sábado, 28 de março de 2009

O TREM DE MINAS

Uma luz que vem de Minas
Como o trem de Sabará
A beleza explicada
As ondas belas do mar

O mar de minas
A emoção deste sal
Nos caminhos do Belo Horizonte
As cores do cartão postal

O sabor do pão de queijo
O som do clube da esquina
A beleza que não vejo
Da bela moça de Minas

quinta-feira, 26 de março de 2009

VIVA SALVADOR - 460 ANOS

Vista aérea de Salvador Foto: Sandra Bigollo

Domingo, 29 de março de 2009, a cidade de Salvador da Bahia completa 460 anos. Marcada pela riqueza cultural, diversidade de etnias, belezas naturais, arquitetura colonial e tantos outros atributos, Salvador com suas igrejas, ladeiras, casarios, festas, praias e guetos é uma cidade apaixonante que encanta baianos, brasileiros e gente de todos os lugares do mundo. Nasci aqui embora tenha passado minha infância inteira mudando de cidade em cidade no interior do estado. Só em 1983, quando vim definitivamente para a capital estudar, é que pude conhecer de verdade a minha cidade natal. Foi amor a primeira vista. Parafraseando Chico Buarque, "ver Amaralina, foi que nem beijar menina, que cenário de platina, que poema à beira mar".

Salvador tem uma importância histórica fundamental para o Brasil tendo sido a sua primeira capital. **"A história da cidade de Salvador inicia-se 48 anos antes de sua fundação oficial com a descoberta da Baía de Todos os Santos, em 1501. A Baía reunia qualidades portuárias e de localização, o que a tornou referência para os navegadores, passando a ser um dos pontos mais conhecidos e visitados do Novo Mundo. Isso fomentou a idéia de construção da cidade. O rei D. João III, então, nomeou o militar e político Thomé de Sousa para ser o Governador-geral do Brasil e fundar, às margens da Baía, a primeira metrópole portuguesa na América.

Em 29 de março de 1549, a armada portuguesa aportava na Vila Velha (hoje Porto da Barra), comandada pelo português Diogo Alvares, o Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de Cidade do São Salvador da Baía de Todos os Santos, que desempenhou um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano entre os séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil de 1549 a 1763.

O trecho que vai da atual Praça Castro Alves até a Praça Municipal, o plano mais alto do sítio, foi escolhido para a construção da cidade fortaleza. Thomé de Souza chegou com uma tripulação de cerca de mil homens – entre voluntários, marinheiros soldados e sacerdotes, que ajudaram na fundação e povoação de Salvador.

Em 1550, os primeiros escravos africanos vieram
da Nigéria, Angola, Senegal, Congo, Benin, Etiópia e Moçambique. Com o trabalho deles, a cidade prosperou, principalmente devido a atividade portuária, cultura da cana de açúcar e comercialização o algodão o fumo e gado do Recôncavo.



A riqueza da Capital atraiu a atenção de estrangeiros, que promoveram expedições para conquistá-la. Durante 11 meses, de maio de 1624 ao mês de abril de 1625, Salvador ficou sob ocupação holandesa. Em 1638, mais uma tentativa de invasão da Holanda, desta vez com o Conde Maurício de Nassau que não obteve êxito.

A cidade foi escolhida como refúgio pela família real portuguesa ao fugir das investidas de Napoleão na Europa, em 1808. Nessa ocasião, o príncipe regente D. João abriu os portos às nações amigas e fundou a escola médico-cirúrgica, primeira faculdade de medicina do País.



Em 1823, mesmo um ano depois da proclamação da Independência do Brasil, a Bahia continuou ocupada pelas tropas portuguesas do Brigadeiro Madeira de Mello. No dia 2 de julho do mesmo ano, Salvador foi palco de um dos mais importantes acontecimentos históricos para o estado e que consolidou a total independência do Brasil. A data passou a ser referência cívica dos baianos, comemorada anualmente com intensa participação popular.

Dos planos iniciais de D. João III, expressos na ordem de aqui ser construída "A fortaleza e povoação grande e forte", o compromisso foi cumprido por Thomé de Souza e continuado pelos que os sucedem. São filhos de Catarina e Caramuru, que se misturaram com os negros da mãe África e legaram à Salvador a força de suas raças criando um povo “gigante pela própria natureza”." **



Esta semana, em comemoração aos festejos do aniversário da cidade, uma televisão local está realizando uma enquete para decidir qual a música que melhor representa a cidade. Tarefa difícil haja a vista a riqueza de músicas que falam com maestria sobre Salvador. Foram dez canções previamente escolhidas para que o internauta pudesse dar o seu voto. Veja abaixo a relação e as letras de cada uma delas. Eu mesmo sinto muito a falta de Chame Gente(Armandinho/Moraes Moreira), para mim não poderia ficar fora de tal relação. Contudo, como bom baiano que sou e apaixonado pela cidade, darei o meu voto. Seja qual for a escolhida, o que importa é que todas elas homenageiam com beleza a bela São Salvador.




São Salvador

(Dorival Caymmi)

São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra de Nosso Senhor
Pedaço de terra que é meu
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do branco mulato
A terra do preto doutor
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do Nosso Senhor
Do Nosso Senhor do Bonfim
Oh Bahia, Bahia cidade de São Salvador
Bahia oh, Bahia, Bahia cidade de São Salvador

Baianidade Nagô
(Evany)

Já pintou verão
Calor no coração
A festa vai começar
Salvador se agita
Numa só alegria
Eternos dodô e osmar
Na avenida sete
Da paz eu sou tiete
Na barra o farol a brilhar
Carnaval na bahia
Oitava maravilha
Nunca irei te deixar meu amor

Eu vou
Atrás do trio elétrico vou
Dançar ao negro toque do agogô
Curtindo a minha baianidade nagô
Eu queria
Que essa fantasia fosse eterna quem sabe um dia a paz
Vence a guerra
E viver será só festejar

Êô êô laiá êô êô laiá

We Are The World of Carnaval
(Nizan Guanaes)

Ah, que bom você chegou
Bem-vindo a Salvador
Coração do Brasil
Vem, você vai conhecer
A cidade de luz e prazer
Correndo atrás do trio
Vai compreender que a baiano é
Um povo a mais de mil
Ele tem Deus no seu coração
E o Diabo no quadril
We are Carnaval
We are, we are folia
We are, we are the world of Carnaval
We are Bahia

Bahia com H
(Denis Brian)

Dá licença, dá licença meu senhor
Dá licença, dá licença pra Ioiô
Eu sou amante da gostosa Bahia porém
Pra saber seus segredos serei baiano também
Dá licença de gostar um pouquinho só
A Bahia eu não vou roubar, tem dó
Já disse o poeta que terra mais linda não há
Isso é velho, do tempo em que já se escrevia Bahia com H
Deixa eu ver, com meus olhos de amante saudoso
a Bahia do meu coração
Deixa ver Baixa do Sapateiro,
Chaio, Barroquinha, Calçada, Taboão
Sou amigo que volta feliz pra teus braços abertos Bahia
Sou poeta e não quero ficar assim longe da tua magia
Deixa ver teus sobrados, igrejas, teus santos
Ladeiras e montes tal qual um postal
Dá licença de rezar pro Senhor do Bonfim
Salve a Santa Bahia imortal, Bahia dos sonhos mil
Eu fico contente da vida em saber que a Bahia é Brasil

A Bahia Te Espera
(Chianca de Garcia/Herivelto Martins)

A Bahia da magia, dos feitiços e da fé.
Bahia que tem tanta igreja, que tem tanto candomblé.

Para te buscar nossos saveiros já partiram para o mar.
Yayá Eufrásia, ladeira do Sobradão
Tá preparando seu candomblé
Velha Damásia da ladeira do mamão
Tá preparando o acarajé

Para te buscar nossos saveiros já partiram para o mar
Nossas morenas roupas novas vão botar
Se tu vieres, virás provar o meu vatapá
Se tu vieres viverás nos meus braços a festa de Yemanjá

Vem, vem, vem
Vem em busca da Bahia
Cidade da tentação
Onde o meu feitiço impera
Vem
Se me trazes o teu coração
Vem
Que a Bahia te espera

Bahia, Bahia, Bahia, Bahiaaaa

Rebentão
(Carlos Pita)

Moro numa cidade cheia de ritmos
Que sobe e que desce ao som da maré
Ela canta, ela dança
Ela toca, ela vibra
Ele bate com a mão
Ela dança com o pé
Ele faz samba na porta do ônibus
Liberdade é o negro do ilê
Ela dança com a lata na cabeça
Sua trança bonita, ela é badauê

Iô, iô, iô, rebentão
Iô, iô, iô, de maré
Ele bate na palma da mão
Ela dança com a ponta do pé

Moro numa cidade cheia de ritmos
Que sobe e que desce ao som da maré
Ela canta, ela dança
Ela toca, ela vibra
Ele bate com a mão
Ela dança com o pé
Eles passam cantando com a tribo em festa
É muzenza na cor, é muzenza na fé
Basta ouvir os tambores tocando
Que a cidade já sabe Olodum como é

O Canto da Cidade
(Tote Gira/Daniela Mercury)

A cor dessa cidade
Sou eu!
O canto dessa cidade
É meu!..

O gueto, a rua, a fé
Eu vou andando a pé
Pela cidade bonita
O toque do afoxé
E a força, de onde vem?
Ninguém explica
Ela é bonita...

Uô Ô!
Verdadeiro amor
Uô Ô!
Você vai onde eu vou...

Não diga que não me quer
Não diga que não quer mais
Eu sou o silêncio da noite
O sol da manhã...

Mil voltas o mundo tem
Mas tem um ponto final
Eu sou o primeiro que canta
Eu sou o carnaval...

É D'Oxum
(Gerônimo/Vevé Calazans)

Nessa Cidade Todo Mundo É d'oxum
Homem, Menino, Menina, Mulher
Toda Essa Gente Irradia Magia
Presente Na Água Doce
Presente n'água Salgada
E Toda Cidade Brilha
Seja Tenente Ou Filho De Pescador
Ou Importante Desembargador
Se Der Presente É Tudo Uma Coisa Só
A Força Que Mora n'água
Não Faz Distinção De Cor
E Toda A Cidade É d'oxum
É d'oxum, É d'oxum, É d'oxum,
Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar
Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar
É d'oxum, É d'oxum

Na Baixa dos Sapateiros
(Ary Barroso)

Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia
A morena mais frajola da Bahia.
Pedi-lhe um beijo, não deu,
Um abraço, sorriu,
Pedi-lhe a mão, não quis dar, fugiu...

Bahia, terra da felicidade,
Morena, eu ando louco de saudade.
Meu Senhor do Bonfim
Arranje outra morena igualzinha pra mim.

Oh! amor, ai,
Amor bobagem que a gente não explica, ai, ai,
Prova um bocadinho, ô
Fica envenenado, ô
E pro resto da vida é um tal de sofrer
Ôlará, ôleré.

Ô Bahia,
Bahia que não me sai do pensamento.
Ouve o meu lamento, ô
Na desesperança, ô
De encontrar nesse mundo
Um amor que eu perdi na Bahia, vou contar.

Ô Bahia,
Bahia que não me sai do pensamento...

Salvador é Um Porto Seguro
(Moraes Moreira)

Salvador é um porto seguro
Seguro que é tanta agonia
Há tanta beleza
Tanta tristeza e alegria

É um porto, é um porto sete portas
Sempre abertas pra magia
De todos os santos
Que vem baixar na Bahia

É um porto parto e chego
Fica o nêgo e português
Olho aberto de índio
Enxergando até chinês

É um porto, é um porto
Portugal
É um porto, é um porto é um
Carnaval


Vista áerea da orla com destaque para o farol da Barra
**Trecho retirado do site oficial de turismo de Salvador

quarta-feira, 25 de março de 2009

A ÁRVORE


Uma árvore frondosa
Cheia de frutos e folhas
Nasceu em meu coração
Sob o nome de amor

Em seus galhos os pássaros
Macacos e bichos preguiças
Encontram abrigos
E tecem seus ninhos

Encontram a fresca sombra
Aqueles que param sob a fronde
Na sesta revigorante
Sob as folhas da paixão

Um coração selvagem
No meio da floresta
Derrama a sua seiva
Pensando nela

Lindo
Arbusto
Imáginário

segunda-feira, 23 de março de 2009

GRAVURA

Com teus traços
Externas sentimentos
Retratas o belo, o feliz
A imagem profunda
O exato momento
Do sorriso, a mais perfeita matiz

A busca do talento inesgotável
A sombra dá volume à bela face
Gravura de valor inestimável
O orbe que assim representaste

Um coração que aqui emocionado
No momento uma lágrima derrama
Por ver em belas linhas retratado
O rosto da pessoa que mais ama

Para César Sousa, autor da gravura da minha filha Júlia acima.

quinta-feira, 19 de março de 2009

MÃOS DADAS


Há duas semanas atrás eu conversava com a amiga Ana Casanova sobre o poder de aproximação que a internet, e em particular a blogosfera, tem sobre os seres humanos. Distâncias kilométricas tornam-se insignificantes diante da rede. Ela me falava sobre o fato de amigos blogueiros localizados nos mais longínquos rincões estarem usando o poder da rede para fazerem parcerias das mais diversas. Uma idéia muito interessante me pareceu. Eu mesmo já havia visto algo sobre isto e lido alguns frutos destas parcerias. Lembrei também, que muito antes do advento da internet, parceiros como Roberto Carlos e Erasmo Carlos, usaram o telefone para criarem músicas antológicas que, até hoje, mesmo com toda a força da net, se mostram atuais e continuam sensibilizando corações das mais novas gerações. Eu mesmo já fiz músicas através de e-mails com o meu amigo e parceiro Márcio Valverde. Quase sempre o resultado final nos deixa muito orgulhosos. Ela então me propôs o desafio de fazermos um poema juntos. Assim, através de e-mails fomos reunindo idéias de cada um para que juntas transformassem-se numa coisa só. Daí nasceu este poema que por sugestão minha parla sobre o tema em questão. A aproximação que a internet possibilita a quem está tão longe, como no nosso caso, que estamos separados por um oceano imenso.

Mais uma vez lembro a frase de Richard Bach: "podem os kilômetros separarnos dos amigos?"

Mãos Dadas
Ana Casanova/Adriano Carôso

Num campo lindo e florido
Demos as mãos, e
Escrevemos um poema
Poema de amor, de amizade
Poema onde a saudade
Tem um fundo colorido
Poema que nos invade
Poema de quatro mãos
Poema que é canção
Uma bela cantilena
Poema que nos une
Muito embora a distancia
Em tudo nos aproxime
Através do oceano
Transportados em sonhos
Na sintonia das palavras
Na maré das emoções
Poema que nos transporta
Em continentes e ilhas
Nesta imensa simbiose
Pura, singela e sem medos
E, juntos desafiamos
Tudo o que nos afasta
Pela força da partilha
Num poema a vinte dedos.

P.S. Ana Casanova é uma escritora angolana radicada em Portugal que escreve o blog Anavision.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

BORA BAHÊÊÊA MINHA PORRA!

Se tem uma coisa que eu gosto na vida é de futebol e das gozações que os torcedores fazem uns com os outros. Só lamento a violência que vem se espalhando nos estádios e entre as torcidas rivais no Brasil. Na Bahia esse problema ainda não tomou proporções muito sérias, mas é preciso tomar cuidado pois, como diria meu pai:, - Filho só puxa a pai quando é ladrão de cavalo. Ou seja, o que não presta a gente aprende logo.

Torcedor saudável do Bahia que sou, até porque ninguém é Bahia doente, no máximo convicto, observo a nossa torcida e vejo que não importa a divisão em que esteja, não importa a merda de time que temos, não importa nada, a torcida do Bahia, ou Baêêêa, como gostamos de chamar, é uma torcida fantástica, uma torcida fiel. Não tenho medo de dizer, a mais fiel do Brasil. Que timão que nada! Quero ver a torcida do Corínthians ou Flamengo, botar sessenta mil pagantes no estádio na terceira divisão jogando com o Fast. Por causa desse jogo, através de uma crônica muito interessante que recebi por e-mail, descobri um blog de torcedores fanáticos, O Baheaminhaporra, e através dele, o Espalitando Dente, que eu curto pra caralho. E agora, depois do Bahia dar de 2x0 no Vitória, em pleno Barradão, jogando pior é bem verdade, mas aí fica mais gostoso ainda, e com direito a um frangaço do goleiro Viáfora, segundo a torcida do Bahia, o mais novo contratado do Tricolor de Aço, recebo um novo e-mail, com uma nova crônica, que mais uma vez quero compartilhar com vocês.; Torcedores do Bahia ou não, isto não é uma provocação acintosa, é apenas uma brincadeira saudável. Os verdadeiros baianos de coração, entenderão isso facilmente. Uma coisa nela me chamou muita atenção. A forma como retrata o linguajar dos baianos. Principalmente a linguagem popular. Já falei sobre isso numa opinião sobre o filme Ó Paí Ó.

Como muitas pessoas que me visitam, não são da Bahia ou do Brasil, e não conhecem de perto a realidade sobre a qual estou falando, vou fazer um pequeno prefácio para a crônica e um glossário regionalista para melhor entendimento. Esta crônica está publicada no blog Baheaminhaporra e quem quiser lê-la ali, com direito à fotos e seus comentários, clique aqui.

Prefácio:

Bahia e Vitória são os times de futebol com mais expressão na Bahia. O Vitória, embora bem mais velho que o Bahia que foi fundado em 1931, tem reconhecidamente por várias fontes de informação uma torcida muito menor. Ele que há anos festejou seu centenário, está atualmente numa melhor fase, com lugar na primeira divisão do campeonato brasileiro, o Bahia na segunda, e tem ganho quase todos os campeonatos estaduais nos últimos anos. Se não estou enganado, a última vez que o Bahia foi campeão baiano, foi em 2001. De lá para cá o Vitória levou todoas exceto uma edição vencida por um time do interior do estado. A rivalidade das torcidas é muito grande. O Bahia "se gaba" de duas estrelas no peito. Uma pela Taça Brasil de 1959, ganha em cima do Santos de Pelé no Maracanã, uma vez que perdeu na Fonte Nova e ganhou na Vila Belmiro, sendo disputada uma terceira partida em campo neutro. Alguns torcedores do rival não reconhecem este título como o de campeão brasileiro, mas a verdade é que este foi o primeiro campeonato realizado a nível nacional; e, a segunda, pelo título de campeão nacional ganho em pleno Beira Rio em cima do Internacional de Porto alegre. Embora o jogo tenha sido realizado em fevereiro de 1989, era a edição do campeonato do ano de 88.

Por outro lado, a torcida rubro negra, se vangloria de ter um estádio próprio, de estar em melhor situação nos campeonatos regional e nacional atualmente e em franco crescimento numérico por causa dessas situações. Para piorar a história para o tricolor, em novembro de 2007, como frisei em alguns textos no marcador Futebol aqui no blog, aconteceu uma tragédia lamentável no jogo que ascendeu o Bahia de volta para a segunda divisão do Brasileirão, que deixou a Fonte Nova interditada e o Bahia sem estádio para jogar. Durante todo o ano de 2008, o tricolor mandou os seus jogos na cidade de Feira de Santana, a 110km de Salvador, onde não teve a presença maciça de público a que estava acostumado e onde obteve um rendimento lastimável, tanto no Baianão como no Brasileiro, onde não chegou sequer a almejar um subida para a primeira divisão.

Por causa do forte impacto negativo econômico e social que tal situação provocou para o estado, o governo resolveu reformar o Estádio Roberto Santos, mais conhecido como estádio de Pituaçú. Era para ser inaugurado no ano passado, mas uma série de "coisas aconteceram". A obra foi embargada por supeitas de irregularidades no orçamento e se arrastou o ano todo. Alguns dizem que a juíza era da "família rubro negra", outros falam que que o governador é Bahia e ladrão, se aproveitando para beneficiar o seu time e seu bolso. Nada sobre isso posso contestar ou afirmar. Só duas coisas posso falar sobre o impasse. Torcedores do Bahia e do Vitória estão errados. Os do Bahia quando acham que o estádio de Pituaçú é deles. Não, não mesmo. É um estádio público onde qualquer um, inclusive o Vitória, pode mandar seus jogos desde quando pague os 6% da renda de aluguel e se responsabilize pela manutenção do espaço e seus equipamentos. Os do Vitória quando falam que a obra foi feita para beneficiar o Bahia. Não. Todos ganham com isso. Principalmente o futebolo baiano e a Bahia, um pólo turístico fortíssimo que acaba de ser confirmada como sede de um jogo da seleção pelas eliminatórias da copa no referido Pituaçú.

De resto é rir das gozações de tricolores e rubro-negros que até hoje, e espero que para sempre, se harmonizam, mesmo com todas as piadas, independente dos resultados. É claro que, puxando a sardinha para o meu lado, acabo de ganhar de 2x0 do Vitorinha em pleno Barradão. Isto tem um sabor especial.

A Crônica:
De Quatro
Assinada por Bolota do Bahia

Porra, véi... dia bonito da porra que fez domingo. Levantei cedo pra caralho. Quando abri o olho, tava batendo 11:30 no relógio. Dei uma espiada na broca da parede e vi o solzão virado no estopô. Balancei a nêga do meu lado e disse carinhosamente: "Acorda, porra. Acorda nessa desgraça que a gente vai quebrar essa gelada na praia antes de ir pra Pituaço".
Como era um dia muito especial pra mim, resolvi levar a sacaneta pruma praia de bacana. Jardim de Alá. Ou como diz meu bróder Obama:"God´s Garden".
Peguei meu ingresso, o dinheiro do buzú e me piquei com a neguinha.

Normalmente eu escolho a barraca que eu vou ficar pela trilha musical. A que tiver tocando o som mais nigrinhagem, é a que eu fico. Fui passeando entre as barracas e comecei a ouvir um som que eu não escutava há uns 10 anos. Um repertório que ia do antigo Gera-Samba, passando por Neon do Samba, Pagolada, Feras Potentes e finalizando com o show do Kiribamba LIVE em Juiz de Fora (MG). Só os clássicos.

"A capenguinha, a capenguinha, a capenguinha, a capenguinha, a capenguinha, a capenguinha quer andar. A capenguinha quando não tá de muleta, ela pega no porrete pra poder se equilibrar..."

Era esse o nível do som. Puro jazz. Bom pra caralho.
O nome da barraca era Ponto G. Pronto. Achei a porra do Ponto G. Pelo menos uma vez na minha vida eu achei essa porra. Com um nome desse, não tive dúvida. É aqui mermo.

Pedi logo uma gelosa e uma dúzia de lambreta. O lugar era muito bacana. Várias gostosas. O único mal é que tinha muito pombo. Parecia o Barradão, a porra.
Tava tudo muito de fuder até a hora que encontrei Helinho Sabonete.

Sabonete é um torcedor do vice. Ele tem esse apelido porque, dizem as más línguas, quando ele serviu ao exército, foi tomar banho, deixaram cair um sabonete e ele foi catar do chão. Depois desse incidente, o bicho ficou manco. Não sei porquê.

O fato é que o sacana resolveu tirar sarro com a minha cara. Disse que eu não tinha estádio. Que tava a não sei quanto tempo sem ganhar porra nenhuma e todas aquelas merdas que a gente tá acostumado a ouvir dos vices. E pra fuder com tudo, ainda disse que a gente ia tomar pau do Ipitanga!! Aí eu pirei. Mandei ele repetir o que ele disse:

- Repita aí o que você falou, véi..
- O Jahia vai tomar de 1 a zero do Ipitanga - o filadaputa repetiu.
- Repita aí de novo, véi...
- Tá surdo, porra gordo?? o Jahia vai tomar gude preso do Ipitanga.

Rapaz... o sangue me subiu à cabeça. E a nega dizendo "calma, calma". O garçom dizendo "segura o gordo". E a baiana de acarajé dizendo "fudeu!!". E o pombo dizendo "gurururu, gurururu...." aí eu explodi.

- Ó seu viado desgraçado filadaputa corno manco do cu brocado. O Bahia hoje vai meter de 4 que nem fizeram com você no quartel, sinhá nisgraça. Só vou apostado, miserável!!

- Bora!! Pra cada gol do Bahia, uma grade pra você. Pra cada gol do Ipitanga, uma grade pra mim.

Eu não sei se o sacana tava bebo ou maluco. Só sei que aceitei a porra da aposta doida do fornecedor de briôco.

Saí virado na porra da praia. Já era dez pras três e eu ainda tinha que pegar a zorra do buzú pra Pituaço. As palavras de Sabonete ecoavam na minha cabeça... mas o Bahêa não ia me decepcionar. Não dessa vez.

Cheguei lá no estádio e me arrepiei de ver a massa tricolor. Puta que pariu. Coisa linda demais. A cidade é nossa, galera. Agora temos 2 estádios!! Um numa ponta (a boa e velha Fonte) e o outro na outra ponta da cidade. E que estádio. PituAÇO é lindo pra caralho. Me senti numa Copa do Mundo. Sem putaria nenhuma.

Hino do Brasil, Placar eletrônico de última geração, helicóptero jogando pétalas brancas, vermelhas e azuis... um SHOW!

Fui pegar logo meu copão de cerveja. Cerveja cara da porra!! 3 real lá dentro. E o balcão também era meio apertado, mas vamo nessa. Começou o jogo. O Ipitanga na pressão e eu ouvindo a voz de Sabonete na minha cabeça... "O Jahia vai tomar cacete" porra... será que vou ter que pagar engradado praquele viadinho??

Minha cerveja acabou. Mandei a nêga pegar outra pra mim. Foi ela subir a zorra da escada que eu só vi Élton matar a bola na coxa e meter um tirambaço pro fundo da rede!! GOOOOOOL DO BAHIA MINHA PORRAAAA!!!! AHAHAHAHA!!! UMA GRADE!!!! UMA GRADE!!!! UMA GRADE!!!!
Fiquei feliz pra caralho!!! Pena que a nêga não viu o gol... pena uma porra!!! Vai ver foi isso!!! Ela tava dando azar, a miserável.
Ela voltou com um copão e fiquei vendo o jogo. O Bahia até que melhorou. Vai ver é viagem da minha cabeça. Deixa a nêga quieta curtindo o jogo do tricolaço.

Só que aí o Ipitanga desceu num contra-ataque virado na porra. O sacana do atacante chutou a queima roupa e Marcelo espalmou. O cara chutou de novo e Marcelo defende novamente. Caralho! Que sufoco.
E pra fuder com tudo, meu copo ficou vazio.
- Neguinha.... pega outra pra mim?
Quando eu peço assim cheio de carinho, num tem não certo... a nêga faz tudo que eu quero. Lá foi ela pegar outra cerva.

Fiquei olhando ela subir pra pegar a cerveja. E não é que quando ela sumiu da multidão, Hélton Luiz recebe um passe da porra, sai picado, deixa dois zagueiros pra trás e BROCA!!! GOOOOOOOOOOLLLL DO BAHIA, PORRA!!!! DUAS GRADES!!! DUAS!!! DUAS GRADES!!!!
É grade pra caralho!!! Eu nem queria mais a cerveja que a nêga foi pegar. Fica lá, mizéra!!! Já tenho 2 grades!!! AHAHAHAHAHAHAH!!!
Mas aí ela voltou cheia de chamego. Me deu um beijo na boca, entregou meu copão e a gente ficou curtindo o intervalo juntinho. Feliz da vida.

Aproveitei também o intervalo pra bater o mijão. Porra véi... banheiro de primeiro mundo. Mijar em mureta nunca mais. A porra limpinha, véi. Bonito pra caralho. Naquele dia eu tava achando tudo lindo! Até mictório.

Nada de mijar na mureta, viu, porra??

Começa o segundo tempo. O Bahia só administrando. Naquele reme-reme. Naquele toquinho pra cá, toquinho pra lá. Deu uns 20 minutos e a nêga percebeu que meu copão tava vazio.
- Quer tomar, mais uma, preto?
- Porra, nêga... pegue lá pra mim, vá...

E lá foi ela. Com aquele bundão pra lá e pra cá. Eu fiquei lá olhando aquele bundão lindo subindo a escada. Hipnotizado. Aí ela sumiu. Quando voltei o olho pro campo, tava rolando um bafafá na área do Ipitanga, a bola sobra pra Hélton Luiz e.... saco!!! 3 grades de cerveja. Na moral... comecei a ficar com pena de Sabonete. Ô, meu Deus. O desgraçado vai ter que falar com a moça nos balcões BPN da Insinuante e pedir um empréstimo pra pagar minha aposta. Fale com a moça, filadaputa!!

A nêga tava demorando dessa vez. Mal terminei de comemorar o terceiro, quando o pequeno Ananias broca mais um. Quatro. Quatro a zero, papá!!! Quatro grades de pura alegria!! Eu tinha cantado a pedra. Sabonete tomou no cu. Dessa vez não foi literalmente. Mas deve ter doído pra caralho do mesmo jeito.

Neguinha chegou com a minha cerveja na hora de um pênalty do Ipitanga. Só que o dia era do Bahia. Pituaçu era do Bahia. O sacana mandou a bola lá na casa da porra.

A torcida era só alegria. "Rubro-negro otário!! Enfie no cu seu aterro sanitário!!!". Era só o que se ouvia na saída do estádio. "Vamos torcer pro Bahia ser campeão, em Pituaçu meu Caldeirãoooo!!!". Caldeirão mermo. Aquela porra ferveu, véi. E se você não foi, vá!!! Porque é bom demais. E arranje um otário rubro-negro pra apostar umas grades. Eu já ganhei quatro, pai véi!!!

BORA BAHÊA, MINHA PORRAAAAAAAA!!!!

Glossário Regionalista:

Se Gaba: Conta vantagem.
Véi: Velho no sentido de amigo, camarada, colega...
Da Porra: Legal, bonito, bom, muito bom...
Virado no Estopô: Muito forte
Nêga: Espôsa, companheira, amante, namorada...
Pituaço: Referência ao estádio de Pituaçú. Mistura de Pituaçú com Aço de Tricolor de Aço, como o Bahia é comumente chamado pela torcida, e uma forma corriqueira de evitar rimas indesejadas usada na Bahia.
Vice: Alusão ao apelido carinhoso de Vicetória colocado no Esporte Clube Vitória pela torcida do Bahia uma vez que já chegou à vice-campeão mas nunca foi campeão brasileiro.
Buzú: Ônibus coletivo.
Me Piquei: Saí, fui embora.
Nigrinhagem: Popular, povão, baixo astral.
Mermo: Mesmo.
Porrete: Pênis.
Gelosa: Cerveja bem gelada.
Lambreta: Espécie de marisco em concha, semelhante à um búzio, muito consumido na Bahia cozido no vapor.
Pombo: Homosexuais, pessoas desprezíveis.
Barradão: Apelido do Estádio do Esporte Clube Vitória, o Manoel Barradas.
Manco: Capenga, com uma perna menor que outra.
Tirar Sarro: Fazer gozação, brincar.
Jahia: Apelido carinhoso que a torcida do Vitória colocou no Esporte Clube Bahia na sua atual má fase.
Gude Preso: Perder de uma zero.
Nisgraça: Desgraça.
Briôco: Ânus.
Virado na Porra: Muito chateado.
Engradado, Grade: Caixa de cerveja contendo 24 unidades.
Mijar na Mureta: Alusão ao fato dos banheiros da Fonte Nova estarem em estado degradável e os torcedores, inconscientes, fazerem xixi em qualquer muro do estádio.
Sai Picado: Saiu correndo, com muita velocidade.
Mizéra: Azarada, miserável, pé frio.
Reme-reme: Apaziguando, meio sem querer fazer nada.
Bafafá: Confusão.
Balcões BPN: Alusão às Lojas Insinuantes, loja de eletro-domésticos baiana com sedes em várias cidades brasileiras que disponibilizam os Balcôes BPN, um banco para empréstimos pessoais, normalmente com taxas de juros elevadas.
Fale Com a Moça: Jargão utilizado na propaganda do Balcão BPN da Insinuante sobre as meninas que atendem no banco. -Se precisa de um empréstimo, fale com a moça...
Cantado a Pedra: Expressão oriunda do jogo de dominó, quando uma pessoa advinha a pedra que irá ser posta na mesa a seguir. Acertado a jogada, no caso, acertado o placar do jogo.
Aterro Sanitário: Alusão ao estádio do Vitória construído na área onde funcionava um antigo aterro sanitário da cidade de Salvador.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

É TÃO BOM!

É impressionante o poder das palavras
O poder dos sentimentos e das expressões
Da música, da poesia e do amor.

É impressionante o poder da flora,
Florindo os corações e as plantações,
Trazendo no vento o cheiro da flor.

Cheiro que vem de longe,
Mas, mesmo assim nos invade.
Traduz a palavra saudade,
E deixa o corpo aberto.

Vento que nunca esconde,
Que fala sempre a verdade,
E com simplicidade
Mostra que o longe está perto.

Marcado por uma música,
Marcado por um poema,
O turbilhão deste som.

Marcado pelo destino,
Marcado pelo desejo,
E, tudo isso "É tão bom!"

“PEGA NO TOMBA” – Fazendo Novos Amigos

Republicação de texto publicado em 05 de Setembro de 2007 no marcador Textos.

Às 4:30hs da manhã na praça da concentração


É Tão Bom
(Luiz Caldas)

É tão bom
Quando a gente se entrega a beleza
Se sente em total realeza
Com a natureza e o amor...

Fazer novos amigos é uma beleza. Para isto, é preciso estar de peito aberto, livre de preconceitos e, às vezes, se meter em aventuras inenarráveis. Contudo, corajoso que sou, vou tentar narrar a viagem que fiz em 26 de agosto de 2007, para um vilarejo por nome Pedras Altas. Era a Festa do Vaqueiro que se realiza todo ano, da qual quase nada vi, já que no ponto alto da festa, dormia profundamente no passeio interno da casa onde fizemos nosso ponto de apoio e, provavelmente, roncava muito, rodeado por uma infinidade de garrafas de cervejas vazias, que a turma pôs ao meu lado de sacanagem, para fotografar e filmar meu vexame.

O convite partiu de Erenilson, um colega de trabalho cuja família mora em Feira de Santana, no bairro do Tomba. Seus pais são de Pedras Altas e até hoje mantêm uma casa na cidade que fica a aproximadamente 280km de Salvador e 170km de Feira. A estrada é a mesma que leva à Juazeiro da Bahia, fronteira com Petrolina-Pe, onde morei dos 05 aos 07 anos. Não lembrava quase nada da região mesmo tendo passado por lá na época que trabalhei viajando com bandas de forró e desbravei todo o interior da Bahia. Desta forma, pouco se conhece de onde se passa. Fazia muito tempo Erenilson insistia na minha ida. Resolvi aceitar o convite. A coisa funciona da seguinte forma. Um grupo de aproximadamente trinta amigos faz a vaquinha para bancar a viagem. Aluguel de ônibus, carne para o churrasco, um panelão de feijoada, a cerveja e o gelo. Tudo com muita fartura. Uma pechincha, tudo isto por R$ 30,00 para cada um.

Saí de Salvador de buzu no sábado, 25/08, descendo em Feira de Santana por volta das 10:40hs. Erenilson já me esperava na rodoviária com dois amigos, Feitosa e Dõe. De lá, fomos direto ao Centro de Abastecimento da cidade. Não sei se já comentei por aqui, mas adoro feiras, mercados, etc. É uma forma muito gostosa de interagir com o povo e a cultura de cada lugar. Primeiro paramos na barraca de Tia Nita. Uma velhinha de pelo menos 85 anos que, a cada garrafa que serve ao freguês surrupia um copinho e bebe com cara de imenso prazer, uma figura. Passeamos pelo Centro parando de bar em bar até chegar a um box-restaurante, onde degustamos um maravilhoso carneiro guarnecido com cuscuz de milho. De lá para o Tomba, continuando a via crucis pelos bares do bairro, até parar na mesa de sinuca onde o viciado Erenilson tratou de garantir nossas geladas através das tacadas certeiras, Aquela altura, não sei como ele conseguia jogar, já que o copo não deu conta de manter em pé. Animado pelas vitórias e pelos efeitos do álcool, derrubou-o no chão. Lembrei um e-mail de humor negro que certa feita recebi, onde dizia que era melhor ter mal de Alzeimer que de Parkison, haja vista ser melhor esquecer de pagar a conta que derrubar a cerveja. Erenilson concorda plenamente. Jantamos uma rabada em outro barzinho e fomos pra casa descansar os esqueletos para a jornada do dia seguinte.

Foi então que tive uma visão assustadora. Pensei que havia morrido e chegado ao inferno onde o Capeta me ordenou o pior dos castigos. Eram 4hs da manhã quando levantei ainda tonto e baratinado pelo sono. Ouvi uma zoada estranha, fiquei angustiado naquele escuro, num lugar que nunca havia visto antes. Levou um certo tempo até descobrir onde estava e que a tal zoada era, na verdade, o chuveiro onde Erenilson tomava seu banho. Quase corri desesperado quando a figura saiu nu do banheiro. Uma visão de terror, digna de haloween. Nervos abrandados, banhei-me também, vesti a roupa e saímos às 4:30hs para a concentração da viagem. Primeiros fomos a casa de Miguel, o tesoureiro, cozinheiro e churrasqueiro da turma e único abstêmio. Lá fizemos o desjejum com um delicioso e forte caldo de feijão. Aprovei o cozinheiro na hora. Lá também se encontrava o imenso isopor abastecido de gelo e latinhas. Era o único lugar seguro para guardá-lo. O resto da turma daria uma baixa com certeza em tão precioso conteúdo. Ajudamos Miguel a levar os bagulhos para a praça. Nesta altura o ônibus já nos esperava. Começaram a chegar os amigos do meu amigo. Alguns eu já havia conhecido no dia anterior, outros estava vendo pela primeira vez ali mesmo. Sei que não lembrarei todos os nomes, mas vamos tentar: Guaxinim, Tenente Pão Com Bufa, Feitosa, João Caruru, Caetano, Zé Braz, Tonho, Nêgo, Hugo, Tião e o filho Adriano, Júnior e o filho Felipe, Zé Pernambuco, Correia, Biro Biro, Paulo, Neto, Professor Embola Roda, Chico de Amália(…”Eu vou pra Maracangalha…”) e tantos outros cuja amnésia alcóolica não me permite lembrar. Desculpem àqueles que ficaram fora desta lista podem crer que estão no coração. Feitosa, de sacanagem, trouxe um coco gelado cujo conteúdo era 10% de água e o restante de cachaça. Saiu oferecendo a todos e alguns, uns desavisados como eu, outros por puro prazer, aceitaram a oferta e sofreram mais tarde as devidas consequências.

A turma na concentração às 6hs da Manhã. Miguel com a camisa do Bahia e Erenilson Rosa, o anfitrião, de camisa rosa. Ai meu Deus!!!

A viagem começou da mesma forma que terminou. No maior clima de festa com a percussão comendo no centro na cozinha, sambas e sambas cantados por vozes apaixonadas, nem sempre afinadas, brincadeiras gostosas entre amigos que se dão bem e se respeitam embora quem venha de fora e não conheça a tradição do lugar, pode até se assustar com as trocas de amabilidades. Um pit stop tático no meio da viagem garante o término do café da manhã. Uma farofa de carne típica de posto de beira de estrada da Bahia. Chegando a Pedras Altas, bota-se o feijão pra ferver na casa dos pais de Erenilson, improvisa-se uma churrasqueira de blocos no fundo do quintal e parte-se para rodar a cidade, ver os desfiles de cavalos, visitar a represa, banhar-se nas águas geladas e renovadoras do rio Itapicurumirim, paquerar as belas meninas vestidas ao estilo dos rodeios, cantar, dançar e beber. Apenas Miguel ficou em casa tomando conta do rango e da churrasqueira. Não pensem que ele se importa, esta é a sua diversão. Seu semblante transparece o imenso prazer que sente com sua função.

Na volta pra casa, o churrasco já rola a pleno vapor assim como a feijoada. A fartura é tanta que além de toda a excursão, várias pessoas da cidade e parentes dos anfitriões, filam a bóia na casa pequena, cujo coração não caberia neste texto de tão grande que é. É óbvio que depois de toda esta esbórnia, muitos, assim como eu, tiram sua madorninha depois do almoço. Estes sofrem nas lentes das máquinas e do câmera-man, especialmente contratado para registrar a viagem. Uma vez acordados, outro banho no Itapicurumirim renova todas as energias para a jornada da volta.

Foi uma delícia participar deste grupo, conhecer aquelas pessoas. Se Deus me der vida e saúde, quero voltar no próximo ano(e voltei, mais uma vez foi maravilhoso). Pois, se por acaso seu carro não pegar, bote no tombo. Se mesmo assim não der, passe no Tomba que ele pega.

Glossário Regionalista:
Vaquinha:
Reunião de dinheiro dado por diversos amigos com a finalidade de suprir alguma despesa.
Buzu: Ônibus.
Cuscuz: Espécie de bolo feito de fubá de milho com sal e liga de goma de tapioca cozido no vapor. Totalmente diferente do que se chama de cuscuz no sudoeste e sul do país.
Bagulhos: tralhas, bagagem.
Cozinha: Fundo do ônibus.
Amabilidades: Excluído o significado formal, forma irônica de ofensas.
Rango: Comida.
Madorninha: Cochilo
Filar a bóia: Comer de graça.
Pegar no Tombo: Botar o carro para pegar ao ser empurrado ao tempo em que solta-se a embreagem e acelera-se. Algumas regiões falam "pegar no tranco".

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A JANELA

Uma noite
Sonhando com ela
Vi na janela um beija-flor
Mandei um beijo por ele
Para que sentisse a pele
Cheirosa do meu amor

Uma noite
Sonhando profundo
Vi na janela um mundo
Mandei o mundo pra ela
Pra que da sua janela
Visse um mundo de amor

Uma noite
Sonhando com sentimentos
Vi na janela o momento
Que ela vinha pra mim
Mandei meu amor pra ela
Pra que da sua janela
Visse um amor sem fim

sábado, 17 de janeiro de 2009

VALE A PENA

Trinta minutos no banho
Quarenta na frente do espelho
Mais dez penteando o cabelo
Amaciante no pé

Não fico com raiva ou vermelho
Escutem o meu conselho
Vale a pena esperar essa mulher

E o tempo que troca vestidos?
Demora escolhendo sapatos
Tiaras e brincos, é fato!
Não usa um batom qualquer

Não fico com impaciência
É doce a experiência
Vale a pena esperar essa mulher

É uma vida esperando
As horas que seguem passando
E o tempo que nunca se finda
Mas eu fico resignado
Pois já estou acostumado
E ela sempre chega linda

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

HÁ VÁRIAS MANEIRAS DE SE DIZER A MESMA COISA

Acabo de receber um e-mail intitulado "O Poema da Foda", destes que a gente recebe todo dia falando um bocado de bobagem, de sacanagem e coisas assim. Na verdade, tenho de confessar que dei muita risada e até achei interessante. Para mim não resta dúvida, algum valor poético tem ali. No entanto, imediatamente me lembrei de uma música que Elza Soares e Chico Buarque cantam de forma maestral e imaginei: existem várias maneiras de se dizer a mesma coisa, mas nem todos têm o mesmo talento e a mesma sensibilidade e cada um, é claro, luta com as armas que têm. E, numa guerra, temos sempre que escolhermos um lado para lutar. Cabe a nós ouvir os dois lados e tirarmos nossas próprias conclusões, escolhermos de que lado combater. Vou então transcrever o poema do e-mail e a letra da música além de um clipe muito inusitado dela que encontrei no Youtube. Não sei porque mas vi um elo entre ambos. Será que tô maluco?

Poema da Foda

Neste Brasil tão imenso
Quando chega o verão,
Não há um ser humano
Que não fique com tesão.

É uma terra safada,
Um paraíso perdido.
Onde todo mundo fode,
Onde todo mundo é fodido.

Fodem moscas e mosquitos,
Fodem aranha e escorpião,
Fodem pulgas e carrapatos,
Fodem empregadas com patrão.

Os brancos fodem os negros.
Com grande consentimento,
Os noivos fodem as noivas
Muito antes do casamento.

Coronel fode Tenente,
General fode Capitão.
E o presidente da República
Vive fodendo a nação.

Os freis fodem as freiras,
O padre fode o sacristão,
Até na igreja de crente
O pastor fode o irmão.

Todos fodem neste mundo
Num capricho derradeiro.
E o canalha do dentista
Fode a mulher do padeiro.

Parece que a natureza
Vem a todos nos dizer,
Que vivemos neste mundo
Somente para foder.

E você, meu nobre amigo
Que agora está a se entreter,
Se não gostou da poesia
Levante e vá se foder

(Autor Desconhecido)
Também pudera, se fosse conhecido, tava fodido.

Isso foi o que recibi no e-mail. Agora a música.

Façamos (Vamos Amar)
Cole Porter - Versão: Carlos Renó

Os cidadãos no Japão fazem
Lá na China um bilhão fazem
Façamos vamos amar

Os espanhóis, os lapões fazem
Lituanos e letões fazem
Façamos vamos amar

Os alemães em Berlim fazem
E também lá em Bhon
Em Bombaim fazem
Os hindus acham bom
Nisseis, níqueis e sansseis fazem
Lá em São Francisco muitos gays fazem
Façamos vamos amar

Os rouxinóis, os saraus fazem
Picantes pica-paus fazem
Façamos vamos amar

Os uirapurus no Pará fazem
Tico-ticos no fubá fazem
Façamos vamos amar

Chinfrins, galinhas afim fazem
E jamais dizem não
Corujas sim fazem, sábias como elas são
Muitos perus todos nus fazem
Gaviões, pavões e urubus fazem
Façamos vamos amar

Dourados no Solimões fazem
Camarões em Camarões fazem
Façamos vamos amar

Piranhas só por fazer fazem
Namorados por prazer fazem
Façamos vamos amar

Peixes elétricos bem fazem
Entre beijos e choques
Cações também fazem
Sem falar nos hadoques
Salmões no sal em geral fazem
Bacalhaus no mar em
Portugal fazem
Façamos vamos amar

Libélulas em bambus fazem
Centopéias sem tabus fazem
Façamos vamos amar

Os louva-deuses com fé fazem
Dizem que bichos de pé fazem
Façamos vamos amar

As taturanas também fazem
Um ardor em comum
Grilos meu bem fazem
E sem grilo nenhum
Com seus ferrões os zangões fazem
Pulgas em calcinhas e calções fazem
Façamos vamos amar

Tamanduás e tatus fazem
Corajosos cangurus fazem
Façamos vamos amar

Coelhos só e tão só fazem
Macaquinhos no cipó fazem
Façamos vamos amar

Gatinhas com seus gatões fazem
Tantos gritos de ais
Os garanhões fazem
Estes fazem demais
Leões ao léu, são do céu, fazem
Ursos lambuzando-se no mel fazem
Façamos vamos amar

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A VOLTA

Voltei, "quero ficar bem a vontade, na verdade eu sou assim...."
Michel e Gilson Mendonça


Conforme prometido o blog volta às suas atividades agora em 2009 mais uma vez esperando que este ano nos traga gratas surpresas e realizações. Tive de dar uma trégua para curtir as férias. Não as minhas, mas sim as férias de Júlia que, como todos sabem, hoje morando em Belém-Pa, agora só a vejo uma vez por ano, e, nessas condições, uma ano parece um século, uma vida, uma eternidade, uma saudade, um provação, tudo menos um ano, quem sabe uma encarnação?

Por isso me deixo levar, no coração dessa menina, que tanto me ensina, e que muito me traz. Traz a felicidade, acaba com a saudade, bota no peito a paz. Fiz de todos os programas, comida italiana, pizza, cachorro quente. E, baiana que ela é, muito acarajé. Parque, rios, praias, cinema. Um verdadeiro poema, felicidade demais.

Distribuindo os presentes, satisfação total, curtindo no seio da família, dos nossos queridos entes, a beleza do natal. Isso foi tudo de bom, assim como o reveillon e o início do novo ano, que pro coração humano, é uma nova esperança. E isso não se traduz, de forma assim tão perfeita, como quando a gente se deita, no coração da criança.

Criança que lê um livro, ganhado de Papai Noel, na rede da casa de amigos, sugando o saber do papel. Papel que nos traz a lembrança, de tudo que fomos, somos e seremos um dia. Papel que desfaz a distância que nunca se venceria, com nossas pernas cansadas, palmas de pés calejadas de torpor e sofrimento. Criança que é a estrada mais curta para o firmamento.

Criança que nos leva, a visitar os amigos, ver a margem do São Francisco em tão boa companhia. Banhar-nos nas águas do rio, e sentir o arrepio de tamanha alegria. De comer um peixe frito, pescado naquelas águas aonde o mundo deságua, sofrimento e agonias. De beijar sem preconceito, um amigo verdadeiro, que trago dentro do peito e que transformo em canção. Beijar meu negão favorito, beijar o meu grande irmão.

Descansar assim a alma, a cabeça e o corpo físico, alcançar o inantingível e voar sem avião. São as férias que eu preciso pra voltar com emoção. E perceber que o passado, teve o seu valor, sua importância, que também me ensinou assim como ensina a criança que o mundo me presenteou. E agora volto, volto feliz, volto contente, volto pra ver minha gente, que tanto me acompanhou e que tanto bem me fez. Por isso volto de novo para abraçar o meu povo. E de coração eu dedico, um bico de amor pra vocês.










































Bico de amor. "Um desejo pra sua felicidade..."

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

LONGE DELA

Se eu soubesse nadar
Singraria o oceano
Pra descobrir d'outro lado
Um amor, um sentimento

Para viver cada momento
Que a vida pudesse me dar

Se eu soubesse cantar
Cantaria uma elegia
Que traduzisse em palavras
O que não consigo falar

Porque uma simples imagem
Não traduz toda a viagem
Que busco no fundo do mar

"Vida, vento, vela,
Vela, vida, vento"
Nunca apague este momento
Nem me deixe longe dela

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

BLOG DE FÉRIAS





Queridos amigos,

Este blog entra de férias a partir de hoje retomando suas atividades no próximo ano. Gostaria de agradecer os quase trinta mil acessos que já tive e compartilhar com vocês a minha imensa felicidade de estar curtindo as férias com minha filha, como já externei em post anterior. Quero também desejar um natal cheio de luz para todos, com muita paz, saúde e que 2009 venha com muitas surpresas boas e a realização de mais alguns dos nossos sonhos. Que cada um encontre o seu caminho e a tão sonhada paz de espírito por todos almejada.


Um feliz 2009 para todos nós!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

EU ACREDITO EM PAPAI NOEL

Como disse a amiga Leda, eu fui um bom menino este ano e papai noel se antecipou e me deu o melhor dos presentes. Trouxe minha filha Júlia para passar as férias comigo aqui em Salvador. Depois de quase um ano sem ver minha Preta, o coração andava apertado e a tristeza era muita. O prazer do reencontro no entanto faz a gente esquecer tudo. Vou aproveitar cada segundo dos 49 dias que ela vai passar aqui, 44 já que se passaram 5 desde que ela chegou.

Que saudade deste beijo!

Tomei um susto quando vi o quanto ela cresceu neste período. Como está mais bonita! Eita pai babão! Condecorada na escola com a medalha de
Honra ao Mérito pelo seu rendimento escolar, uma vez que passou em todas as matérias com média 9,5 e 10, cheia de si, desembarcou no aeroporto e quando me viu abriu um sorriso tão gostoso que não pude conter uma lágrima solitária que escorreu do olho esquerdo de tanta emoção. Aquele sorriso me fez ver o quanto a vida vale a pena, o quanto eu sou feliz e privilegiado.

Eu, Júlia e Lai


Contudo, ao desembarcar, fez logo a cobrança de uma coisa que havia me pedido por telefone pouco antes de vir: -Papai, não aguento mais de vontade de comer um acarajé! Eu tinha avisado a ela que sentiria falta em Belém, só que ela não me deu ouvidos. Já não dava mais para satisfazer o seu desejo àquela hora, tivemos que deixar o acarajé para o sábado. No entanto saímos para passear, eu estava com Lai e fui buscar o seu primo Pablo, filho de Edmundo, comemos uma pizza, jogamos palitinho, brincamos de dica, enfim, passamos uma noite perfeita.

No dia seguinte Edmundo veio para almoçar com a gente. Preparei um cardápio especial para ela. Fiz um omelete de carne que ela adora, espaguete ao alho e óleo a seu pedido, arroz, batatas fritas, salada de tomates com manjericão e inventei um prato que imaginei ela gostaria cuja receita está logo abaixo no fim desta postagem e o nome a própria Júlia sugeriu. Foi um dia maravilhoso, um prenúncio do quanto será bom este período e a comprovação que Leda esta certa. É por isso que eu acredito em Papai Noel!

Com o primo Pablo


FRANGO A JÚLIA PARMEGGIANA


Com Júlia, o prato principal e Edmundo ao fundo

Ingredientes


06 sobrecoxas de frango desossadas
06 fatias de mussarela
06 fatias de presunto de peru
02 folhas de louro
01 colherinha de sálvia desidratada
01 colherinha de orégano
200ml de suco de laranja
200ml de molho vermelho
01 colher de sobremesa de manteiga
01 colher de sopa cheia de catchup
03 colheres de sopa de azeite de oliva
20 folinhas de manjericão
Queijo parmesão ralado a gosto
Tempero pronto a gosto

Modo de Preparo

Em fogo baixo derreta a manteiga, coloque o azeite de oliva o molho vermelho, as folhas de manjericão e o catchup. Misture bem e deixe ferver por um minuto. Desligue o fogo e reserve.

Tempere as sobrecoxas desossadas com tepero pronto a gosto. Coloque-as numa bacia, salpique por cima o orégano e a sálvia. Coloque as folhas de louro, despeje o suco de laranja e deixe neste caldo por uma hora. Escorra bem as sobrecoxas e grelhe com as folhas de louro em cima. De preferência use para grelhar uma churrasqueira de boca de fogão. Dispense as folhas de louro e arrume-as num refratário sem sobrepô-las. Cubra com o presunto e a mussarela. Despeje e espalhe o molho. Polvilhe o queijo ralado à vontade. Leve ao forno médio pré-aquecido até gratinar. Sirva com arroz branco e batatas em rodelas finas fritas e salada de tomates com manjericão.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

OCEANO

É um choro leve
Uma lágrima que rola
O som na vitrola
A nossa canção

Quanta poesia
Quanta melodia
Que contradição

Quanto desalento
Vivo esse momento
Varo o oceano

Eu não sei se sinto
Se é vero ou minto
Se taro ou se amo

Mas que sintonia
Que par se anuncia
Na nossa canção

Numa noite breve
Lua cheia aflora
Entra e me deflora
O seu coração

sábado, 13 de dezembro de 2008

NO SUPERMERCADO

Eu sempre tive muita curiosidade de entender a linguagem dos surdos-mudos e por isso sempre os observo nos supermercados. Vocês já repararam o quanto o mudo é conversador? Parece uma coisa compulsiva, aquela gesticulação interminável e os sons intraduzíveis que eles emitem. Nos supermercados de Salvador existem muitos surdos-mudos trabalhando, quase sempre de empacotadores. Eu acho isto uma iniciativa muito legal e acredito que deva acontecer no resto do país também. São pessoas como outras quaisquer e devem sim estar inseridos no mercado de trabalho afinal possuem família, filhos, amores e precisam viver com conforto e dignidade.

Hoje presenciei uma cena que me fez perceber mais ainda o quanto estes seres são comuns como qualquer um. De manhã cedo fui às compras para abastecer a dispensa em função da maravilhosa chegada de minha filha Júlia que veio de Belém passar férias comigo. Nem precisa falar que estou feliz demais, rindo à-toa e com um bom humor de dar inveja a palhaço. Na hora de passar as compras no caixa percebi que o empacotador não tava com cara de muitos amigos. Semblante sisudo, cara amarrada, a pura tradução do mau humor. Ele falava sozinho:

-Nhom, nham nhum nhum nham nhon!
E fazia um bico horroroso enquanto jogava minhas compras nas sacolas de qualquer jeito. Tentei reclamar: -Cuidado com as frutas amigo! Ele retrucou: -Nhuma, nhona, nham nhum nham! Não entendi porra nenhuma, preferi me calar e sublimar. Aí o empacotador do lado virou para ele e disse:

-Nhuma, nhona nhum nhom nhum nham nham!
-Manhon main nanunan nhom nhuma!

Neste momento aconteceu uma coisa incrível, algo sobrenatural, inacreditável. De tão concentrado na conversa dos dois, comecei a visualizar uma legenda, tipo as de filme, traduzindo tudo que eles falavam:

-Nhom, nham nhum nhum nham nhon!
Legenda: Filho da puta, ela é minha, não mexa mais com ela!
-Nhuma, nhona nhum nhom nhum nham nham?
Legenda: Você é que é um corno, tenho culpa se ela quer dar pra mim?
-Manhona nhuma ang nhom nhon nhum nhan!

Legenda: Eu te mato seu viado duma figa!
-Nhoma nhuna nhan nhan nhan nhoma nhum nhan!

Legenda: Tenho pena da vadia que abriu as pernas para botar no mundo um sacripanta como você, desgraçado!


Os ânimos se acirraram ainda mais, os sons aumentaram, os gestos cada vez mais obscenos. Já estava vendo a hora dos dois saírem no tapa então explodi e gritei:

-Nhumnham nhon nhamuna nhon nham nhom nham nhenh nhan nhô!
Legenda: Vão tomor no cu filhos da puta e falem baixo que ninguém é surdo aqui!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

DOZE HORAS

Júlia venha logo
Meu coração não aguenta
Esta distância
A sua ausência
A falta que você me faz

Júlia venha voando
Meu peito anda sangrando
A tristeza
A vacância
A sua falta mordaz

As próximas doze horas
Mais parecerão doze dias
De desenganos, ansiedade
Louca saudade, sem fantasias

Parecerão doze anos,
Doze séculos, doze milênios
Doze encarnações

Doze big bangs
Criando doze universos
Com seu reversos aos milhões

Mas elas passarão
E eu saberei esperar
Como este ano
contando os passos

Pela hora da redenção
De ver o peito estourar
De alegria e soberano
chorando entre os seus braços

Para Júlia Lopes

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

BEIJO ROUBADO

Um beijo roubado
É um beijo de amor
Há tempos guardado
Num coração sofredor

Um beijo roubado
É um gesto de paixão
Um crime premeditado
Que não merece prisão

Um beijo roubado
É um sinal de carinho
Mandado por um salafrário
Quando se sente sozinho

Para Elcio Tuiribepi

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

CONSIDERAÇÃO

Li esse texto no blog do Hugo Oliveira, um primor de lugar, o NOSSO-COTIDIANO. Fiquei tão sensibilizado com essas palavras que achei por bem publicá-las aqui. Achei a perfeição. A verdade em forma de palavra mesmo sendo a palavra a maior expressão da mentira.


A consideração é uma espécie de reconhecimento que as pessoas tem em relação a você e que você tem em relação aos outros. O ato de se ter consideração por alguém significa que você reconhece no outro a virtude, o esforço, a dedicação e mesmo que não tenha retorno da mesma forma, entende que é importante deixar claro que compreende isso na pessoa. É interessante perceber que por mais desgastados que estejam alguns valores hoje em dia, o que talvez tenha maior espaço na mente das pessoas é distinguir quem se considera e quem lhe considera. É como se você pudesse elencar àqueles com quem pode contar e que podem contar com você em uma relação de total reciprocidade. Porque considerar tem a ver com confiança, com apoio e com segurança.A confiança em saber que a pessoa não lhe julga, mas enxerga você como um ser humano. O apoio para as circunstâncias que você vive porque entende que as conquistas e as vicissitudes acontecem e sempre precisam de alguma palavra amiga para lhe parabenizar ou dar uma "força". A segurança de poder errar e mesmo assim saber que a pessoa estará lá para lhe ajudar a enxergar o erro e também para abrir o caminho com você para a mudança. Consideração é isso, é reconhecer. No mundo dos negócios, a consideração é um tesouro. Não é todo mundo que tem consideração pelos outros, porque não é apenas uma questão de valores pessoais, pois é um mundo muito competitivo.Cruzar a linha é muito fácil, em especial quando não há vantagens ou ganhos em retorno. É nesta hora que você percebe e entende quem tem consideração. Respeitar o ser que você é e que apesar de você estar em um ambiente profissional, saber enxergar que você é uma pessoa, merece toda a sua consideração. Então, a consideração é demonstrada nas atitudes. A atitude de entender, de contextualizar, de ouvir, de falar, de avaliar, de investigar e de perceber que as pessoas estão juntas nas ações; isto é consideração. Nunca se esqueça que você também tem de fazer a sua parte. Muito fácil esperar dos outros, mas na verdade o que importa é você ter consideração pelos outros, assim o caminho da reciprocidade se abre a sua frente. Mesmo nas situações mais adversas, nunca deixe de considerar os outros. Pense nos outros, como se fosse você. Assim você consegue entender e medir o que você fizer. Os seus valores como pessoa devem sempre falar mais alto. Nunca o contrário. Recear isto é bobagem. Ninguém vai muito longe agindo sem consideração, porque não vem de dentro. Mas o melhor a saber é que algumas decisões são tão importantes no processo de crescimento que podem significar sofrer ou crescer. Saiba que os caminhos de grande sucesso são àqueles que valem pelas pessoas.

(Sílvia Somenzi)