quarta-feira, 31 de outubro de 2007

VUMBORA BAÊÊÊÊÊÊÊÊAAAA!!!!!

Hoje recebi de um amigo um e-mail despretensioso que achei muito interessante. É na verdade uma pequena crônica, dessas histórias que circulam pela internet e a gente nunca sabe quem escreveu. Achei muito interessante e tem inclusive muito a ver com o que escrevi em Teste Para Cardíacos. Por isso, resolvi transcrevê-la aqui. Pena que não posso dar crédito ao seu autor. Lá vai!


BAÊÊÊÊÊÊÊÊAAAA!!!!!


Seu Jurandir chegou em Salvador num vôo da GOL, às 19:20 do dia 7 de outubro. Saiu do avião e partiu para buscar sua mala no saguão de desembarque. Como a bagagem demorava de aparecer na esteira, Seu Jurandir sacou a Maxi-Goiabinha que a aeromoça tinha lhe oferecido e ele havia guardado no bolso para mais tarde. A mala chegou, ele colocou no carrinho e saiu pelo portão para procurar um táxi.

- “Quanto é o táxi até...
Ele olhou um papel na sua mão e completou:
... Ondina?”
- “Ondina? 88 conto”
- disse o motorista.

Seu Jurandir fez cara feia, mas entrou no carro mesmo assim. Afinal, Seu Jurandir é paulista e veio conhecer Salvador pela primeira vez no alto dos seus 53 anos. O táxi partiu e logo depois que passou pelo túnel de bambuzais, o motorista fez um pedido:

- “O senhor se incomoda se eu ligar o rádio?”

Seu Jurandir observou o motorista. Era um homem que aparentava uns 40 anos. Tinha uma aparência serena, óculos escorregando pelo nariz e uma boina azul, vermelha e branca na cabeça. Seu Jurandir disse que não se incomodava, mas ficou surpreso quando o rádio ligou. Não era bossa nova ou MPB, nem pagode, arrocha ou axé. O que estava ecoando dos alto falantes do táxi era um jogo de futebol.

- “É que eu torço pro Bahia, sabe? E esse jogo é decisivo” - explicou-se o motorista.

Seu Jurandir não era muito de papo, nem de futebol. Assistia de vez em quando a um jogo do São Paulo na TV, time pelo qual ele carregava uma certa simpatia. Por isso, ficou calado, ouvindo o locutor do jogo junto com o motorista. O locutor gritava:

- “6 MINUTOS DE ACRÉSCIMO!!!”

A cada berro do locutor, Seu Jurandir percebia que o motorista ficava mais nervoso. A aparência serena inicial dava lugar a um semblante de desespero. O homem suava e fazia o sinal da cruz enquanto o carro passava pela Avenida Paralela.

- “Não é possível. A gente precisa de um golzinho só!!!” - desesperava-se o motorista.
- “TERMINA O JOGO NO ACRE!” - berrava o locutor.
- “Pelamordedeus, a gente só depende da gente!!!” - desesperava-se ainda mais o motorista.

Seu Jurandir começou a ficar assustado. O motorista estava suando que nem cuscuz, embora o ar-condicionado do carro estivesse ligado no máximo.

- VAI QUE DÁ BAHIA!!!! - berrava o locutor.
- Vai que dá Bahia!!!! - repetia o motorista.

Seu Jurandir já se segurava na porta do carro, quando o locutor recitou:

- “É A ÚLTIMA CHANCE! LÁ VEM CARLOS ALBERTO, CRUZOU NA ÁREA, CHARLES DE CARRINHO.............................................................GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!”

O motorista começou a tremer, chorar e gritar ao mesmo tempo:

- “É goool, é goool, é gooool, bora Bahêa minha porra, bora Bahêa, minha nirgraça!!! Aí bando de rubro-negro feladaputa! Toma aí!!! É a estrela! Eu disse, eu disse!!! É goool porra!! É gol do Bahia caralho!!”

As mãos do homem tremiam, o táxi já não andava em linha reta. Agora, quem se desesperava era Seu Jurandir, que pedia assustado para o táxi parar.

“Pára, pára!” - gritava Seu Jurandir.
“Bahêa, Bahêa! - gritava o motorista.

Meio que em estado de choque, o motorista finalmente encostou o carro no Posto 2 da Paralela. Bastou o táxi parar, para ele deixar seu Jurandir sozinho no carro e sair pela porta correndo e gritando uns 15 putasquepariu.

Sozinho no carro, Seu Jurandir observava o cenário ao seu redor. Carros buzinando, fogos explodindo no céu, gente gritando, chorando, ajoelhando. Cada vez mais carros chegavam ao posto em festa, comemorando o que parecia ser um título inédito. Em meio ao buzinaço, o motorista voltou pro táxi.

“Desculpa, senhor. É que é muita emoção. Esse time é foda.”

Agora curioso, Seu Jurandir perguntou:
- O Bahia foi campeão?
- Campeão? Não, se classificou pro octogonal”
- respondeu o motorista ofegante.
- Octogonal?
- É, o octogonal da Série C.
- Da Série C? Terceira divisão?
- É ganhamos do Fast, do Fast do Amazonas. 1x0, caralho!
- “Sei, sei”
- disse um incrédulo seu Jurandir.
Ainda em êxtase, o motorista perguntou:
“Pra onde é que o senhor está indo mesmo?”
E o seu Jurandir respondeu:
- “Pro aeroporto. Volta pro aeroporto que eu não fico mais um segundo nessa terra de maluco.”

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

LAMENTOS FRATERNAIS

Como quer me tirar do sofá
Se me nega a cadeira?
Como se os caminhos do egoísmo
Não tivessem várias versões.

Como se além do seu umbigo
Habitasse algo que não a sua arte.
Nos momentos de não fale comigo
Como se da sua vida
Eu não fizesse parte

Nos limites mais profundos do amor
Talvez eu deva muito
Assim não me enxergo
Deito no meu travesseiro,
Na minha almofada
E durmo o sono dos deuses.

Me faz muito mal eu sei, exagero.
Mas tava precisando da tela branca do word,
Das carícias geladas de um computador.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

EU DETESTO CIGARRO DE MENTA

Em 1983, com menos de catorze anos de idade, vim do interior para estudar na capital. Cheguei a Salvador complexado, me sentindo inferior. Fui estudar numa escola de classe média graças ao imenso sacrifício dos meus pais. Eu achava, naquela época, que todo mundo ali estava em melhor situação do que eu, mas depois fui descobrindo que a coisa não era bem assim.

Eu era magro, quase um esqueleto andante, pobre, do interior e tímido. Prato cheio pra quem quer se sentir menor, e eu me sentia assim. Na nova escola, observava bem os colegas sem, no entanto, me aproximar de nenhum deles. Foi aí que reparei numa menina que para mim era o que se podia chamar de bonita e gostosa, aliás, muito gostosa. Logo fiquei apaixonado, uma paixão platônica que durou uns três anos mais ou menos. Como todo otário, deixei que nascesse entre nós uma forte amizade, achando que assim, posteriormente, poderia conquistar o seu amor. Ledo engano. Nunca passou da amizade, mas hoje, muitos anos depois, sei que foi melhor assim. Afinal, não há nada na vida que supere o infinito valor de uma amizade sincera. Os verdadeiros amigos passam anos sem se ver e, quando se reencontram, parece que se viram na véspera. Nada mudou. Foi assim sábado passado, com a minha amiga Estér.

Fazia mais de três anos que não nos víamos nem nos falávamos. Como sempre aconteceu nas nossas vidas, sempre passamos longos períodos assim. Mesmo durante os muitos anos em que éramos quase vizinhos, ficamos deveras afastados. Aí ela me achou pelo orkut e combinamos de nos encontrar. Foi uma noite muito legal. Relembramos muitas histórias e agora vou contar algumas delas.

Ainda no início do ano letivo, quando ainda não havíamos nos aproximado muito, houve um fato que fez com que conversássemos pela primeira vez. Não foi nada bom. Também, raciocinando melhor, não foi uma conversa e sim um monólogo onde só ela falou. Na verdade, uma puta bronca onde ela descascou todas em cima de mim. Só faltou me chamar de ladrão. E bem que ela estaria no direito e coberta de razão já que o ato em que fui flagrado era literalmente um roubo. Naquela época eu estava começando a fumar e Estér era uma dos muitos fumantes que tinham na escola. Na hora do intervalo, por causa da minha timidez e falta de entrosamento, às vezes eu ficava na sala sozinho, estudando. Aí bateu uma vontade danada de fumar e, como eu não tinha cigarros, decidi pegar um dentro da sua bolsa que sabia eu, lá não faltaria. Abri a distinta e retirei o cigarro. Foi aí que Estér entrou na sala e me pegou com a boca na botija. Que vergonha!

Estér era uma aluna excelente. Passava direto em tudo. Uma fera em matemática e sabia tudo de inglês. Eu nunca fui um aluno ruim, mas em inglês era e sou até hoje uma negação. Foi aí que essa menina me deu uma prova absurda de sua amizade o do quanto gostava de mim, mesmo que não fosse da forma que eu esperava. Na reta final do ano letivo, meu desempenho em inglês estava fraquíssimo e a prova final era inevitável. Ela já vinha me dando aulas de reforço há um bom tempo, mas, nem eu nem ela acreditávamos que eu fosse conseguir passar de ano. Ela já estava quase passada, mas fez a loucura de quase tirar zero na última prova do ano pra ir pra final e poder me ajudar. Acreditem, ela não passou direto propositalmente para me dar pesca, ou cola, como preferirem na prova final. No dia da bendita sentamos em fila, ela na frente e eu atrás. Tremíamos de nervosismo pois tínhamos combinado que ela marcaria as questões antes de assinar e aí trocaríamos as provas. Não sei como conseguimos, mas deu tudo certo. O fiscal não viu e os colegas que presenciaram usaram a lei do silêncio que impera entre aqueles que sempre se utilizam de tal artifício. Ninguém dedurou a gente. Pra aumentar a minha vergonha, antes de dar o resultado, a professora me chamou para uma conversa reservada. Não consigo lembrar o nome dela. Aí ela falou:

- Adriano, sei que você é um menino correto, um aluno exemplar e que isto não é do seu feitio, mas estou desconfiada que você pescou na final.
Eu, muito surpreso, perguntei:
- Porque a senhora acha isto professora?
- É que sua nota foi muito alta e todo mundo sabe que inglês não é o seu forte.
- Foi por causa de Estér professora.
- Como assim?
- Ela tem me dado aulas de reforço durante toda última unidade. Me ajudou muito e estudei pra caramba.

Falava enquanto cruzava os dedos e mentalmente pedia perdão a Deus por este ato leviano e repulsivo. Até hoje carrego comigo este remorso, mas esta história valeu muitas gargalhadas na noite de sábado.

Teve uma que eu não lembrava, foi Estér quem falou pra aumentar o meu vexame. Um dia, sem coragem de me declarar, deixei uma carta apaixonada no meio das suas coisas. Não lembro do conteúdo, mas se bem me conheço, no auge da minha adolescência, deve ter sido extremamente romântica. A filha da puta achou a carta e ficou calada. Nunca comentou nada. Me deixou na maior dúvida, se ela não tinha achado ou se não queria nada comigo. Óbvio que era a segunda opção a correta.

A conversa rolou solta até quase meia-noite quando ela foi buscar sua filha numa festa. Bebemos um bocado de cerveja e, só pra variar, fumamos muito. A menina agora inventou uma moda de fumar cigarro de menta. Eu detesto, mas acabei fumando alguns só pra castigar o corpo. Essa menina me faz fazer cada coisa!

Bons tempos aqueles. Eu e Estér, envelhecemos, casamos, tivemos filhos, separamos, mas continuamos unidos por uma laço muito forte que, sem dúvida, veio de outras vidas. Eu gosto demais dessa loura, e não é de farmácia não, que contrariando todas as expectativas, de burra não tem nada. Valeu Estér! Até a próxima!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

NATASHA & LETÍCIA - Que Bom Conhecer Belo Horizonte!

Que saudade do Clube da Esquina,
Dos versos imortais desses mineiros.
Que do Malleta à Santa Tereza,
Deram belos horizontes a muitos brasileiros.

Belos, sempre belos, musicais...

Mil tons para a minha desventura,
Brant me tomou pela raiz.
Borges me levaram na loucura.
Voar nas asas do 14 Bis.

Belos, sempre belos, musicais...

Guedes, Venturinis e Antunes,
Multiplicaram sons de norte a sul.
Nos permitindo o prazer da festa,
As serestas de Paulinho Pedra Azul.

Belos, sempre belos, musicais...

Belo Horizonte, horizonte belo,
Jamais esqueceremos seus cantores.
Letícias, Natashas, outras mulheres,
Derramam neste mundo seus amores.

Belos, sempre belos, musicais!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

NOITE DE LINDOS SONHOS!

Telegrama
(Zeca Baleiro)

Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bobo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...
Mas ontem

Eu recebi um telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo: Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!Que tanto te ama!
Que muito muito te ama!
Que tanto te ama!...

Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...

Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português da padaria...
Mama!

Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu! Quero ser seu!
Quero ser seu!Quero ser seu papa!

Hoje eu acordei assim como Zeca Baleiro define muito bem nesta canção. Feliz, pra cima, renovado, remoçado, cantando sem parar e com vontade de beijar o mundo. O que será que aconteceu?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

TESTE PARA CARDÍACOS



O Esporte Clube Bahia continua pondo à prova o já mais que sofrido coração do seu torcedor. Time de tradições, duas vezes campeão brasileiro, com a torcida mais fiel do Brasil, mesmo na terceira divisão mantém uma das melhores médias de público do ano, isto considerando as três divisões do campeonato brasileiro. Castigado por anos a fio de administração desastrosa, há muito que o time não dá uma alegria substancial à sua torcida. Domingo passado foi um dia inesquecível. Dependendo de outro resultado, o Bahia jogou na Fonte Nova precisando vencer para se classificar para o octogonal decisivo e manter acesa a chama da esperança de, pela primeira na sua história, ascender através de resultados conquistados no campo. No outro jogo, Rio Branco x ABC, estava tudo dando certo. Terminou empatado em 0 x 0, só faltava o Bahia fazer sua parte e balançar a rede uma vezinha apenas. Eu, impossibilitado que tava de ir ao estádio, já que era aniversário do meu afilhado Eduardo, estava na festa ouvindo pelo rádio. Aos 43min, quando o locutor anunciou o término da outra partida e que o juiz daria mais 6min de descontos, não tinha a menor condição de continuar ouvindo aquela tortura, e passei o rádio para o amigo Romário, outro Bahia doente como eu. Na verdade, naquele momento, fiz o que costumamos chamar de jogar a toalha. Perdi a esperança. Mas quem torce pelo Bahia deve saber que o jogo só acaba quando o juiz apita. Não é que aos 50min os pés milagrosos do atacante charles classificou o tricolor? Joguei o copo de cerveja para o alto e, junto com a maioria dos convidados, transformamos o aniversário de Edu, filho de torcedores do Vitória, numa festa da torcida azul, vermelha e branca. Quando acabou os parabéns, entoei os primeiros versos: "Somos a turma tricolor, somos a voz do campeão...", foi um coro lindo. Sob os protrestos do meu compadre Gil, que nada pode fazer, transformamos a pequena sala numa extensão das arquibancadas da Fonte Nova. Agora convenhamos: só mesmo o Bahia para, na terceira divisão, merecer uma matéria de mais de 3min no Globo Esporte nacional. Veja o vídeo.



E, para matar as saudades deste sofredor cansado de sofrer....

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A VIDA E A MORTE

Em junho deste ano, recebi um e-mail de minha amiga Sheila. Esta menina me conhece muito, sabia que o texto me tocaria profundamente. Desde aquele dia, tenho ruminado muito sobre ele e, quanto mais o leio, mais admirado e apaixonado fico. Não quero falar sobre minhas impressões, acho que cada um deve ter a própria, mas gostaria muito de compartilhar com todos. Vale salientar que não verifiquei a autenticidade da autoria, estou transcrevendo o que me foi passado. Contudo, pela genialidade e estilo, acredito mesmo que tenha sido escrito pelo Rubem.

A Vida e a Morte

Era no tempo de toca-discos. Eu estava ouvindo um long-play com poemas de Drummond e Vinícius. O perigo eram os riscos que fazem a agulha saltar. Felizmente até ali tudo estava liso, sem pulos ou chiados. Era a voz doVinícius, voz rouca de uísque e fumo. Chegou o poema "O Haver", meu favorito, em que o poeta fazia um balanço da sua vida, o que restara.
"Resta essa capacidade de ternura, essa intimidade perfeita com o silêncio..." "Resta essa vontade de chorar diante da beleza, essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido..." "Resta essa faculdade incoercível de sonhar e essa pequenina luz indecifrável a que às vezes os poetas tomam por esperança..."
Começava, naquele momento, a última quadra, e de tantas vezes lê-la eu já sabia de cor as suas palavras, e as ia repetindo dentro de mim, antecipando o último verso que seria o fim, sabendo que tudo o que é belo precisa terminar.
O pôr-do-sol é belo porque suas cores são efêmeras, em poucos minutos não mais existirão. A sonata é bela porque sua vida é curta, não dura mais que vinte minutos. Se a sonata não tivesse fim ela seria um instrumento de tortura. Até o beijo... Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca?
O poema também tinha de morrer para que fosse perfeito. Tudo o que fica perfeito pede para morrer. Depois da morte do poema é o silêncio. Nasceria então uma outra coisa em seu lugar: a saudade. A saudade só floresce na ausência.
A voz do Vinícius já anunciava o fim. Ele passou a falar mais baixo. "Restaesse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante..."
Eu, na minha cabeça, automaticamente me adiantei, recitando em silêncio o último verso: "... sem saber que é a minha mais nova namorada."
Foi então que, no último momento, o imprevisto aconteceu: a agulha pulou para trás, talvez tivesse achado o poema tão bonito que se recusava a ser cúmplice de seu fim, não aceitava a sua morte, e ali ficou a voz morta do Vinícius repetindo palavras sem sentido: "sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova, sem saber que é a minha mais nova..."
Levantei-me do meu lugar, fui até o toca-discos e consumei o assassinato: empurrei suavemente o braço com o meu dedo, e ajudei a beleza a morrer, ajudei-a a ficar perfeita. Ela me agradeceu, disse o que precisava dizer, "sem saber que é a minha mais nova namorada." Depois disso foi o silêncio.
Fiquei pensando se aquilo não era uma parábola para a vida, a vida como uma obra de arte, sonata, poema, dança. Já no primeiro momento quando o compositor ou o poeta ou o dançarino preparam a sua obra, o último momento já está em gestação. É possível que a última quadra do poema tenha sido a primeira a ser escrita pelo Vinícius. A vida é tecida como as teias de aranha: começam sempre do fim. Quando a vida começa do fim ela é sempre bela por ser colorida com as cores do crepúsculo.
Não, eu não acredito que a vida biológica deva ser preservada a qualquer preço. "Para todas as coisas há o momento certo. Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer." (Eclesíastes 3.1-2)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

DIREITO DE RESPOSTA

Ontem recebi um comentário falando sobre o meu texto "BRASIL - Pirataria, Tropa de Elite, Calheiros e outras excrescências!" escrito por uma leitora por nome Fernanda. Ela condena o fato de que eu critico a forma como os oficiais do BOPE são treinados. Isto é a democracia. Cada um com sua opinião. Ela tem a dela, eu tenho a minha. Obrigado Fernanda!
Fernanda Disse:
É impressionante como as pessoas não entendem o que o filme quer passar! Como você acha que os policiais deveriam ser treinados? Para passar a mãozinha na cabeça dos traficantes? Sinceramente, todo mundo já percebeu que assim não funciona! Porque você acha que o BOPE é respeitado na favela?
Minha Resposta:
Fernanda,
Respeito a sua opinião mas não concordo com ela. Você acha que é criando assassinos sanguinários que iremos resolver o problema do tráfico de drogas? Você chama de respeito o sentimento que os traficantes nutrem pelo BOPE? Por acaso já parou para pensar na quantidade de vidas inocentes que suas ações exterminam sem nenhum tipo de remorso? Ou você é daqueles que acham que se estão no morro são marginais e portanto devem ser exterminados? Hitler, graças a Deus, já morreu faz tempo. Nosso problema é muito mais profundo. Reside na falta de eduação, nos péssimos ganhos da polícia, na miséria do nosso povo, no interesse que a classe política tem em manter a nossa ignorância e falta de educação, na ganância do povo sempre querendo ganhar mais, mesmo que isso signifique a morte de fome de um semelhante. BOPE nenhum vai resolver esta questão. O BOPE pra mim é tão ruim quanto o traficante, uma vergonha, um absurdo, uma isntituição nazista e podre. Desculpe por não concordar com você. Por acaso gostaria de receber aquele treinamento?

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

FIDELIDADE PARTIDÁRIA

Mais uma palhaçada do Gran Circo Planalto Central! Uma nova receita da Pizzaria Congresso Brasileiro! A gente tá é f.....

ÇEN COMEMTARIO... II

Meu irmão Luciano, na sua lucidez e competência, mandou um comentário na minha última publicação, Sem Comentários..., muito interessante. Com muita propriedade, definiu tudo em poucas palavras. O vídeo já havia me chamado a atenção pelos absurdos ortográficos e políticos. Contudo, prefiri não me manifestar. Deixei a cargo dos leitores para que estes tirassem suas próprias conclusões. Agora, transcrevo aqui as suas palavras que, acredito eu, não devem ficar ocultas num campo de comentários, onde pouca gente se aventura a ler.
Meu irmão:
Olha o texto que aparece no início do vídeo: "quando você ver um politico vire as costa para ele, mas antes cuspa no chão de nojo. não cumprimente de o seu despreso". Tirando os problemas de acentuação, pontuação e articulação sintáxica, a ortografia das palavras em negrito fala por si só. Está aí a razão pela qual o parlamentar brasileiro é um dos mais caros do mundo. Aquele que o colocou no congresso carece de educação (básica, muitas vezes) e é ignorante ao ponto de pensar que não tem responsabilidade por isso e que dar "despreso" e "cuspir no chão de nojo" irá resolver a questão. E o pior é que a classe política tem total conhecimento deste fato e sabe que para se manter nesta situação (como uma das mais bem pagas do mundo) é só sustentar o estado de ignorância e deseducação deste sujeito que produziu o vídeo.
Pobres de nós, brasileiros.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

VUMBORA CINEMA BRASILEEEEIROOO!!!!!

O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias foi o filme nacional escolhido para, junto com outros quarenta e nove, concorrer às cinco vagas de indicações para melhor filme estrangeiro do Oscar, edição 2008. Eu particularmente acho a cerimônia do Oscar um saco, um mar de futilidades, os apresentadores quase sempre fazendo piadas que só americanos dão risadas, um jogo de cartas marcadas, e, além disso, acho muito difícil que um filme brasileiro tão cedo ganhe uma das tão desejadas estatuetas do evento. No entanto não custa torcer, se não fizer bem, mal não faz. Não assisti ainda mas boto muita fé na nova safra do cinema nacional. Se tem uma coisa que progrediu muito no país nos últimos anos foi a qualidade no nosso cinema. Temos aí uma infinidade de filmes comprovando tal fato, O Homem Que Copiava, Invasor, Durval Discos, Ó Paí Ó, Tropa de Elite dentre tantos outros desta nova geração. Na verdade, acho que, desde o maravilhoso O Quatrilho, o cinema brasileiro vem num processo de melhora acelerado, e, mesmo que não tenhamos os recursos nem os dólares de Holywood, estamos no caminho certo e um dia chegaremos lá. Parabéns ao cinema nacional e aos profissionais que o realizam. Hoje podemos nos orgulhar do nosso desempenho nas telonas graças à competência e peserverança desses resignados e heróicos homens cinematográficos. Por isso, não custa fazer a corrente de torcida para que nossos filmes, jamais saiam de férias dos nossos cinemas. Vejamos o trailler.


quinta-feira, 27 de setembro de 2007

QUATRO MIL – Por Essa Eu Não Esperava...

O Blog

Na semana passada, conversando com meu compadre Ray Vianna, ele disse que admirava a minha dedicação em manter este blog sempre atual e com novas publicações. Embora não seja bem assim, haja vista que às vezes fico tempos sem escrever, este fato se deve ao imenso prazer que sinto ao manter viva esta página. Quando em 05 de Abril deste ano, incentivado por meu irmão Luciano Carôso, escrevi o primeiro texto de abertura do blog, não poderia imaginar, sequer pretendia isto, o alcance que ele teria. Hoje, após quatro mil visitas, vi que não se pode brincar com o poder desta rede e fico muito feliz em saber que muita gente acompanha, lê os meus textos e as maluquices que escrevo. O blog é uma coisa interessante. Não fico botando a prova o que escrevo antes de publicar. Às vezes, dias depois quando leio, penso comigo: que merda! Mas aí não tem mais jeito já foi. Sempre gostei de escrever, mas sempre tive receio de mostrar os meus escritos. Na adolescência, até os meus quinze anos, não era assim. Não tava nem aí e até gostava muito do que escrevia. Depois foi dando uma insegurança danada até que parei completamente.

Com o blog, voltei a ativa. No início fui divulgando aos meus amigos, alguns hoje são visitantes frequentes, acompanham de perto e sempre interagem, dão sua opinião e muito me gratificam. Minha amiga Rose mesmo, morando bem longe, lá no Canadá, me mandou um e-mail esta semana dizendo que adora o blog e sempre entra para matar as saudades dos amigos e ter notícias da nossa terra. Mas, o que mais me surpreendeu com tudo isto, foi ter alcançado pessoas estranhas, dos mais longínquos rincões que se tornaram visitantes assíduas, fazendo comentários, mandando e-mails com críticas e sugestões. Outro dia, recebi uma mensagem no orkut da filha de um compositor que cito no blog, Roberto José, a Indiara Taíse. Ela agradeceu a citação e me convidou para participar da comunidade de seu pai de quem sou muito fã da poesia.

Novidades

Por tudo isto, tenho procurado a cada dia, tornar a visita ao blog mais interessante. Assim, tempos atrás, coloquei os links do Google News dos assuntos gastronomia, culinária, literatura, poesia e MPB, vídeos do Youtube e do Google, e, hoje, acabo de colocar as novidades de esportes da UOL, na barra lateral, com os links para as atualizações de notícias esportivas deste site.

A partir de agora também, estarei sempre fazendo enquetes com os assuntos mais badalados e comentados no momento. A primeira já está no ar, sobre o voto nas casas legislativas, Câmera dos Deputados e Senado Federal. Espero contar com a colaboração dos amigos. As enquetes estarão localizadas na barra lateral esquerda, logo abaixo dos Blogs e Sites que recomendo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

QUANDO O DESTINO QUER...

Quando Evandro entrou em casa logo percebeu que havia algo diferente. Já fazia muitos anos que ele morava sozinho e conhecia cada canto do lugar, a milimétrica posição de cada objeto, nada escapava ao rigoroso crivo do seu jeito sistemático de ser. Extremamente organizado notou imediatamente que o telefone estava um pouco mais a direita do que de costume. Quando foi conferir, erá óbvio que alguem o afastara para dar passagem à mão e alcançar o fundo da mesinha. Logo viu que o fio estava desconectado da tomada. Como poderia alguém ter feito aquilo. Não havia nem um sinal de arrombamento. A porta e fechadura estavam intactos. Ninguém possuía uma cópia da chave, nem poderia, aquele era o seu mundo, seu porto seguro, não havia como compartilhar com outrem. Ficou um pouco amedrontado. Será que havia mais alguém em casa? O que estaria fazendo ali? Seria um assalto? Uma vingança? Os pensamentos fluíram desordenadamente e uma sensação de pânico invadiu o seu interior.

Naquele momento, ele lembrou os acontecimentos da noite anterior. Fizera algo horrível, desumano e talvez estivesse agora pagando por sua conduta deplorável. Atropelou um mendigo e se negou a dar socorro. Chegou a parar o carro, viu o corpo agonizante e ensanguentado do homem no chão. Quando imaginou a sujeira que seria no seu estofamento novinho, olhou ao redor e, àquela hora da madrugada, não havia uma viva testemunha do acontecido. Contudo, tal atitude lhe tirou a paz. Não houve um segundo sequer desde o acidente, que sua mente não ruminasse um remorso sem fim. Começou a ficar assustado. Teria alguma relação com estes fatos da noite anterior?

Ofegante, começou a examinar cada detalhe e percebeu outros claros sinais de que alguém esteve ou estava ali. Apurou a audição, nem um ruído. Restava o andar superior onde ficava seu quarto, o banheiro e a biblioteca, o lugar mais preservado da casa, pelo qual ele seria capaz de morrer. Teve medo de subir os degraus, nem podia imaginar o que o esperava. Sem outra alternativa, começou a subir. A cada degrau seu coração acelerava. Tinha a impressão que saltaria do peito. Primeiro o banheiro. Nada além da torneira que pingava lentamente. Devia ter consertado o vazamento, pensou. No quarto outro sinal. O telefone da cabeceira também havia sido desligado. De resto tudo normal. A essa altura, o coração parecia furar-lhe o peitoral, tamanha a força e velocidade dos batimentos. Uma dor aguda começou a tomar-lhe o braço esquerdo projetando-se levemente para o peito. A respiração ficou mais difícil, faltava-lhe ar. Com as poucas forças que restavam, arrastou-se até a biblioteca. Ao entrar, olhando as estantes vazias, nenhum livro sequer, o que acontecera? Quem roubaria um monte de livros velhos? Para ele, era sua maior fortuna. Foi aí que a dor ficou insuportável, como se alguém batesse em seu peito com muita força. Perdeu os sentidos e desmaiou.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

BRASIL – Pirataria, Tropa de Elite, Calheiros e outras excrescências!



Acabo de assistir ao filme Tropa de Elite. Fico um tanto envergonhado de assumir em público tal fato, haja vista a desconcertante situação de confessar ser um, mesmo que circunstancial, colaborador da pirataria, algo cujos princípios éticos e morais me fazem condenar de imediato. Mesmo reconhecendo a imensidão deste problema que inicialmente quase extinguiu a indústria fonográfica brasileira, e agora abala de forma torrencial os alicerces das indústrias de cinema e vídeo, as dificuldades de solução para tal, num país com um povo ávido de entretenimento e lazer, cujos rendimentos só não são mais torpes que as ações dos Calheiros e cia ltda e a corrupção da nossa polícia cujo filme retrata cruelmente, vai ser quase impossível dar um freio num mercado que, na informalidade, vende por R$ 4,00 algo que não se compraria numa loja por menos de R$ 20,00. Sem contar os lançamentos cinematográficos que não saem abaixo dos R$ 80,00. Como convencer quem ganha um salário mínimo a pagar 500% a mais com argumentos como a geração de emprego e renda e a falta de pagamento de impostos dos piratas? Se estes pelo menos fossem bem aplicados, se nossa população não estivesse morrendo nas filas dos hospitais, talvez ainda tivéssemos uma chance.

Justamente agora que, aqui na Bahia, vários proprietários de vídeo locadoras fizeram manifestações pelo estado, só num dia foram destruídos mais de trezentos mil DVD´s e CD´s piratas, me caiu nas mãos uma cópia ilegal de Tropa de Elite. Neste caso então a coisa se torna ainda mais absurda já que o filme sequer estreou nas telonas e ainda surgiu um boato que não irá mais estrear. Resta-me o consolo de não ter comprado a tal, foi empréstimo de um amigo, como se isto diminuísse a minha culpa. Não iria perder a oportunidade de ver a brilhante película, não consegui resistir.

O filme é um soco na boca do estômago cujos efeitos são avassaladores. Qualquer cidadão sabe o mar de corrupção no qual está mergulhada a nossa polícia, mas ver o assunto tratado de forma escancarada, sem máscaras, sabendo que é tudo real, deixa o mais alienado dos telespectadores revoltado e indignado com a situação. Aqui mesmo, dizem as más línguas, lá no Morro do Águia, que já foi o maior ponto de venda de cocaína de Salvador, as viaturas da PM subiam e desciam constantemente para buscar o arrego, sem incomodar nem traficantes nem viciados.

Por outro lado temos que considerar o lado dos policiais. Pais de família, trabalham arriscando a vida a cada segundo para ganhar um salário de fome. Embora isto não seja desculpa nem argumento. Já imaginou se todo mundo que ganhasse pouco entrasse no mundo do crime e da corrupção para sustentar a família? Onde iríamos parar? Eu mesmo estaria empunhando uma pistola e fazendo assaltos, ou talvez tivesse no morro vendendo umas balas pra gurizada. Não, definitivamente não. Não é isto que quero dar de exemplo pra minha filha. Não é esta vida que quero pra mim. Prefiro conquistar com o suor do meu rosto, o pouco que ganho, sentindo-me feliz e honrado, dormindo tranqüilo enfim. Assim como eu, muitos não cedem às dificuldades, mas vamos convir que, se ganhasse melhor, bem melhor, seria mais fácil manter a polícia longe da corrupção e do crime. A verdade é que hoje pagamos pra ela proteger o ladrão e o traficante, enquanto ficamos sujeitos a todos os tipos de atrocidades. Para confirmar este fato, basta ler ou assistir um jornal diário.

Tudo fica pior quando vemos nossos governantes e legisladores, assim como o Roubalheiros, desculpem Calheiros, que lapso!, saírem impunes, sem máculas, absolvidos a portas fechadas, com votos secretos, onde sequer sabemos pra quem os filhos das putas que nós mesmos colocamos ali, estão trabalhando. Que nojo! Que absurdo! E o governo do trabalhador querendo foder sua classe? Brigando para acabar com 13º, para manter a CPMF. Alguém lembra do discurso do PT antes de ser governo? Cambada de aproveitadores, isso sim. Que saudade de Cristina Nicolloti. Por muito menos mandaria todos eles tomarem no cu. Pena que ela sumiu e a febre da sua inusitada música já passou.

Outra coisa que me repugnou, foi a forma como os membros do BOPE, Comando de Operações Especiais, retratados pelo filme, são treinados. Com humilhação, violência e desrespeito. Verdadeira máquina de ensinar a matar como se bebe uma garrafa de refrigerante, sem nenhuma culpa. Homens treinados para não terem sentimentos, para tratarem o seu semelhante como se fosse um lixo. Meu Deus, aonde vamos parar? É esta lição que daremos pras futuras gerações? Precisamos pensar nisto!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O SONHO

Nunca deixe de sonhar
O rio não larga o seu curso
O mar nunca cessa as ondas
O sonho não pode parar

Renove a cada dia a sua vida
Purifique o sangue nas veias
Remoce o seu coração

Estanque a sua ferida
Desfaça os fios da teia
Não perca a imaginação

O sonho é uma luz no fim túnel
Um oásis no meio do deserto
Que faz a solidão virar um lume
E o longe cada vez ficar mais perto

domingo, 9 de setembro de 2007

VAQUEJADA DE SERRINHA II

Público da Vaquejada 2006 no show de Zezé di Camargo e Luciano



É maravilhoso viajar pelo interior. Aqui em Teofilândia então onde conheço um monte de gente legal, terra do meu cunhado Moisés, onde mora minha irmã Sílvia, é uma delícia. A 20km de Serrinha, cidade onde já morei e hoje mora o meu pai, que está realizando a Vaquejada, festa concorridísima realizada anualmente, sempre em Setembro no final de semana mais próximo do feriado da independência. Este ano que o feriado prolongou o final de semana ficou ainda mais lotada. A festa muda a rotina da pequena cidade, hoje com uns 75mil habitantes. Não existem vagas nos hotéis, muitas pessoas alugam suas casas para os visitantes. Os bares ficam super cheios e o consumo de bebidas alcoólicas é extravagante. Este é um ponto negativo, algumas pessoas abusam demais. A cidade que tradicionalmente já tem mulheres de rara beleza, torna-se o metro quadrado com maior número de beldades da Bahia.

Na sexta à noite eu, Sílvia e Moisés fomos ao Parque Maria do Carmo para ver a festa. Teve show da Banda Calypso dentre outras. Fiquei assustado com a estrutura do lugar. Fazia muito tempo que não ia à Vaquejada. A última vez que fui lá, ainda era realizada num outro parque, defronte do atual, bem menor e sem a mega estrutura deste. Devia ter pelo menos umas 20mil pessoas e mesmo assim não tava apertado. Fiquei mentalizando e contabilizando os números do evento. Os ingressos custam R$ 20,00 na sexta, R$ 25,00 no sábado e R$ 45,00 no domingo. Considerando que das 20mil pessoas apenas 15mil pagaram imgressos, já que alguns privilegiados têm acesso gratuito, como eu que fiquei no camorote de um grande banco onde trabalha a minha irmã e um dos patrocinadores do evento, só a bilheteria rende R$ 1.350.000,00. Fora os camarotes que custam em média R$ 190,00 para todos os dias de festa. Acredito que pelo menos um terço dessas pessoas vão de carro e o estacionamento custa R$ 5,00. Aí seriam mais R$ 75.000,00. Ainda tem a taxa de inscrição dos vaqueiros que concorrem aos diversos prêmios, que varia de R$ 100,00 para amadores a R$ 500,00 para profissionais. Não sei precisar quantos inscritos mas com certeza são muitos. São cinco dias de corridas que acontecem até a madrugada. Embora eu ache a vaquejada um esporte malvado com os animais, no caso os bois, não posso deixar de reconhecer que é muito interessante. Numa pista de areia com 110m de comprimento, um boi corre com a dupla de vaqueiros cuja finalidade é, um guiar o animal para que o outro o segure pelo rabo e o derrube. O boi tem que cair no espaço de 10m demarcado por duas linhas ao final da pista. Quando isso acontece o narrador anuncia o pregão que se tornou famoso no meio: Valeu Boi! Vamos considerar também a quota de cada patrocinador. Este ano foram nove grandes empresas. Uma grande cervejaria, um grande banco, uma concessionária de celular, uma fábrica de caminhonetes americana, uma fábrica de tintas, uma fábrica de cachaça e outros. Não quero ser leviano e falar do que não sei, mas com certeza cada um dos patrocinadores não deixou menos de meio milhão para ligar sua marca ao evento. Ainda tem a taxa que os comerciantes pagam para vender qualquer tipo de produto por lá. Desde um velho espetinho de gato até restaurantes de grande porte, passando pelos bares, loja de souvenirs e outras coisas. Na cidade falam, não pude atestar a veracidade da afirmação, que a cervejaria dá ao evento, todas as latas que são vendidas durante a festa. Tenha certeza que são milhões. A latinha inclusive é personalizada especialmente para o evento. Aí, os donos de bares que exploram a festa, são obrigados a comprar a cerveja da organização. Dizem até que eles contratam catadores para recolherem as latas vazias e depois vendem por R$ 2,70 o quilo. Uma verdadeira mina de ouro esta festa. Mesmo com toda despesa de produção, segurança e estrutura, com o gasto nas premiações, que este ano foi em torno de R$ 100.000,00, é lucro certo. Lucram todos na verdade. Os organizadores, a cidade, a população, o visitante. De algum modo, dos lucros ao emprego, dos impostos à diversão, todos saem ganhando com a festa. Por isso, seus organizadores estão de parabéns. São dois irmãos muito conhecidos na região, Vardinho e Carlinhos, de quem fui vizinho dois anos quando morei em Serrinha, o segundo inclusive, era muito meu amigo, brincávamos de futebol de botão, gude e outras brincadeiras que hoje em dia estão acabando por causa dos computadores e jogos eletrônicos. A vida tratou de nos separar, cada um seguiu seu próprio rumo, mas foi bom reencontrá-lo na vaquejada.
Carlinhos(esquerda) e Vardinho, os organizadores, com Ivete Sangalo na edição 2006.

Quando voltamos pra casa eram mais de 4hs da manhã o que não me impediu de acordar cedo e ir para o mercado comprar as carnes que serão assadas logo mais no churrasco que faremos para despedida do feriado. Comer um beiju na manteiga, um espetinho de gato e tomar uma gelada com o amigo Souto, ou Duca, como preferirem. Depois uma excursão pelo bairro da Olaria, reduto da família de Moisés, cumprimentando o pessoal e bebericando mais umas geladas por lá. Aí fomos para o Jorro, levar a criançada num passeio. Caldas do Jorro é uma estância de águas térmicas, a 60km daqui de Teofilândia. Algumas décadas atrás, através de perfurações em busca de petróleo, jorrou uma água quente, com 48º, e hoje o lugar é muito visitado inclusive pelas propriedades medicinais das suas águas. Além do banho quente, lá é muito tradicional se comer bode. Frito ou assado, sempre acompanhado de uma deliciosa farofa d´água, um néctar dos deuses. Tem também o fígado de bode assado envolvido no redém, uma capa de gordura. Calorias à parte, vale a pena experimentar. A criançada, minha Júlia, Vitor, filho de meus compadres Gil e Mônica que trouxe comigo para o fim de semana, Moara, Mércia e Matheus, filhos de Moisés, amaram o passeio e se esbaldaram nas bicas térmicas. No Jorrinho, vilarejo perto do Jorro onde a água não é tão quente assim e eu, particularmente, acho um banho mais gostoso, curei um pouco a cerveja com horas e horas de banho. Assim, completamente renovado, estou aqui escrevendo este texto pra vocês e pronto pra tocar fogo na churrasqueira. Hoje é dia de Flafluzinho Pra Banguela!!!

sábado, 8 de setembro de 2007

VAQUEJADA DE SERRINHA!

São 4:13hs da manhã. Estou feliz, demasiado feliz. Sentimento antagônico daquele do último texto. Estou feliz sem motivos, ou talvez motivos hajam. Afinal, depois de quarta-feira, só existem motivos pra me alegrar. Uma aventura que, infelizmente, não posso contar. Hoje em Teofilândia, amanhã vou para o Jorro, ou melhor, mais tarde, daqui a pouco, como preferirem. Fui à Vaquejada de Serrinha, acabei de voltar. Embora uma festa linda, não mexe com minha pessoa. Prefiro uma festa íntima. Prefiro ser feliz! Nada que um banho quente não resolva. Estou morrendo de saudades de vocês!

NÃO SEI NADA

Não tenho tempo a perder,
Talvez eu morra amanhã.
Talvez eu seja mais um,
Talvez eu tenha importância.

Se meus amigos souberem
O quanto os amo, sincero.
Se meus amigos quiserem,
O mesmo que imploro e quero

Teria uma vida eterna,
Teria imenso prazer,
Pra seguir minhas jornadas,
Pra verter o meu amor

Pra que nesta caminhada
Não quebrasse o isopor.
Não saísse em disparada
Não tivesse desprazer.
Pra ver a mulher amada
Pra ver minha luz no cio.

Vou assim, em movimento,
Vou seguindo pelo rio.
Um lamento, um sofrimento,
Uma falta de pudor.
Uma voz cortando o tempo,
Um frio pro meu calor.
Um orgasmo inadimplente
A minha ignorância.
EU AMO!!!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

“PEGA NO TOMBA” – Fazendo Novos Amigos

Às 4:30hs da manhã na praça da concentração

É Tão Bom
(Luiz Caldas)

É tão bom
Quando a gente se entrega a beleza
Se sente em total realeza
Com a natureza e o amor...



Fazer novos amigos é uma beleza. Para isto, é preciso estar de peito aberto, livre de preconceitos e, às vezes, se meter em aventuras inenarráveis. Contudo, corajoso que sou, vou tentar narrar a viagem que fiz em 26 de agosto passado, para um vilarejo por nome Pedras Altas. Era a Festa do Vaqueiro que se realiza todo ano, da qual quase nada vi, já que no ponto alto da festa, dormia profundamente no passeio interno da casa onde fizemos nosso ponto de apoio e, provavelmente, roncava muito, rodeado por uma infinidade de garrafas de cervejas vazias, que a turma pôs ao meu lado de sacanagem, para fotografar e filmar meu vexame.

O convite partiu de Erenilson, um colega de trabalho cuja família mora em Feira de Santana, no bairro do Tomba. Seus pais são de Pedras Altas e até hoje mantêm uma casa na cidade que fica a aproximadamente 280km de Salvador e 170km de Feira. A estrada é a mesma que leva à Juazeiro da Bahia, fronteira com Petrolina-Pe, onde morei dos 05 aos 07 anos. Não lembrava quase nada da região mesmo tendo passado por lá na época que trabalhei viajando com bandas de forró e desbravei todo o interior da Bahia. Desta forma, pouco se conhece de onde se passa. Fazia muito tempo Erenilson insistia na minha ida. Resolvi aceitar o convite. A coisa funciona da seguinte forma. Um grupo de aproximadamente trinta amigos faz a vaquinha para bancar a viagem. Aluguel de ônibus, carne para o churrasco, um panelão de feijoada, a cerveja e o gelo. Tudo com muita fartura. Uma pechincha, tudo isto por R$ 30,00 para cada um.

Saí de Salvador de buzu no sábado, 25/08, descendo em Feira de Santana por volta das 10:40hs. Erenilson já me esperava na rodoviária com dois amigos, Feitosa e Dõe. De lá, fomos direto ao Centro de Abastecimento da cidade. Não sei se já comentei por aqui, mas adoro feiras, mercados, etc. É uma forma muito gostosa de interagir com o povo e a cultura de cada lugar. Primeiro paramos na barraca de Tia Nita. Uma velhinha de pelo menos 85 anos que, a cada garrafa que serve ao freguês surrupia um copinho e bebe com cara de imenso prazer, uma figura. Passeamos pelo Centro parando de bar em bar até chegar a um box-restaurante, onde degustamos um maravilhoso carneiro guarnecido com cuscuz de milho. De lá para o Tomba, continuando a via crucis pelos bares do bairro, até parar na mesa de sinuca onde o viciado Erenilson tratou de garantir nossas geladas através das tacadas certeiras, Aquela altura, não sei como ele conseguia jogar, já que o copo não deu conta de manter em pé. Animado pelas vitórias e pelos efeitos do álcool, derrubou-o no chão. Lembrei um e-mail de humor negro que certa feita recebi, onde dizia que era melhor ter mal de Alzeimer que de Parkison, haja vista ser melhor esquecer de pagar a conta que derrubar a cerveja. Erenilson concorda plenamente. Jantamos uma rabada em outro barzinho e fomos pra casa descansar os esqueletos para a jornada do dia seguinte.

Foi então que tive uma visão assustadora. Pensei que havia morrido e chegado ao inferno onde o Capeta me ordenou o pior dos castigos. Eram 4hs da manhã quando levantei ainda tonto e baratinado pelo sono. Ouvi uma zoada estranha, fiquei angustiado naquele escuro, num lugar que nunca havia visto antes. Levou um certo tempo até descobrir onde estava e que a tal zoada era, na verdade, o chuveiro onde Erenilson tomava seu banho. Quase corri desesperado quando a figura saiu nu do banheiro. Uma visão de terror, digna de haloween. Nervos abrandados, banhei-me também, vesti a roupa e saímos às 4:30hs para a concentração da viagem. Primeiros fomos a casa de Miguel, o tesoureiro, cozinheiro e churrasqueiro da turma e único abstêmio. Lá fizemos o desjejum com um delicioso e forte caldo de feijão. Aprovei o cozinheiro na hora. Lá também se encontrava o imenso isopor abastecido de gelo e latinhas. Era o único lugar seguro para guardá-lo. O resto da turma daria uma baixa com certeza em tão precioso conteúdo. Ajudamos Miguel a levar os bagulhos para a praça. Nesta altura o ônibus já nos esperava. Começaram a chegar os amigos do meu amigo. Alguns eu já havia conhecido no dia anterior, outros estava vendo pela primeira vez ali mesmo. Sei que não lembrarei todos os nomes, mas vamos tentar: Guaxinim, Tenente Pão Com Bufa, Feitosa, João Caruru, Caetano, Zé Braz, Tonho, Nêgo, Hugo, Tião e o filho Adriano, Júnior e o filho Felipe, Zé Pernambuco, Correia, Biro Biro, Paulo, Neto, Professor Embola Roda, Chico de Amália(…”Eu vou pra Maracangalha…”) e tantos outros cuja amnésia alcóolica não me permite lembrar. Desculpem àqueles que ficaram fora desta lista podem crer que estão no coração. Feitosa, de sacanagem, trouxe um coco gelado cujo conteúdo era 10% de água e o restante de cachaça. Saiu oferecendo a todos e alguns, uns desavisados como eu, outros por puro prazer, aceitaram a oferta e sofreram mais tarde as devidas consequências.

A turma na concentração às 6hs da Manhã. Miguel com a camisa do Bahia e Erenilson Rosa, o anfitrião, de camisa Rosa. Ai meu Deus!!!

A viagem começou da mesma forma que terminou. No maior clima de festa com a percussão comendo no centro na cozinha, sambas e sambas cantados por vozes apaixonadas, nem sempre afinadas, brincadeiras gostosas entre amigos que se dão bem e se respeitam embora quem venha de fora e não conheça a tradição do lugar, pode até se assustar com as trocas de amabilidades. Um pit stop tático no meio da viagem garante o término do café da manhã. Uma farofa de carne típica de posto de beira de estrada da Bahia. Chegando a Pedras Altas, bota-se o feijão pra ferver na casa dos pais de Erenilson, improvisa-se uma churrasqueira de blocos no fundo do quintal e parte-se para rodar a cidade, ver os desfiles de cavalos, visitar a represa, banhar-se nas águas geladas e renovadoras do Rio Jacuípe, paquerar as belas meninas vestidas ao estilo dos rodeios, cantar, dançar e beber. Apenas Miguel ficou em casa tomando conta do rango e da churrasqueira. Não pensem que ele se importa, esta é a sua diversão. Seu semblante transparece o imenso prazer que sente com sua função.



Na volta pra casa, o churrasco já rola a pleno vapor assim como a feijoada. A fartura é tanta que além de toda a excursão, várias pessoas da cidade e parentes dos anfitriões, filam a bóia na casa pequena, cujo coração não caberia neste texto de tão grande que é. É óbvio que depois de toda esta esbórnia, muitos, assim como eu, tiram sua madorninha depois do almoço. Estes sofrem nas lentes das máquinas e do câmera-man, especialmente contratado para registrar a viagem. Uma vez acordados, outro banho no Jacuípe renova todas as energias para a jornada da volta.

Foi uma delícia participar deste grupo, conhecer aquelas pessoas. Se Deus me der vida e saúde, quero voltar no próximo ano. Pois, se por acaso seu carro não pegar, bote no tombo. Se mesmo assim não der, passe no Tomba que ele pega.



Glossário Regionalista:
Vaquinha:
Reunião de dinheiro dado por diversos amigos com a finalidade de suprir alguma despesa.
Buzu: Ônibus.
Cuscuz: Espécie de bolo feito de fubá de milho com sal e liga de goma de tapioca cozido no vapor. Totalmente diferente do que se chama de cuscuz no sudoeste e sul do país.
Bagulhos: tralhas, bagagem.
Cozinha: Fundo do ônibus.
Amabilidades: Excluído o significado formal, forma irônica de ofensas.
Rango: Comida.
Filar a bóia: Comer de graça.
Pegar no Tombo: Botar o carro para pegar ao ser empurrado ao tempo em que solta-se a embreagem e acelera-se. Algumas regiões falam "pegar no tranco".