogão. Dispense as folhas de louro e arrume-as num refratário sem sobrepô-las. Cubra com o presunto e a mussarela. Despeje e espalhe o molho. Polvilhe o queijo ralado à vontade. Leve ao forno médio pré-aquecido até gratinar. Sirva com arroz branco e batatas em rodelas finas fritas e salada de tomates com manjericão.