sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

FÉRIAS

ME AGUARDEM NO ANO QUE VEM!

DEDICATÓRIA


"Gosto do Pessoa na pessoa,
Da rosa no Rosa", já disse o poeta.
Gosto muito de você
Que dá luz à prosa,
Da sua poesia concreta.

Por isso este mimo impresso,
Que agora humildimente,
Esta dedicatória em versos,
Tentam tocar o seu ser
Como se fosse um presente!

Deicado à Lai

FELIZ 2008!


Mais um ano vai embora. Novo ano se aproxima. Vale pensar nos erros do passado, procurar não repeti-los, pra que venha um futuro melhor. Uma nova vida nos espera. Vamos encará-la com dignidade e respeito.

Sempre procuro fazer o já manjado balanço de final de ano e programar os objetivos pro ano seguinte. É claro que nem tudo dá certo, mas é preciso estabelecer metas e procurar cumpri-las. O homem que não tem objetivos passa pela vida sem vivê-la, apenas passa. As metas são o combustível do nosso progresso e, como nada cai do céu além de chuva, raio e avião, precisamos fazer a nossa parte.

Muitas coisas boas aconteceram em 2007 para mim. A melhor delas foi minha filha ter vindo morar comigo, pena que agora ela está prestes a ir para Belém do Pará morar com a mãe e já estou chorando de saudades. Depois disso, sem dúvida, voltar a escrever foi tudo de bom. Fazer este blog tem sido um imenso prazer, uma terapia. Conhecer este universo e interagir com ele foi e está sendo muito gratificante. Sem contar os talentos que descobri por aqui e olha que não foram poucos.

Pensando em entrar o novo ano de cara nova, mudei também a cara do blog.

Por isso quero agradecer o carinho de todos, os comentários, as contribuições e tudo de bom que vocês têm me dado. Espero corresponder a tanto e cada vez mais ter a presença de vocês.

Desejo de coração um feliz 2008, com muita paz, muita saúde, muito sucesso e realizações. Não sou muito bom para mensagens, nada original, mas o sentimento é verdadeiro e sincero. Quero deixar externado aqui o meu muito obrigado a todos, muitos beijos e um FELIZ ANO NOVO!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

VIAJANDO PELO UNIVERSO DOS BLOGS

Ler blogs está se tornando um vício. Fico impressionado com a quantidade de pessoas anônimas com um puta talento escrevendo nesta rede coisas que nos deixam sem ar, como disse Gabriele Fidalgo. Nesta viagem, tenho descoberto pérolas de imensa beleza e inestimável valor. Diversos estilos e propostas vão me apaixonando e enriquecendo. A medida que me encanto com cada um deles, coloco seu link aqui. Sei que minha turma de leitores é muito pequena, mas não posso deixar de dar a eles a oportunidade de conhecer estas maravilhas. Hoje, viajando pelo Anjobaldio, vi um vídeopoema de Samantha Abreu, uma paranaense de tirar o fôlego pelo talento e sensualidade. Não resisti à tentação de colocá-lo aqui também. Não pedi permissão a ela, espero que não se importe, mas quero brindar quem me lê, com este vinho de safra sem igual que é o poema "As Sombras".

Agora, vou viajar para o feriadão de fim de ano, onde não terei acesso à rede e fico me perguntando como será a síndrome de abstinência. Por segurança, levarei uns livros para qualquer eventualidade.





Poema: "As Sombras"
Autora: Samantha Abreu (http://samanthaabreu.blogspot.com/)
Intérprete: Samantha Abreu (http://mulheressobdescontrole.wordpress.com/)

E eu que já pensei um dia que blog era coisa de quem não tinha o que fazer! Como sou babaca!

PS. Prezada Samantha, se for de sua vontade posso retirar seu vídeo daqui, é so falar. De qualquer forma, muito obrigado!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

ESCLARECENDO

A partir de um comentário da talentosíssima Gabriele Fidalgo, percebi que as pessoas podem pensar que os poemas "Boas Festas" e "Natal da Filha da Marofona", publicados imediatamente anteriores à essa postagem, são meus o que é um equívoco. Na verdade, eles fazem parte do marcador "Poemas de Zé Ribeiro", meu falecido avô paterno. Falo dele no texto intitulado "Zé Ribeiro - É por isso que Tote não presta!"

É importante deixar claro a autoria de tais versos. Temos que dar o devido crédito ao criador. Gabriele, mais uma vez muito obrigado pelo carinho. Um grande abraço!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

BOAS FESTAS!


Boas Festas Amigos,
Boas Festas.

Sendo mais que perfeito no julgar
Na cristandade do seu trono augusto
Nunca deixou ninguém a separar
Todos têm para o mestre
O mesmo custo

Eu também sou cristão,
Mas de falar o que é vero, é real,
Não tenho susto
Pois há separação, irei mostrar
Que o Cristo desta vez
Vem sendo injusto

O preço dos pirões que era de cá
Há muito se fazendo de santinho
Subiu, chegou no céu e ficou lá

Será reza meu Deus dos tubarões?
E o que faz dando apreço a tal precinho,
Quem do templo tangeu os vendilhões,
Que não tange do céu esse mocinho?

Corrija essa injustiça, um Deus não erra
Enxote Jesus Cristo o malandreco
Metendo-lhe o chicote no fucinho
E mande que ele desça para Terra
Não deixe este malandro aí no céu

Boas Festas, estou a recebê-las
Grafadas nos cartões só para ler
Boas Festas Jesus,
Como hei de tê-las,
Enquanto este pilantra não descer?


Feliz Natal amigos. Que 2008 venha cheio de boas novidades para
todos nós!

domingo, 23 de dezembro de 2007

O NATAL DA FILHA DA MARAFONA


Vamos dormir?
E ela diz:
Papai Noé não vai vir?
Mais tarde, vem por aí...
E trás boneca pra mim?
Mão na orelha a meretriz:
Vem trazendo uma daqui!

Para o brinquedo comprar
A mamãe perambulando
Levou a noite a esperar
Quem não estava esperando


No vasto balcão da orgia
Posta para se vender
Viu voltar a luz do dia
Sem ninguém aparecer


Pela manhã, na cozinha
A inquirição de Helenita
Cadê mamãe bonitinha,
Minha boneca bonita?


Ei-la chorosa,
Apertando a filinha contra o seio
Levei a noite esperando
Papai Noel e não veio


Distante dos lamaçais
Quem não nasceu no bordel
Espera pelos natais
O velho Papai Noel
Que é uma ilusão que não cai


Mas Helenita, a rolinha,
Que privilégios não tem?
Não espera por papai,
Espera por mamãezinha
Que a esperar vive também


Pois na sua condição,
Dela mamãe, notem bem!
Esperar é profissão
Dia que chega porém
É doloroso viver
Vendo se aparece
Quem não ficou de aparecer


Para os brindes infantis
O velho Noel reclama
Os sapatos dos guris
Postos embaixo da cama
Durante a noite sagrada


De Helenita,
Esse anjo afeito,
A dormir no mesmo leito
Da mamãe desventurada
Seus sapatinhos eu acho,
Que do serralho no clima
Em vez de postos em baixo
Devem ser postos em cima.


Lá longe dos tremedais
Felizes portanto aqueles
Que venturosos natais
Gozam no clima da fé
Papai Noel é o deles
O dela é papai não é...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

FALSO COGNATO


Uma das poucas coisas que aprendi do inglês é que PUSH significa empurre. Por que será que sempre me atrapalho com as portas?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

SETEMBRO

"Quando entrar Setembro,
E a boa nova andar nos campos...
...A lição sabemos de cor,
Só nos resta aprender."
Sol de Primavera(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)

Era Setembro
As primeiras pétalas surgiam
Traziam cor para os campos
Beleza para os olhos
Mel para os lábios

Era Setembro
Nasciam várias centelhas
Cantos ferozes bramiam
Como se longe buscassem
Ternura nos seus afagos

Era Setembro
Tinha luz nos meus olhos
Rima nas minhas palavras

Rima nas palavras dela
Doce no mar de Abrolhos
O gosto bem me lembro

Era Setembro
E os campos que ora floriam
Enchiam a vida de cor

Era Setembro
As rosas que ora nasciam
Enchiam o campo de amor

Era Setembro...

O PROGRAMA


Acabado o sexo ela vestiu sua roupa e se perguntou o que estaria fazendo ali. Não era por amor, nem por dinheiro. Sentira pena daquele rapaz. Quando ele a abordou, ela deu o preço: R$ 100,00. Ele oferece R$ 20,00. É só o que tenho. Não quero sexo, quero uma companhia, alguém pra conversar. Estou trabalhando, por R$ 20,00 nem um boquete dá pra fazer. Mas eu preciso, me ouve um minuto, eu te imploro. As lágrimas molharam seu bonito rosto. Não sabe porque, mas sentiu uma imensa vontade de fazer algo por ele e entrou no carro. É por pouco tempo. Quase não ganhei nada esta noite. O rapaz ligou a máquina e andou em silêncio por alguns minutos nas avenidas da cidade grande. Talvez dez, vinte minutos, ela não olhou o relógio.

Estacionou numa rua erma, escura. Ela sentiu medo, preferiu não falar nada. Quando começou a falar, foi compulsivo. Falou excessivamente, mas não fez uma queixa sequer. Não falou mal da vida, não se queixou do trabalho, da família, da saúde, apenas falou. Perguntou o estilo de música que ela gostava. Tim Maia. Colocou “Azul da Cor do Mar”. “Ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir, tenho muito pra contar, dizer que aprendi...”. Sabe, quando eu era criança e ouvia esta música, ficava me imaginando recebendo minha professora Adélia no altar. Ela era bonita, cativante. Sonhava muito casar com ela. Fantasias de alunos com professores são comuns. Você já teve alguma? Sim, tinha um professor do ginásio que eu era apaixonada. Alex. Não era bonito, mas me atraía bastante. Coisa de adolescente...

Passaram-se horas. Agora o rapaz não mais parecia sofrido nem triste. Tinha paz no seu semblante. Ela sentia-se bem, sentia-se leve. Gostava daquele papo, esqueceu da calçada e do dinheiro que estava perdendo ou deixando de ganhar. Fazia muito que não era tratada como um ser humano comum, uma pessoa que tem defeitos e qualidades, uma mulher. Ele a convidou para um lanche. Como pode pagar se só tem os R$ 20,00 que vai me dar? Pensou, mas ficou para si. Aceitou o convite. Foram a uma lanchonete 24hs. Ele ofereceu o cardápio e disse que ela escolhesse à vontade. Intrigada, ela se preocupou em pedir algo bem barato, que os R$20,00 dessem pra cobrir. Um hambúrguer por favor. Dois. Ele complementou. Você tem filhos? Tenho um garoto de quatro anos, por isso estou nessa....Sua mão tocou suavemente o seu braço e disse: não precisa falar nada. Não quero saber o porque você faz o que faz. Se faz com dignidade é o que importa. Você me parece digna. Procuro ser. Como ele se chama? Marcelo. Bonito nome.

A conversa se estendeu por longos minutos e já quase amanhecia quando ela, por única e espontânea vontade, o beijou. Sem trocar mais palavras, os olhares falaram por elas, foram para um motel e se amaram como um casal de apaixonados que transa pela primeira vez. Ele acende um cigarro. Ela abre uma Ice. Ela pergunta. Você é casado? Sou. Não se atreveu perguntar porque o rapaz encontrava-se ali. Apenas sussurrou baixinho, bem.... Mais uma vez ele a beijou. Fizeram amor novamente e o relógio era a última coisa que importava. Acabado o sexo ela vestiu sua roupa e se perguntou o que estaria fazendo ali. Não era por amor, nem por dinheiro. Sentira pena daquele rapaz. Agora sentia admiração e respeito. Levantou, vestiu a roupa. Preciso ir. É a minha hora. Ele se vestiu, pagou a conta e perguntou: posso levá-la em casa? Sim. Na saída ele disse: obrigado pela noite, você foi maravilhosa. Sacou a carteira e pegou uma nota de R$ 100,00. Guarde o seu dinheiro. Não quebre esse encanto. Preciso desta noite na memória por toda a minha vida. E o silêncio reinou até a casa da garota.

ANTES DAS SEIS


O dia amanhece,
As nuvens estão escuras,
Os pássaros cantam,
A moldura do meu ser está desbotada.

Voltam os problemas,
Voltam os amores,
Os desencantos também.

Ontem fui ao cinema.
Película de beleza sem igual.

Por um momento pedi ao sol
Que não voltasse a raiar,
Mas o dia amanhece...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

PRANTO

PRANTO
(Márcio Valverde/Adriano Carôso)


Não vigie o meu pranto
A minha dor não se permite
Ser teu par

Não vigie o meu pranto
Tua saudade não me fará
Voltar atrás

Escute com calma o meu canto
Debruce nas linhas que escrevo
Com olhos de interpretar

A dor, parafuso aluído
Segura o pino dos meus ossos,
Meus destroços.
A vida inteira amarguei.

Me deixe em paz no meu canto
Que o teu ciúme foi a morte.
Minha morte verdadeira.

Não vigie o meu pranto
Não tenho tempo a mágoas
Ou saudades derradeiras.

INGRATIDÃO

INGRATIDÃO
(Márcio Valverde/Adriano Carôso)

Você esqueceu da água
Da fonte que lhe nutriu
Pongada na minha aba
Seguiu o curso do rio

Deu um corte de navalha
Em quem nunca mereceu
Meu pranto agora desaba
É mais forte do que eu

Você me deixou de lado
Remando contra maré
Cometeu ingratidão
Desdenhou da minha fé
Zombou da minha canção
Isso é triste não se faz
Vá cumprir o seu destino
Atracando em outro cais

Agora eu vou viver
Sem me desesperar
Vá montar sua morada
Longe do meu coração
Sofrer a troco de nada
Isso é muita ingratidão.

SANTO AMARO – Diário de Bordo


Trilhos Urbanos
(Caetano Veloso)

O melhor o tempo esconde
Longe, muito longe

Mas bem dentro aqui
Quando o bonde dava a volta ali

No cais de Araújo Pinho
Tamarindeirinho
Nunca me esqueci
Onde o imperador fez xixi

Caba doce Santo Amaro,
Gosto muito raro
Trago em mim por ti
E uma estrela sempre a luzir

Bonde da Trilhos Urbanos
Vão passando os anos
E eu não te perdi
Meu trabalho é te traduzir

Rua da Matriz ao Conde
No trole ou no bonde
Tudo é bom de ver
São Popó do Maculelê

Mas aquela curva aberta,
Aquela coisa certa
Não dá pra entender
O Apolo e o Rio Subaé

Pena de Pavão de Krishna
Maravilha vixe Maria mãe de Deus
Será que esses olhos são meus?

Cinema transcendental
Trilhos urbanos, Gal
Cantando o Balancê
Como eu sei lembrar de você.


Santo Amaro da Purificação é uma cidade iluminada. Terra de artistas e poetas, tão bem cantada nos versos de um dos seus mais ilustres filhos, Caetano Veloso, como se vê na letra de “Trilhos Urbanos” acima. Santo Amaro tem uma importância fundamental na minha formação como pessoa. Sou o homem que sou porque tive o privilégio de passar parte da minha infância lá. Caso contrário, seria muito pior. Lá também nasceram os primeiros rabiscos e versos que criei. Lá conheci Márcio Valverde, amigo, irmão e parceiro. Santamarense nato e apaixonado, Márcio foi um dos responsáveis diretos para que eu voltasse a compor e a ter coragem de expor novamente os meus versos. Um dia ele me ligou após ter lido o texto que escrevi sobre a cidade e sobre ele logo no início deste blog. Reclamou que o chamei de ingrato e me convidou a voltar a compor com ele. No início não dei muita importância, não estava tencionando voltar a fazer música, mas o destino nos reserva caminhos e às vezes não temos como lutar contra eles.

Quando voltei de Belo Horizonte, encantado com a cidade e inspirado pelos fluidos do Clube da Esquina, uns versos vieram me perseguindo. Começou no caminho para o aeroporto. Sem lembrar que lá estava em horário de verão e o meu celular no horário de Salvador, coloquei o aparelho pra despertar a tempo de me preparar para vencer os quase 50km que separam o centro da cidade até COFINS. Acordei com calma e fui me arrumando para descer, fechar a conta do hotel, tomar o café da manhã e seguir viagem de volta. No meio do banho me dei conta do equívoco e que estava uma hora atrasado. Sem o desjejum, peguei um táxi correndo e pedi ao motorista que adiantasse para que eu não perdesse o vôo. Enquanto o carro seguia em disparada pelas ruas da cidade, eu, morrendo de medo, burilava na cabeça os versos de Natasha & Letícia que já publiquei aqui. Cheguei ao aeroporto com o poema pronto, mas, como estava em cima da hora, não tive tempo de registrar em papel antes de entrar no avião. Pedi ao comissário que me conseguisse caneta e papel e ele ficou de levar assim que tudo estivesse em ordem para decolagem. Acontece que dormi antes e cheguei ao Rio de Janeiro, onde fiz uma conexão, sem registrar o poema. No Galeão comprei um caderno e uma caneta. A princípio temi não recordar os versos compostos em meio ao pânico do táxi em alta velocidade, mas enquanto aguardava o almoço consegui enfim passar pro papel as insistentes palavras. Quando cheguei a Salvador, me dei conta que tinha esquecido o caderno no carrinho de bagagens no aeroporto do Rio. Mas, o poema me perseguiu e lembrei dele inteirinho em casa onde definitivamente fiz o seu registro em arquivo ponto doc. Aí tive a idéia de mandar um e-mail pra Márcio com o poema. No dia seguinte ele me respondeu que tinha gostado e que aguardasse, pois iria por a letra na caixa do seu violão. Meu irmão Luciano que conhece o cara como ninguém me disse logo: - Se ele guardou na caixa da viola é porque gostou e vai rolar. Não deu outra. Dois dias depois me liga Márcio às onze horas da noite e canta a música pra mim. Foi uma emoção muito legal. Natasha & Letícia virou "Horizonte Belo", a primeira das muitas músicas que pretendo fazer. Com umas pequenas alterações e a exclusão da última estrofe, a canção ficou pronta.

Pois bem, sexta passada, 14/12/07, viajei a Santo Amaro a fim de passar o final de semana com Márcio e sua família, a esposa Lívia e os filhos Flor e Gabriel. Levei comigo minha princesinha Júlia e muita saudade daquela terra. Uma terra de amores, uma terra onde enquanto de um lado da praça rola uma roda de violão com boêmios apaixonados, no outro lado acontece uma briga de gangues de rua sem que um interfira no barato do outro. Isto é Santo Amaro, uma cidade bipolar. A cidade pulsa cultura e exala poesia por todos os poros.



Sexta foi o dia do reencontro. Saímos à noite para Praça da Purificação onde jogamos conversa fora, ou dentro, no lendário Chapéu de Palha enquanto as crianças brincavam no jardim. O Chapéu é o bar mais antigo da cidade. Muitos estabelecimentos já abriram e fecharam suas portas, já foram moda e decadência e o Chapéu continua intacto, encravado no meio da principal praça da cidade. Desde 1967 ele é palco de paixões, canções, poemas, brigas, beijos, amores, violões, vidas e mortes. Um patrimônio do lugar.

Sábado pela manhã Márcio me convidou para comer uma feijoada na feira. Enquanto esperávamos o prato o maluco falou: -temos que escrever algo sobre a ingratidão. “Você esqueceu da água, da fonte que lhe nutriu”. Eu prontamente respondi: -“pongada na minha aba, seguiu o curso do rio...” E assim nasceu "Ingratidão". Letra e melodia(feita de boca) na mesa da barraca de feira, regada a feijoada e coca cola. Em casa no violão, acertamos os detalhes e fechamos a canção. Era hora de ir para a Pedra, visitar os amigos Humberto e Edna e o maravilhoso estabelecimento que eles tem por lá, o Solar da Pedra. Levamos a criançada e passamos o dia na piscina degustando umas geladas e a saborosa companhia dos anfitriões e da sua filha Ana Geórgia. Nada como a presença de amigos tão queridos para aflorar a sensibilidade e aumentar a inspiração.

À noite, após a cerimônia de formatura de alfabetização da impagável Flor, uma artista de 06 anos de idade, eu e Márcio voltamos sozinhos pro Chapéu. Lá falamos das nossas vidas, das nossas artes, dos nossos amores e desencontros. Lá também escrevemos "Pranto". Um poema a quatro mãos que aguarda uma melodia para virar música. Foi aí que chegou um grupo de pessoas de fora com um violão na mão. Nem precisava contar, afinal estávamos em Santo Amaro, mas o bar inteiro virou um único grupo abençoado pelas canções que Robson, Paschoal(estes do grupo de visitantes) e Márcio Valverde tocaram até quase quatro horas da manhã. Uma maravilha.

Hoje, ou melhor ontem pois já passa da meia-noite, fomos à praia de Itapema, passar o dia com os sogros de Márcio, Seo Raimundo e D. Naná. Mais cervejas, mais feijoadas, mais canções e amizades. Santo Amaro, me aguarde!

Com Márcio Valverde no lendário Chapéu de Palha
Na foto acima o famoso Solar de Biju onde
hoje funciona o Campus da Universidade estadual numa das esquinas da Praça da
Purificação em Santo Amaro-Ba.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

SEGUNDA-FEIRA


Ao contrário do que todos dizem acho que segunda-feira é o melhor dia da semana. É a real possibilidade de grandes reviravoltas. A segunda é o melhor dia pra você refletir e mudar sua vida. Pra melhor é claro. Só não vá acordar de ressaca. Boa semana para todos!

sábado, 8 de dezembro de 2007

PLÁGIO

Se eu fosse Beto Guedes
Comporia O Sal da Terra
Se fosse Djavan,
Oceanos, Ilhas e Aliás

Chamava Lucia e o caralho....

Se Buarque fosse
Outros Sonhos eu teria
Nos Anos Dourados de Tom
Eternizados na voz de Maria

A Globo que me esperasse...

Não Enche, Caetano.
Lenine, Todas Num Só Ser.
O Pavão de Ednardo
Mistérios, não posso crer

Saramandaia bastasse...

Um dia serei criança
Um dia serei feliz
Na casa do João de Barro
Dançar e cantar, Sorri! Smile!

Charles Chaplin!

P.S. Caetano, não me processe por favor!

CHICADA

Hoje passei a tarde na casa de Vieira. Foi muito especial. Não falo pelo cardápio maravilhoso preparado por sua esposa, um risoto de camarão sem igual, que inveja! Isto foi tudo de bom. Mas, o prazer de partilhar de tanta cultura, de tanta sensibilidade musical e tanta candura, é outra história.

Conheci Vieira há pouco tempo. Ele é o tipo do cara que, pra pessoas como eu, despreparadas e preconceituosas, você não gosta a primeira vista e depois tem que engolir suas primeiras impressões. Quando o vi pela primeira vez, de terno, compenetrado, com cara de certinho, nem sonhei que ali dentro se escondia um intelectual, uma pessoa com a sensibilidade à flor da pele e um violonista de marca maior. Vieira é tão retado que me fez ouvir hoje, pela primeira vez, uma música de Chico Buarque, “Mambembe”. O mais importante: tocada por ele. Eu que achava conhecer todo o trabalho de Chico. Ledo engano! Depois, pra acabar de me matar, ele botou o cd com o próprio Chico cantando.

E não foi só isso. Veio Gil, Caetano, João Bosco, Djavan, Vinícius, Maria Bethânia, Tom, e que tom especial, o DVD do Free Jazz Festival, Tributo à Antonio Carlos Jobim, além de outras pérolas da MPB. Passaram-se quatro horas e pareceram quatro minutos...

E, pensar que tudo isto veio de um convite que o fiz e não cumpri. Ainda bem que não sou confiável.

Passar a tarde com ele e Armênia, Paulo e Lai, outros seres muito especiais, é ganhar uma nova vida, um novo gás e saber que você não está sozinho. Que na estrada infinda da solidão, a companhia é o mais precioso tesouro. Valeu Vieira! Que venham chicadas, boscadas, tonzadas, caetanadas, adrianadas e vieiradas. Essas são as melhores!

ONDA

Em lugares nunca dantes navegados,
A têmpera do mar não evolui.
A nau singra oceanos,
as águas gélidas.
Da proa,
o cais,
a luz.


Assim
jamais
se perdoa.
Enfim faz cabidela,
náufrágio lusitano,
exêntricas razões. Se conduz
por mares de marolas e legados.



sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

SATÉLITE


Um dia eu fui à lua
Encontrar um passarinho
Colher uma rosa, comprar pão.

Um dia eu fui à lua
Comprei o meu terno de linho
Prensei a minha canção

As crateras são moradas
Não há santos nem cavalos
Nem fogo de dragões

Somente a terra azul iluminada!

Lá o meu inimigo
Abriu o tapete vermelho
Lustrou meus sapatos

A lua é boa demais,
Um dia vá lá!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

QUANDO O DESTINO QUER...

Continuação da estória publicada em 20 de setembro de 2007


Quando Evandro acordou, a visão que teve foi assustadora. Seu corpo desacordado no chão de uma biblioteca intacta. Seus livros valiosos jaziam na estante, criteriosamente arrumados como sempre. Estaria tendo uma alucinação. Há poucos instantes as prateleiras estavam vazias. Como isto poderia acontecer? Lembrou da sala e correu para verificar. Ficou surpreso ao perceber que não andava e sim flutuava lentamente. Um forte terror invadiu sua mente e ele teve por um momento nova ânsia de desmaio. Na sala, tudo no seu devido lugar. O fio do telefone conectado, o aparelho na devida posição. O que estaria acontecendo? Voltou à biblioteca e ficou longos minutos contemplando o seu corpo no chão sem entender o que estava acontecendo.

Foi aí que lembrou do acidente. Mais uma vez o remorso o corroeu. Rapidamente saiu flutuando até local e mais surpreso ainda ficou ao ver o mendigo são e salvo, sentado na calçada comendo um pão velho provavelmente dado por algum transeunte. De repente o inesperado. O mendigo levanta-se, visivelmente bêbado e atravessa a rua rapidamente. Um carro, em alta velocidade o atropela jogando-lhe a alguns metros de distância. O mendigo agonizava e sangrava muito. O carro parou e seu motorista desceu. Como podia? Era ele. Assustado olhou em volta como se procurasse testemunhas àquela hora da madrugada. Após alguns segundos de dúvida, pegou o mendigo colocou no banco de trás e o levou a unidade de emergência mais próxima.

Lá chegando imaginou como a vida era injusta, como o mundo era cruel. Como podia alguém ser tratado num local como aquele? O que estava sendo feito com os milhões que o governo arrecadava com a previdência? Bem, ele não ia consertar o mundo. Estava mesmo preocupado em saber o estado do pedinte. Foi aí que veio o médico e deu a notícia. O mendigo não resistira aos ferimentos e acabara de vir a óbito. Evandro empalideceu. Uma dor aguda começou a tomar-lhe o braço esquerdo projetando-se levemente para o peito. De repente a dor ficou insuportável, como se alguém batesse em seu peito com muita força. Perdeu os sentidos e desmaiou. Imediatamente o médico acionou os enfermeiros e o removeram para uma unidade de tratamento intensivo. Muitos aparelhos foram ligados. Deram vários choques em seu peito, uma agitação insana tomou conta da sala. o aparelho que monitorava seus batimentos mudou o gráfico na tela e o ritmo dos sinais. Não entendia nada, mas devia ser uma coisa boa a tirar pela mudança positiva dos semblantes da equipe. O médico então retirou a máscara e falou sorrindo: - Ainda não foi desta vez meu amigo! Só então Evandro entendeu que estava morto.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PRESENTE DE GREGO - Não Podemos Esquecer II

Continuando as discussões sobre a Fonte Nova e lembrando das declarações do nosso ilustre governador, o Excelentíssimo Sr Jaques Wagner, após a fatídica tragédia, gostaria que os leitores escutassem sua entrevista no site de Claudio Humberto concedida antes da viagem à Suíssa junto com o Presidente Lula, custeada com o nosso dinheiro é claro. Cada um que faça suas comparações e tire suas próprias conclusões. Ouça aqui

sábado, 1 de dezembro de 2007

ERA PRA SER UMA FESTA! – Não Podemos Esquecer!

A hora que Nonato perdeu o penalty. Ninguém podia imaginar o que estava para acontecer mais tarde!

Não quero ser o chato batendo na mesma tecla, mas agora que os ventos do esquecimento começam a soprar sobre a tragédia da Fonte Nova, acho que, até em respeito às vítimas e à dor dos seus amigos e familiares, precisamos continuar as discussões, pressionar os órgãos competentes e exigir a punição dos responsáveis.

Naquela tarde fatídica de 25 de novembro de 2007, eu estava lá. No intuito de me divertir, de comemorar a subida do Bahia para a 2ª divisão, junto com os amigos, Duda, Marcão, Ruy Bala, Marcelo, Erenilson, Saracura e tantos outros companheiros de Fonte. Estávamos a poucos metros do local que desabou e não vimos absolutamente nada. Aliás, isto foi uma coisa intrigante, parece que a mão de Deus intercedeu para que a tragédia não tivesse proporções muito maiores. Na hora do acontecido, faltavam dez minutos para o fim da partida, muitos já comemoravam, outros como eu estavam apreensivos com medo do Bahia levar um gol e deixar pra resolver na última partida(que bom que isto não aconteceu, teríamos amargado mais um ano de terceirona), a verdade é que, de um jeito ou de outro, todos estavam tão ligados no campo, que muito poucos perceberam o desabamento. Vocês já imaginaram o pânico absurdo que poderia se instalar se o estádio todo tivesse visto que parte da arquibancada desabou? Como os mais de sessenta mil torcedores que lotavam a Fonte Nova se comportariam numa situação dessas? Sem dúvida pânico geral.

A verdade é que apenas um pequeno grupo que estava ao redor do local percebeu o desabamento e o pânico foi rapidamente e eficientemente controlado pela polícia. Nós mesmos ficamos mais de vinte minutos sentados onde assistimos ao jogo esperando a confusão da saída diminuir, só tivemos conhecimento da tragédia quando, ao irmos embora, tentamos passar pelo local desabado que estava interditado e os policiais nos puseram a par do acidente e solicitaram que desviássemos nossa rota de saída. Soubemos ali apenas que havia mortes, mas não tínhamos idéia das proporções do desastre.

Havia vários trios elétricos nas proximidades do estádio esperando para animar o carnaval da comemoração, mas a imprensa de forma coerente e acertada apelou para que eles não ligassem o som. Não havia mais o que comemorar e sim o que lamentar. Foi aí, ouvindo o rádio no carro de volta para casa, que tive maiores informações e percebi o tamanho da merda que havia acontecido. Comecei a temer por muitos amigos que costumavam ficar bem ali onde a arquibancada foi abaixo. Ao chegar em casa, comecei a ligar para as pessoas mais próximas me certificando que estavam bem e também a receber vários telefonemas de amigos e parentes preocupados comigo. Uma dessas ligações foi muito especial para mim. Era Júlia, minha filha. Ela estava com um casal de amigos na Ilha de Itaparica quando ouviu alguém comentar a tragédia e imediatamente ligou para o pai procurando saber se estava bem. Aí a ficha caiu e vi que qualquer um, inclusive eu, poderia ter despencado junto com a arquibancada naquele momento. Agradeci a Deus por demais. Nasci novamente.

Hoje, menos de uma semana depois, após o anúncio da futura implosão da Fonte Nova e da construção de um novo estádio, já quase não se ouve falar no acidente e na possível punição dos responsáveis. Estão criando uma nova polêmica com base nos prós e contras de tal implosão, sobre a importância do novo estádio para Salvador e a possibilidade de ser sede de jogos da copa de 2014, e abafando a verdadeira causa da discussão: a morte de sete seres humanos que, como nós, queriam apenas vibrar com o seu time e foram estupidamente assassinados pela irresponsabilidade, incompetência e ganância de uns poucos. Foram sete, mas poderiam ter sido milhares. Não podemos nos calar, temos de exigir a punição dos responsáveis e novas posturas dos políticos, dirigentes esportivos, da própria imprensa que nunca antes exigiu a interdição da Fonte Nova e hoje fica bradando que já sabia, para evitar que outras tragédias como estas aconteçam por aí afora. Quando é que teremos mais dignidade neste país?

Pena que tenha sido deste jeito, mas tem que valer como exemplo e aviso que precisamos mudar nossa postura cômoda, apática e covarde se quisermos ter mais respeito e consideração por parte daqueles que detém o poder. Queremos os responsáveis na cadeia, pagando pela morte dos sete inocentes que saíram de suas casa para uma festa e nunca mais retornarão aos seus lares, para o aconchego dos seus familiares.

Estão esperando os laudos da perícia técnica como se isto fosse preciso para saber que ali existiu uma reunião de incompetência, descaso e irresponsabilidade. Quem não sabe que a Fonte Nova, estádio com quase cinqüenta anos, o anel superior, justamente o que desabou, com exatos trinta e seis anos, estava carente de manutenção? Quem não via aquelas infiltrações e as ferragens das estruturas já aparentes e completamente oxidadas? Os banheiros imundos, sem água e sem nenhuma condição de serem usados por um ser humano normal? É muito descaso com um local que tanta renda gerou para o estado e que, por longos anos foi a segunda casa para muitos torcedores baianos. Leiam o depoimento que Roberta, uma amiga minha, torcedora fanática do Bahia me mandou pelo orkut: “As lágrimas insistem em cair pela tragédia e agora se misturam com o dissabor de saber que a minha 2ª casa, aquela que “me viu” sorrir, chorar, gritar, vibrar, desmaiar, brigar, invadir, desesperar, proteger, ser protegida... Palco de diversas fotos, de diversos amigos, de mais uma família núcle, a BAMOR, e mais outros familiares aderentes, TERROR, POVÃO, GARRA... Enfim, a tristeza de saber que não tem mais jeito, que domingo (25.11.07) foi meu último jogo ali na FONTE NOVA, na minha 2ª casa que faz parte da minha vida. Choro mesmo, sem vergonha, é como se arrancassem um pedaço de mim, da minha vida, desculpem mais um desabafo. Todos os momentos ficarão pra sempre na memória, todos sem exceção. Vamos Bahia, Vamos ser campeão e essa estrela será dedicada às VÍTIMAS, a CLEBER, e agora a FONTE NOVA.” Comovente e revoltante.

Por isso meus amigos não vamos deixar que este trágico acidente caia no esquecimento. Vamos cobrar dos responsáveis para que eles paguem por seus atos criminosos. Não vamos deixar que fatos como estes se repitam. Por nós e pela memória dos sete companheiros que se foram nesta tragédia!


Após o final do jogo, a torcida do Bahia faz feio, invade o campo e depedra o estádio. Reparem que todos comemoravam sem saber que uma tragédia acabara de acontecer!