sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

BLOG DE FÉRIAS





Queridos amigos,

Este blog entra de férias a partir de hoje retomando suas atividades no próximo ano. Gostaria de agradecer os quase trinta mil acessos que já tive e compartilhar com vocês a minha imensa felicidade de estar curtindo as férias com minha filha, como já externei em post anterior. Quero também desejar um natal cheio de luz para todos, com muita paz, saúde e que 2009 venha com muitas surpresas boas e a realização de mais alguns dos nossos sonhos. Que cada um encontre o seu caminho e a tão sonhada paz de espírito por todos almejada.


Um feliz 2009 para todos nós!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

EU ACREDITO EM PAPAI NOEL

Como disse a amiga Leda, eu fui um bom menino este ano e papai noel se antecipou e me deu o melhor dos presentes. Trouxe minha filha Júlia para passar as férias comigo aqui em Salvador. Depois de quase um ano sem ver minha Preta, o coração andava apertado e a tristeza era muita. O prazer do reencontro no entanto faz a gente esquecer tudo. Vou aproveitar cada segundo dos 49 dias que ela vai passar aqui, 44 já que se passaram 5 desde que ela chegou.

Que saudade deste beijo!

Tomei um susto quando vi o quanto ela cresceu neste período. Como está mais bonita! Eita pai babão! Condecorada na escola com a medalha de
Honra ao Mérito pelo seu rendimento escolar, uma vez que passou em todas as matérias com média 9,5 e 10, cheia de si, desembarcou no aeroporto e quando me viu abriu um sorriso tão gostoso que não pude conter uma lágrima solitária que escorreu do olho esquerdo de tanta emoção. Aquele sorriso me fez ver o quanto a vida vale a pena, o quanto eu sou feliz e privilegiado.

Eu, Júlia e Lai


Contudo, ao desembarcar, fez logo a cobrança de uma coisa que havia me pedido por telefone pouco antes de vir: -Papai, não aguento mais de vontade de comer um acarajé! Eu tinha avisado a ela que sentiria falta em Belém, só que ela não me deu ouvidos. Já não dava mais para satisfazer o seu desejo àquela hora, tivemos que deixar o acarajé para o sábado. No entanto saímos para passear, eu estava com Lai e fui buscar o seu primo Pablo, filho de Edmundo, comemos uma pizza, jogamos palitinho, brincamos de dica, enfim, passamos uma noite perfeita.

No dia seguinte Edmundo veio para almoçar com a gente. Preparei um cardápio especial para ela. Fiz um omelete de carne que ela adora, espaguete ao alho e óleo a seu pedido, arroz, batatas fritas, salada de tomates com manjericão e inventei um prato que imaginei ela gostaria cuja receita está logo abaixo no fim desta postagem e o nome a própria Júlia sugeriu. Foi um dia maravilhoso, um prenúncio do quanto será bom este período e a comprovação que Leda esta certa. É por isso que eu acredito em Papai Noel!

Com o primo Pablo


FRANGO A JÚLIA PARMEGGIANA


Com Júlia, o prato principal e Edmundo ao fundo

Ingredientes


06 sobrecoxas de frango desossadas
06 fatias de mussarela
06 fatias de presunto de peru
02 folhas de louro
01 colherinha de sálvia desidratada
01 colherinha de orégano
200ml de suco de laranja
200ml de molho vermelho
01 colher de sobremesa de manteiga
01 colher de sopa cheia de catchup
03 colheres de sopa de azeite de oliva
20 folinhas de manjericão
Queijo parmesão ralado a gosto
Tempero pronto a gosto

Modo de Preparo

Em fogo baixo derreta a manteiga, coloque o azeite de oliva o molho vermelho, as folhas de manjericão e o catchup. Misture bem e deixe ferver por um minuto. Desligue o fogo e reserve.

Tempere as sobrecoxas desossadas com tepero pronto a gosto. Coloque-as numa bacia, salpique por cima o orégano e a sálvia. Coloque as folhas de louro, despeje o suco de laranja e deixe neste caldo por uma hora. Escorra bem as sobrecoxas e grelhe com as folhas de louro em cima. De preferência use para grelhar uma churrasqueira de boca de fogão. Dispense as folhas de louro e arrume-as num refratário sem sobrepô-las. Cubra com o presunto e a mussarela. Despeje e espalhe o molho. Polvilhe o queijo ralado à vontade. Leve ao forno médio pré-aquecido até gratinar. Sirva com arroz branco e batatas em rodelas finas fritas e salada de tomates com manjericão.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

OCEANO

É um choro leve
Uma lágrima que rola
O som na vitrola
A nossa canção

Quanta poesia
Quanta melodia
Que contradição

Quanto desalento
Vivo esse momento
Varo o oceano

Eu não sei se sinto
Se é vero ou minto
Se taro ou se amo

Mas que sintonia
Que par se anuncia
Na nossa canção

Numa noite breve
Lua cheia aflora
Entra e me deflora
O seu coração

sábado, 13 de dezembro de 2008

NO SUPERMERCADO

Eu sempre tive muita curiosidade de entender a linguagem dos surdos-mudos e por isso sempre os observo nos supermercados. Vocês já repararam o quanto o mudo é conversador? Parece uma coisa compulsiva, aquela gesticulação interminável e os sons intraduzíveis que eles emitem. Nos supermercados de Salvador existem muitos surdos-mudos trabalhando, quase sempre de empacotadores. Eu acho isto uma iniciativa muito legal e acredito que deva acontecer no resto do país também. São pessoas como outras quaisquer e devem sim estar inseridos no mercado de trabalho afinal possuem família, filhos, amores e precisam viver com conforto e dignidade.

Hoje presenciei uma cena que me fez perceber mais ainda o quanto estes seres são comuns como qualquer um. De manhã cedo fui às compras para abastecer a dispensa em função da maravilhosa chegada de minha filha Júlia que veio de Belém passar férias comigo. Nem precisa falar que estou feliz demais, rindo à-toa e com um bom humor de dar inveja a palhaço. Na hora de passar as compras no caixa percebi que o empacotador não tava com cara de muitos amigos. Semblante sisudo, cara amarrada, a pura tradução do mau humor. Ele falava sozinho:

-Nhom, nham nhum nhum nham nhon!
E fazia um bico horroroso enquanto jogava minhas compras nas sacolas de qualquer jeito. Tentei reclamar: -Cuidado com as frutas amigo! Ele retrucou: -Nhuma, nhona, nham nhum nham! Não entendi porra nenhuma, preferi me calar e sublimar. Aí o empacotador do lado virou para ele e disse:

-Nhuma, nhona nhum nhom nhum nham nham!
-Manhon main nanunan nhom nhuma!

Neste momento aconteceu uma coisa incrível, algo sobrenatural, inacreditável. De tão concentrado na conversa dos dois, comecei a visualizar uma legenda, tipo as de filme, traduzindo tudo que eles falavam:

-Nhom, nham nhum nhum nham nhon!
Legenda: Filho da puta, ela é minha, não mexa mais com ela!
-Nhuma, nhona nhum nhom nhum nham nham?
Legenda: Você é que é um corno, tenho culpa se ela quer dar pra mim?
-Manhona nhuma ang nhom nhon nhum nhan!

Legenda: Eu te mato seu viado duma figa!
-Nhoma nhuna nhan nhan nhan nhoma nhum nhan!

Legenda: Tenho pena da vadia que abriu as pernas para botar no mundo um sacripanta como você, desgraçado!


Os ânimos se acirraram ainda mais, os sons aumentaram, os gestos cada vez mais obscenos. Já estava vendo a hora dos dois saírem no tapa então explodi e gritei:

-Nhumnham nhon nhamuna nhon nham nhom nham nhenh nhan nhô!
Legenda: Vão tomor no cu filhos da puta e falem baixo que ninguém é surdo aqui!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

DOZE HORAS

Júlia venha logo
Meu coração não aguenta
Esta distância
A sua ausência
A falta que você me faz

Júlia venha voando
Meu peito anda sangrando
A tristeza
A vacância
A sua falta mordaz

As próximas doze horas
Mais parecerão doze dias
De desenganos, ansiedade
Louca saudade, sem fantasias

Parecerão doze anos,
Doze séculos, doze milênios
Doze encarnações

Doze big bangs
Criando doze universos
Com seu reversos aos milhões

Mas elas passarão
E eu saberei esperar
Como este ano
contando os passos

Pela hora da redenção
De ver o peito estourar
De alegria e soberano
chorando entre os seus braços

Para Júlia Lopes

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

BEIJO ROUBADO

Um beijo roubado
É um beijo de amor
Há tempos guardado
Num coração sofredor

Um beijo roubado
É um gesto de paixão
Um crime premeditado
Que não merece prisão

Um beijo roubado
É um sinal de carinho
Mandado por um salafrário
Quando se sente sozinho

Para Elcio Tuiribepi

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

CONSIDERAÇÃO

Li esse texto no blog do Hugo Oliveira, um primor de lugar, o NOSSO-COTIDIANO. Fiquei tão sensibilizado com essas palavras que achei por bem publicá-las aqui. Achei a perfeição. A verdade em forma de palavra mesmo sendo a palavra a maior expressão da mentira.


A consideração é uma espécie de reconhecimento que as pessoas tem em relação a você e que você tem em relação aos outros. O ato de se ter consideração por alguém significa que você reconhece no outro a virtude, o esforço, a dedicação e mesmo que não tenha retorno da mesma forma, entende que é importante deixar claro que compreende isso na pessoa. É interessante perceber que por mais desgastados que estejam alguns valores hoje em dia, o que talvez tenha maior espaço na mente das pessoas é distinguir quem se considera e quem lhe considera. É como se você pudesse elencar àqueles com quem pode contar e que podem contar com você em uma relação de total reciprocidade. Porque considerar tem a ver com confiança, com apoio e com segurança.A confiança em saber que a pessoa não lhe julga, mas enxerga você como um ser humano. O apoio para as circunstâncias que você vive porque entende que as conquistas e as vicissitudes acontecem e sempre precisam de alguma palavra amiga para lhe parabenizar ou dar uma "força". A segurança de poder errar e mesmo assim saber que a pessoa estará lá para lhe ajudar a enxergar o erro e também para abrir o caminho com você para a mudança. Consideração é isso, é reconhecer. No mundo dos negócios, a consideração é um tesouro. Não é todo mundo que tem consideração pelos outros, porque não é apenas uma questão de valores pessoais, pois é um mundo muito competitivo.Cruzar a linha é muito fácil, em especial quando não há vantagens ou ganhos em retorno. É nesta hora que você percebe e entende quem tem consideração. Respeitar o ser que você é e que apesar de você estar em um ambiente profissional, saber enxergar que você é uma pessoa, merece toda a sua consideração. Então, a consideração é demonstrada nas atitudes. A atitude de entender, de contextualizar, de ouvir, de falar, de avaliar, de investigar e de perceber que as pessoas estão juntas nas ações; isto é consideração. Nunca se esqueça que você também tem de fazer a sua parte. Muito fácil esperar dos outros, mas na verdade o que importa é você ter consideração pelos outros, assim o caminho da reciprocidade se abre a sua frente. Mesmo nas situações mais adversas, nunca deixe de considerar os outros. Pense nos outros, como se fosse você. Assim você consegue entender e medir o que você fizer. Os seus valores como pessoa devem sempre falar mais alto. Nunca o contrário. Recear isto é bobagem. Ninguém vai muito longe agindo sem consideração, porque não vem de dentro. Mas o melhor a saber é que algumas decisões são tão importantes no processo de crescimento que podem significar sofrer ou crescer. Saiba que os caminhos de grande sucesso são àqueles que valem pelas pessoas.

(Sílvia Somenzi)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

QUANDO VOCÊ CHEGOU

Um novo amor sempre traz novo gás pra nossa vida. Foi assim quando conheci Lai em outubro do ano passado e me apaixonei intensamente por ela. Naquela época, escrevi um poema sem pretensão de fazer música. Acontece que Luciano o leu publicado aqui e me presenteou com esta canção. Fez algumas interferências na letra e falou que eu deveria por mais um verso a fim de casar melhor com a melodia que ele havia composto. Passei quase um ano para encontrar a frase e agora, ouvindo-a com atenção, observei o quanto ficou bonita. Dizem que quem gaba o toco é a própria coruja. Talvez seja verdade. Mas se a coruja não o fizer, quem mais fará? A verdade é que essa música, mesmo nesta gravação caseira só de voz e violão, ou melhor meia-voz e violão, que me desculpe Luciano, me toca profundamente. Além de me fazer lembrar o quanto de verdade e sentimento tem dentro dela. É exatamente assim que me sinto depois de um ano com Lai.

Quando Você Chegou
(Luciano Carôso/Adriano Carôso)

Eu estava perdido em pensamentos
Absorto em elucubrações
Eu nadava contra maré e o vento
Caminhava pra trás sem emoções

Comprava com cheque sem fundos
Cozinhava com água e fogo alto
Brigava com a vida, peitava o mundo
Fazia carícias no asfalto

Andava em sentido anti-horário
E era um voraz sofredor
A alma de um dinossauro
Quando você chegou

Tomou posse, me tirou desse contrário
Triturou a minha dor e fez-se o amor

Obs: Aqui a letra está completa e definida incluindo a estrofe sugerida por Luciano cantada como tracinho, tracinho, tracinho. Desconsidere os erros no áudio, vale o que está escrito aqui.





quinta-feira, 13 de novembro de 2008

DÚBIO

Duas coisas me enlouquecem:
Sexo e amor.

Duas coisas me entristecem:
Saudade e preconceito.

Duas coisas me envaidecem:
Amizade e elogios.

Duas coisas me enriquecem:
Amigos e caridade.

Duas coisas me empobrecem:
Desafetos e rancor.

Duas coisas me fenecem:
O descaso e o torpor.

Duas coisas me engrandecem:
A paixão e a libido.

Essas coisas nem parecem
que mexem tanto comigo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

DIVAGANDO

Andas num lindo caminho
Indo
Subindo
Crescendo

Trilhas nas margens do rio
Vindo
Emergindo
Enchendo

Cruzas o nosso caminho
Infindo
Luzindo
Tecendo

Trilhos no fundo do rio
Sentindo
Fluindo
Reflorescendo.

Para Jacinta Dantas

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

DE SALVADOR A BELÉM




De tudo que fiz nessa vida, nada me dá tanto orgulho quanto o fato de ser o pai de Júlia. Ela é a razão da minha existência, é o sentido da minha vida. Acaba de completar nove anos, fez agora em 07 de novembro, infelizmente, muito longe de mim. Hoje ela mora em Belém com sua mãe, mas a maior parte da sua vida esteve muito próxima de mim. Não foi à toa que sábado, um dia depois do seu aniversário, quase não consegui completar o preparo do prato da foto, de tanto que chorei com saudades dela. Enquanto cozinhava, estava assistindo a um DVD de flash backs nacionais quando começou a tocar "Era Uma Vez"(Álvaro Scci - Cláudio Matta) com Sandy e Júnior bem novinhos. Foi fatal. Logo me lembrei dela cantando essa música, balançando os bracinhos na minha frente enquanto eu tentava em vão assistir à TV e aí chorei feito criança. Repeti a música uma dezena de vezes na inútil tentativa de tê-la perto de mim, mas nada consegui além de chorar. Chorar muito...



Quer a receita, pegue aqui!

Me separei da sua mãe quando ela tinha três anos. Ela digeriu isso muito bem devido à boa relação que mantenho com Cynthia até hoje. Sempre viu nos seus pais dois grandes amigos batalhando juntos por ela. Dois parceiros fazendo de tudo para tornar sua vida melhor. E ela nos ajudando a entender os "descaminhos dessa vida", nos fazendo compreender que não passamos por essa existência em vão.

Quando me separei, ela ficou morando com a mãe. Eu sempre estava presente, saindo com ela, trazendo para passar dias comigo, ligando para conversar, fazendo o bolo e o cachorro quente dos seus aniversários na escolinha, ouvindo suas confissões, deitando em seu colo para receber o carinho da sua mãozinha angelical na minha cabeça. Depois, por motivos alheios à sua vontade, Cynthia pediu para ela morar comigo. Foi uma alegria que não consigo descrever, só sei que foi a melhor época da minha vida. O tempo em que fui mais feliz, onde remocei cem anos, onde vi que a vida vale a pena e a minha valeu muito.


Em fevereiro deste ano, Cynthia resolveu voltar para sua terra natal, Belém-PA, e pediu para levar Júlia com ela. Embora aquilo estivesse me matando por dentro, como poderia dizer não? Como separar uma mãe de sua filha? Nada pude fazer além de apoiá-la e ir com ela deixar nossa Preta da melhor maneira possível. Essa época de muito sofrimento, rendeu uma série de escritos, além de outros que já tinha feito por Júlia que foram publicados aqui. Esses dias estou como Zeca Baleiro, tão "à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar", mas não quero chorar sozinho. Quero o apoio dos amigos, quero me sentir acompanhado e protegido, quero me sentir melhor.

Aqui vai um recado pra Júlia: Minha Preta, sei que fiquei lhe devendo a receita do bolo. Que bom que sua tia fez um melhor do que o meu. Mas, isto é nada em relação a maior dívida que tenho com você. Eu lhe devo a minha vida! EU TE AMO!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

COISAS DE CRIANÇA



Segundo meu pai, o velho Carôso, foi a criança quem descobriu que o pé do Diabo era redondo. Realmente, criança faz coisa que Deus duvida. Minhas lembranças desta época são as melhores possíveis. Tive uma infância invejável. Muito diferente das de hoje, quando as crianças só brincam em vídeo games e ficam bitoladas na frente de um computador, quase sempre visitando conteúdos inadequados. Não sabem o prazer de sair fugido de casa e andar de bicicleta cinco quilômetros para tomar banho de rio, subir em árvores, fazer sua própria patinete, jogar bola no paralelepípedo tirando o gol toda vez que passava um carro, brincar de esconde-esconde, de baleado, de gude, de fura pé, enfim, de realmente ser criança. Eu tive o prazer de viver numa época onde a infância era coisa de criança e a criança era muito mais feliz.

É bem verdade que fui uma criança muito levada e, justamente por causa disto, vivia ficando de castigo e levando umas bordoadas da minha implacável mainha que me tirou da vagabundagem e me ensinou a ser homem. Bons tempos que não voltam mais, mas que não saem das lembranças. Como diria Ataulpho Alves, "eu era feliz e não sabia".

Lembro de Mundo Novo, interior da Bahia, quando com quatro anos entrei num tonel de lixo vazio para que os amigos empurrassem ladeira abaixo. Por causa disto ganhei o apelido de Sujismundo. Um personagem de uma campanha publicitária que pregava a higiene. Eu não tava nem aí. Na mesma cidade, tinha uma casa abandonada onde moravam duas famílias de mendigos. Fiz amizade com a criançada de lá e vivia enfurnado dentro daquela casa para desespero de minha mãe. Resultado, os piolhos criaram morada por longo tempo nos meus até então, acredite quem quiser, fartos cabelos louros e cacheados. Foi lá também, que entrei prematuramente para a escola, para os padrões da época é claro. Por causa do meu comportamento nada convencional, a professora do meu irmão Luciano, dois anos mais velho que eu, com pena da minha mãezinha sozinha para tomar conta de uma casa sem ajudante com um "pestinha daqueles", fez a proposta fatal: -Lourdinha, manda Adriano para a escola que lá a gente toma conta dele. Pelo menos num turno você fica mais descansada e pode dar conta do serviço da casa. A escola era na própria casa da professora. Lembro que no início eu ficava mesmo era brincando com a filha dela da mesma idade que eu. A menina era danada. A brincadeira que ela mais gostava de fazer era botar o dedo na xoxota e me dar pra chupar. Eu achava uma delícia! Depois resolvemos evoluir e ela botou um pedaço de bolacha cream craker, lambuzou bem e me deu pra comer. Resultado, a pró pegou a gente no flagra, pôs a menina de castigo e me botou dentro da sala de aula. Aí eu ganhei gosto pelos estudos, além do gosto por aquele sabor é claro, e em pouco tempo estava acompanhando a turma do meu irmão. No fim do ano, acho que pra se livrar de mim, disse a minha mãe que eu estava bastante desenvolvido e que deveria ingressar na primeira série em outra escola. Era verdade que eu já lia, escrevia e batia de frente com meus "colegas" de classe. Por causa disso, fiz o vestibular com dezesseis anos e ingressei na faculdade aos dezessete. Aos vinte já era professor do segundo grau.

Depois fomos morar em Juazeiro da Bahia nas margens do rio São Francisco. Eu adorava aquele lugar. Foi lá que vi Ivete Sangalo pela primeira vez. Ainda criança como eu. Meu pai era amigo de Seu Sangalo, pai de Ivete que morava em Petrolina mas tinha uma loja de variedades lá. Ele era parceiro de farras e tocatas do meu velho. Uma vez meu pai comprou um violão Gianninni na loja dele. Este violão eu sentei em cima e quebrei o seu braço muitos anos depois já em Santo Amaro da Purificação. Tomei uns tapas mas ficou por isso mesmo. Mas a lembrança mais marcante desta cidade foi quando, levantando um colega para tirar uvas na videira que tinha no quintal da minha casa, deixei o menino cair no chão. Ele quebrou a clavícula e eu fiquei com a bunda vermelha de tanta porrada.

Depois fomos pra Serrinha. Lá eu virei o Zorro tarado e o Espírito Assombrado. Calma, posso explicar. Vizinho a minha casa, tinha um colégio, o Comercial, existe até hoje, que tinha aulas à noite para uma turma de idade bem mais adiantada que a minha. Meninos de dezoito a vinte anos. Eu e minha galera, resolvemos fazer umas máscaras com papel duplex preto ao estilo da máscara do Zorro. Quando da saída da escola, ficávamos escondidos atrás de um caminhão que vivia estacionado na nossa rua e atacávamos as meninas quando elas passavam dando roubados beijos em suas boquinhas angelicais. Até o dia que eu ataquei a namorada do filho de um grande amigo de meu pai. Este me botou contra a parede e ameaçou contar tudo a meus pais. Claro que joguei a máscara fora e fui roubar pitos de pneus de carro. Era mais seguro. Até o dia que tomamos uma carreira do segurança do Banco do Brasil.

Naquela época, meus pais ficavam todos os dias jogando buraco com os amigos até de madrugada. Morávamos numa casa comprida, com um imenso corredor e seis quartos na parte interna da casa. Os quartos não tinham forro e, com o silêncio da madrugada, o som se propagava de forma amplificada. Certa feita, abri a gaveta da cômoda ao lado da minha cama para guardar um livro que estava lendo antes de dormir. Sem querer a fechei com muita força e esta fez uma zoada bem forte. Quando percebi o alvoroço lá dentro, fingi que estava dormindo e esperei para ver. Reparei que meus pais e seus amigos ficaram um longo tempo tentando entender o que aconteceu. Gostei daquilo e passei a fazer aquela zoada constantemente. Até um médium espírita, Seu Peixinho, meu pai levou lá em casa para descobrir o que era aquela "assombração". Depois de alguns meses, minha mãe desconfiou, me colocou contra a parede e eu acabei confessando. Mais um mês sem sair de casa.

De lá fomos para Santo Amaro, onde quebrei o violão comprado de Seu Sangalo, tomei banho na Pitinga que era um rio poluidíssimo onde a fábrica de papel jogava suas descargas, chupei minha primeira buceta, dei a minha primeira foda, aprendi a tocar violão mal e escrevi minha primeira letra de música valendo. Mas isto são outras histórias. "Eu era feliz e não sabia!".

Escrevi este texto atendendo ao pedido do querido amigo Leandro e à ele o dedico. Obrigado Leandro, você é uma pessoa muito especial. Indico este Meme para os amigos:

Vidal
Jacinta
Mary
Fernanda
Ana

Existem algumas regrinhas para este meme. Peço o favor que todos a sigam. São elas:

1. Colocar o(a) link de quem o convidou
2. Escrever um texto sobre lembranças da infância
3. Postar o selo do meme dentro do artigo
4. Se possível, colocar uma foto de quando era criança ou adolescente
5. Chamar cinco amigos para brincar com você.

Beijo a todos!

Eu e Luciano aos 05 e 07 anos respectivamente em Juazeiro-Ba

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

UM PRESENTE DE LEANDRO É UM PRESENTE ESPECIAL


Este presente veio do Leandro pelo meu post EU LHE ENTREGO A MIRIAN! É uma honra muito grande ganhar um presente dele. Um talento maravilhoso, uma pessoa de sensibilidade ímpar. Obrigado meu amigo. Valeu por mais esta!

Não tenho entrado muito aqui mas deixarei este selo guardado para os próximos cinco posts que me tocarem a alma.

MEU BLOG PASSARINHO


Vejam que coisa mais querida eu ganhei da minha amiga Jacinta Dantas. Que felicidade! Muito obrigado Jacinta! Se você não se incomoda gostaria de multiplicar esta felicidade dividindo-a com os amigos Leandro, Éverton e Lorena.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

EU LHE ENTREGO A MIRIAN! – Ou Sangue de Cristo Tem Poder!, ou Vá Matar o Cão, Ou Ainda, O Preto da Minha Vida!


Tem coisa na vida mais rica e gostosa que uma amizade verdadeira? Definitivamente eu acho que não. Assim é Juvenal, ou Billy Paul ou ainda o Nêgo Preto, meu amigo, meu irmão, uma grande riqueza. Este último final de semana fui visitá-lo em Paulo Afonso, a 500km de Salvador. Foram dias maravilhosos onde matamos uma imensa saudade e nos divertimos como nunca naquela cidade linda, cheia de belezas naturais, às margens do São Francisco com suas águas cristalinas de temperatura perfeita. Foi então que me lembrei de um texto que escrevi em maio do ano passado e publiquei aqui. Segue agora a sua transcrição.

- Billy, em buraco de cobra tatu caminha dentro?
- Vá matar o cão Velho Diu, sangue de Cristo tem poder!

Dentre as coisas mais podres da humanidade uma das que mais abomino é a discriminação. Seja de que tipo for, racial, social, religiosa, sexual, não importa, todas são execráveis. Hoje, numa fila de banco, ouvi uma colocação que me enojou. Um senhor escuro, foi direto ao caixa sem passar pela fila. A mulher que estava a minha frente comentou comigo: - Aquele preto deve ter muito dinheiro, nem pega fila! Não dei resposta, fiz que não ouvi, mas deu vontade de mandar ela tomar sorvete. No final das contas, observando a situação atentamente, percebi que o senhor já havia pegado a fila antes, mas teve necessidade de buscar um visto com o gerente e voltou para concluir seu atendimento. Não era justo que voltasse ao fim da fila. Fiquei com uma raiva imensa da mulher, saí de lá a julgá-la como se fosse a pessoa mais vil do mundo.

Depois, no carro, voltando para o trabalho, comecei a pensar sobre o assunto com outra ótica. Percebi que eu mesmo, numa infinidade de vezes, agi exatamente como aquela mulher. E que, no geral, todo mundo sempre tem uma atitude deste tipo, mesmo que, na essência, não seja um racista ou preconceituoso. Quantas vezes já fiz comentários do tipo: - Olha aquela menina!, ao perceber a passagem de um homosexual? Isto acontece até hoje. Procuro me policiar, evitar este tipo de coisa, afinal eu sei que não é isto que define o caráter e a nobreza de uma pessoa, mas faz parte da nossa cultura, está enraizado nas nossas cabeças e, às vezes, é inevitável. Sendo assim, como posso eu julgar aquela senhora se sou exatamente igual a ela? Gostaria de encontrá-la novamente para pedir-lhe desculpas. Estas situações são mais comuns no cotidiano do que se imagina. Não tem aquela história de D. Canô? Quando Gil aparecia na televisão ela falava: -Caetano, vem ver o preto que você gosta! Quero ver cabra macho o suficiente pra chamar D. Canô de racista.

Tudo isto me fez lembrar de Juvenal. Um dos meus melhores amigos, quase um irmão. Pessoa que, apesar da distância que nos separa, já que mora a 500km de Salvador e hoje nos vemos muito pouco, vive no meu coração e sei que o amor que lhe dedico é totalmente recíproco. Para falar de Juvenal, ou melhor, de Billy como é mais conhecido, preciso voltar um pouco no tempo. Nem tão pouco assim.

Quando cheguei em Santo Amaro, movido pelas intermináveis transferências de meu pai que era o que se chamava na época de Coletor, trocando em miúdos, chefe de agência da Receita Federal pelas cidades desta Bahia afora, conheci Juvenal. Ele já era funcionário da Receita, através de uma empresa terceirizada, e meu pai era o seu chefe. Eu tinha onze anos e ele já ia pela casa dos vinte e cinco, não sei precisar. Até hoje não sei a idade deste negão. Como diz minha mãe, nego quando pinta tem três vezes trinta. Sei que não mudou quase nada do dia que o conheci pra cá. Parece que o tempo não passou pra ele. Quando nos conhecemos foi aquilo que se chama de amor à primeira vista. Tanto eu, como Luciano, meu irmão dois anos mais velho, adoramos o cara. Ele também gostou muito da gente. Tanto é que logo fizemos amizade e começamos a sair juntos. Meu pai criticava. Dizia não entender como ele andava com dois moleques recém saídos do cueiro. Juvenal retrucava: -Seu Carôso, seus meninos são mais maduros do que o Sr. pensa! E assim começamos nossa amizade eterna que até hoje se estende, vinte e sete anos depois.

Lembro que dentre as muitas viagens que fizemos juntos, numa delas pra Lençóis na Chapada Diamantina, casualmente encontramos lá uma colega minha de escola. Logo percebi que minha amiga se engraçou por Billy. Ele não acreditou. À noite, numa seresta, eles dançaram muito e Billy foi levá-la pro hotel. Na volta comentou comigo: - Velho Diu, acho que sua amiga tá a fim de ver a coisa preta! O próprio negão, vinha com seu comentário racista.

Ainda em Santo Amaro, chegou pra trabalhar na Receita uma menina de Salvador, Mirian. Ela observava as brincadeiras imbecis que eu Luciano fazíamos com Billy. Tipo coisa de: - A culpa é da princesa Isabel, não fosse por ela você tava na senzala tomando chibatada! Billy ria feito uma criança, mas Mirian ficava indignada, e com razão. Sempre falava pra ele: - Esses meninos são racistas, não gostam de você, não sei como anda com eles! Ao mesmo tempo, ela tinha razão e estava enganada. Tinha razão quando nos detestava, estava enganada quando pensava que não gostávamos dele. Billy só contemporizava: -Mirian, os meninos são legais, é tudo brincadeira. -Brincadeira o quê Billy, não vê que no fundo é o que eles pensam! A verdade é que Mirian passou incólume pelas nossas vidas e somos amigos fraternos até então. Pra uma coisa Mirian foi preponderante. Até hoje, quando fazemos uma dessas brincadeiras com ele, Billy logo retruca: - Eu lhe entrego a Mirian!

O cara é uma figura. Hoje casado, com dois filhos adultos, Vinícius e Dirley, e sua esposa Vera, fazem parte da minha família. Sinto o maior orgulho de saber que meu pai, em tempos que o concurso público não era exigência imprescindível, foi o responsável pela sua efetivação na Receita, saindo da empresa terceirizada em que era contratado. Lá ele fez carreira e chegou ao topo. Hoje aposentado por motivos de saúde, vive bem e curte a vida como ninguém. Mora em Paulo Afonso, uma cidade maravilhosa, cheia de belezas naturais e não vejo a hora de visitá-lo.

Outro dia, faz uns dois meses, em plena terça-feira, cansado de um dia estafante de trabalho, estava em casa de pijama, afinal eram dez horas da noite. Tocou o interfone. Como o mesmo está quebrado, embora toque não faz a intercomunicação, abri a porta para ver quem era. Não deu pra reconhecer. Afinal, naquela escuridão, um negão daqueles não se sobressai. Só o reconheci quando ouvi: - Velho Diu, vá matar o cão! O prazer foi imensurável. Como amo este negão!

Veja AQUI as fotos dessa viagem maravilhosa!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

RENASCENDO DAS SOMBRAS

Estou perdido em devaneios
Cá do alto dos meus
Quase quarenta anos
Louco de anseios
Cheio de planos
Vou em busca da vida
Que deixei escorrer pelos dedos

Estou mais uma vez
Retomando meu mundo
Do zero
Tudo que sonho
Tudo que quero
Encontrar a chama perdida
Derrubar de uma vez os meus medos

Estou vivendo um novo amor
Estou em busca de um novo emprego
Não tenho mais a infância querida

Mas, ao amar novamente
É como se eu fosse a semente
Brotando pro mundo
Uma nova vida

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

COMO SE FOSSE PERFEITO.....


Meu amigo Leandro, na sua infinita bondade, me presenteou com este lindo selo do Blog Perfeito. Quem me dera Leo. Fico muito feliz e, seguindo sua orientação, faço este post e repasso para mais cinco blogs muito bons. Vocês que o estão recebendo agora, favor cumprir estas duas regrinhas básicas: postar e repassar como faço agora para:

Ana
Everton
Jacinta
Mary
Regina

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A PRIMEIRA PROFESSORA A GENTE NUNCA ESQUECE!

Qual o menino que nunca se apaixonou por uma professora? Que nunca teve sonhos com a tia do pré, desejos proibidos no banheiro pela pró do primário ou sonhos eróticos com a gostosa de Geografia do colegial? Eu. Talvez porque, assim como as empregadas lá de casa(é comum ouvirmos casos de meninos que comeram as empregadas das suas casas) nunca, pelo menos nesta fase, tinha tido uma professora que me despertasse atenção. Admiração sim, e muita, mas paixão nunca.

Quando isto veio acontecer pela primeira vez, eu já era um adulto, no alto dos meus 36 anos, e fazia um curso de culinária no Senac. Cândida, a professora de ética profissional que me despertava desejos nada éticos, mas, como o curso era de culinária, deliciosos sem dúvida. Resultado, voltei a ser criança. Assistia àquelas aulas babando. Quando ela ía de saia então, ficava louco e não conseguia fixar uma linha das explicações mas decorei todas as curvas daquelas pernas maravilhosas. Tinha também umas calças apertadíssimas sem cós que, quando, ela baixinha que era, se espichava para escrever na parte mais alta do quadro, revelava uma minúscula tira das suas belas calcinhas. A vermelha era a minha preferida mas a preta também tinha o seu lugar, e que lugar! Como vocês podem ver, virei o adolescente apaixonado pela professora, tarado seria o termo mais apropriado. Sem desmerecer a beleza, sensualidade e simpatia de Cândida, talvez fosse mesmo pela extrema carência que me abatia naquela época.

Mas, este mundo dá voltas e, na vida, sempre tem a primeira vez. Voltarei no tempo, para o Leobino Cardoso Ribeiro, em Serrinha-Ba, onde estudei o 2º, 3º e o 4º ano do primário, em 76, 77 e 78 respectivamente. Minha professora era Pró Noélia. Uma senhora séria porém muito amável, de quem guardo boas recordações mas passou longe de me despertar algo parecido com paixão.

Morei quatro anos naquela cidade, minha irmã se casou com um cara de lá, separou, casou com outro de uma cidade vizinha e trabalha lá até hoje. Meu pai, depois de passar longos anos em Santo Amaro, depois de aposentado voltou pra lá, mas mesmo assim eu tinha tudo para me afastar de Serrinha e jamais voltar a por os pés naquele rincão. Isto só não aconteceu por um motivo básico. A família e os amigos que lá fiz, com quem mantenho até hoje laços de amizade fraterna. Como nunca dou as costas à um amigo e à família, acabei por não dar as costas à cidade embora já tivesse tido muita vontade de fazê-lo. Aí o destino se encarrega de mostrar o porque das coisas acontecerem nas nossas vidas.

Em outubro do ano passado conheci Laércia. Professora do Leobino Cardoso Ribeiro. Pró Lai, como é carinhosamente chamada pelos alunos, cruzou o meu caminho para mudar minha vida e ser a minha primeira professora. Não, não me matriculei, não voltei a estudar ainda. Mas a primeira com quem pude realizar os sonhos reprimidos e me apaixonar de verdade. Neste ano letivo da relação, estou aprendendo muito, aluno aplicado que sou, e espero passar sem provas finais ou recuperação. Tenho me esforçado muito pra isso. Quero ser o primeiro aluno da classe, o CDF, o que senta na primeira fila e aquele que desperta a admiração da Pró. Porque assim como o sutiã e a geladeira, a primeira professora a gente nunca esquece. Como esquecer de LAI?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

QUATRO COISAS SOBRE MIM

Minha amiga Ana enviou-me este meme onde devo relatar coisas sobre mim que vocês saibam ou não. Como não sou de fugir aos desafios lá vão elas:

- QUATRO TRABALHOS QUE TIVE EM MINHA VIDA.

1. Iniciei minha vida profissional aos 15 anos fazendo imposto de renda para uma família de fazendeiros milionários do interior da Bahia.
2. Aos 20 anos iniciei uma curta carreira de professor de matemática do segundo grau, nível médio, até meus 25 anos.
3. Depois trabalhei como produtor e gerente financeiro ajudando a lançar bandas como Timbalada, Banda Eva(Ivete Sangalo), Araketu dentre outras.
4. Hoje sou gerente financeiro de uma rede de farmácias de Salvador. Estou me preparando para dar uma guinada na minha vida e mudar de ramo.

- QUATRO LUGARES EM QUE VIVI

Foram muitos, Vou enumerar os quatro mais marcantes por ordem decrescente de importância na minha vida

1. Santo Amaro da Purificação-Ba
2. Salvador-Ba(onde vivo hoje)
3. Serrinha-Ba
4. Juazeiro-Ba

- QUATRO PROGRAMAS DE TV QUE ASSISTIA QUANDO CRIANÇA.


1.Vila Sésamo
2. O desenho animado Speed Racer
3. O Túnel do Tempo
4. Perdidos no Espaço

- QUATRO PROGRAMAS DE TV QUE ASSISTO

1. Sou um noveleiro inveterado. Se me prender assisto do início ao fim.
2. Telejornais em geral
3. Programa do Jô(Tá cada dia pior)
4. A Grande Família

- QUATRO LUGARES EM QUE ESTIVE E VOLTARIA.

1. Lençóis-Ba na Chapada Diamantina
2. Porto Alegre-Rs
3. Cataratas do Iguacú
4. Campos do Jordão-Sp

- FORMAS DIFERENTES QUE ME CHAMAM.

1. Velho Dil(A mais comum)
2. Dico(Esquecida na infância)
3. Didico(Esquecida na infância)
4. Aline. É isto mesmo. Aline. E ainda para completar tem sub-título e tudo. A Muriçoca de Biquini.

- QUATRO PESSOAS QUE TE MANDAM CORREIOS QUASE TODOS OS DIAS.

1. Paulo Valentino
2. Raymundo Salles Brasil
3. Maurício
4. Todos os dias só os três acima.

- QUATRO COMIDAS FAVORITAS.

Por ordem de preferência

1. Comida Italiana
2. Comida baiana
3. Maniçoba
4. Comida chinesa

- QUATRO LUGARES EM QUE DESEJARIA ESTAR AGORA.

1. Em Belém-Pa ao lado da minha filha Júlia, meu maior tesouro, meu maior amor.
2. Em Porto Alegre. Sempre ao lado dos meus queridos amigos.
3. Na Chapada Diamantina
4. Em Serrinha nos braços da minha namorada para onde estou indo daqui a pouco.

- QUATRO AMIGOS QUE CREIO QUE ME RESPONDERÃO.

1. Éverton Vidal
2. Leandro
3. Lorena
4. Jacinta

Assim vocês conhecem um pouco mais sobre mim. Façam suas listas.

Beijos!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ILHA DO PIRATA - O FIM DA HISTÓRIA - VII

Os anos que trabalhei com Ray foram maravilhosos, uma grande experiência na minha vida. Trago no coração uma saudade boa daqueles dias de tensão, de noites viradas, muito cálculos, muita alegria, muita arte e sempre, nunca foi diferente, no final tudo dava certo. Eu, que nunca fui artista, sentia uma enorme satisfação ao ver o reconhecimento do cliente. Fico imaginando como Ray deve sentir-se nestes momentos.

Depois do cenário da Fonte Nova, Ray começou a retomar a antiga amizade com João Teixeira. Como já falei antes, gostei de cara de João. Admiro o seu jeito verdadeiro, desses que dizem na tampa o que pensam, sem meias palavras ou dissimulações. Sem contar seu alto astral e seu caráter irrepreensível. Ele também é um grande artista embora tenham estilos completamente diferentes de criar. Ray é do computador. Uma fera na manipulação do 3D Stúdio, Corel Draw e Photoshop, softwares cujos recursos eu duvidaria existir não tivesse sido testemunha ocular de suas proezas. Já João é da ilustração, do desenho manual. Cada um a sua maneira, ambos de grande talento. O ponto em comum está na capacidade de executar na prática o que criam no papel. Foi então natural que surgisse ali, uma parceria para futuros trabalhos. João tinha em Ray uma espécie de ídolo. Um dia nos confessou que foi o exemplo de Ray que lhe mostrou ser possível viver da própria arte.

Trio Elétrico de Ivete Sangalo - Carnaval 2003
O primeiro trabalho que fizeram juntos quase entra no livro dos recordes. A maior fita do Bonfim do mundo. Tinha 300m de comprimento e circulava todo o perímetro de um mega hotel no complexo de Costa do Sauípe, no litoral norte da Bahia. Até hoje eles fazem vários cenários para este Hotel, um antigo cliente de João. Decorações para natal, reveillon e outras festas.

O último trabalho que participei antes de sair foi uma parceria dos dois e também um dos mais bonitos. A decoração de São João da cidade de São Gonçalo dos Campos. São Gonçalo é uma cidade pequena, mas com um grande potencial, uma indústria tabagista com duas fábricas de charutos, onde são fabricados os melhores charutos brasileiros, e um grande frigorífico especializado no abate de frangos.

Foram vários os pontos que tiveram interferência cenográfica. Dois portais nas entradas da cidade, decoração do palco principal onde aconteceriam os shows, uma feira de artesanato com barraquinhas típicas de festas juninas e para mim, os dois elementos mais bonitos de toda a decoração. A Casa do Fumo e a Casa da Farinha. Cada uma montada numa praça diferente. Ficaram exuberantes. Era difícil acreditar que o forno da casa de farinha fosse cenário. Parecia real de tão perfeito.

Cenário do Programa Bahia 50 Graus da TV Record. Transmitido Ao Vivo de Salvador em Janeiro 2003


Foi também um trabalho que envolveu uma equipe muito grande. Mas uma vez a JC e Carlinhos estavam presentes. Como São Gonçalo fica perto de Amélia Rodrigues, cidade onde João tem um sítio maravilhoso e um atelier bem equipado, e perto também de Feira de Santana onde o comércio é excelente, fizemos nossa base em Amélia. Tivemos alguns contratempos. Chuvas torrenciais quase levam água abaixo algumas peças já prontas e atrasos consideráveis nas parcelas a receber. Houve momento que chegamos a pensar em largar tudo e parar o serviço no meio. Temíamos muito pela parcela final, de onde ainda muito se tinha a pagar tanto a fornecedores como aos operários e de onde o lucro do trabalho saíria. Resolvemos arriscar. A cidade ficou linda, e, embora a última parcela tenha demorado um pouco de sair, quando recebida cobriu todas as despesas pendentes, bem como financiou uma grande farra de comemoração.

Ray Vianna é para mim mais que um amigo ou um compadre, antes de tudo é um grande irmão. Uma pessoa cuja amizade pretendo preservar para sempre. Além do mais, ele tem em mim um de seus mais fervorosos fãs. Obrigado Ray!

Decoração do Pelourinho para o Carnaval 2007. Criação e execução de Ray Vianna, João Teixeira e Euro Pires





quarta-feira, 10 de setembro de 2008

MEME MUSICAL

Faz que tempo que Lorena me pediu pra responder esse meme. Como tenho lido poucos blogs ultimamente e escrito pouco também, só hoje, depois de uma visita no Re-Novidade, descobri isto. Não posso deixar de atender ao pedido de um ídolo.

Ele consiste no seguinte:

1. Enumere 7 canções que você ouve sempre, que estão no seu mp3, mp4, Ipod e afins, que você cantarola pela rua. Enfim, suas músicas de cabeceira.
2. Repasse a missão para sete pessoas especiais. (Dica: escolha alguém de quem você deseje conhecer o gosto musical ou que você já conheça e saiba que a vale a pena).

Difícil, muito difícil. Sete é um número muito pequeno além de ser conta de mentiroso. A música pra mim depende da época. Tem tempo que ouço um determinado artista à exaustão e depois o deixo um pouco de lado. Vou então enumerar as sete músicas que estou ouvindo mais nos últimos dias.

1.Boa Sorte
(Luiz Guedes/Thomas Roth/Márcio Borges)
Beto Guedes

2. Se Eu Quiser Falar Com Deus
(Gilberto Gil)
Gilberto Gil

3.Samba Pro Porto
(Luciano Carôso/Márcio Valverde/Carlos Colavolpe)
Claudia Cunha

4.Outros Sonhos
(Chico Buarque)
Chico Buarque

5.Clube da Esquina Nº 1
(Milton Nascimento/Lô Borges/Márcio Borges)
Milton Nascimento

6.Dama do Cassino
(Caetano Veloso)
Jussara Silveira


7. O Filho Que Eu Quero Ter
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
Toquinho

Vou repassar este desafio para sete pessoas que eu gostaria muito de conhecer melhor o gosto musical.

Jacinta
Mary
Nanda Nascimento
Cakcau Loureiro
Leandro
Carol
Mundo Azul

Espero por vocês. Beijos!

P.S. Bem que eu falei que sete era um número pequeno. Recebi um comentário de uma amiga especial "reclamando" sua presença mais do que justa aqui. Vamos então subverter as normas do meme e incluí-la. Venha também Regina, será um prazer!

Regina Coeli






segunda-feira, 8 de setembro de 2008

ILHA DO PIRATA – Fonte Nova Sem Futebol – VI

Publicado em 03 de maio de 2007 no marcador textos


A capa do DVD MTV AO VIVO 10 ANOS de Ivete Sangalo
A inauguração da Ilha foi um sucesso. As pessoas ficavam encantadas com a nova decoração, faziam questão de comentar e parabenizar Ray pelo resultado. No dia seguinte ele deu entrevista numa rádio local falando sobre a ilha e o seu trabalho. Foi convidado a visitar outras casas de shows que pretendiam investir na decoração. Ficamos mais dois dias em Porto Seguro. Não houve novos serviços por lá, exceto um ano depois quando voltamos para desmontagem do cenário, mas saímos com o doce sabor de dever cumprido. Sinto até hoje, um grande orgulho de ter participado daquele trabalho.

Na volta a Salvador, tivemos a primeira reunião com a produção de Ivete Sangalo e a única, pelo menos que eu tenha participado, com a presença dela. Foi na casa de Cíntia, a sua irmã. Ivete, que eu já conhecia pessoalmente da Perto da Selva, embora ela óbvio não lembrasse de mim, sempre a mesma pessoa que costumamos ver na televisão. Extrovertida, brincalhona, verdadeira, boca porca, fala um palavrão atrás do outro, e muito objetiva. Passou o briefing do projeto, ou seja, as instruções do que ela pensava sobre a cara do cenário. Lembro que ela foi taxativa: - Não sei como você vai fazer, mas quero um globo de boate. Globo este que Ray genialmente idealizou ser retrátil. Num determinado momento do show ele descia e virava a tela de projeção. Puta dor de cabeça este globo nos deu. Contratamos um engenheiro para calcular detalhadamente todos os elementos do mecanismo. Desde a potência do motor ao tamanho de cada peça. Nas vésperas do show, durante os primeiros ensaios, o primeiro problema. Ivete não ficou satisfeita com o globo, falou pra Ray: - Cara você me prometeu uma viagem pro Caribe e me levou pra Fernando de Noronha. De fuder, mas não é um globo de boate. O pior é que ela tinha razão. Pensando em não aumentar demais o peso da peça, Ray projetou o globo com um forro de lona e pedaços de acrílico espelhado colados. Tanto o formato, assim como a quantidade de espelhos, não deram o efeito desejado. Tanto é que tivemos de fazer depois a semi-bola de fibra de vidro e concentrar muito mais os pedaços de espelho. Aí Ivete foi ao delírio. Na madrugada que antecedeu ao show, durante os testes finais, o motor do globo queimou. Saímos com o dia quase amanhecendo do Parque de Exposições e, já às 7hs da manhã, estávamos reunidos na porta de Jorginho Estrela, que colou com a gente depois da ilha até o final do verão, decidindo as providências que resolveriam o problema. Entre globos e motores salvaram-se todos, foi um sucesso total.

Depois do cenário de Festa, Ray passou a fazer diversos trabalhos para Ivete, incluindo vários trios elétricos e o cenário da maior produção que já participei na vida, o show de Ivete na Fonte Nova para a gravação do seu primeiro DVD. Torcedor fanático do Bahia, freqüentador assíduo daquele estádio, sempre sonhei um dia visitar suas dependências. Nem imaginava que iria passar uma semana inteira quase morando lá dentro.

Engraçado que o show foi em 21 de dezembro de 2003 e, por causa do campeonato brasileiro, a Fonte Nova só foi liberada dia 15, segunda-feira, já que o Bahia daria seu último vexame do ano dia 14 ao perder de 7 X 0 para o Cruzeiro e ser rebaixado para a segunda divisão. Não me lembro exatamente porque, mas eu não fui ao estádio naquela segunda. Graças a Deus. Não suportaria ver o que Ray e Paulo Pipoca, ambos torcedores do Vitória, me relataram com todo o prazer. Camisas e bandeiras do meu time rasgadas e queimadas pelas arquibancadas, rádios estilhaçados, enfim, um cenário degradante.

A criação deste cenário específico, não foi de Ray e sim de Mônica Sangalo, outra irmã de Ivete. Na verdade Mônica mostrou a ele algumas ilustrações do que ela pensava, mas para virar um projeto executável, era preciso muitas alterações. A cara ficou a de Mônica, mas o dedo de Ray foi fundamental e acabou mudando completamente alguns elementos. A execução foi totalmente nossa mais uma vez contando com a equipe brilhante da JC sob a batuta do seu infalível maestro Carlinhos, sem contar boa parte da nossa equipe de Porto Seguro.

Neste cenário, dois grandes problemas poderiam ter atrapalhado o brilho da festa e posto abaixo o excelente trabalho de Ray, não fosse à agilidade e talento do nosso amigo Paulo Pipoca. Primeiro o elevador. Ivete entrava no palco de baixo, através de um elevador criado por Ray. Um grande círculo à frente, no centro do palco que tinha um formato de meia lua. Era suspenso por um desses carrinhos andaimes que comumente vimos em grandes atacados. Na sua base, dois semi-círculos de vidro bem grosso permitiriam a passagem de luz por baixo. Horas antes de começar o show, um dos vidros não suportou o calor dos holofotes e partiu. Com muita rapidez, Paulo colocou uma emenda de madeira que tapou o buraco, mas deixou um pequeno batente. Embora Ivete tivesse avisada, passamos o show inteiro apreensivos com medo que ela tropeçasse. Mais uma vez, Deus não permitiu o pior. Hoje, assistindo ao DVD, com os olhos clínicos de quem teve lá, em cada minuto daquela montagem, dá pra notar o pequeno armengue* que aquilo ficou, mas que salvou nossa pele.



Como se não bastasse o elevador, todos os pontos de força do palco eram de 220v. Porém os canhões que soltariam durante o show, a chuva de papel picado brilhante, eram 110v. Tivemos o cuidado de deixar um ponto com esta voltagem para ligar tais máquinas que já estavam inclusive testadas. Acontece que, enquanto nós almoçávamos, algum infeliz, simplesmente cortou nossos pontos 110v e desligou as máquinas. Mais uma vez Paulo, minutos antes do show começar, numa rapidez assustadora, arranjou fio e, sabe Deus de onde, puxou um ponto novo religando os canhões. Ainda bem. Foi justamente desta chuva de papel brilhante, que nasceu a foto da capa do DVD.
*Armengue: Expressão típica da Bahia que significa coisa mal feita ou sem acabamento.

domingo, 7 de setembro de 2008

SAMBA NUNCA É DEMAIS

Carlos Colavolpe, Márcio Valverde e Luciano Carôso

"Acredite sinhá moça,
Não duvide meu rapaz,
Samba nunca é de menos,
Samba nunca é demais..."
Luciano Carôso/Márcio Valverde/Carlos Colavolpe

Para os amantes do samba, da boa música e da poesia, tenho o orgulho de apresentar um trabalho quentinho, saindo do forno, realizado por três talentos maravilhosos da música popular brasileira: meu irmão Luciano Carôso e os meus amigos fraternos Márcio Valverde e Carlos Colavolpe. O cd "Samba Nunca é Demais". Uma pérola! Clique no link abaixo para ouvir o CD. Bom samba para todos vocês até porquê, samba nunca é demais.

OUÇA

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

ILHA DO PIRATA – Quando Aparece Ivete Sangalo – V

Publicado em 27 de abril de 2007 no marcador Textos

O Show Festa de Ivete Sangalo - Parque de Exposições Salvador-Ba, 22 de Dezembro de 2001.

Não que João tenha feito algo pra me separar de Ray, é bom esclarecer bem este fato. É que suas idéias e um pequeno incidente num trabalho que fizemos juntos, com certeza ajudaram meu compadre a tomar a decisão de acabar nossa parceria.

João que também é artista plástico, chamou Ray pra dividir um trabalho que ele estava prestes a pegar, a decoração da cidade de São Gonçalo dos Campos-Ba, para o São João de 2005. Não foi o primeiro que fizeram juntos depois que eu estava com Ray, mas foi o último já que saí logo depois. Hoje eles continuam com esta parceria em alguns trabalhos que, de tanto talento, só pode ir muito longe. Na primeira vez, chamei João e expliquei a ele como era meu acordo com Ray, que era comissionado mas que tal comissão estava embutida no preço de cada serviço e que, cada desconto cedido pro cliente, automaticamente significava um desconto na minha remuneração. Ele aceitou prontamente e sequer cogitou a possibilidade de me propor algo diferente. Naquele São João, executamos o serviço em Amélia Rodrigues, cidade mais próxima de São Gonçalo onde João tem um sítio e mantém um atelier, bem perto de Feira de Santana, que tem um comércio muito bom sendo às vezes até melhor e mais barato que o de Salvador.

Passamos semanas no sítio de João e tivemos sérios problemas com o contratante que estava dando trabalho para pagar as parcelas acordadas no contrato. Isto deixou-nos com os nervos a flor da pele e numa noite, durante um balanço financeiro, João disse achar que na comissão, eu estava ganhando demais. Pensava ele que eu, assim como todos os outros deveria ter um cachê específico previamente acordado. Ray concordou e falou que precisávamos revisar nosso acerto. Imediatamente fui contra. Não achava justo ele concordar , e não acho até hoje. Sei da importância da minha colaboração e para mim aquilo era uma desvalorização ao meu trabalho que jamais poderia aceitar. Os tons até se alteraram um pouco mas logo contornamos a situação. A verdade é que naquela mesa, meu destino profissional começou a mudar. Concluído aquele trabalho, um mês depois Ray dissolveu a nossa parceria, mas nunca a nossa amizade.

Sei que este não era o momento, mas já que João entrou na história, resolvi completar a informação. Voltemos pra Porto Seguro de onde não deveríamos ter saído.

Enquanto a equipe trabalhava sem descanso em Salvador, voltei sozinho a Porto para tomar umas providências necessárias a nossa chegada com a equipe e o material. Alugar uma casa para hospedar a galera, contratar secretária para fazer café da manhã, janta e lavar a roupa do pessoal, combinar com a equipe da ilha como seria a montagem e permanência do material por lá, contratar um barco para o nosso deslocamento diário pra ilha bem como o transporte do material e equipamentos, acertar o fornecimento de almoço durante a montagem, pesquisar o comércio local e essas coisas de produção. Tudo resolvido voltei para Salvador me reintegrando à turma até estar tudo pronto para o embarque final.

Eu, Carlinhos e Renato fomos de carro, se não me falha a memória em 20 de setembro de 2001. Saímos cedo e entramos em Porto Seguro às 21hs. Ray foi de avião dois dias depois pois estava entregando um cenário para televisão que acabara de concluir, Paulo foi conversando sem parar durante toda a viagem com o motorista, na boléia do caminhão que levou as peças e equipamemtos e o resto do grupo de ônibus. No dia seguinte à nossa chegada, os meninos e o caminhão desembarcaram e imediatamente arregaçamos as mangas e botamos a mão na massa.

Durante os trinta e três dias que duraram a montagem, eu e a equipe íamos cedinho pra ilha. Estacionava meu carro no cais e ía de barco com a turma. Quando precisava de qualquer coisa, pegava a lanchinha que era de propriedade da ilha e ía pra cidade comprar. Quando o almoço chegava também atravessava o mar para ir buscar no continente. De tanto que rodei lá dentro, acabei conhecendo a cidade melhor do que muito morador. Costumava até brincar que já poderia ser motorista de taxi por lá. Só não conheci praia e pontos turísticos, mas o centro, a periferia e todo o comércio, virei de cabeça pra baixo.

Aqui abro um parêntese para falar da Ilha. Que lugar maravilhoso. Uma ilha temática, cheia de aquários imensos, com peixes de diversas espécies, tubarões, arraias e tantos outros. Na verdade, uma multi-casa de shows. Lá tinha festas todas as terças e eu, como bom noctívago, não perdi uma sequer. Lá existem vários ambientes. Um espaço para forró, outro para MPB, o meu preferido, uma boate, bares, restaurantes, lojinhas de souvenirs e um palco central para grandes shows. A noite, quando iluminada, principalmente os aquários, ficava deslumbrante. Nos dias de show a ilha enchia de turistas que muitas vezes se excediam. Era comum na manhã seguinte, encontrarmos camisinhas usadas e pontas de cigarro de maconha pela chão. Nunca vi tantas mulheres bonitas reunidas num mesmo lugar como naquelas noites de terça.

Faltando umas duas semanas para inauguração, eu estava junto de Ray quando o celular dele tocou. Vi que ele estava explicando para o interlocutor estar ocupado no momento por causa do trabalho em Porto Seguro mas assim que voltasse a Salvador manteria contato para falar sobre o assunto. Era Cíntia Sangalo, irmã de Ivete que queria contratá-lo para criar e executar o cenário do show de lançamento do seu próximo cd, FESTA.


O cenário de Festa antes do show.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ILHA DO PIRATA – Conhecendo Porto Seguro – IV

Publicado em 24 de abril de 2007 no marcador Textos

O Portal de Entrada da Ilha

Quando eu morei em Belmonte, no sul da Bahia, ainda com 02 anos de idade, tive em Porto Seguro pela primeira, e até 2001, a única vez da minha vida. Não guardo lembranças desta viagem, apenas a visão de um mar cheio de recifes em barreias que dava a impressão de haver um muro natural separando a costa do mar. Até hoje não sei que praia é aquela. Mesmo nos mais de quarenta dias que passei por lá no início deste século, não consegui reconhecê-la. Embora longos dias na cidade turística, isto somando as quatro vezes que lá estive naquele ano e no ano seguinte, muito poucos passeios ou quase nenhum, pude fazer. Era trabalho de domingo a domingo, exceto pelas noites boêmias com Renato Vianna irmão de Ray, quase nenhuma diversão. Estou sendo muito injusto já que aquele trabalho foi uma verdadeira diversão. Duro sem dúvida, mas divertido.

Em Setembro de 2000, a Perto da Selva dava claros sinais de declínio e eu vinha muito insatisfeito com as condições de trabalho na época. Foi aí que Ray, saindo de uma experiência frustrada com a empresa Pauppuro Design e Arte e com a vida financeira virada de cabeça pra baixo, me pediu socorro. Ele havia dissolvido a sociedade que tinha na Pauppuro, aberto uma nova empresa, mas as dívidas e a total falta de talento para administração das finanças, estavam emperrando sua vida. De início foi coisa de amigo. Trabalhava o dia inteiro na Perto da Selva e ia à noite pro seu escritório e atelier no bairro da Boca do Rio. Equacionei a separação do antigo sócio que até então andava travada por falta de entendimento, renegociei as dívidas com o banco e fornecedores e ajudei no planejamento de sua nova etapa de vida. Não havia convite para que eu ficasse efetivo.

Acontece que o destino nos reserva várias surpresas. Já em novembro, quando eu tinha acabado de voltar dos meus únicos quinze dias de férias gozadas após cincos anos na Perto, a uma linha da explosão pela insatisfação total em que vivia, tive, em pleno expediente, uma briga séria com Edmundo, meu irmão e um dos três sócios da empresa. Nervos arrefecidos pela sensata interferência de Carlinhos Amaral, o gerente de lá. Aquele episódio foi preponderante numa decisão que tomei ali no mais inapropriado momento, o do descontrole emocional. Não fosse por Carlinhos tinha mandado Edmundo e Perto da Selva tomar naquele lugar ali mesmo. No entanto, mesmo com a interferência apaziguadora e dos diversos conselhos do experiente Carlinhos, não desisti de tal decisão. Edmundo não sabe, mas suas palavras naquele dia, foram à gota d´água. Era um momento difícil, Júlia acabara de completar um ano, eu não tinha nenhuma reserva monetária, meu casamento começando a desmoronar e nenhuma outra perspectiva de emprego.


O Pirata da Montila










Cenário Para Fotografias
Réplica em tamanho natural de um ser humano, do símbolo do Run Montila.

Foi assim que fiz minha proposta a Ray. Sabia que ele não poderia pagar nem metade do que eu ganhava, mas apostava muito no seu trabalho. Antes de pedir a demissão, conversei com ele. As bases eram as seguintes. Ele me pagaria um valor fixo que equivalia na época a menos de um terço do que ganhava e um percentual sobre o bruto dos trabalhos fechados dali por diante. Embutiríamos esta comissão no orçamento de cada serviço. Era aí que eu apostava. Sabia que em alguns serviços, poderia tirar um pouco do atrasado e, na média, equivaler aos meus proventos anteriores. Acertamos tudo, com a promessa de em dois anos, havendo melhora no desempenho da Ray Vianna Design e Arte, o nome fantasia da nova empresa, repensaríamos as bases no sentido de haver aumento no meu fixo e no percentual da comissão. Consegui que a Perto da Selva me demitisse e, com isso, recebi a minha indenização podendo também retirar meu FGTS. Não durou muito tempo esta grana, os primeiros meses com Ray foram muito difíceis.


Sinalização - Placa com o mapa completo do lugar, ao estilo dos mapas piratas.

Foi quando, por volta do meio do ano de 2001, apareceu a proposta que dá título a esta série de textos, Ilha do Pirata, por intermédio de um produtor baiano, Rodrigo Palhares, que conhecemos na época da Timbalada, estabelecido em São Paulo. Ele tinha contrato com a Seagram´s do Brasil, fabricante do Run Montila, para ambientar uma ilha em Porto Seguro, a Capitania dos Peixes, com o merchandising da bebida. A ilha passaria a se chamar Porto Montila, A Ilha do Pirata. Foram intermináveis minutos de conversas telefônicas até chegarmos a um consenso no valor do projeto. Neste meio tempo, fizemos a primeira viagem ao local. Eu Ray e Renato. Fotografamos a ilha inteira, imensa por sinal, tiramos medidas, fizemos as locações de peças que já haviam sido previamente solicitadas mesmo antes do projeto chegar ao papel. Ainda sem nada fechado, no meio das negociações, Ray mergulhou no mundo dos filmes e livros piratas. Este foi inclusive um projeto feito no sentido contrário. O projeto foi apresentado sem a definição de valor pelas partes, junto com o respectivo orçamento. Tira peça daqui, altera material dali até chegar a um número aprovado pela Seagram´s.

O Bar do Pirata - Um dos Ambientes da Ilha.

Recebida a primeira parcela, começou o trabalho de execução. Vale ressaltar que, além da parte administrativa dos negócios, eu também fazia o papel de produtor executivo. A empresa tinha um grande cast de funcionários, eu e Paulo Pipoca. Este uma figura incrível. Um cara espirituoso, com múltiplos talentos. Carpintaria, marcenaria, fibra de vidro, pintura, cozinha dentre tantos outros. Quando quer, sabe ser o cara mais chato do mundo. Nunca para de falar, mas estou pra ver a pessoa que não goste dele. É o que se chama de pau para toda a obra, um animal para trabalhar. Ray já tinha pré-montada uma equipe de primeira que era sempre contratada para os maiores serviços, além de Carlinhos, O Sócio, como o chamo, dono da JC Montagens, figura indispensável, juntamente com sua equipe, nos serviços de Ray. Ao todo entre a equipe de Ray e de Carlinhos, vinte e uma pessoas foram arregimentadas para trabalhar no projeto. Só tínhamos dois meses para execução e montagem já que batemos martelo no início de agosto e a ilha inaugurava em vinte e três de outubro. Só para citar alguns, Jorge Estrela, o chefe da produção, Renato Vianna que, juntamente com Ray, gerenciava a parte artística e de modelagem, um outro Paulo, o Pity Bitoca, que além de multi-funcional, nos fazia dar risada o tempo todo, Juca, Rafael, Nonô, Tararita, Mezenga, Dae, Cid, Mun, Edson, Tico e muitos outros. O trabalho começou na Boca do Rio. Foram dias memoráveis com aquela equipe reunida, totalmente entrosada. Muita risada, almoços maravilhosos preparados por Paulo Pipoca e, às vezes, por mim, várias garrafas de Montila, já que tínhamos de prestigiar o nosso patrocinador, e por aí vai. Muito foi feito lá, até os vizinhos darem queixa na prefeitura reclamando do cheiro de thinner e dos fios de lâminas da fibra de vidro. Era uma área residencial e tivemos que mudar de mala e cuia para o galpão da JC aceitando o convite de Carlinhos. Foi durante estes dias da Boca do Rio que conheci um cara de quem sou admirador e gosto muito até hoje, com quem simpatizei da primeira vez que o vi, mas, falo isto sem nenhuma mágoa, foi um dos fatores responsáveis pela minha separação profissional de Ray. João Teixeira.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

MAIS UM PRESENTE - Corrigindo uma injustiça

Minha querida amiga Ana Casanova do blog Anavision, me presenteou com mais este mimo o Prêmio Dardos. Ele tem um significado especial e, se aceito, deve-se linkar a pessoa que o presenteou e oferecê-lo a mais quinze pessoas que na sua maneira de ver o mereçam. Quanto ao link, este já existe aqui há muito tempo. Afinal o Anavision é um dos meus blogs favoritos. O significado: "Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstra sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras...".

Vou então oferecê-lo aos seguintes blogueiros que acredito estarem à altura de tais requisitos:

Jacinta Dantas
Regina Coeli
Denis Barbosa Cacique
Lorena
Mary
Tata
Nuvem
L. Neres
Danilo Moreira
Cackau Loureiro
Mundo Azul
Nanda Nascimento
Carol Barcelos
Éverton Vidal
Camila Tebet

Eu o daria à muitas outras pessoas. Desculpem aqueles que foram injustiçados mas eram apenas quinze. Por falar em injustiça, quero aproveitar para corrigir uma. Há algum tempo, ganhei o selo "Este blog é escrito com amor". Injustamente não o repassei para Ana, justo ela que coloca o mais profundo amor em suas palavras. Desculpa amiga. Nunca é tarde para corrigir nossos erros não é mesmo? Para você Ana Casanova.


ILHA DO PIRATA - O Nome de Júlia - III

Publicado em 14 de abril de 2007 no marcador textos




O primeiro CD da Timbalada. Capa de Ray Vianna em parceria com David Glat.


Depois daquela lavagem do Bomfim, a Timabalada alavancava seus hits e o primeiro disco ia muito bem. Agora já era a música “Beija Flor” (Zé Raimundo e Xexéu) que estava estourada nas rádios de todo o Brasil e o disco vendia feito água não tardando a receber o disco de ouro. O trabalho de Ray começava a aparecer pro país embora escondido por trás dos que realmente aparecem numa hora dessas; os que estão à frente do palco. Quase ninguém pega um disco pra o olhar o nome do sujeito que criou a capa. Poucos sabem que a grande identidade da Timbalada, a pintura dos corpos, foi criação dele. Naquele mesmo verão, houve um show histórico em Salvador, um show que emplacou um projeto, um espaço, e uma banda de uma só vez. Estamos falando do Pôr do Sol, da área verde do Hotel Othon Palace que até hoje é um espaço usado para grandes shows e da Timbalada, respectivamente. Nesta noite, sem a menor combinação, sem nenhum convite prévio, a não ser os que Brown fez do palco e de surpresa para os ilustres que estavam na platéia, subiram ao palco juntos nada menos que Caetano Veloso, Gilberto Gil, Léo Gandelman, Nando Reis, Jorge Benjor e Álvaro Pietro do Biquíni Cavadão. Foi um êxtase. Cenário de Ray, mais uma vez driblando os poucos recursos da produção. Teve um impasse durante os ensaios, relativo ao figurino. Já não havia mais grana pra nada, mas Brown e Cícero naturalmente, queriam que a banda se apresentasse de maneira digna. Aí, o saudoso Pintado do Bongô, o mestre de Brown, que Deus o tenha no mais iluminado lugar lá do céu, falou: - Pra mim não precisa figurino. Eu vou nu e Ray me pinta. Tava criada a marca registrada da Timbalada. Na hora do show, de improviso, Ray pintou o peito nu de Pintado com aquelas linhas que jamais saíram do corpo dos Timbaleiros. O próprio Brown pegou carona e pintou os braços e o rosto.

Com o passar dos anos nossa amizade foi se fortalecendo assim como a minha amizade com Guta e Bia, esposa e filha dele. Já estávamos em 97 e eu trabalhava na Perto da Selva. A produtora que estourou o Araketu e Ivete Sangalo, ainda na Banda Eva. Tive o prazer de participar de perto e prestar a minha humilde colaboração para tal. Foi justamente num dos ensaios do Araketu, naquela época ainda no estacionamento do antigo Banco Econômico na Av. Carlos Gomes, que conheci uma pessoa que ia mudar a minha vida para sempre, Cynthia. Para aumentar os meus ganhos, estava juntando dinheiro para comprar um carro já que a dureza da época do desemprego levou o que eu tinha, montei uma barraquinha dentro dos ensaios, com um colega de trabalho, Marcelo Marinho, onde vendia espetinhos de “gato”. Um dia, eu tava na barraca tomando uma roska* de Umbu, para refrescar um pouco o calor da churrasqueira que era escaldante, chegou Cristiane, a recepcionista da Perto da Selva, acompanhada de Cynthia, uma paraense que passava férias em Salvador, pedindo pra que eu guardasse as suas bolsas na barraca. Cynthia perguntou o que eu tomava. Quando eu falei, ela se surpreendeu: - O que é rosca? Quer experimentar? Perguntei. A danada pegou o meu copo e tomou todo de vez. Eu nem sonhava que aquela devoradora de roscas viria a ser a mãe de Júlia, minha linda filha, meu maior tesouro.


Guta, a Copilouca.



Um ano depois, quando Cynthia veio morar em Salvador e começamos a namorar, ela também foi aprofundando laços de amizade com aquela família. Várias vezes saímos juntos, fizemos viagens e farras. Compartilhamos muitos momentos bons, alguns nem tanto. Fomos passar juntos o carnaval de 99 em Olinda, na verdade nos hospedamos em Recife na casa do nosso amigo Josildo Sá, o Jô. Ray que estava preso por compromissos de trabalho em função do carnaval, só poderia ir no sábado e ficou para ir de avião. Eu, Cynthia e Guta fomos na sexta no meu carro que, aquela altura do campeonato, já havia comprado. Esta viagem, por sinal, merece um texto só pra ela, e um dia contarei por aqui. Valeu a Guta um apelido, que ela mesma se colocou, Copilouca.

Foi um carnaval inesquecível, divertido a valer. Conhecemos figuras impagáveis, como o primo de Jô, Mersinho. Brincamos pelas ruas de Olinda em meio àquele fervilhão cultural, aos bonecos, às ladeiras e becos da cidade. Tomamos banho de mar na Boa Viagem, assistimos a um show de Geraldo Azevedo no Recife Antigo, interrompido, pelo menos pra mim, por um mal-estar de Cynthia (entenda-se excesso de cerveja), que tive de levá-la pra casa de taxi, já que deixei meu carro com Ray e Jô e as respectivas Guta e Aninha, esposa de Jô na época. Enfim, uma viagem maravilhosa. Não sei se nesse carnaval, ou se poucos dias depois que voltamos, na quarta de cinzas, mas foi por esse período com certeza, que a Preta, como chamo Júlia, foi encomendada.

Quando Cynthia contou-me que tava grávida eu enlouqueci de felicidade. É verdade que estávamos num momento difícil da relação, prestes a desabar, mas a notícia veio como uma bomba explodir meu coração de alegria. Aí juntamos nossos trapos e resolvemos tentar a vida juntos pra criar nosso rebento. Não deu certo, mas ficou uma amizade verdadeira, leal e uma filha maravilhosa que é hoje a razão da nossa existência. Eu sempre sonhei em ser pai e sempre quis ter uma filha. Imediatamente eu falei: - Vai ser menina! Cynthia achava que era um menino e fizemos uma aposta. Se fosse menina eu daria o nome sem a interferência dela e vice-versa. Só que ela não cumpriu a aposta. Nenhum nome que eu sugeria era do seu agrado e isto já tava virando uma briga até que um dia oferecemos um jantar, preparado por mim é claro, pra Ray, Guta e Bia. Naquela noite a controvérsia do nome voltou à tona. Eu, Ray, Cynthia e Guta dando várias sugestões sem chegarmos a um consenso até que Bia, na época com 10 anos, falou: -Vai se chamar Júlia. Tava aí o nome da Burra Preta.

Bia, nesta foto aos 15 anos. A responsável pelo


nome de Júlia.














*Rosca: Na Bahia, o nome do drink que todo mundo chama de caipirinha, é diferenciado pelo tipo de bebida com que é feito. Caipirinha se feito com cachaça, Caipiríssima se feito com rum e caipirosca se feito com vodca. Normalmente a fruta usada é o limão. O nome rosca, é uma abreviação e o sabor, ou a fruta, é ao gosto do freguês.