segunda-feira, 5 de novembro de 2018

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

OBRIGADO

Senhor, obrigado por mais um dia
Obrigado pela alegria
De acordar vivo e saudável

Oh Deus, obrigado pela beleza
De encontrar a grandeza
De me tornar mais amável

Obrigado pela família
Pelos meus pais
Filhos, filhas
Que tanta força me dão

Agradeço pelos amigos
Que juntos estão comigo
Sem fazer nenhum pedido
E tocam o meu coração

Com sua força Senhor
Hei de encontrar a minha
Sabendo que não estou sozinho
Vê-la se multiplicar

Que nessa estrada de espinhos
As rosas que estão no caminho
Exalem o seu olor
E venham me perfumar

Agora que nasce outro sol
Que venha um dia melhor
Tornando mais leve o meu fardo

Que nesse dia nascido
Os anjos que estão comigo
Me ajudem a dizer obrigado!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

DISCURSO DO ORADOR

Em 24 de março deste ano, colei grau em Administração de Empresas pela UNOPAR, Universidade Norte do Paraná, pólo de Serrinha-Ba. Foi uma cerimônia coletiva e mais cinco turmas colaram grau junto com a minha. Tive a honra de ser convidado para orador, representando todas as turmas. Segue abaixo o discurso que fiz nesta oportunidade:


Boa noite Senhoras e Senhores!

Esta é uma noite especial. Uma noite de celebração da vitória desses bravos formandos dos cursos de Administração de Empresas, Pedagogia e Serviço Social, de 2017, e de Ciências Contábeis deste ano, da Unopar, Unidade Serrinha. Pessoas que enfrentaram as mais variadas adversidades, alguns se deslocando de cidade para as aulas presenciais, outros conciliando o horário de trabalho com os estudos, muitos concluíram o curso com imenso sacrifício financeiro, enfim, barreiras derrubadas com o mérito e dedicação de cada um dos formandos aqui presentes. Esta é apenas uma etapa vencida que culminará com certeza, no sucesso e crescimento profissional e pessoal de todos, que, sem dúvida, são merecedores. Por isso, parabenizemos esses guerreiros com entusiasmo e alegria com uma salva de palmas para todos!
Como disse o imortal poeta português Fernando Pessoa:
Põe quanto és no mínimo que fazes. Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim, em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.”
E assim, faremos a lua brilhar para todos nós, e para aqueles que nos cercam e nos amam. Temos que pôr tudo quanto somos nos nossos atos, mas não podemos fazer nada sozinhos. Sem o apoio, o incentivo e a motivação dos nossos amigos e familiares, tudo seria mais difícil.
Como esquecer deste pilar que tanto nos ajudou a chegarmos aqui? Será que conseguiríamos sem eles? Eu particularmente acho que não. São muitos nomes a citar. Não daria tempo para tanto. Sem a nossa coordenadora Eliene? Sem o nosso patrono Adalberto Dutra da Rocha? Será que conseguiríamos? E o que dizer dos tutores que nos apoiaram, incentivaram e dedicaram seu tempo, seu conhecimento e, principalmente, a sua amizade para concluirmos esta caminhada? Somos privilegiados por tê-los tido pondo o quanto são no mínimo que fazemos e no máximo que fizeram por nós.
A solidão é cruel e não nos leva a lugar nenhum. Já dizia Raul Seixas:

Sonho que se sonha só, é um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade.”
Não sou bom de parábolas ou fábulas, mas vou pôr o quanto sou nesta que me arrisco a criar:

“Um certo homem perguntou a uma formiga como elas conseguiam construir tão perfeita moradia, convivência e obras gigantescas comparadas ao tamanho que tinham? Ela simplesmente respondeu:
- Faço o que posso para mim e para a outra o que ela não pode fazer por si mesma. O que não posso fazer por mim ou por nenhuma, sempre há outra disposta a doar o seu tempo e esforço para me suprir. Morremos uma pelas outras, mas, sobretudo, vivemos por todas!”

Ah se fôssemos formigas! Mas, como somos apenas seres humanos, neste momento não podemos deixar de celebrar. Sem fábula, parábolas ou ficções, hoje temos o privilégio de sermos seres humanos em evolução, para chegarmos amanhã a sermos formigas e viver em comunhão. Falaria a noite inteira sobre essa vitória espetacular que alcançamos, mas faltam-me palavras. Então encerrarei usando mais uma vez, palavras de outra pessoa: Lulu Santos:

Tudo que cala fala mais alto ao coração.”
Agora vou calar-me, para tentar gritar ao peito de todos: “Vencemos uma batalha. Só uma etapa. Mas como, para nós, não existe guerra, vamos todos ao encontro da paz. Lembrem-se sempre: A VITÓRIA NUNCA NOS ALCANÇA, MAS SEMPRE NOS ESPERA!

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

PALAVRAS




Se as pessoas bem soubessem
O valor que as palavras têm
As economizariam
Como ao dinheiro também

Assim como o vil metal,
É preciso saber usá-las
Comedidamente, com cuidado,
Não gastá-las

Muita gente tem dinheiro
Mas não sabe se conter
Gasta pelo mundo inteiro
Até tudo se perder

A palavra é assim
Também pode acontecer
Se falar, falar sem fim
Mesmo sem nada a dizer



quarta-feira, 19 de maio de 2010

ESPERANDO POR ELA

Ela vem vindo, amada
Ela vem vindo, faceira
Ela vem vindo, bonita
Ela vem vindo, menina

Ela vem vindo, saudável
Ela vem vindo, a luz
Ela vem vindo, pra nós
Ela vem vindo, divina

Ela vem vindo, em mim
Ela vem vindo, em ti
Ela vem vindo, canção
Ela vem vindo, criança

Ela vem vindo. mulher
Ela vem vindo, poema
Ela vem vindo do ventre
Onde pra nós ela dança.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

TERRA BAHIA


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Terra Brasil, brasileira
Parada primeira
Colonização
Que se regala festeira
À sua maneira
Num só coração

Berço de tantos talentos
Fortes monumentos
Da nossa cultura
Velhos, rapazes, rebentos
Palavras, inventos
A arte mais pura

Terra de mil Caetanos
Caroso, Adrianos
Valverdes e Rosas
Terra dos Novos Baianos
Amados, fulanos
De Ruys e Barbosas

Terra de boa comida
Gilbertos dão vida
Pros tempos de paz
Castros e Alves na lida
Poesia esculpida
Versos de Moraes

Lugar onde o vento gorjeia
Menina, sereia
Tarde, Itapoã
Quem se deitar nesta areia
Pulsará na veia
De um belo amanhã

Onde renasçam Caimmys
Com notas sublimes
Rede e violão
Onde na esteira de vime
Preguiça é vitrine
Para uma nação

Onde nasceram Marias
Bethânias, poesias
Costas e Gal
Caldas, Dodôs e folias
Reinado de dias
O som, carnaval

Cantam Sangalos e Leites
Pra nosso deleite
Macedos, João
Fortes como seu azeite
Tempero de peixes
Abará, camarão

Dadá e seu sorriso lindo
Nascendo, fluindo
Para exportação
Porto seguro, menino
Correndo, carpindo
Mais uma canção

Terra de tantas belezas
Naturais riquezas
De mares e rios
Terra de tão farta mesa
Alegria e tristeza
Num só desafio

Aqui nasceram pessoas
Tão raras, tão boas
Quase uma elegia
Tu és o hino que entoa
O sino que soa
És terra, Bahia!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O VENDEDOR


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Conta a piada que um certo vendedor, desesperado pela grande maré de azar que atravessava, há meses não preenchia uma folha no seu talão de pedidos, resolveu não trabalhar naquele dia e vagava pela praia procurando espairecer. De repente, uma dor lancinante. Descalço que estava, topara com toda força num objeto metálico e quente por causa do sol em brasa. Depois de proferir palavrões inenarráveis, abaixou-se para acariciar o dedão na vã tentativa de aplacar a dor. Neste momento observou que o tal objeto, nada mais era que a lâmpada perdida por Aladim. Sem titubear, alisou o objeto mágico libertando o Gênio de séculos de prisão.
-O senhor é meu amo, pois me libertou. Com isso terá direito a três pedidos.
-Um minutinho só, enquanto vou correndo no carro buscar o talão.
Não sei se por coincidência ou por capricho do destino, veio parar na minha mão por empréstimo, o livro O Vendedor de Sonhos de Augusto Cury, justamente no momento que acabo de me tornar um vendedor, não de sonhos, não tenho tal pretensão, mas de remédios e produtos de farmácia. Ainda não descobri o que esse maravilhoso livro, pude perceber isso pelo pouco que li até agora, terá relação com minha nova atividade. Mas uma história destas, contada de maneira tão deliciosa, com ensinamentos profundos, com certeza terá sua contribuição no meu engrandecimento nesta nova jornada.

Ainda não tinha contado isto a vocês, mas depois de um ano desempregado, acumulando dívidas e à beira do desespero, me apareceu esta oportunidade que agarrei com mãos, pés, boca e tudo mais que sirva para agarrar alguma coisa. Vale lembrar que isto foi uma mudança radical na minha vida. Primeiro porque tive que me mudar. Agora fixei residência em Serrinha, a 170 km de Salvador, para poder atender a região que darei cobertura, o sertão baiano, na área da produção de sisal. São muitas cidades que visito semanalmente: a partir de Serrinha, que também faz parte do meu setor, vem: Teofilândia, Araci, Jorrinho, Caldas do Jorro, Tucano, Quijingue, Euclides da Cunha, Uauá, Canudos, Monte Santo, Cansanção, Nordestina, Queimadas, Santa Luz, Valente, Retirolândia, Conceição do Coité, até chegar novamente a Serrinha, perfazendo uma ferradura de mais de 600 km de extensão.

Depois, tem o fato de nunca eu ter tido experiência com vendas e não entender praticamente nada de medicamentos e suas substâncias com nomes estrambólicos, parecidos, muitas vezes, e de difícil assimilação. Com isso, venho dando muitas cabeçadas, mas, depois de quase três semanas de atividade, acho que estou me saindo até bem, numa otimista auto-avaliação. Este é um dos motivos, sem querer aqui dar nenhuma desculpa esfarrapada pelo meu desaparecimento do mundo maravilhoso dos blogs. A verdade é que pouco estou podendo acessar a net. Trabalhando quase 13 horas por dia, perambulando por cidades que, na sua maioria, não tem internet nos hotéis, como é o caso de agora que escrevo sozinho, num aconchegante, limpo e agradável quarto de hotel em Santa Luz, ficou mais difícil de escrever coisas novas, ler meus autores blogueiros prediletos e, principalmente, comentar nas suas maravilhosas postagens.

Bem, voltando ao vendedor, não consigo descrever a sensação sentida quando por fim, gastei a primeira folha do meu talão de pedidos. Foi deslumbrante, mesmo tendo sido um pedido pouco acima do pedido mínimo e longe de ser um bom pedido. Quase tremia ao preencher aquelas poucas linhas com quantidades, nomes confusos e pouca compreensão. Como um bom sinal, foi no meu primeiro dia de trabalho. Segundo os experientes da área, isto não é fácil. Ponto pra mim. É claro que venho dando minhas cabeçadas, mas aos poucos estou encontrando meu estilo, minha forma de vender. Não sonhos, estes vou tendo enquanto dirijo sob o sol escaldante do sertão baiano, suado nas roupas quentes e apresentáveis que agora sou obrigado a usar, mas os Diclofenacos, Losartanas, Fluoxetinas, Cloridratos e tantos outros acos, anas e inas da vida, pagando propinas a guardas rodoviários para não me multarem por causa das duas linhas de vidro trincado no pára-brisa do meu carro, que a precária situação financeira não me deixou trocar.

Já foram várias as garfes que cometi. Como perguntar ao cliente o fabricante de determinado remédio mais conhecido que o Papa e ouvi dele: -Já vi que você é marinheiro de primeira viagem. –Sim. Respondi. –Porém, não conheço nenhum marinheiro experiente que não tenha dado a primeira viagem ou alguém que aprendeu a nadar sem se jogar pela primeira vez na água. Semana passada, eu cometi uma outra que me deixou muito envergonhado. Depois de conhecer, num pequeno intervalo de tempo, mais de cem pessoas, cometi a imprudência de confiar na memória. Entrei num estabelecimento, sem consultar minhas anotações, que já tinha visitado na semana anterior e chamei sua dona pelo nome.
-Como vai Dona Maria Luiza?
-Bem, mas me chamo Rita de Cássia.
Desconsertado falei a primeira bobagem que me veio na cabeça:
-Maria Luiza e Rita de Cássia? É quase a mesma coisa, chega até a rimar.
Era a cidade de Queimadas, onde até hoje eu não tinha tirado nenhum pedido. É claro que a senhora não comprou nada em minha mão, por mais que eu tentasse me redimir. No lugar dela eu também não compraria.
- Não se zangue comigo D. Rita. Conheci muitas pessoas nos últimos dias e fica difícil gravar o nome de todas. Tire um pedidozinho com seu amigo, para batizá-lo na cidade. Ainda não vendi nada aqui em Queimadas. Preciso mandar o leite da menina.
-Não foi nada Adriano. Não tem nada a ver com isso. Estou sem faltas, já pedi o que precisava com outros representantes. Quem sabe na próxima semana.

Não botei muita fé. Aquelas palavras foi o que eu mais tinha ouvido nos últimos dias. Fui embora desolado sem vender um comprimido na cidade. Hoje, estava retornando à Queimadas e, entrando na cidade, alguns versos surgiram de repente na minha cabeça quase a porta da farmácia da simpática senhora. Então não titubeei. Desci do carro e entrei no estabelecimento falando:

O que D. Rita de Cássia precisa
É tirar um pedido com Adriano
Para que este não cometa o engano
De chamar-lhe Maria Luiza

E aí D. Rita de Cássia?
Flor das acácias de terras amadas
Minha caneta está pronta
Pra marcar na sua ponta
Meu batismo em Queimadas.
Ela riu, olhou meu catálogo e fez um gordo pedido. Mais um ponto para mim. Quem sabe um dia eu chego lá? Eu acredito e continuo sonhando.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

MEU PÉ DE CAJU

Fração dos meus averes prediletos
O meu pé de caju detrás de um muro
Safra em safra me dá frutos seletos
Mas deles ele logo fica puro

Além do passaredo e dos insetos
Mazelas naturais que lhe não curo
Com pedradas garotos irriquietos
Lá não deixam para mim caju maduro

Não me zango, porque não me exaspera
A garotada lesta divertida
A derribar cajus....

E até quisera ser eu
Um pé de caju da mesma classe
Para que produzindo nesta vida
Desse fruto a quem pedra me jogasse.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O SUSTO


O susto é o prenúncio do medo
O medo que está por vir
Ou aquele que já veio?
Do veio porvir
Porventura
A cura do medo
Segredo sem farol
Labareda no teu seio
Alimento na ponta do anzol
Assombração entre o arvoredo

Medo, medo, medo
Segredo, segredo, segredo
Arvoredo, arvoredo, arvoredo
Ventura, ventura, ventura
A cura, a cura, a cura
Pura, pura, pura

Assombração entre o arvoredo
Alimento na ponta do anzol
Labareda no teu seio
Segredo sem farol
A cura do medo
Porventura
Do veio porvir
Ou aquele que já veio?
O medo que está por vir
O susto é o prenúncio do medo

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

ANA CAROLINA

O vídeo já diz tudo. O poema de Elisa Lucinda e a parceria de Tom Zé. Sem comentários!

NA BAIANA DO ACARAJÉ

-Diga aí freguês?
-Baiana, vê um com e um sem pra viage.
-Bota pimenta?
-Tá muito retada?
-Tá boa.
-Então bota como se o cu fosse seu. Tem guaraná?
-Sim. Tem coca, fanta, fanta uva e soda.
-Bota uma coca pra viage também. Sabe dizer onde eu pego o buzu pra Muriçoca?
-Faz o arrodeio a direita. Ele passa na pista de lá.
-Costuma demorar?
-Demora pra caralho. Só passa de caju em caju.
-Ôto dia peguei esse buzu e o motô botou pra fudê. Corria virado na nisgraça, acho que tava comeno água.
-Esses corno num respeita a gente. Leva o buzu como se fosse fusca. Ôto dia o motô fez uma curva virado na porra e derramou meu balaio todo.
-Filho da puta! Porque você num mandou ele pra casa da porra?
-É que tava na pendura, num podia reclamar. Cê sabe né, as vez a gente pega carona.
-Cê tava indo pronde?
-Da Curva Grande pro Pau Miúdo.
-Ah! Longe pra porra.
-O pior né isso. O buzu tava intupido e tinha um viado fazeno terra em mim. Mandei o sujeito tomar no lugar que galo gosta. Que falta de respeito!
-Pois é baiana. O povo num respeita mais nada. É foda! Cê já viu que tem um carioca trabalhano na padaria de seu Nonô?
-Vi, acho que ele é meio tiziu do peito seco.
-Pois é. O sacana ficou rino da minha cara porque pedi uma vara e dois cassetinho, pode?
-Pode não batera, quem essa bicha pensa que é?
-Sei lá. Aquela coca é fanta mesmo.
-Tô indo baiana. Vou levá o acarajé da nêga antes que isfrie. Ah! Bota uma punheta também. Quanto é?
-Seis real.
-Bota no prego baiana. De hoje a oito eu te pago.

P.S. Este texto é quase uma transcrição literal de um diálogo que ouvi ontem entre a baiana e um cliente quando fui comprar um acarajé.

Glossário de Regionalismos

Diga aí freguês: Saudação de comerciante, principalmente feirante, camelôs e baianas de acrajé, aos seus clientes.
Baiana: Vendedora de acarajé.
Um com, um sem: Acarajé com e sem camarão.
Muito retada: Muito forte, ardendo demais.
Como se o cu fosse seu: pouca pimenta.
Guaraná: Para o baiano guaraná é sinônimo de refrigerante.
Viage: Viagem.
Buzu: Ônibus coletivo.
Muriçoca: Pernilongo. Neste caso alusão ao Vale da Muriçoca que liga o bairro da Federação a Av. Vasco da Gama em Salvador.
Arrodeio: Retorno.
Pra caralho: Muito.
De caju em caju: De quando em vez, espaçadamente.
Ôto: Outro.
Nisgraça: Desgraça.
Comeno água: Fazendo uso de bebida alcoólica.
Motô: Motorista.
Virado na Porra: Forte, nervoso, com muita intensidade.
Balaio: Cesto grande trançado de vime ou cipó.
Na Pendura: Fiado ou de graça.
Num: Não
Cê: Você.
Pronde: Para onde.
Curva Grande: Ladeira no bairro do Garcia em Salvador.
Pau Miúdo: Bairro de Salvador.
Intupido: Muito cheio, entupido.
Fazeno terra: Roçar por trás nas pessoas.
No lugar que galo gosta: No cu.
Trabalhano: Trabalhando.
Tizio do peito seco: Homossexual.
Rino: Rindo.
Vara: Pão francês 200g.
Cassetinho: Pão francês 50g.
Batera: Amigo, parceiro.
Aquela coca é fanta: O rapaz é gay.
Nêga: Esposa, namorada, amante.
Isfriar: Esfriar.
Punheta: Bolinho frito de tapioca coberto com açúcar e canela em pó. Também conhecido como bolinho de estudante.
Botar no prego: Pendurar, fazer fiado.
De hoje a oito: Daqui a uma semana.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

BILHETES II

Eu escrevi bilhetes de amor. Escrevi linhas que falavam da minha angústia e do meu desespero. Escrevi cartas com mentiras e verdades tentando aproximar o meu eu da minha razão. Eu fui fundo nas palavras dos bilhetes não lidos. Esquecidos na porta da geladeira. Como aquele que avisava para desligarem o fogo do feijão antes do incêndio consumado. Eu escrevi bilhetes conotativos com idéias desencontradas e palavras sem sentido, cujos significados desconotativavam o resumo da história. Escrevi bilhetes sem memórias ou lembranças. Sem esperanças, sem pudores. Falava dos meus amores como falo de futebol. Escrevi bilhetes não postados, esquecidos nas gavetas e escaninhos de um cérebro em colapso. Fui relapso, preguiçoso, fui fugaz.
Recebi bilhete azul me apontando a porta da saída. Na hora da despedida um bilhete de apoio e consolo. Li bilhetes de artistas nos versos das canções. Bilhetes de corações apaixonados. Cartas quilométricas desconsiderando a distância entre seus destinatários. Bilhetes com relicários e um passado no papel. Bilhetes de uma vida, uma encarnação não lembrada, nas sessões de regressão no divã de um analista. Um que veio do florista com as rosas vermelhas e amarelas. Este estava perfumado. Bilhetes deixados na mesa, nos correios, no caderno ou no bolso. Bilhetes, bilhetes, bilhetes, que teimo em ler ou escrever com a caneta já falhando. A tinta acabando no bilhete que deixo agora supurando a ferida. Não conto a minha história, só me despeço da vida.

sábado, 1 de agosto de 2009

PRESENTE PRA LAI

25 de Julho de 2009

É seu aniversário
E sou eu quem ganho o presente
Da imensa alegria
De estar com você

É seu aniversário
E eu sou quem fico contente
De ver minh'alma cansada
Na estrada rejuvenescer

É seu aniversário
E embora eu não mereça
Que no meu campo floresça
Um belo jardim em flor

Vejo na frente o cenário
De um lindo campo florido
E o sabor colorido
Da língua do seu amor

É seu aniversário
E nada trago nas mãos pra te dar
Nem jóias, mimos ou teréns

É seu aniversário
E nada pra te ofertar
Só meu amor, parabéns!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

PREGUIÇA BAIANA

"As vezes sinto uma vontade enorme de trabalhar. Aí, vou para um canto quietinho, fico lá deitadinho, esperando a vontade passar."
Autor Desconhecido

Dizem que baiano é preguiçoso. Nunca vi uma mentira maior. O baiano é um povo trabalhador e disposto, mesmo sendo festeiro. Acho que o percursor desta bobagem foi o genial Dorival Caymmi. Preguiçoso de marcar maior, com sua música universal, propagou esta fama mundo afora. Só que a verdade é bem diferente. Mas não foi sobre isto que vim aqui falar.

Poderia dar um monte de desculpas, falar de falta de tempo, de compromissos inadiáveis, uma fictícia L.E.R. ou algo do tipo, para justificar o longo período de silêncio deste espaço sem qualquer satisfação. No entanto vou falar a pura verdade. Nos últimos tempos me baixou o caboclo Dorival e eu fiquei com uma preguiça danada. Uma preguiça baiana. Fiquei como o cidadão da ilustração acima, esperando a vontade passar. Fui também acometido de um banzo que tentou minar as minhas forças, mas renasço das cinzas para voltar a postar aqui e nos outros espaços que participo. Espero que os caros leitores perdoem-me a ausência e não abandonem este baiano que de preguiçoso não tem nada, mas às vezes tambem tem direito a uma rede. Obrigado.

P.S. A partir do próximo domingo, darei continuidade a história "O Caminho de Volta".

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A LÍNGUA DO "F"

O discurso etílico de mesa de bar às vezes produz algumas pérolas. Ontem de madrugada fui com uns amigos ao aeroporto esperar meu compadre Zé Filho que veio do Pará passar alguns dias na boa terra. De lá fomos a um barzinho tomar umas geladas e comer uma bela feijoada. Depois de muitas cervejas, meu amigo Goiabão já não conseguia pronunciar corretamente uma palavra sequer chapado que estava. Mas, na hora de contar este "causo" articulou tudo direitinho para delírio dos bêbados a sua volta que deram muitas risadas, incluindo este que vos fala. A autoria é desconhecida, mas vale o registro.

"Um sujeito entra no restaurante, senta e chama a garçonete pelo nome:
-Filomena faça favor!
-Pois não senhor o que deseja?
-Fineza fazer frango frito.
-Algum acompanhamento?
-Farofa e fritas.
-Quer algo para beber?
-Frisante.
Depois de comer, a solícita garçonete pergunta:
-Está satisfeito? Quer mais alguma coisa para comer?
-Filé e fígado.
-Para acompanhar?
-Feijão e farinha.
Quando acabou o segundo prato, Filomena perguntou ao senhor:
-Aceita alguma sobremesa:
-Frutas frescas.
Ela trouxe a fruta junto com um copo de água e um cafezinho. Ao tomar o café o senhor fez uma cara horrível.
-O que foi, não está bom o café?
-Frio e fraco.
-E como o senhor gosta?
-Forte e fervendo.
-Desculpe amigo, qual o seu nome?
-Francisco Fernandes Fontoura Figueira Filho.
-Qua a sua profissão?
-Fui ferreiro.
-E porque não é mais?
-Faltou ferro.
-E o que o senhor fazia?
-Faca, faquinha, facão, fechadura, ferrolho, ferro fundido, funil...
-E agora depois de aposentado como o senhor se sente?
-Feio, fodido e falido.
-Tudo bem seu Fernandes. Se o senhor falar mais seis palavras começadas com F não vai pagar a conta.
-Formidável! Ficando fiado fico freguês.
Ao falar isto, se levantou e saiu sem pagar a despesa. Filomena, percebendo o erro do moço gritou:
-Seu Fernandes, o Sr. disse apenas cinco palavras.
-Foda-se Filomena!"