quarta-feira, 29 de abril de 2009

FRIGIDEIRA

A madrugada se arrasta lenta
E eu, virando na cama
De um lado para o outro
Como o omelete tostando
Ambas as faces por igual

Mas, para dar sabor a tal prato
Entre as camadas expostas, ao meio,
É necessário o tempero exato
E iguarias no recheio

Justamente ele é o que se ausenta
E eu, jogado na lama
Sou um omelete roto
Sobre o colchão fritando
Sem gosto e sem sal

A madrugada vai alta
E, no meio de cruzado fogo,
Só agora o que me falta
É desligar esse fogo

Vou ver se consigo dormir....

terça-feira, 28 de abril de 2009

A PONTA DO NOVELO


Lã

"Poema de Nelson Elias sobre melodia de Márcio Valverde"

Deixei-a naquela esquina
Como se bem não amara mais
Requinte das vaidades
Dos olhos pingam saudades
E as mãos num sem-que-fazer
Passam horas a tecer
A falta que ela me faz
É ofício de rendeira
Um bilro, um fio, um ponto, um laço
Desmancho tudo que faço
E nem desfaço, refaço
Pra dar o que fazer as mãos
Tecendo seu agasalho
Em fios de lã de saudade
Capote, manta, ilusão.


Sabe quando você perde a ponta do durex? Parece uma bobagem, mas às vezes isso nos consome por um longo tempo. Já se pegou gastando horas em busca da ponta de um novelo? Como começar o bordado se não sabe onde está ponta da linha? E se você não conhece o início imagine o seu fim? O fim da linha? Seu próprio fim? Ou será que você é o novelo emaranhado cuja ponta insiste em se ocultar e portanto não sabe que figura irá bordar? Como colar os pedaços da alma se a ponta da fita adesiva sumiu? É sempre possível fazer uma nova ponta com um estilete, é bem verdade. Mas não irá acabar a fita ao completar o seu arco até o corte? O mesmo não se dá com o novelo? Faça uma nova ponta com a tesoura e verá sua linha acabar antes mesmo da renda tomar forma. Aposentar as agulhas e bilros? Continuar despedaçado? Como tecer uma nova vida sem encontrar a ponta da lã?

São inúmeras as perguntas, infinitos os novelos e metros e metros de lã. São infinitas as formas de rendas, inacabáveis pedaços para colar. Onde estão as minhas pontas?

sábado, 25 de abril de 2009

O FUNDO DO POÇO

Aonde é o fundo do poço em que caí?
Porque ele não chega logo?
Me parece o fim da linha,
Ou melhor, o início da água?
Mas cadê ela?
Porque será que não sinto meu corpo molhar?
Parece uma queda sem fim
Um abismo abissal
Uma forma de morte
Um espelho em frente a outro
Nunca acaba esta visão
Nunca acaba esta queda
Este poço não tem fim.
Mas eu caio firme
Caio com a certeza de que fiz a minha parte
Que deixei a minha arte
Deixei o meu legado.
Me sinto uma pena
Que não pode contra o vento
Não sabe onde vai parar.
O que me espera lá no fundo?
O que me reserva o mundo?
Onde está o meu caminho?
As vezes me sinto sozinho
Mas sei que não estou
Tenho amigos, tenho amor
O que será que me falta?
Madrugada já vai alta
O sono não se aproxima
Perdi a minha rima
Perdi a inspiração
Que venha a água do fundo
Me lave que estou imundo
Mas não me mate.
Eu sei nadar!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O CREPÚSCULO DA BANANEIRA

Tem gente que é poeta e não sabe. Ainda por cima faz graça com isso. Quando meu amigo Luciano na adolescência, apaixonado que estava pela namorada, sua hoje esposa Cássia, escreveu estes versos, para ela, nem imaginava que estava fazendo um poema romântico e de muito valor. Hoje ele o recita para fazer piada, para os amigos darem risada. Sábado passado, quando estávamos reunidos na casa de Ruy, tomando um vinho e fazendo um jantar maravilhoso(só por curiosidade Bacalhau a Gomes de Sá e Camarão ao Pomodoro), ele o recitou. Todos riram. Eu fiquei emocionado. Parabéns Luciano.















O Crepúsculo da Bananeira
Luciano Lubala

O luar clareia o pé de bananeira
Mas, como eu não gosto de goiaba
Roubaram minha bicicleta.






sexta-feira, 17 de abril de 2009

DESEJO

Se eu pudesse saber o que ela queria
Eu queria o que ela quisesse
Se eu pudesse entender o que ela sentia
Sentiria o que nela estivesse

Se eu pudesse ser eu naquele momento
Eu traria o mundo pra dar-te nas mãos
Se eu pudesse falar sobre o sentimento
Naquele momento eu seria a canção

Que a ninasse
A fizesse dormir
Embalasse seu sono
O seu coração

Se eu pudesse ser homem
Um homem pra ela
Cantaria a capela
Eu seria mais eu
Eu faria do mundo
A coisa mais bela
Eu faria da vida
O seu apogeu

Que a encantasse
A fizesse sorrir
Enfeitasse seu pomo
E te desse a mão

Se eu a merecesse, não a perderia
Pra que todo dia
Eu fosse só seu

Se eu a seduzisse enfim bastaria
Aquele sorriso
Seria só meu.

RAINHA

Eu sou uma mulher fatal
Quando me entrego sou completa
Quando me nego sou harpia
Faço para ele tudo que posso
Tudo que me sacia
Tudo que me faz feliz

Sou daquelas que não esperam
Tomo a iniciativa
Sou cativa, sou fogosa
Sou a rosa e o espinho
Sou a rua, sou o ninho
Sou mulher em toda essência

Trago nas mãos o punhal do desejo
No coração o golpe do amor
Sou o carrasco, a cafetina
Sou a menina em forma de flor

Eu sou a Deusa, sou a conquista
A ametista, diamante bruto
A carpideira chorando seu luto
A faxineira limpando seu chão
A dançarina brilhando no palco
Quando desfalco a sua paixão

Eu sou uma pobre criança
Meras lembranças de um tempo longínquo
De mares distantes, de encarnações
A soberana, beata e profana
A vil mundana das mutilações
Quando em seu corpo sem dó eu me finco
Eu sou a dona das emoções

Sou a mulher valente, a mulher amada
Eu sou a fada e sou a bruxa.
A que agrada e a que repulsa
A que faz falta e a que sobra
Sou o autor sem sua obra
Eu sou a obra sem seu autor
Eu sou a mãe, a filha, a sogra
Eu sou o ódio, eu sou amor

quinta-feira, 16 de abril de 2009

AO TELEFONE

-Alô!
-É você!
-Sim. A chuva tá forte, bateu saudade!
-Porque não ligou ontem?
-Viajei, estava trabalhando.
-Pensei que tinha esquecido de mim.
-Não é possível isto. Como esquecer de você?
-Está mentindo, só quer me agradar.
-Não verdade, eu gosto de você!
-Então porque não ligou ontem?
-Já falei, estava viajando a trabalho!
-Não podia parar um minutinho para me ligar? Só um minuto.
-Não dá para falar só um minuto com você.
-Está me chamando de conversadeira? Está se incomodando ao falar comigo?
-Não. Apenas quis dizer que conversar contigo é bom. Por isso não consigo falar pouco.
-Mentiroso. Você sabe que dia é hoje?
-Sim, quinta-feira!
-Ta vendo que você não se importa comigo?
-Porque?
-Hoje completa um mês exatamente que tive aquela afta.
-E porque eu deveria marcar esta data?
-Você ficou um dia sem poder me beijar. Deveria tê-lo marcado para sempre.
-Bobagem.
-Como você é insensível, não se importa comigo.
-Não fala isto. Me importo e muito com você.
-Se se importasse lembraria de qualquer dia que não pode me beijar.
-Prefiro lembrar dos dias em que a beijo com sofreguidão.
-Tá vendo? Só lembra dos beijos. Não falou dos dias em que fazemos amor. Na certa você acha que a Cristina, aquela sua ex sem sal, era melhor do que eu.
-Porque colocar a Cristina na conversa? Quando te conheci tinha mais de um ano que não a via nem falava com ela. Logo depois do nosso término ela foi para Espanha e nunca mais nos falamos.
-Mas você queria revê-la.
-Não. Quero ver você. Estou com saudades. Por isso te liguei.
-Mas estou despreparada. Não fui ao salão.
-Bobagem, você é linda de qualquer jeito.
-E estou meio assim.
-Assim como?
-Assim ora. Você não me entende mesmo né? Hoje não dá pra sairmos.
-Porque?
-Porque não. Está aonde?
-Em casa, pensando em você.
-Mentiroso. Quer sair comigo a tarde para ir ao jogo à noite.
-Mas o jogo é fora, não vou ao estádio.
-Mas se fosse aqui você iria.
-Sim, mas iria te convidar.
-Para me irritar? Sabe que não gosto de futebol. Vá assisti seu jogo na televisão.
-Não vai ser transmitido. Quero sair com você, vamos.
-Hoje não. Deixa para amanhã.
-Amanhã não posso vou passar o dia no congresso.
-Tá vendo? Você nunca pode sair comigo.
-Mas estou te convidando!
-Só porque não ligou ontem. Está querendo se redimir.
-Porra será que você não entende?
-Não seja grosso! Vocês são uns trogloditas.
-Desculpe, não quis ser grosso. Só apelei para que você acredite que eu te amo e quero sair com você.
-Verdade!
-Claro! Eu te amo!
-Fala de novo.
-Eu te amo!
-Não ouvi.
-Eu te amo, te amo, te amo!
-Que lindo. Você é apaixonante!
-Você também.
-Porque os homens tem essa mania de dizer "também". Porque não tem coragem de falar que eu sou apaixonante.
-Mas acabei de falar que te amo?
-Mas não teve coragem de dizer que sou apaixonante.
-Assim fica difícil, não dá pra falar desse jeito. Está de TPM?
-Não sei, talvez.
-Então nos falamos depois.
-Me liga mais tarde.
-Pra quê? Acabamos de nos falar e você não parece estar bem.
-Tá vendo? Não quer ligar porque vai sair com outra ou encher a cara com seus amigos nos bares da cidade.
-Não vou sair de casa. Não sem você.
-Então me liga mais tarde.
-Tá bom, ligo sim.
-Nos falamos depois então. Um beijo. Até mais.
-Um beijinho lindo. Vou sentir saudades. Vou esperar ansiosa ao lado do telefone. Não tenho coragem de desligar. Desliga você.
-Tá bom. Beijão. Mais tarde te ligo..
tum, tum, tum....
-AH FILHO DA PUTA!

terça-feira, 14 de abril de 2009

CHICO BUARQUE, O PENETRA

Fiquei puto com Lorena, do Strange Little Girl, que não me convidou para essa festa. Um meme como este, faço total questão de participar. Logo eu que ando tão distante da blogosfera, quase sem nenhuma interação, não ando lendo ninguém, muito menos comentando, como me acho no direito de ficar puto com ela por não ter me convidado? Bobagem essa minha mas a verdade é que fiquei. Mais ainda por saber que não terei um décimo da capacidade que ela teve para respondê-lo, é um meme muito difícil. A inveja é uma merda!

Consiste no seguinte: escolher um cantor e responder à série de perguntas a seguir apenas com letras, ou trecho delas, de músicas do artista escolhido. Como valorizo muito o lado autoral, escolhi um cantor por consequencia, mas essencialmente um compositor. O meu maior ídolo, o cara que descobri aos doze anos e que nunca mais saiu da minha vida, cuja obra tem a capacidade de traduzí-la nos seus mais íntimos momentos: Chico Buarque. Quem eu gostaria de ser por apenas um dia. Mais uma vez, a inveja é uma merda.

Vamos então às perguntas:

1. És homem ou mulher?

"...Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio
Pele e osso simplesmente, quase sem recheio..."
Partido Alto(Chico Buarque)

2. Descreve-te.

"Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Inda garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão, eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim

Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim

Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, minha mula empacou
Mas vou até o fim

Não tem cigarro, acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim?
Eu já nem lembro pronde mesmo que vou
Mas vou até o fim

Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu tava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim"
Até o Fim(Chico Buarque)

3. O que as pessoas acham de ti?

"Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons..."
Choro Bandido(Edu Lobo/Chico Buarque)

4. Como descreves o teu último relacionamento?

"Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim ?
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado

Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde "
Trocando em Miúdos(Francis Hime/Chico Buarque)

5.Descreve o momento atual da tua relação:

"...Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus"
Sem Fantasia(Chico Buarque)

7. Onde queria estar agora?

"Negras nuvens
Mordes meu ombro em plena turbulência
Aeromoça nervosa pede calma
Aliso teus seios e toco
Exaltado coração
Então despes a luva para eu ler-te a mão
E não tem linhas tua palma

Sei que é sonho
Incomodado estou, num corpo estranho
Com governantes da América Latina
Notando meu olhar ardente
Em longínqua direção
Julgam todos que avisto alguma salvação
Mas não, é a ti que vejo na colina

Qual esquina dobrei às cegas
E caí no Cairo, ou Lima, ou Calcutá
Que língua é essa em que despejo pragas
E a muralha ecoa

Em Lisboa
Faz algazarra a malta em meu castelo
Pálidos economistas pedem calma
Conduzo tua lisa mão
Por uma escada espiral
E no alto da torre exibo-te o varal
Onde balança ao léu minh’alma

Em Macau, Maputo, Meca, Bogotá
Que sonho é esse de que não se sai
E em que se vai trocando as pernas
E se cai e se levanta noutro sonho

Sei que é sonho
Não porque da varanda atiro pérolas
E a legião de famintos se engalfinha
Não porque voa nosso jato
Roçando catedrais
Mas porque na verdade não me queres mais
Aliás, nunca na vida foste minha"
Sonhos sonhos são(Chico Buarque)

7. O que pensas a respeito do amor?

"Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela é bonita
Tem um olho sempre a boiar
E outro que agita

Tem um olho que não está
Meus olhares evita
E outro olho a me arregalar
Sua pepita

A metade do seu olhar
Está chamando pra luta, aflita
E metade quer madrugar
Na bodeguita

Se seus olhos eu for cantar
Um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar
Toda a pintura

Ela pode rodopiar
E mudar de figura
A paloma do seu mirar
Virar miúra

É na soma do seu olhar
Que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar
Ou faroleiro

Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela acredita
Tem um olho a pestanejar
E outro me fita

Suas pernas vão me enroscar
Num balé esquisito
Seus dois olhos vão se encontrar
No infinito

Amo tanto e de tanto amar
Em Manágua temos um chico
Já pensamos em nos casar
Em Porto Rico"
Tanto Amar(Chico Buarque)

8.Como é a tua vida?

"O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro

Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas

Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro

Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho

Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto

Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethania, Rita, Clara
Evoé, jovens à vista

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro"
Paratodos(Chico Buarque)

9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo:

"Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia

Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se come e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia"
Basta Um Dia(Chico Buarque)

10.Escreva uma frase sábia.

"...Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu..."
Pedaço de Mim(Chico Buarque)

Bem é isto. Como não fui convidado para a festa entro de penetra. Não me sinto no direito de repassá-lo, mas se alguém quiser entrar de penetra também, sinta-se a vontade.

SELO


Quero aproveitar este meme para agradecer ao Vidal pelo selo Blog de Ouro. Ele sim merece este, mas com sua imensa bondade compartilhou com os amigos do Bilhetes e acabei por ser agraciado. Obrigado Mano. Agora então vou repassá-lo para outros blogs que merecem ao meu entender, o selo dourado.

Strange Little Girl

Anavision
Florescer
De Tudo Um Pouco
Blog de Lêda
De Pó a Poesia

É claro que a lista seria muito maior, mas vou ficando por aqui. Beijo a todos!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

POETISA

Se tu soubesses
A força e beleza das tuas palavras
O quão fundo elas adentram os corações
Quando descem coma lavas
E incendeiam as emoções

Se tu soubesses
Como é belo o sentimento
Expostos em teu papel
Quantos sonham com você
Nas estrofes que tu gravas
Com a força do teu cinzel

Como a mágica dos teus versos
Primam na ilusão das rimas
Na mente insana do leitor
Se tu soubesses
Que propagas em poemas
As mais belas cantilenas
E o lindo fruto do amor

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O TÚNEL

Talvez meu destino
Esteja sendo traçado
A dois mil quilômetros
Da minha casa
Talvez esteja na esquina
Do próximo quarteirão
Não importa a distância
Que eu tenha de percorrer
Sei que chego lá
Afinal, há sempre uma luz
No fim do túnel
Ou não há?

A AMIGA

É um pedaço de mim
Um pedaço vital
Que hoje se desprende e vai embora
Queria ter palavras nessa hora
Mas só tenho lágrimas para rolar

É um membro, uma veia,
Um coração devastado
Perde a força, o traçado
Bombeia o sangue errado
Não sabe qual é seu lugar

Como sentir esta falta?
Como viver sem seu lastro?
E dizer que a vida é bela?
Como enfrentar esta fera,
Sem seu ombro pra chorar?

Vai, mas leva contigo
Todo meu ser, minha vida
Saiba que sua amiga
Sempre vai te esperar

Te amo, te amo, te amo,
E sempre que eu te chamo
É por amor que eu clamo
Contigo compartilhar.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

BAIANADA


Agora há pouco, por volta das 18h30, eu estava num ponto de ônibus esperando um amigo. Como este demorava, fiquei observando o intenso movimento de carros àquela altura do início da noite, na movimentada avenida da orla marítima no Jardim de Alah aqui em Salvador. Neste momento, ignorando o recuo apropriado para a parada no ponto, um motorista parou o ônibus no meio da rua abrindo as portas para embarque e desembarque dos passageiros. Não restando outra alternativa, quem descia ou subia no veículo tinha que atravessar a faixa de recuo. Foi então que um apressadinho, motivado pela irresponsabilidade brutal do motô*, resolveu fazer pior que ele e ultrapassá-lo usando o recuo do ponto, quase causando uma tragédia sem precedentes. Não tenho dúvidas que foi a mão de Deus que evitou o desastre. Imediatamente me lembrei de Caetano Veloso, um baiano que dispensa apresentações, e sua música "Vamo Comer", além do post que publiquei aqui, o Baiano na Direção. Gostaria que isto fosse uma brincadeira de 1º de abril, o dia da mentira, mas é a mais pura verdade. Basta ler ou assistir aos jornais locais diariamente para vermos a imensa incidência de acidentes de trânsitos, em boa parte fatais, na capital baiana. A maioria deles seriam evitados se houvesse mais consciência por parte dos motoristas, motociclistas, e pedestres, enfim, pela população em geral. Meu Deus! Até quando amargaremos esta vergonha, este recorde lastimável? Sei que este é um problema mais amplo, que ultrapassa as fronteiras baianas, mas, sinceramente, pelo que já vi e vivi longe daqui, acho que estamos na frente de outros estados, o que é lamentável e vergonhoso.

Como meu amigo demorou mais ainda, fiquei maquinando na cabeça cheia de indignação, os versos expostos a seguir. Não tem nenhuma pretensão poética, foi apenas uma forma de passar o tempo e de dar o meu grito de protesto. Não gostaria de dar razão a Caetano. Que pena!

BAIANADA

O ônibus pára no meio da rua
O carro ultrapassa pelo ponto
"Baiano, burro, nasce e cresce"**
Compra carteira por qualquer cem conto

Quebra-molas é sinal aberto
Canteiro, faixa intermitente
"Baiano, burro, nasce e cresce"
É os ás na direção valente

A vida é uma brincadeira
O carro arma para a guerra
"Baiano, burro, nasce e cresce"
A cada hora uma vida enterra

Tem sempre que chegar primeiro
A rua é pista de corrida
"Baiano, burro, nasce e cresce"
E esquece o valor da vida

Onde andam os nossos valores?
O respeito pela vida humana
"Baiano, burro, nasce e cresce"
Numa corrida cruel e insana

O trânsito é uma batalha
Avenida é campo minado
"Baiano, burro, nasce e cresce"
E passa no sinal fechado

E eu que também sou baiano
Já tô achando que não sou normal
"Baiano, burro, nasce e cresce"
E ainda fala que eu sou boçal

*Motô: Forma carinhosa que o baiano chama o motorista de ônibus.
**Versos de Caetano Veloso da música "Vamo Comer" "Baiano burro, nasce e cresce e nunca pára no sinal. E quem pára e espera o verde é que é chamado de boçal.".

CULINÁRIA BAIANA

Habitada por índios, descoberta por portugueses e recheada por africanos que aos montes foram sendo trazidos para a nossa terra, a Bahia sofreu a influência marcante destas culturas. Tantos ingredientes, cada um na sua exata porção, deram origem a uma das receitas mais saborosas do mundo, A CULINÁRIA BAIANA.

Podemos dizer que, casualmente ou não, a busca de novos sabores, foi preponderante para a descoberta das terras brasileiras, haja vista que um tesouro, dos mais preciosos da época, as especiarias, motivou, em 08 de março de 1500, a saída da expedição de Cabral de terras lusitanas, em busca do caminho das Índias. Lá estavam as tão valiosas especiarias, as mesmas tão ao alcance das nossas mãos e mesas hoje em dia: cravo, canela, gengibre, baunilha, mostarda, erva-doce, dentre muitas outras. Em tempos de ausência de técnicas de conservação de alimentos, seu valor mais tinha a ver com a questão da pura sobrevivência do que com o requinte culinário. As especiarias tornavam os sabores mais toleráveis, além de amenizarem, pelas suas propriedades medicinais, eventuais desarranjos de saúde, provocados pela ingestão de comidas inadequadas.

Após o discutível desvio acidental da rota desejada, os portugueses desembarcaram no Brasil a 23 de abril de 1500, um dia depois de avistarem nossas terras. Os primeiros contatos com os habitantes locais, os Índios, foram marcados por trocas amistosas de alguns presentes, em sua maioria iguarias de cada um dos povos. Inicialmente os índios brasileiros rejeitaram os sabores europeus, cuspindo quase tudo que lhes era servido, inclusive o vinho. Foi uma questão de dias. Logo em 29 de abril, dois nativos subiram a bordo de uma das embarcações e comeram de tudo que lhes ofereceram. Esbaldaram-se com arroz e presunto cozido servido frio e beberam vinho.

Do cardápio local, os primeiros ingredientes experimentados pelos portugueses vieram do mar e rios: peixes e camarões. “Grossos e curtos, entre os quais tinha um tão grande e grosso, como em nenhum tempo vi tamanho” admira-se Caminha em sua carta ao rei, onde descrevia as belezas e encantos, assim como os defeitos, pelo menos aos olhos dos portugueses, da nova terra e seu povo.
Começava ali a nascer, a culinária brasileira, uma mistura de culturas e sabores que hoje, extremamente diversificada e influenciada por outras culturas, encanta os paladares mais requintados do mundo tendo como um dos destaques principais, a culinária baiana.

As primeiras mudas de cana-de-açúcar chegaram ao Brasil a bordo das embarcações que sucederam Cabral. Encontrando um solo fértil de massapê e clima úmido que logo se mostraram ideais para seu cultivo. Assim se formava a lavoura que trouxe às nossas terras, a pitada de sabor que faltava para completar a receita: o povo africano. Eles vieram das Ilhas do Golfo Guiné, Angola, Moçambique, Costa do Marfim, Costa da Malagueta e outras regiões da África. Tinham culturas diversas, algumas milenares e, conseqüentemente, culinárias distintas entre si, que ajudaram e muito a enriquecer os sabores do cardápio brasileiro. Trouxeram na bagagem um extraordinário talento de adaptação aos poucos ingredientes a que tinham acesso aos seus hábitos culinários. Aperfeiçoaram por exemplo, o pirão, uma invenção portuguesa no Brasil, a partir da farinha de mandioca, já vastamente usada pelos índios e das técnicas portuguesas de caldos e papas. Para fazer render a pequena ração que recebiam, escaldavam a farinha no caldo fervente dos alimentos e comiam com pimenta malagueta. Era o Pirão Massapé, assim chamado pela coloração arroxeada do preparo.

Com a intensificação do tráfico de escravos (negros africanos), vários produtos e plantas alimentares da áfrica vieram para cá. Quiabo, inhame, gengibre, dendê, côco e tantos outros. Aqui, junto aos produtos locais e os trazidos pelos portugueses, foram “assados, grelhados e cozidos” durante anos e anos de colonização, sofrimento e história, dando origem ao “prato” de sabor indescritível e tempero sem igual: A CULINÁRIA BAIANA.

Bibliografia consultada:

Fruend, F.; Vieira, S. e Zuanetti, R. 2001. O Mundo da Cozinha. Rio de Janeiro: Senac Nacional
Leal, M. L. Soares. 1998. A História da Gastronomia. Rio de Janeiro: Senac Nacional
Romio, Eda. 2000. 500 Anos de Sabor. São Paulo: Romio

sábado, 28 de março de 2009

O TREM DE MINAS

Uma luz que vem de Minas
Como o trem de Sabará
A beleza explicada
As ondas belas do mar

O mar de minas
A emoção deste sal
Nos caminhos do Belo Horizonte
As cores do cartão postal

O sabor do pão de queijo
O som do clube da esquina
A beleza que não vejo
Da bela moça de Minas

quinta-feira, 26 de março de 2009

VIVA SALVADOR - 460 ANOS

Vista aérea de Salvador Foto: Sandra Bigollo

Domingo, 29 de março de 2009, a cidade de Salvador da Bahia completa 460 anos. Marcada pela riqueza cultural, diversidade de etnias, belezas naturais, arquitetura colonial e tantos outros atributos, Salvador com suas igrejas, ladeiras, casarios, festas, praias e guetos é uma cidade apaixonante que encanta baianos, brasileiros e gente de todos os lugares do mundo. Nasci aqui embora tenha passado minha infância inteira mudando de cidade em cidade no interior do estado. Só em 1983, quando vim definitivamente para a capital estudar, é que pude conhecer de verdade a minha cidade natal. Foi amor a primeira vista. Parafraseando Chico Buarque, "ver Amaralina, foi que nem beijar menina, que cenário de platina, que poema à beira mar".

Salvador tem uma importância histórica fundamental para o Brasil tendo sido a sua primeira capital. **"A história da cidade de Salvador inicia-se 48 anos antes de sua fundação oficial com a descoberta da Baía de Todos os Santos, em 1501. A Baía reunia qualidades portuárias e de localização, o que a tornou referência para os navegadores, passando a ser um dos pontos mais conhecidos e visitados do Novo Mundo. Isso fomentou a idéia de construção da cidade. O rei D. João III, então, nomeou o militar e político Thomé de Sousa para ser o Governador-geral do Brasil e fundar, às margens da Baía, a primeira metrópole portuguesa na América.

Em 29 de março de 1549, a armada portuguesa aportava na Vila Velha (hoje Porto da Barra), comandada pelo português Diogo Alvares, o Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de Cidade do São Salvador da Baía de Todos os Santos, que desempenhou um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano entre os séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil de 1549 a 1763.

O trecho que vai da atual Praça Castro Alves até a Praça Municipal, o plano mais alto do sítio, foi escolhido para a construção da cidade fortaleza. Thomé de Souza chegou com uma tripulação de cerca de mil homens – entre voluntários, marinheiros soldados e sacerdotes, que ajudaram na fundação e povoação de Salvador.

Em 1550, os primeiros escravos africanos vieram
da Nigéria, Angola, Senegal, Congo, Benin, Etiópia e Moçambique. Com o trabalho deles, a cidade prosperou, principalmente devido a atividade portuária, cultura da cana de açúcar e comercialização o algodão o fumo e gado do Recôncavo.



A riqueza da Capital atraiu a atenção de estrangeiros, que promoveram expedições para conquistá-la. Durante 11 meses, de maio de 1624 ao mês de abril de 1625, Salvador ficou sob ocupação holandesa. Em 1638, mais uma tentativa de invasão da Holanda, desta vez com o Conde Maurício de Nassau que não obteve êxito.

A cidade foi escolhida como refúgio pela família real portuguesa ao fugir das investidas de Napoleão na Europa, em 1808. Nessa ocasião, o príncipe regente D. João abriu os portos às nações amigas e fundou a escola médico-cirúrgica, primeira faculdade de medicina do País.



Em 1823, mesmo um ano depois da proclamação da Independência do Brasil, a Bahia continuou ocupada pelas tropas portuguesas do Brigadeiro Madeira de Mello. No dia 2 de julho do mesmo ano, Salvador foi palco de um dos mais importantes acontecimentos históricos para o estado e que consolidou a total independência do Brasil. A data passou a ser referência cívica dos baianos, comemorada anualmente com intensa participação popular.

Dos planos iniciais de D. João III, expressos na ordem de aqui ser construída "A fortaleza e povoação grande e forte", o compromisso foi cumprido por Thomé de Souza e continuado pelos que os sucedem. São filhos de Catarina e Caramuru, que se misturaram com os negros da mãe África e legaram à Salvador a força de suas raças criando um povo “gigante pela própria natureza”." **



Esta semana, em comemoração aos festejos do aniversário da cidade, uma televisão local está realizando uma enquete para decidir qual a música que melhor representa a cidade. Tarefa difícil haja a vista a riqueza de músicas que falam com maestria sobre Salvador. Foram dez canções previamente escolhidas para que o internauta pudesse dar o seu voto. Veja abaixo a relação e as letras de cada uma delas. Eu mesmo sinto muito a falta de Chame Gente(Armandinho/Moraes Moreira), para mim não poderia ficar fora de tal relação. Contudo, como bom baiano que sou e apaixonado pela cidade, darei o meu voto. Seja qual for a escolhida, o que importa é que todas elas homenageiam com beleza a bela São Salvador.




São Salvador

(Dorival Caymmi)

São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra de Nosso Senhor
Pedaço de terra que é meu
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do branco mulato
A terra do preto doutor
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do Nosso Senhor
Do Nosso Senhor do Bonfim
Oh Bahia, Bahia cidade de São Salvador
Bahia oh, Bahia, Bahia cidade de São Salvador

Baianidade Nagô
(Evany)

Já pintou verão
Calor no coração
A festa vai começar
Salvador se agita
Numa só alegria
Eternos dodô e osmar
Na avenida sete
Da paz eu sou tiete
Na barra o farol a brilhar
Carnaval na bahia
Oitava maravilha
Nunca irei te deixar meu amor

Eu vou
Atrás do trio elétrico vou
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo a minha baianidade nagô
Eu queria
Que essa fantasia fosse eterna quem sabe um dia a paz
Vence a guerra
E viver será só festejar

Êô êô laiá êô êô laiá

We Are The World of Carnaval
(Nizan Guanaes)

Ah, que bom você chegou
Bem-vindo a Salvador
Coração do Brasil
Vem, você vai conhecer
A cidade de luz e prazer
Correndo atrás do trio
Vai compreender que a baiano é
Um povo a mais de mil
Ele tem Deus no seu coração
E o Diabo no quadril
We are Carnaval
We are, we are folia
We are, we are the world of Carnaval
We are Bahia

Bahia com H
(Denis Brian)

Dá licença, dá licença meu senhor
Dá licença, dá licença pra Ioiô
Eu sou amante da gostosa Bahia porém
Pra saber seus segredos serei baiano também
Dá licença de gostar um pouquinho só
A Bahia eu não vou roubar, tem dó
Já disse o poeta que terra mais linda não há
Isso é velho, do tempo em que já se escrevia Bahia com H
Deixa eu ver, com meus olhos de amante saudoso
a Bahia do meu coração
Deixa ver Baixa do Sapateiro,
Chaio, Barroquinha, Calçada, Taboão
Sou amigo que volta feliz pra teus braços abertos Bahia
Sou poeta e não quero ficar assim longe da tua magia
Deixa ver teus sobrados, igrejas, teus santos
Ladeiras e montes tal qual um postal
Dá licença de rezar pro Senhor do Bonfim
Salve a Santa Bahia imortal, Bahia dos sonhos mil
Eu fico contente da vida em saber que a Bahia é Brasil

A Bahia Te Espera
(Chianca de Garcia/Herivelto Martins)

A Bahia da magia, dos feitiços e da fé.
Bahia que tem tanta igreja, que tem tanto candomblé.

Para te buscar nossos saveiros já partiram para o mar.
Yayá Eufrásia, ladeira do Sobradão
Tá preparando seu candomblé
Velha Damásia da ladeira do mamão
Tá preparando o acarajé

Para te buscar nossos saveiros já partiram para o mar
Nossas morenas roupas novas vão botar
Se tu vieres, virás provar o meu vatapá
Se tu vieres viverás nos meus braços a festa de Yemanjá

Vem, vem, vem
Vem em busca da Bahia
Cidade da tentação
Onde o meu feitiço impera
Vem
Se me trazes o teu coração
Vem
Que a Bahia te espera

Bahia, Bahia, Bahia, Bahiaaaa

Rebentão
(Carlos Pita)

Moro numa cidade cheia de ritmos
Que sobe e que desce ao som da maré
Ela canta, ela dança
Ela toca, ela vibra
Ele bate com a mão
Ela dança com o pé
Ele faz samba na porta do ônibus
Liberdade é o negro do ilê
Ela dança com a lata na cabeça
Sua trança bonita, ela é badauê

Iô, iô, iô, rebentão
Iô, iô, iô, de maré
Ele bate na palma da mão
Ela dança com a ponta do pé

Moro numa cidade cheia de ritmos
Que sobe e que desce ao som da maré
Ela canta, ela dança
Ela toca, ela vibra
Ele bate com a mão
Ela dança com o pé
Eles passam cantando com a tribo em festa
É muzenza na cor, é muzenza na fé
Basta ouvir os tambores tocando
Que a cidade já sabe Olodum como é

O Canto da Cidade
(Tote Gira/Daniela Mercury)

A cor dessa cidade
Sou eu!
O canto dessa cidade
É meu!..

O gueto, a rua, a fé
Eu vou andando a pé
Pela cidade bonita
O toque do afoxé
E a força, de onde vem?
Ninguém explica
Ela é bonita...

Uô Ô!
Verdadeiro amor
Uô Ô!
Você vai onde eu vou...

Não diga que não me quer
Não diga que não quer mais
Eu sou o silêncio da noite
O sol da manhã...

Mil voltas o mundo tem
Mas tem um ponto final
Eu sou o primeiro que canta
Eu sou o carnaval...

É D'Oxum
(Gerônimo/Vevé Calazans)

Nessa Cidade Todo Mundo É d'oxum
Homem, Menino, Menina, Mulher
Toda Essa Gente Irradia Magia
Presente Na Água Doce
Presente n'água Salgada
E Toda Cidade Brilha
Seja Tenente Ou Filho De Pescador
Ou Importante Desembargador
Se Der Presente É Tudo Uma Coisa Só
A Força Que Mora n'água
Não Faz Distinção De Cor
E Toda A Cidade É d'oxum
É d'oxum, É d'oxum, É d'oxum,
Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar
Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar
É d'oxum, É d'oxum

Na Baixa dos Sapateiros
(Ary Barroso)

Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia
A morena mais frajola da Bahia.
Pedi-lhe um beijo, não deu,
Um abraço, sorriu,
Pedi-lhe a mão, não quis dar, fugiu...

Bahia, terra da felicidade,
Morena, eu ando louco de saudade.
Meu Senhor do Bonfim
Arranje outra morena igualzinha pra mim.

Oh! amor, ai,
Amor bobagem que a gente não explica, ai, ai,
Prova um bocadinho, ô
Fica envenenado, ô
E pro resto da vida é um tal de sofrer
Ôlará, ôleré.

Ô Bahia,
Bahia que não me sai do pensamento.
Ouve o meu lamento, ô
Na desesperança, ô
De encontrar nesse mundo
Um amor que eu perdi na Bahia, vou contar.

Ô Bahia,
Bahia que não me sai do pensamento...

Salvador é Um Porto Seguro
(Moraes Moreira)

Salvador é um porto seguro
Seguro que é tanta agonia
Há tanta beleza
Tanta tristeza e alegria

É um porto, é um porto sete portas
Sempre abertas pra magia
De todos os santos
Que vem baixar na Bahia

É um porto parto e chego
Fica o nêgo e português
Olho aberto de índio
Enxergando até chinês

É um porto, é um porto
Portugal
É um porto, é um porto é um
Carnaval


Vista áerea da orla com destaque para o farol da Barra
**Trecho retirado do site oficial de turismo de Salvador

quarta-feira, 25 de março de 2009

A ÁRVORE


Uma árvore frondosa
Cheia de frutos e folhas
Nasceu em meu coração
Sob o nome de amor

Em seus galhos os pássaros
Macacos e bichos preguiças
Encontram abrigos
E tecem seus ninhos

Encontram a fresca sombra
Aqueles que param sob a fronde
Na sesta revigorante
Sob as folhas da paixão

Um coração selvagem
No meio da floresta
Derrama a sua seiva
Pensando nela

Lindo
Arbusto
Imáginário

segunda-feira, 23 de março de 2009

GRAVURA

Com teus traços
Externas sentimentos
Retratas o belo, o feliz
A imagem profunda
O exato momento
Do sorriso, a mais perfeita matiz

A busca do talento inesgotável
A sombra dá volume à bela face
Gravura de valor inestimável
O orbe que assim representaste

Um coração que aqui emocionado
No momento uma lágrima derrama
Por ver em belas linhas retratado
O rosto da pessoa que mais ama

Para César Sousa, autor da gravura da minha filha Júlia acima.

quinta-feira, 19 de março de 2009

MÃOS DADAS


Há duas semanas atrás eu conversava com a amiga Ana Casanova sobre o poder de aproximação que a internet, e em particular a blogosfera, tem sobre os seres humanos. Distâncias kilométricas tornam-se insignificantes diante da rede. Ela me falava sobre o fato de amigos blogueiros localizados nos mais longínquos rincões estarem usando o poder da rede para fazerem parcerias das mais diversas. Uma idéia muito interessante me pareceu. Eu mesmo já havia visto algo sobre isto e lido alguns frutos destas parcerias. Lembrei também, que muito antes do advento da internet, parceiros como Roberto Carlos e Erasmo Carlos, usaram o telefone para criarem músicas antológicas que, até hoje, mesmo com toda a força da net, se mostram atuais e continuam sensibilizando corações das mais novas gerações. Eu mesmo já fiz músicas através de e-mails com o meu amigo e parceiro Márcio Valverde. Quase sempre o resultado final nos deixa muito orgulhosos. Ela então me propôs o desafio de fazermos um poema juntos. Assim, através de e-mails fomos reunindo idéias de cada um para que juntas transformassem-se numa coisa só. Daí nasceu este poema que por sugestão minha parla sobre o tema em questão. A aproximação que a internet possibilita a quem está tão longe, como no nosso caso, que estamos separados por um oceano imenso.

Mais uma vez lembro a frase de Richard Bach: "podem os kilômetros separarnos dos amigos?"

Mãos Dadas
Ana Casanova/Adriano Carôso

Num campo lindo e florido
Demos as mãos, e
Escrevemos um poema
Poema de amor, de amizade
Poema onde a saudade
Tem um fundo colorido
Poema que nos invade
Poema de quatro mãos
Poema que é canção
Uma bela cantilena
Poema que nos une
Muito embora a distancia
Em tudo nos aproxime
Através do oceano
Transportados em sonhos
Na sintonia das palavras
Na maré das emoções
Poema que nos transporta
Em continentes e ilhas
Nesta imensa simbiose
Pura, singela e sem medos
E, juntos desafiamos
Tudo o que nos afasta
Pela força da partilha
Num poema a vinte dedos.

P.S. Ana Casanova é uma escritora angolana radicada em Portugal que escreve o blog Anavision.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

BORA BAHÊÊÊA MINHA PORRA!

Se tem uma coisa que eu gosto na vida é de futebol e das gozações que os torcedores fazem uns com os outros. Só lamento a violência que vem se espalhando nos estádios e entre as torcidas rivais no Brasil. Na Bahia esse problema ainda não tomou proporções muito sérias, mas é preciso tomar cuidado pois, como diria meu pai:, - Filho só puxa a pai quando é ladrão de cavalo. Ou seja, o que não presta a gente aprende logo.

Torcedor saudável do Bahia que sou, até porque ninguém é Bahia doente, no máximo convicto, observo a nossa torcida e vejo que não importa a divisão em que esteja, não importa a merda de time que temos, não importa nada, a torcida do Bahia, ou Baêêêa, como gostamos de chamar, é uma torcida fantástica, uma torcida fiel. Não tenho medo de dizer, a mais fiel do Brasil. Que timão que nada! Quero ver a torcida do Corínthians ou Flamengo, botar sessenta mil pagantes no estádio na terceira divisão jogando com o Fast. Por causa desse jogo, através de uma crônica muito interessante que recebi por e-mail, descobri um blog de torcedores fanáticos, O Baheaminhaporra, e através dele, o Espalitando Dente, que eu curto pra caralho. E agora, depois do Bahia dar de 2x0 no Vitória, em pleno Barradão, jogando pior é bem verdade, mas aí fica mais gostoso ainda, e com direito a um frangaço do goleiro Viáfora, segundo a torcida do Bahia, o mais novo contratado do Tricolor de Aço, recebo um novo e-mail, com uma nova crônica, que mais uma vez quero compartilhar com vocês.; Torcedores do Bahia ou não, isto não é uma provocação acintosa, é apenas uma brincadeira saudável. Os verdadeiros baianos de coração, entenderão isso facilmente. Uma coisa nela me chamou muita atenção. A forma como retrata o linguajar dos baianos. Principalmente a linguagem popular. Já falei sobre isso numa opinião sobre o filme Ó Paí Ó.

Como muitas pessoas que me visitam, não são da Bahia ou do Brasil, e não conhecem de perto a realidade sobre a qual estou falando, vou fazer um pequeno prefácio para a crônica e um glossário regionalista para melhor entendimento. Esta crônica está publicada no blog Baheaminhaporra e quem quiser lê-la ali, com direito à fotos e seus comentários, clique aqui.

Prefácio:

Bahia e Vitória são os times de futebol com mais expressão na Bahia. O Vitória, embora bem mais velho que o Bahia que foi fundado em 1931, tem reconhecidamente por várias fontes de informação uma torcida muito menor. Ele que há anos festejou seu centenário, está atualmente numa melhor fase, com lugar na primeira divisão do campeonato brasileiro, o Bahia na segunda, e tem ganho quase todos os campeonatos estaduais nos últimos anos. Se não estou enganado, a última vez que o Bahia foi campeão baiano, foi em 2001. De lá para cá o Vitória levou todoas exceto uma edição vencida por um time do interior do estado. A rivalidade das torcidas é muito grande. O Bahia "se gaba" de duas estrelas no peito. Uma pela Taça Brasil de 1959, ganha em cima do Santos de Pelé no Maracanã, uma vez que perdeu na Fonte Nova e ganhou na Vila Belmiro, sendo disputada uma terceira partida em campo neutro. Alguns torcedores do rival não reconhecem este título como o de campeão brasileiro, mas a verdade é que este foi o primeiro campeonato realizado a nível nacional; e, a segunda, pelo título de campeão nacional ganho em pleno Beira Rio em cima do Internacional de Porto alegre. Embora o jogo tenha sido realizado em fevereiro de 1989, era a edição do campeonato do ano de 88.

Por outro lado, a torcida rubro negra, se vangloria de ter um estádio próprio, de estar em melhor situação nos campeonatos regional e nacional atualmente e em franco crescimento numérico por causa dessas situações. Para piorar a história para o tricolor, em novembro de 2007, como frisei em alguns textos no marcador Futebol aqui no blog, aconteceu uma tragédia lamentável no jogo que ascendeu o Bahia de volta para a segunda divisão do Brasileirão, que deixou a Fonte Nova interditada e o Bahia sem estádio para jogar. Durante todo o ano de 2008, o tricolor mandou os seus jogos na cidade de Feira de Santana, a 110km de Salvador, onde não teve a presença maciça de público a que estava acostumado e onde obteve um rendimento lastimável, tanto no Baianão como no Brasileiro, onde não chegou sequer a almejar um subida para a primeira divisão.

Por causa do forte impacto negativo econômico e social que tal situação provocou para o estado, o governo resolveu reformar o Estádio Roberto Santos, mais conhecido como estádio de Pituaçú. Era para ser inaugurado no ano passado, mas uma série de "coisas aconteceram". A obra foi embargada por supeitas de irregularidades no orçamento e se arrastou o ano todo. Alguns dizem que a juíza era da "família rubro negra", outros falam que que o governador é Bahia e ladrão, se aproveitando para beneficiar o seu time e seu bolso. Nada sobre isso posso contestar ou afirmar. Só duas coisas posso falar sobre o impasse. Torcedores do Bahia e do Vitória estão errados. Os do Bahia quando acham que o estádio de Pituaçú é deles. Não, não mesmo. É um estádio público onde qualquer um, inclusive o Vitória, pode mandar seus jogos desde quando pague os 6% da renda de aluguel e se responsabilize pela manutenção do espaço e seus equipamentos. Os do Vitória quando falam que a obra foi feita para beneficiar o Bahia. Não. Todos ganham com isso. Principalmente o futebolo baiano e a Bahia, um pólo turístico fortíssimo que acaba de ser confirmada como sede de um jogo da seleção pelas eliminatórias da copa no referido Pituaçú.

De resto é rir das gozações de tricolores e rubro-negros que até hoje, e espero que para sempre, se harmonizam, mesmo com todas as piadas, independente dos resultados. É claro que, puxando a sardinha para o meu lado, acabo de ganhar de 2x0 do Vitorinha em pleno Barradão. Isto tem um sabor especial.

A Crônica:
De Quatro
Assinada por Bolota do Bahia

Porra, véi... dia bonito da porra que fez domingo. Levantei cedo pra caralho. Quando abri o olho, tava batendo 11:30 no relógio. Dei uma espiada na broca da parede e vi o solzão virado no estopô. Balancei a nêga do meu lado e disse carinhosamente: "Acorda, porra. Acorda nessa desgraça que a gente vai quebrar essa gelada na praia antes de ir pra Pituaço".
Como era um dia muito especial pra mim, resolvi levar a sacaneta pruma praia de bacana. Jardim de Alá. Ou como diz meu bróder Obama:"God´s Garden".
Peguei meu ingresso, o dinheiro do buzú e me piquei com a neguinha.

Normalmente eu escolho a barraca que eu vou ficar pela trilha musical. A que tiver tocando o som mais nigrinhagem, é a que eu fico. Fui passeando entre as barracas e comecei a ouvir um som que eu não escutava há uns 10 anos. Um repertório que ia do antigo Gera-Samba, passando por Neon do Samba, Pagolada, Feras Potentes e finalizando com o show do Kiribamba LIVE em Juiz de Fora (MG). Só os clássicos.

"A capenguinha, a capenguinha, a capenguinha, a capenguinha, a capenguinha, a capenguinha quer andar. A capenguinha quando não tá de muleta, ela pega no porrete pra poder se equilibrar..."

Era esse o nível do som. Puro jazz. Bom pra caralho.
O nome da barraca era Ponto G. Pronto. Achei a porra do Ponto G. Pelo menos uma vez na minha vida eu achei essa porra. Com um nome desse, não tive dúvida. É aqui mermo.

Pedi logo uma gelosa e uma dúzia de lambreta. O lugar era muito bacana. Várias gostosas. O único mal é que tinha muito pombo. Parecia o Barradão, a porra.
Tava tudo muito de fuder até a hora que encontrei Helinho Sabonete.

Sabonete é um torcedor do vice. Ele tem esse apelido porque, dizem as más línguas, quando ele serviu ao exército, foi tomar banho, deixaram cair um sabonete e ele foi catar do chão. Depois desse incidente, o bicho ficou manco. Não sei porquê.

O fato é que o sacana resolveu tirar sarro com a minha cara. Disse que eu não tinha estádio. Que tava a não sei quanto tempo sem ganhar porra nenhuma e todas aquelas merdas que a gente tá acostumado a ouvir dos vices. E pra fuder com tudo, ainda disse que a gente ia tomar pau do Ipitanga!! Aí eu pirei. Mandei ele repetir o que ele disse:

- Repita aí o que você falou, véi..
- O Jahia vai tomar de 1 a zero do Ipitanga - o filadaputa repetiu.
- Repita aí de novo, véi...
- Tá surdo, porra gordo?? o Jahia vai tomar gude preso do Ipitanga.

Rapaz... o sangue me subiu à cabeça. E a nega dizendo "calma, calma". O garçom dizendo "segura o gordo". E a baiana de acarajé dizendo "fudeu!!". E o pombo dizendo "gurururu, gurururu...." aí eu explodi.

- Ó seu viado desgraçado filadaputa corno manco do cu brocado. O Bahia hoje vai meter de 4 que nem fizeram com você no quartel, sinhá nisgraça. Só vou apostado, miserável!!

- Bora!! Pra cada gol do Bahia, uma grade pra você. Pra cada gol do Ipitanga, uma grade pra mim.

Eu não sei se o sacana tava bebo ou maluco. Só sei que aceitei a porra da aposta doida do fornecedor de briôco.

Saí virado na porra da praia. Já era dez pras três e eu ainda tinha que pegar a zorra do buzú pra Pituaço. As palavras de Sabonete ecoavam na minha cabeça... mas o Bahêa não ia me decepcionar. Não dessa vez.

Cheguei lá no estádio e me arrepiei de ver a massa tricolor. Puta que pariu. Coisa linda demais. A cidade é nossa, galera. Agora temos 2 estádios!! Um numa ponta (a boa e velha Fonte) e o outro na outra ponta da cidade. E que estádio. PituAÇO é lindo pra caralho. Me senti numa Copa do Mundo. Sem putaria nenhuma.

Hino do Brasil, Placar eletrônico de última geração, helicóptero jogando pétalas brancas, vermelhas e azuis... um SHOW!

Fui pegar logo meu copão de cerveja. Cerveja cara da porra!! 3 real lá dentro. E o balcão também era meio apertado, mas vamo nessa. Começou o jogo. O Ipitanga na pressão e eu ouvindo a voz de Sabonete na minha cabeça... "O Jahia vai tomar cacete" porra... será que vou ter que pagar engradado praquele viadinho??

Minha cerveja acabou. Mandei a nêga pegar outra pra mim. Foi ela subir a zorra da escada que eu só vi Élton matar a bola na coxa e meter um tirambaço pro fundo da rede!! GOOOOOOL DO BAHIA MINHA PORRAAAA!!!! AHAHAHAHA!!! UMA GRADE!!!! UMA GRADE!!!! UMA GRADE!!!!
Fiquei feliz pra caralho!!! Pena que a nêga não viu o gol... pena uma porra!!! Vai ver foi isso!!! Ela tava dando azar, a miserável.
Ela voltou com um copão e fiquei vendo o jogo. O Bahia até que melhorou. Vai ver é viagem da minha cabeça. Deixa a nêga quieta curtindo o jogo do tricolaço.

Só que aí o Ipitanga desceu num contra-ataque virado na porra. O sacana do atacante chutou a queima roupa e Marcelo espalmou. O cara chutou de novo e Marcelo defende novamente. Caralho! Que sufoco.
E pra fuder com tudo, meu copo ficou vazio.
- Neguinha.... pega outra pra mim?
Quando eu peço assim cheio de carinho, num tem não certo... a nêga faz tudo que eu quero. Lá foi ela pegar outra cerva.

Fiquei olhando ela subir pra pegar a cerveja. E não é que quando ela sumiu da multidão, Hélton Luiz recebe um passe da porra, sai picado, deixa dois zagueiros pra trás e BROCA!!! GOOOOOOOOOOLLLL DO BAHIA, PORRA!!!! DUAS GRADES!!! DUAS!!! DUAS GRADES!!!!
É grade pra caralho!!! Eu nem queria mais a cerveja que a nêga foi pegar. Fica lá, mizéra!!! Já tenho 2 grades!!! AHAHAHAHAHAHAH!!!
Mas aí ela voltou cheia de chamego. Me deu um beijo na boca, entregou meu copão e a gente ficou curtindo o intervalo juntinho. Feliz da vida.

Aproveitei também o intervalo pra bater o mijão. Porra véi... banheiro de primeiro mundo. Mijar em mureta nunca mais. A porra limpinha, véi. Bonito pra caralho. Naquele dia eu tava achando tudo lindo! Até mictório.

Nada de mijar na mureta, viu, porra??

Começa o segundo tempo. O Bahia só administrando. Naquele reme-reme. Naquele toquinho pra cá, toquinho pra lá. Deu uns 20 minutos e a nêga percebeu que meu copão tava vazio.
- Quer tomar, mais uma, preto?
- Porra, nêga... pegue lá pra mim, vá...

E lá foi ela. Com aquele bundão pra lá e pra cá. Eu fiquei lá olhando aquele bundão lindo subindo a escada. Hipnotizado. Aí ela sumiu. Quando voltei o olho pro campo, tava rolando um bafafá na área do Ipitanga, a bola sobra pra Hélton Luiz e.... saco!!! 3 grades de cerveja. Na moral... comecei a ficar com pena de Sabonete. Ô, meu Deus. O desgraçado vai ter que falar com a moça nos balcões BPN da Insinuante e pedir um empréstimo pra pagar minha aposta. Fale com a moça, filadaputa!!

A nêga tava demorando dessa vez. Mal terminei de comemorar o terceiro, quando o pequeno Ananias broca mais um. Quatro. Quatro a zero, papá!!! Quatro grades de pura alegria!! Eu tinha cantado a pedra. Sabonete tomou no cu. Dessa vez não foi literalmente. Mas deve ter doído pra caralho do mesmo jeito.

Neguinha chegou com a minha cerveja na hora de um pênalty do Ipitanga. Só que o dia era do Bahia. Pituaçu era do Bahia. O sacana mandou a bola lá na casa da porra.

A torcida era só alegria. "Rubro-negro otário!! Enfie no cu seu aterro sanitário!!!". Era só o que se ouvia na saída do estádio. "Vamos torcer pro Bahia ser campeão, em Pituaçu meu Caldeirãoooo!!!". Caldeirão mermo. Aquela porra ferveu, véi. E se você não foi, vá!!! Porque é bom demais. E arranje um otário rubro-negro pra apostar umas grades. Eu já ganhei quatro, pai véi!!!

BORA BAHÊA, MINHA PORRAAAAAAAA!!!!

Glossário Regionalista:

Se Gaba: Conta vantagem.
Véi: Velho no sentido de amigo, camarada, colega...
Da Porra: Legal, bonito, bom, muito bom...
Virado no Estopô: Muito forte
Nêga: Espôsa, companheira, amante, namorada...
Pituaço: Referência ao estádio de Pituaçú. Mistura de Pituaçú com Aço de Tricolor de Aço, como o Bahia é comumente chamado pela torcida, e uma forma corriqueira de evitar rimas indesejadas usada na Bahia.
Vice: Alusão ao apelido carinhoso de Vicetória colocado no Esporte Clube Vitória pela torcida do Bahia uma vez que já chegou à vice-campeão mas nunca foi campeão brasileiro.
Buzú: Ônibus coletivo.
Me Piquei: Saí, fui embora.
Nigrinhagem: Popular, povão, baixo astral.
Mermo: Mesmo.
Porrete: Pênis.
Gelosa: Cerveja bem gelada.
Lambreta: Espécie de marisco em concha, semelhante à um búzio, muito consumido na Bahia cozido no vapor.
Pombo: Homosexuais, pessoas desprezíveis.
Barradão: Apelido do Estádio do Esporte Clube Vitória, o Manoel Barradas.
Manco: Capenga, com uma perna menor que outra.
Tirar Sarro: Fazer gozação, brincar.
Jahia: Apelido carinhoso que a torcida do Vitória colocou no Esporte Clube Bahia na sua atual má fase.
Gude Preso: Perder de uma zero.
Nisgraça: Desgraça.
Briôco: Ânus.
Virado na Porra: Muito chateado.
Engradado, Grade: Caixa de cerveja contendo 24 unidades.
Mijar na Mureta: Alusão ao fato dos banheiros da Fonte Nova estarem em estado degradável e os torcedores, inconscientes, fazerem xixi em qualquer muro do estádio.
Sai Picado: Saiu correndo, com muita velocidade.
Mizéra: Azarada, miserável, pé frio.
Reme-reme: Apaziguando, meio sem querer fazer nada.
Bafafá: Confusão.
Balcões BPN: Alusão às Lojas Insinuantes, loja de eletro-domésticos baiana com sedes em várias cidades brasileiras que disponibilizam os Balcôes BPN, um banco para empréstimos pessoais, normalmente com taxas de juros elevadas.
Fale Com a Moça: Jargão utilizado na propaganda do Balcão BPN da Insinuante sobre as meninas que atendem no banco. -Se precisa de um empréstimo, fale com a moça...
Cantado a Pedra: Expressão oriunda do jogo de dominó, quando uma pessoa advinha a pedra que irá ser posta na mesa a seguir. Acertado a jogada, no caso, acertado o placar do jogo.
Aterro Sanitário: Alusão ao estádio do Vitória construído na área onde funcionava um antigo aterro sanitário da cidade de Salvador.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

É TÃO BOM!

É impressionante o poder das palavras
O poder dos sentimentos e das expressões
Da música, da poesia e do amor.

É impressionante o poder da flora,
Florindo os corações e as plantações,
Trazendo no vento o cheiro da flor.

Cheiro que vem de longe,
Mas, mesmo assim nos invade.
Traduz a palavra saudade,
E deixa o corpo aberto.

Vento que nunca esconde,
Que fala sempre a verdade,
E com simplicidade
Mostra que o longe está perto.

Marcado por uma música,
Marcado por um poema,
O turbilhão deste som.

Marcado pelo destino,
Marcado pelo desejo,
E, tudo isso "É tão bom!"