quarta-feira, 8 de outubro de 2008

COMO SE FOSSE PERFEITO.....


Meu amigo Leandro, na sua infinita bondade, me presenteou com este lindo selo do Blog Perfeito. Quem me dera Leo. Fico muito feliz e, seguindo sua orientação, faço este post e repasso para mais cinco blogs muito bons. Vocês que o estão recebendo agora, favor cumprir estas duas regrinhas básicas: postar e repassar como faço agora para:

Ana
Everton
Jacinta
Mary
Regina

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A PRIMEIRA PROFESSORA A GENTE NUNCA ESQUECE!

Qual o menino que nunca se apaixonou por uma professora? Que nunca teve sonhos com a tia do pré, desejos proibidos no banheiro pela pró do primário ou sonhos eróticos com a gostosa de Geografia do colegial? Eu. Talvez porque, assim como as empregadas lá de casa(é comum ouvirmos casos de meninos que comeram as empregadas das suas casas) nunca, pelo menos nesta fase, tinha tido uma professora que me despertasse atenção. Admiração sim, e muita, mas paixão nunca.

Quando isto veio acontecer pela primeira vez, eu já era um adulto, no alto dos meus 36 anos, e fazia um curso de culinária no Senac. Cândida, a professora de ética profissional que me despertava desejos nada éticos, mas, como o curso era de culinária, deliciosos sem dúvida. Resultado, voltei a ser criança. Assistia àquelas aulas babando. Quando ela ía de saia então, ficava louco e não conseguia fixar uma linha das explicações mas decorei todas as curvas daquelas pernas maravilhosas. Tinha também umas calças apertadíssimas sem cós que, quando, ela baixinha que era, se espichava para escrever na parte mais alta do quadro, revelava uma minúscula tira das suas belas calcinhas. A vermelha era a minha preferida mas a preta também tinha o seu lugar, e que lugar! Como vocês podem ver, virei o adolescente apaixonado pela professora, tarado seria o termo mais apropriado. Sem desmerecer a beleza, sensualidade e simpatia de Cândida, talvez fosse mesmo pela extrema carência que me abatia naquela época.

Mas, este mundo dá voltas e, na vida, sempre tem a primeira vez. Voltarei no tempo, para o Leobino Cardoso Ribeiro, em Serrinha-Ba, onde estudei o 2º, 3º e o 4º ano do primário, em 76, 77 e 78 respectivamente. Minha professora era Pró Noélia. Uma senhora séria porém muito amável, de quem guardo boas recordações mas passou longe de me despertar algo parecido com paixão.

Morei quatro anos naquela cidade, minha irmã se casou com um cara de lá, separou, casou com outro de uma cidade vizinha e trabalha lá até hoje. Meu pai, depois de passar longos anos em Santo Amaro, depois de aposentado voltou pra lá, mas mesmo assim eu tinha tudo para me afastar de Serrinha e jamais voltar a por os pés naquele rincão. Isto só não aconteceu por um motivo básico. A família e os amigos que lá fiz, com quem mantenho até hoje laços de amizade fraterna. Como nunca dou as costas à um amigo e à família, acabei por não dar as costas à cidade embora já tivesse tido muita vontade de fazê-lo. Aí o destino se encarrega de mostrar o porque das coisas acontecerem nas nossas vidas.

Em outubro do ano passado conheci Laércia. Professora do Leobino Cardoso Ribeiro. Pró Lai, como é carinhosamente chamada pelos alunos, cruzou o meu caminho para mudar minha vida e ser a minha primeira professora. Não, não me matriculei, não voltei a estudar ainda. Mas a primeira com quem pude realizar os sonhos reprimidos e me apaixonar de verdade. Neste ano letivo da relação, estou aprendendo muito, aluno aplicado que sou, e espero passar sem provas finais ou recuperação. Tenho me esforçado muito pra isso. Quero ser o primeiro aluno da classe, o CDF, o que senta na primeira fila e aquele que desperta a admiração da Pró. Porque assim como o sutiã e a geladeira, a primeira professora a gente nunca esquece. Como esquecer de LAI?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

QUATRO COISAS SOBRE MIM

Minha amiga Ana enviou-me este meme onde devo relatar coisas sobre mim que vocês saibam ou não. Como não sou de fugir aos desafios lá vão elas:

- QUATRO TRABALHOS QUE TIVE EM MINHA VIDA.

1. Iniciei minha vida profissional aos 15 anos fazendo imposto de renda para uma família de fazendeiros milionários do interior da Bahia.
2. Aos 20 anos iniciei uma curta carreira de professor de matemática do segundo grau, nível médio, até meus 25 anos.
3. Depois trabalhei como produtor e gerente financeiro ajudando a lançar bandas como Timbalada, Banda Eva(Ivete Sangalo), Araketu dentre outras.
4. Hoje sou gerente financeiro de uma rede de farmácias de Salvador. Estou me preparando para dar uma guinada na minha vida e mudar de ramo.

- QUATRO LUGARES EM QUE VIVI

Foram muitos, Vou enumerar os quatro mais marcantes por ordem decrescente de importância na minha vida

1. Santo Amaro da Purificação-Ba
2. Salvador-Ba(onde vivo hoje)
3. Serrinha-Ba
4. Juazeiro-Ba

- QUATRO PROGRAMAS DE TV QUE ASSISTIA QUANDO CRIANÇA.


1.Vila Sésamo
2. O desenho animado Speed Racer
3. O Túnel do Tempo
4. Perdidos no Espaço

- QUATRO PROGRAMAS DE TV QUE ASSISTO

1. Sou um noveleiro inveterado. Se me prender assisto do início ao fim.
2. Telejornais em geral
3. Programa do Jô(Tá cada dia pior)
4. A Grande Família

- QUATRO LUGARES EM QUE ESTIVE E VOLTARIA.

1. Lençóis-Ba na Chapada Diamantina
2. Porto Alegre-Rs
3. Cataratas do Iguacú
4. Campos do Jordão-Sp

- FORMAS DIFERENTES QUE ME CHAMAM.

1. Velho Dil(A mais comum)
2. Dico(Esquecida na infância)
3. Didico(Esquecida na infância)
4. Aline. É isto mesmo. Aline. E ainda para completar tem sub-título e tudo. A Muriçoca de Biquini.

- QUATRO PESSOAS QUE TE MANDAM CORREIOS QUASE TODOS OS DIAS.

1. Paulo Valentino
2. Raymundo Salles Brasil
3. Maurício
4. Todos os dias só os três acima.

- QUATRO COMIDAS FAVORITAS.

Por ordem de preferência

1. Comida Italiana
2. Comida baiana
3. Maniçoba
4. Comida chinesa

- QUATRO LUGARES EM QUE DESEJARIA ESTAR AGORA.

1. Em Belém-Pa ao lado da minha filha Júlia, meu maior tesouro, meu maior amor.
2. Em Porto Alegre. Sempre ao lado dos meus queridos amigos.
3. Na Chapada Diamantina
4. Em Serrinha nos braços da minha namorada para onde estou indo daqui a pouco.

- QUATRO AMIGOS QUE CREIO QUE ME RESPONDERÃO.

1. Éverton Vidal
2. Leandro
3. Lorena
4. Jacinta

Assim vocês conhecem um pouco mais sobre mim. Façam suas listas.

Beijos!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ILHA DO PIRATA - O FIM DA HISTÓRIA - VII

Os anos que trabalhei com Ray foram maravilhosos, uma grande experiência na minha vida. Trago no coração uma saudade boa daqueles dias de tensão, de noites viradas, muito cálculos, muita alegria, muita arte e sempre, nunca foi diferente, no final tudo dava certo. Eu, que nunca fui artista, sentia uma enorme satisfação ao ver o reconhecimento do cliente. Fico imaginando como Ray deve sentir-se nestes momentos.

Depois do cenário da Fonte Nova, Ray começou a retomar a antiga amizade com João Teixeira. Como já falei antes, gostei de cara de João. Admiro o seu jeito verdadeiro, desses que dizem na tampa o que pensam, sem meias palavras ou dissimulações. Sem contar seu alto astral e seu caráter irrepreensível. Ele também é um grande artista embora tenham estilos completamente diferentes de criar. Ray é do computador. Uma fera na manipulação do 3D Stúdio, Corel Draw e Photoshop, softwares cujos recursos eu duvidaria existir não tivesse sido testemunha ocular de suas proezas. Já João é da ilustração, do desenho manual. Cada um a sua maneira, ambos de grande talento. O ponto em comum está na capacidade de executar na prática o que criam no papel. Foi então natural que surgisse ali, uma parceria para futuros trabalhos. João tinha em Ray uma espécie de ídolo. Um dia nos confessou que foi o exemplo de Ray que lhe mostrou ser possível viver da própria arte.

Trio Elétrico de Ivete Sangalo - Carnaval 2003
O primeiro trabalho que fizeram juntos quase entra no livro dos recordes. A maior fita do Bonfim do mundo. Tinha 300m de comprimento e circulava todo o perímetro de um mega hotel no complexo de Costa do Sauípe, no litoral norte da Bahia. Até hoje eles fazem vários cenários para este Hotel, um antigo cliente de João. Decorações para natal, reveillon e outras festas.

O último trabalho que participei antes de sair foi uma parceria dos dois e também um dos mais bonitos. A decoração de São João da cidade de São Gonçalo dos Campos. São Gonçalo é uma cidade pequena, mas com um grande potencial, uma indústria tabagista com duas fábricas de charutos, onde são fabricados os melhores charutos brasileiros, e um grande frigorífico especializado no abate de frangos.

Foram vários os pontos que tiveram interferência cenográfica. Dois portais nas entradas da cidade, decoração do palco principal onde aconteceriam os shows, uma feira de artesanato com barraquinhas típicas de festas juninas e para mim, os dois elementos mais bonitos de toda a decoração. A Casa do Fumo e a Casa da Farinha. Cada uma montada numa praça diferente. Ficaram exuberantes. Era difícil acreditar que o forno da casa de farinha fosse cenário. Parecia real de tão perfeito.

Cenário do Programa Bahia 50 Graus da TV Record. Transmitido Ao Vivo de Salvador em Janeiro 2003


Foi também um trabalho que envolveu uma equipe muito grande. Mas uma vez a JC e Carlinhos estavam presentes. Como São Gonçalo fica perto de Amélia Rodrigues, cidade onde João tem um sítio maravilhoso e um atelier bem equipado, e perto também de Feira de Santana onde o comércio é excelente, fizemos nossa base em Amélia. Tivemos alguns contratempos. Chuvas torrenciais quase levam água abaixo algumas peças já prontas e atrasos consideráveis nas parcelas a receber. Houve momento que chegamos a pensar em largar tudo e parar o serviço no meio. Temíamos muito pela parcela final, de onde ainda muito se tinha a pagar tanto a fornecedores como aos operários e de onde o lucro do trabalho saíria. Resolvemos arriscar. A cidade ficou linda, e, embora a última parcela tenha demorado um pouco de sair, quando recebida cobriu todas as despesas pendentes, bem como financiou uma grande farra de comemoração.

Ray Vianna é para mim mais que um amigo ou um compadre, antes de tudo é um grande irmão. Uma pessoa cuja amizade pretendo preservar para sempre. Além do mais, ele tem em mim um de seus mais fervorosos fãs. Obrigado Ray!

Decoração do Pelourinho para o Carnaval 2007. Criação e execução de Ray Vianna, João Teixeira e Euro Pires





quarta-feira, 10 de setembro de 2008

MEME MUSICAL

Faz que tempo que Lorena me pediu pra responder esse meme. Como tenho lido poucos blogs ultimamente e escrito pouco também, só hoje, depois de uma visita no Re-Novidade, descobri isto. Não posso deixar de atender ao pedido de um ídolo.

Ele consiste no seguinte:

1. Enumere 7 canções que você ouve sempre, que estão no seu mp3, mp4, Ipod e afins, que você cantarola pela rua. Enfim, suas músicas de cabeceira.
2. Repasse a missão para sete pessoas especiais. (Dica: escolha alguém de quem você deseje conhecer o gosto musical ou que você já conheça e saiba que a vale a pena).

Difícil, muito difícil. Sete é um número muito pequeno além de ser conta de mentiroso. A música pra mim depende da época. Tem tempo que ouço um determinado artista à exaustão e depois o deixo um pouco de lado. Vou então enumerar as sete músicas que estou ouvindo mais nos últimos dias.

1.Boa Sorte
(Luiz Guedes/Thomas Roth/Márcio Borges)
Beto Guedes

2. Se Eu Quiser Falar Com Deus
(Gilberto Gil)
Gilberto Gil

3.Samba Pro Porto
(Luciano Carôso/Márcio Valverde/Carlos Colavolpe)
Claudia Cunha

4.Outros Sonhos
(Chico Buarque)
Chico Buarque

5.Clube da Esquina Nº 1
(Milton Nascimento/Lô Borges/Márcio Borges)
Milton Nascimento

6.Dama do Cassino
(Caetano Veloso)
Jussara Silveira


7. O Filho Que Eu Quero Ter
(Toquinho/Vinícius de Moraes)
Toquinho

Vou repassar este desafio para sete pessoas que eu gostaria muito de conhecer melhor o gosto musical.

Jacinta
Mary
Nanda Nascimento
Cakcau Loureiro
Leandro
Carol
Mundo Azul

Espero por vocês. Beijos!

P.S. Bem que eu falei que sete era um número pequeno. Recebi um comentário de uma amiga especial "reclamando" sua presença mais do que justa aqui. Vamos então subverter as normas do meme e incluí-la. Venha também Regina, será um prazer!

Regina Coeli






segunda-feira, 8 de setembro de 2008

ILHA DO PIRATA – Fonte Nova Sem Futebol – VI

Publicado em 03 de maio de 2007 no marcador textos


A capa do DVD MTV AO VIVO 10 ANOS de Ivete Sangalo
A inauguração da Ilha foi um sucesso. As pessoas ficavam encantadas com a nova decoração, faziam questão de comentar e parabenizar Ray pelo resultado. No dia seguinte ele deu entrevista numa rádio local falando sobre a ilha e o seu trabalho. Foi convidado a visitar outras casas de shows que pretendiam investir na decoração. Ficamos mais dois dias em Porto Seguro. Não houve novos serviços por lá, exceto um ano depois quando voltamos para desmontagem do cenário, mas saímos com o doce sabor de dever cumprido. Sinto até hoje, um grande orgulho de ter participado daquele trabalho.

Na volta a Salvador, tivemos a primeira reunião com a produção de Ivete Sangalo e a única, pelo menos que eu tenha participado, com a presença dela. Foi na casa de Cíntia, a sua irmã. Ivete, que eu já conhecia pessoalmente da Perto da Selva, embora ela óbvio não lembrasse de mim, sempre a mesma pessoa que costumamos ver na televisão. Extrovertida, brincalhona, verdadeira, boca porca, fala um palavrão atrás do outro, e muito objetiva. Passou o briefing do projeto, ou seja, as instruções do que ela pensava sobre a cara do cenário. Lembro que ela foi taxativa: - Não sei como você vai fazer, mas quero um globo de boate. Globo este que Ray genialmente idealizou ser retrátil. Num determinado momento do show ele descia e virava a tela de projeção. Puta dor de cabeça este globo nos deu. Contratamos um engenheiro para calcular detalhadamente todos os elementos do mecanismo. Desde a potência do motor ao tamanho de cada peça. Nas vésperas do show, durante os primeiros ensaios, o primeiro problema. Ivete não ficou satisfeita com o globo, falou pra Ray: - Cara você me prometeu uma viagem pro Caribe e me levou pra Fernando de Noronha. De fuder, mas não é um globo de boate. O pior é que ela tinha razão. Pensando em não aumentar demais o peso da peça, Ray projetou o globo com um forro de lona e pedaços de acrílico espelhado colados. Tanto o formato, assim como a quantidade de espelhos, não deram o efeito desejado. Tanto é que tivemos de fazer depois a semi-bola de fibra de vidro e concentrar muito mais os pedaços de espelho. Aí Ivete foi ao delírio. Na madrugada que antecedeu ao show, durante os testes finais, o motor do globo queimou. Saímos com o dia quase amanhecendo do Parque de Exposições e, já às 7hs da manhã, estávamos reunidos na porta de Jorginho Estrela, que colou com a gente depois da ilha até o final do verão, decidindo as providências que resolveriam o problema. Entre globos e motores salvaram-se todos, foi um sucesso total.

Depois do cenário de Festa, Ray passou a fazer diversos trabalhos para Ivete, incluindo vários trios elétricos e o cenário da maior produção que já participei na vida, o show de Ivete na Fonte Nova para a gravação do seu primeiro DVD. Torcedor fanático do Bahia, freqüentador assíduo daquele estádio, sempre sonhei um dia visitar suas dependências. Nem imaginava que iria passar uma semana inteira quase morando lá dentro.

Engraçado que o show foi em 21 de dezembro de 2003 e, por causa do campeonato brasileiro, a Fonte Nova só foi liberada dia 15, segunda-feira, já que o Bahia daria seu último vexame do ano dia 14 ao perder de 7 X 0 para o Cruzeiro e ser rebaixado para a segunda divisão. Não me lembro exatamente porque, mas eu não fui ao estádio naquela segunda. Graças a Deus. Não suportaria ver o que Ray e Paulo Pipoca, ambos torcedores do Vitória, me relataram com todo o prazer. Camisas e bandeiras do meu time rasgadas e queimadas pelas arquibancadas, rádios estilhaçados, enfim, um cenário degradante.

A criação deste cenário específico, não foi de Ray e sim de Mônica Sangalo, outra irmã de Ivete. Na verdade Mônica mostrou a ele algumas ilustrações do que ela pensava, mas para virar um projeto executável, era preciso muitas alterações. A cara ficou a de Mônica, mas o dedo de Ray foi fundamental e acabou mudando completamente alguns elementos. A execução foi totalmente nossa mais uma vez contando com a equipe brilhante da JC sob a batuta do seu infalível maestro Carlinhos, sem contar boa parte da nossa equipe de Porto Seguro.

Neste cenário, dois grandes problemas poderiam ter atrapalhado o brilho da festa e posto abaixo o excelente trabalho de Ray, não fosse à agilidade e talento do nosso amigo Paulo Pipoca. Primeiro o elevador. Ivete entrava no palco de baixo, através de um elevador criado por Ray. Um grande círculo à frente, no centro do palco que tinha um formato de meia lua. Era suspenso por um desses carrinhos andaimes que comumente vimos em grandes atacados. Na sua base, dois semi-círculos de vidro bem grosso permitiriam a passagem de luz por baixo. Horas antes de começar o show, um dos vidros não suportou o calor dos holofotes e partiu. Com muita rapidez, Paulo colocou uma emenda de madeira que tapou o buraco, mas deixou um pequeno batente. Embora Ivete tivesse avisada, passamos o show inteiro apreensivos com medo que ela tropeçasse. Mais uma vez, Deus não permitiu o pior. Hoje, assistindo ao DVD, com os olhos clínicos de quem teve lá, em cada minuto daquela montagem, dá pra notar o pequeno armengue* que aquilo ficou, mas que salvou nossa pele.



Como se não bastasse o elevador, todos os pontos de força do palco eram de 220v. Porém os canhões que soltariam durante o show, a chuva de papel picado brilhante, eram 110v. Tivemos o cuidado de deixar um ponto com esta voltagem para ligar tais máquinas que já estavam inclusive testadas. Acontece que, enquanto nós almoçávamos, algum infeliz, simplesmente cortou nossos pontos 110v e desligou as máquinas. Mais uma vez Paulo, minutos antes do show começar, numa rapidez assustadora, arranjou fio e, sabe Deus de onde, puxou um ponto novo religando os canhões. Ainda bem. Foi justamente desta chuva de papel brilhante, que nasceu a foto da capa do DVD.
*Armengue: Expressão típica da Bahia que significa coisa mal feita ou sem acabamento.

domingo, 7 de setembro de 2008

SAMBA NUNCA É DEMAIS

Carlos Colavolpe, Márcio Valverde e Luciano Carôso

"Acredite sinhá moça,
Não duvide meu rapaz,
Samba nunca é de menos,
Samba nunca é demais..."
Luciano Carôso/Márcio Valverde/Carlos Colavolpe

Para os amantes do samba, da boa música e da poesia, tenho o orgulho de apresentar um trabalho quentinho, saindo do forno, realizado por três talentos maravilhosos da música popular brasileira: meu irmão Luciano Carôso e os meus amigos fraternos Márcio Valverde e Carlos Colavolpe. O cd "Samba Nunca é Demais". Uma pérola! Clique no link abaixo para ouvir o CD. Bom samba para todos vocês até porquê, samba nunca é demais.

OUÇA

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

ILHA DO PIRATA – Quando Aparece Ivete Sangalo – V

Publicado em 27 de abril de 2007 no marcador Textos

O Show Festa de Ivete Sangalo - Parque de Exposições Salvador-Ba, 22 de Dezembro de 2001.

Não que João tenha feito algo pra me separar de Ray, é bom esclarecer bem este fato. É que suas idéias e um pequeno incidente num trabalho que fizemos juntos, com certeza ajudaram meu compadre a tomar a decisão de acabar nossa parceria.

João que também é artista plástico, chamou Ray pra dividir um trabalho que ele estava prestes a pegar, a decoração da cidade de São Gonçalo dos Campos-Ba, para o São João de 2005. Não foi o primeiro que fizeram juntos depois que eu estava com Ray, mas foi o último já que saí logo depois. Hoje eles continuam com esta parceria em alguns trabalhos que, de tanto talento, só pode ir muito longe. Na primeira vez, chamei João e expliquei a ele como era meu acordo com Ray, que era comissionado mas que tal comissão estava embutida no preço de cada serviço e que, cada desconto cedido pro cliente, automaticamente significava um desconto na minha remuneração. Ele aceitou prontamente e sequer cogitou a possibilidade de me propor algo diferente. Naquele São João, executamos o serviço em Amélia Rodrigues, cidade mais próxima de São Gonçalo onde João tem um sítio e mantém um atelier, bem perto de Feira de Santana, que tem um comércio muito bom sendo às vezes até melhor e mais barato que o de Salvador.

Passamos semanas no sítio de João e tivemos sérios problemas com o contratante que estava dando trabalho para pagar as parcelas acordadas no contrato. Isto deixou-nos com os nervos a flor da pele e numa noite, durante um balanço financeiro, João disse achar que na comissão, eu estava ganhando demais. Pensava ele que eu, assim como todos os outros deveria ter um cachê específico previamente acordado. Ray concordou e falou que precisávamos revisar nosso acerto. Imediatamente fui contra. Não achava justo ele concordar , e não acho até hoje. Sei da importância da minha colaboração e para mim aquilo era uma desvalorização ao meu trabalho que jamais poderia aceitar. Os tons até se alteraram um pouco mas logo contornamos a situação. A verdade é que naquela mesa, meu destino profissional começou a mudar. Concluído aquele trabalho, um mês depois Ray dissolveu a nossa parceria, mas nunca a nossa amizade.

Sei que este não era o momento, mas já que João entrou na história, resolvi completar a informação. Voltemos pra Porto Seguro de onde não deveríamos ter saído.

Enquanto a equipe trabalhava sem descanso em Salvador, voltei sozinho a Porto para tomar umas providências necessárias a nossa chegada com a equipe e o material. Alugar uma casa para hospedar a galera, contratar secretária para fazer café da manhã, janta e lavar a roupa do pessoal, combinar com a equipe da ilha como seria a montagem e permanência do material por lá, contratar um barco para o nosso deslocamento diário pra ilha bem como o transporte do material e equipamentos, acertar o fornecimento de almoço durante a montagem, pesquisar o comércio local e essas coisas de produção. Tudo resolvido voltei para Salvador me reintegrando à turma até estar tudo pronto para o embarque final.

Eu, Carlinhos e Renato fomos de carro, se não me falha a memória em 20 de setembro de 2001. Saímos cedo e entramos em Porto Seguro às 21hs. Ray foi de avião dois dias depois pois estava entregando um cenário para televisão que acabara de concluir, Paulo foi conversando sem parar durante toda a viagem com o motorista, na boléia do caminhão que levou as peças e equipamemtos e o resto do grupo de ônibus. No dia seguinte à nossa chegada, os meninos e o caminhão desembarcaram e imediatamente arregaçamos as mangas e botamos a mão na massa.

Durante os trinta e três dias que duraram a montagem, eu e a equipe íamos cedinho pra ilha. Estacionava meu carro no cais e ía de barco com a turma. Quando precisava de qualquer coisa, pegava a lanchinha que era de propriedade da ilha e ía pra cidade comprar. Quando o almoço chegava também atravessava o mar para ir buscar no continente. De tanto que rodei lá dentro, acabei conhecendo a cidade melhor do que muito morador. Costumava até brincar que já poderia ser motorista de taxi por lá. Só não conheci praia e pontos turísticos, mas o centro, a periferia e todo o comércio, virei de cabeça pra baixo.

Aqui abro um parêntese para falar da Ilha. Que lugar maravilhoso. Uma ilha temática, cheia de aquários imensos, com peixes de diversas espécies, tubarões, arraias e tantos outros. Na verdade, uma multi-casa de shows. Lá tinha festas todas as terças e eu, como bom noctívago, não perdi uma sequer. Lá existem vários ambientes. Um espaço para forró, outro para MPB, o meu preferido, uma boate, bares, restaurantes, lojinhas de souvenirs e um palco central para grandes shows. A noite, quando iluminada, principalmente os aquários, ficava deslumbrante. Nos dias de show a ilha enchia de turistas que muitas vezes se excediam. Era comum na manhã seguinte, encontrarmos camisinhas usadas e pontas de cigarro de maconha pela chão. Nunca vi tantas mulheres bonitas reunidas num mesmo lugar como naquelas noites de terça.

Faltando umas duas semanas para inauguração, eu estava junto de Ray quando o celular dele tocou. Vi que ele estava explicando para o interlocutor estar ocupado no momento por causa do trabalho em Porto Seguro mas assim que voltasse a Salvador manteria contato para falar sobre o assunto. Era Cíntia Sangalo, irmã de Ivete que queria contratá-lo para criar e executar o cenário do show de lançamento do seu próximo cd, FESTA.


O cenário de Festa antes do show.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

ILHA DO PIRATA – Conhecendo Porto Seguro – IV

Publicado em 24 de abril de 2007 no marcador Textos

O Portal de Entrada da Ilha

Quando eu morei em Belmonte, no sul da Bahia, ainda com 02 anos de idade, tive em Porto Seguro pela primeira, e até 2001, a única vez da minha vida. Não guardo lembranças desta viagem, apenas a visão de um mar cheio de recifes em barreias que dava a impressão de haver um muro natural separando a costa do mar. Até hoje não sei que praia é aquela. Mesmo nos mais de quarenta dias que passei por lá no início deste século, não consegui reconhecê-la. Embora longos dias na cidade turística, isto somando as quatro vezes que lá estive naquele ano e no ano seguinte, muito poucos passeios ou quase nenhum, pude fazer. Era trabalho de domingo a domingo, exceto pelas noites boêmias com Renato Vianna irmão de Ray, quase nenhuma diversão. Estou sendo muito injusto já que aquele trabalho foi uma verdadeira diversão. Duro sem dúvida, mas divertido.

Em Setembro de 2000, a Perto da Selva dava claros sinais de declínio e eu vinha muito insatisfeito com as condições de trabalho na época. Foi aí que Ray, saindo de uma experiência frustrada com a empresa Pauppuro Design e Arte e com a vida financeira virada de cabeça pra baixo, me pediu socorro. Ele havia dissolvido a sociedade que tinha na Pauppuro, aberto uma nova empresa, mas as dívidas e a total falta de talento para administração das finanças, estavam emperrando sua vida. De início foi coisa de amigo. Trabalhava o dia inteiro na Perto da Selva e ia à noite pro seu escritório e atelier no bairro da Boca do Rio. Equacionei a separação do antigo sócio que até então andava travada por falta de entendimento, renegociei as dívidas com o banco e fornecedores e ajudei no planejamento de sua nova etapa de vida. Não havia convite para que eu ficasse efetivo.

Acontece que o destino nos reserva várias surpresas. Já em novembro, quando eu tinha acabado de voltar dos meus únicos quinze dias de férias gozadas após cincos anos na Perto, a uma linha da explosão pela insatisfação total em que vivia, tive, em pleno expediente, uma briga séria com Edmundo, meu irmão e um dos três sócios da empresa. Nervos arrefecidos pela sensata interferência de Carlinhos Amaral, o gerente de lá. Aquele episódio foi preponderante numa decisão que tomei ali no mais inapropriado momento, o do descontrole emocional. Não fosse por Carlinhos tinha mandado Edmundo e Perto da Selva tomar naquele lugar ali mesmo. No entanto, mesmo com a interferência apaziguadora e dos diversos conselhos do experiente Carlinhos, não desisti de tal decisão. Edmundo não sabe, mas suas palavras naquele dia, foram à gota d´água. Era um momento difícil, Júlia acabara de completar um ano, eu não tinha nenhuma reserva monetária, meu casamento começando a desmoronar e nenhuma outra perspectiva de emprego.


O Pirata da Montila










Cenário Para Fotografias
Réplica em tamanho natural de um ser humano, do símbolo do Run Montila.

Foi assim que fiz minha proposta a Ray. Sabia que ele não poderia pagar nem metade do que eu ganhava, mas apostava muito no seu trabalho. Antes de pedir a demissão, conversei com ele. As bases eram as seguintes. Ele me pagaria um valor fixo que equivalia na época a menos de um terço do que ganhava e um percentual sobre o bruto dos trabalhos fechados dali por diante. Embutiríamos esta comissão no orçamento de cada serviço. Era aí que eu apostava. Sabia que em alguns serviços, poderia tirar um pouco do atrasado e, na média, equivaler aos meus proventos anteriores. Acertamos tudo, com a promessa de em dois anos, havendo melhora no desempenho da Ray Vianna Design e Arte, o nome fantasia da nova empresa, repensaríamos as bases no sentido de haver aumento no meu fixo e no percentual da comissão. Consegui que a Perto da Selva me demitisse e, com isso, recebi a minha indenização podendo também retirar meu FGTS. Não durou muito tempo esta grana, os primeiros meses com Ray foram muito difíceis.


Sinalização - Placa com o mapa completo do lugar, ao estilo dos mapas piratas.

Foi quando, por volta do meio do ano de 2001, apareceu a proposta que dá título a esta série de textos, Ilha do Pirata, por intermédio de um produtor baiano, Rodrigo Palhares, que conhecemos na época da Timbalada, estabelecido em São Paulo. Ele tinha contrato com a Seagram´s do Brasil, fabricante do Run Montila, para ambientar uma ilha em Porto Seguro, a Capitania dos Peixes, com o merchandising da bebida. A ilha passaria a se chamar Porto Montila, A Ilha do Pirata. Foram intermináveis minutos de conversas telefônicas até chegarmos a um consenso no valor do projeto. Neste meio tempo, fizemos a primeira viagem ao local. Eu Ray e Renato. Fotografamos a ilha inteira, imensa por sinal, tiramos medidas, fizemos as locações de peças que já haviam sido previamente solicitadas mesmo antes do projeto chegar ao papel. Ainda sem nada fechado, no meio das negociações, Ray mergulhou no mundo dos filmes e livros piratas. Este foi inclusive um projeto feito no sentido contrário. O projeto foi apresentado sem a definição de valor pelas partes, junto com o respectivo orçamento. Tira peça daqui, altera material dali até chegar a um número aprovado pela Seagram´s.

O Bar do Pirata - Um dos Ambientes da Ilha.

Recebida a primeira parcela, começou o trabalho de execução. Vale ressaltar que, além da parte administrativa dos negócios, eu também fazia o papel de produtor executivo. A empresa tinha um grande cast de funcionários, eu e Paulo Pipoca. Este uma figura incrível. Um cara espirituoso, com múltiplos talentos. Carpintaria, marcenaria, fibra de vidro, pintura, cozinha dentre tantos outros. Quando quer, sabe ser o cara mais chato do mundo. Nunca para de falar, mas estou pra ver a pessoa que não goste dele. É o que se chama de pau para toda a obra, um animal para trabalhar. Ray já tinha pré-montada uma equipe de primeira que era sempre contratada para os maiores serviços, além de Carlinhos, O Sócio, como o chamo, dono da JC Montagens, figura indispensável, juntamente com sua equipe, nos serviços de Ray. Ao todo entre a equipe de Ray e de Carlinhos, vinte e uma pessoas foram arregimentadas para trabalhar no projeto. Só tínhamos dois meses para execução e montagem já que batemos martelo no início de agosto e a ilha inaugurava em vinte e três de outubro. Só para citar alguns, Jorge Estrela, o chefe da produção, Renato Vianna que, juntamente com Ray, gerenciava a parte artística e de modelagem, um outro Paulo, o Pity Bitoca, que além de multi-funcional, nos fazia dar risada o tempo todo, Juca, Rafael, Nonô, Tararita, Mezenga, Dae, Cid, Mun, Edson, Tico e muitos outros. O trabalho começou na Boca do Rio. Foram dias memoráveis com aquela equipe reunida, totalmente entrosada. Muita risada, almoços maravilhosos preparados por Paulo Pipoca e, às vezes, por mim, várias garrafas de Montila, já que tínhamos de prestigiar o nosso patrocinador, e por aí vai. Muito foi feito lá, até os vizinhos darem queixa na prefeitura reclamando do cheiro de thinner e dos fios de lâminas da fibra de vidro. Era uma área residencial e tivemos que mudar de mala e cuia para o galpão da JC aceitando o convite de Carlinhos. Foi durante estes dias da Boca do Rio que conheci um cara de quem sou admirador e gosto muito até hoje, com quem simpatizei da primeira vez que o vi, mas, falo isto sem nenhuma mágoa, foi um dos fatores responsáveis pela minha separação profissional de Ray. João Teixeira.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

MAIS UM PRESENTE - Corrigindo uma injustiça

Minha querida amiga Ana Casanova do blog Anavision, me presenteou com mais este mimo o Prêmio Dardos. Ele tem um significado especial e, se aceito, deve-se linkar a pessoa que o presenteou e oferecê-lo a mais quinze pessoas que na sua maneira de ver o mereçam. Quanto ao link, este já existe aqui há muito tempo. Afinal o Anavision é um dos meus blogs favoritos. O significado: "Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstra sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras...".

Vou então oferecê-lo aos seguintes blogueiros que acredito estarem à altura de tais requisitos:

Jacinta Dantas
Regina Coeli
Denis Barbosa Cacique
Lorena
Mary
Tata
Nuvem
L. Neres
Danilo Moreira
Cackau Loureiro
Mundo Azul
Nanda Nascimento
Carol Barcelos
Éverton Vidal
Camila Tebet

Eu o daria à muitas outras pessoas. Desculpem aqueles que foram injustiçados mas eram apenas quinze. Por falar em injustiça, quero aproveitar para corrigir uma. Há algum tempo, ganhei o selo "Este blog é escrito com amor". Injustamente não o repassei para Ana, justo ela que coloca o mais profundo amor em suas palavras. Desculpa amiga. Nunca é tarde para corrigir nossos erros não é mesmo? Para você Ana Casanova.


ILHA DO PIRATA - O Nome de Júlia - III

Publicado em 14 de abril de 2007 no marcador textos




O primeiro CD da Timbalada. Capa de Ray Vianna em parceria com David Glat.


Depois daquela lavagem do Bomfim, a Timabalada alavancava seus hits e o primeiro disco ia muito bem. Agora já era a música “Beija Flor” (Zé Raimundo e Xexéu) que estava estourada nas rádios de todo o Brasil e o disco vendia feito água não tardando a receber o disco de ouro. O trabalho de Ray começava a aparecer pro país embora escondido por trás dos que realmente aparecem numa hora dessas; os que estão à frente do palco. Quase ninguém pega um disco pra o olhar o nome do sujeito que criou a capa. Poucos sabem que a grande identidade da Timbalada, a pintura dos corpos, foi criação dele. Naquele mesmo verão, houve um show histórico em Salvador, um show que emplacou um projeto, um espaço, e uma banda de uma só vez. Estamos falando do Pôr do Sol, da área verde do Hotel Othon Palace que até hoje é um espaço usado para grandes shows e da Timbalada, respectivamente. Nesta noite, sem a menor combinação, sem nenhum convite prévio, a não ser os que Brown fez do palco e de surpresa para os ilustres que estavam na platéia, subiram ao palco juntos nada menos que Caetano Veloso, Gilberto Gil, Léo Gandelman, Nando Reis, Jorge Benjor e Álvaro Pietro do Biquíni Cavadão. Foi um êxtase. Cenário de Ray, mais uma vez driblando os poucos recursos da produção. Teve um impasse durante os ensaios, relativo ao figurino. Já não havia mais grana pra nada, mas Brown e Cícero naturalmente, queriam que a banda se apresentasse de maneira digna. Aí, o saudoso Pintado do Bongô, o mestre de Brown, que Deus o tenha no mais iluminado lugar lá do céu, falou: - Pra mim não precisa figurino. Eu vou nu e Ray me pinta. Tava criada a marca registrada da Timbalada. Na hora do show, de improviso, Ray pintou o peito nu de Pintado com aquelas linhas que jamais saíram do corpo dos Timbaleiros. O próprio Brown pegou carona e pintou os braços e o rosto.

Com o passar dos anos nossa amizade foi se fortalecendo assim como a minha amizade com Guta e Bia, esposa e filha dele. Já estávamos em 97 e eu trabalhava na Perto da Selva. A produtora que estourou o Araketu e Ivete Sangalo, ainda na Banda Eva. Tive o prazer de participar de perto e prestar a minha humilde colaboração para tal. Foi justamente num dos ensaios do Araketu, naquela época ainda no estacionamento do antigo Banco Econômico na Av. Carlos Gomes, que conheci uma pessoa que ia mudar a minha vida para sempre, Cynthia. Para aumentar os meus ganhos, estava juntando dinheiro para comprar um carro já que a dureza da época do desemprego levou o que eu tinha, montei uma barraquinha dentro dos ensaios, com um colega de trabalho, Marcelo Marinho, onde vendia espetinhos de “gato”. Um dia, eu tava na barraca tomando uma roska* de Umbu, para refrescar um pouco o calor da churrasqueira que era escaldante, chegou Cristiane, a recepcionista da Perto da Selva, acompanhada de Cynthia, uma paraense que passava férias em Salvador, pedindo pra que eu guardasse as suas bolsas na barraca. Cynthia perguntou o que eu tomava. Quando eu falei, ela se surpreendeu: - O que é rosca? Quer experimentar? Perguntei. A danada pegou o meu copo e tomou todo de vez. Eu nem sonhava que aquela devoradora de roscas viria a ser a mãe de Júlia, minha linda filha, meu maior tesouro.


Guta, a Copilouca.



Um ano depois, quando Cynthia veio morar em Salvador e começamos a namorar, ela também foi aprofundando laços de amizade com aquela família. Várias vezes saímos juntos, fizemos viagens e farras. Compartilhamos muitos momentos bons, alguns nem tanto. Fomos passar juntos o carnaval de 99 em Olinda, na verdade nos hospedamos em Recife na casa do nosso amigo Josildo Sá, o Jô. Ray que estava preso por compromissos de trabalho em função do carnaval, só poderia ir no sábado e ficou para ir de avião. Eu, Cynthia e Guta fomos na sexta no meu carro que, aquela altura do campeonato, já havia comprado. Esta viagem, por sinal, merece um texto só pra ela, e um dia contarei por aqui. Valeu a Guta um apelido, que ela mesma se colocou, Copilouca.

Foi um carnaval inesquecível, divertido a valer. Conhecemos figuras impagáveis, como o primo de Jô, Mersinho. Brincamos pelas ruas de Olinda em meio àquele fervilhão cultural, aos bonecos, às ladeiras e becos da cidade. Tomamos banho de mar na Boa Viagem, assistimos a um show de Geraldo Azevedo no Recife Antigo, interrompido, pelo menos pra mim, por um mal-estar de Cynthia (entenda-se excesso de cerveja), que tive de levá-la pra casa de taxi, já que deixei meu carro com Ray e Jô e as respectivas Guta e Aninha, esposa de Jô na época. Enfim, uma viagem maravilhosa. Não sei se nesse carnaval, ou se poucos dias depois que voltamos, na quarta de cinzas, mas foi por esse período com certeza, que a Preta, como chamo Júlia, foi encomendada.

Quando Cynthia contou-me que tava grávida eu enlouqueci de felicidade. É verdade que estávamos num momento difícil da relação, prestes a desabar, mas a notícia veio como uma bomba explodir meu coração de alegria. Aí juntamos nossos trapos e resolvemos tentar a vida juntos pra criar nosso rebento. Não deu certo, mas ficou uma amizade verdadeira, leal e uma filha maravilhosa que é hoje a razão da nossa existência. Eu sempre sonhei em ser pai e sempre quis ter uma filha. Imediatamente eu falei: - Vai ser menina! Cynthia achava que era um menino e fizemos uma aposta. Se fosse menina eu daria o nome sem a interferência dela e vice-versa. Só que ela não cumpriu a aposta. Nenhum nome que eu sugeria era do seu agrado e isto já tava virando uma briga até que um dia oferecemos um jantar, preparado por mim é claro, pra Ray, Guta e Bia. Naquela noite a controvérsia do nome voltou à tona. Eu, Ray, Cynthia e Guta dando várias sugestões sem chegarmos a um consenso até que Bia, na época com 10 anos, falou: -Vai se chamar Júlia. Tava aí o nome da Burra Preta.

Bia, nesta foto aos 15 anos. A responsável pelo


nome de Júlia.














*Rosca: Na Bahia, o nome do drink que todo mundo chama de caipirinha, é diferenciado pelo tipo de bebida com que é feito. Caipirinha se feito com cachaça, Caipiríssima se feito com rum e caipirosca se feito com vodca. Normalmente a fruta usada é o limão. O nome rosca, é uma abreviação e o sabor, ou a fruta, é ao gosto do freguês.

sábado, 23 de agosto de 2008

PARABÉNS BRASIL - Volei Feminino, Maurrem Maggi e Cielo, o Brasil verde e amarelo!

Onde havia má lembrança
Uma luz no fim do túnel
Reascende a esperança
Onde o brilho é vaga-lume

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

ILHA DO PIRATA - A Foto Reveladora - II

Publicado em 12 de abril de 2007 na marcador textos

O Triozinho das Frutas. Lavagem do Bonfim de 1993

Quando você tá na pior é que descobre quem são os verdadeiros amigos. Por cima é tudo uma festa. Um monte de gente te rodeando, se dizendo amigo do peito e, muitas vezes até, querendo te ver pelas costas. Agora, quando se estar por baixo, só os amigos leais, aqueles que te amam de verdade, vêm ao seu socorro. Com Ray foi assim. Já tínhamos quase dois anos de convivência, que já tinha se expandido do âmbito profissional para o pessoal, quando, após uma série de problemas pessoais com Brown, fui sumariamente demitido da Timbalada. Não houve nenhum tipo de aviso, nada que me fizesse pensar que estaria por um fio. Foi pá bufo: -Você tá fora e pronto. O pior, é que ainda conciliava os dois trabalhos e continuava ensinando. Como a Timbalada vinha num processo ascendente e tava difícil de me dividir, tive de optar por um deles. Pesei os prós e os contras dos dois e, depois de uma conversa com Cícero que me garantiu estar solidificado lá dentro, e que tinha muitos planos futuros para mim, no início de outubro de 94, pedi demissão da escola. Cícero não teve culpa de nada, foi pego de surpresa tanto quanto eu. Enquanto Brown falava comigo, sentia que, assim como eu, o chão lhe faltava nos pés.

Passei uma perrengue danada em quase dois anos desempregado e a maioria dos meus “amigos” da época, virou as costas pra mim. Fui demitido no dia 28 de outubro, aniversário do meu grande amigo Zé Filho, que mais tarde viria a ser também meu compadre, já que batizei a sua primogênita Jade, morador de Serrinha interior da Bahia, onde morei quatro anos da minha infância. Após a notícia, fiquei tão desnorteado que não consegui sequer entrar mais na minha sala. Aquela altura, depois do terceiro disco já havíamos alugado uma casa no Bairro nobre da Pituba e montado um puta escritório. Tinha sala pra todo mundo, inclusive pra mim. Desci as escadas, entrei no carro e fui para casa. Juntei umas mudas de roupa e, sem avisar a ninguém peguei a estrada para ver meu amigo no seu aniversário. Naquele dia eu almocei na casa de Ray e recebi a notícia assim que voltei pro escritório. Era uma sexta-feira e não tinha falado com ele mais. Quando já estava 10km estrada adentro ele ligou no meu celular. Todo animado queria saber qual o programa da noite. Sentiu na minha voz o meu estado de espírito e perguntou o que era. Quando contei a ele, como tudo mundo, ficou abismado. Me disse que se eu desse meia volta para pegá-lo, viajaria comigo. Aquela atitude mostrou o caráter do cara que nestes tempos já conhecia bem. Peguei o primeiro retorno. Foi uma bengala salvadora sua companhia em tal viagem. Não sei como seria vencer sozinho os quase 200km que separam Salvador de Serrinha.

Foi um ato simples que me chamou atenção pra ele. Embora já simpatizasse muito com Ray ainda não tinha estreitado maiores relações. Na lavagem do Bonfim de 93, portanto pouco tempo depois de nos conhecermos, eu estava exausto de dias e dias e noites viradas, trabalhando nos preparativos para a saída da Timbalada. Naquela época ainda eram permitos trios elétricos seguindo o cortejo. Lembro que no dia do desfile, viramos de quarta pra quinta. Eram cinco horas da manhã quando, tomado pelo cansaço, adormeci no chão da varanda de D. Madalena, sem colchão, travesseiro e nada. Só o corpo estendido na cerâmica fria. Sonhava em sono profundo, quando às seis, Gilson, irmão de Brown, chutou levemente o meu pé: -Adriano, acorda cara, tá na hora de irmos preparar a saída. Acordei de sobressalto e fomos nós. Eu dirigindo a Kombi repleta de gente e instrumentos, não sei como coube tudo aquilo dentro dela. Quando o bloco saiu já passava das dez. Dobramos o Mercado Modelo por volta do meio-dia. Aí eu não estava mais aguentando o peso do corpo sobre as pernas e entrei na boléia do caminhãozinho que servia de trio, para esticá-las. Não sei quanto tempo fiquei, sei que não foi muito. Logo, logo, Ziriguidum, um colega de trabalho, chamou-me pelo rádio, algum pepino aguardava-me.

Por falar no caminhãozinho, foi um show o que Ray fez com ele. Com os poucos recursos que dispunhámos, transformou um mondrongo, num dos destaques daquele cortejo. Pena que meu compadre, embora mestre na manipulção dos softwares da sua área, Corel, Photoshop e 3D Stúdio, é um tanto avesso ao mundo informático e não mantém atualizado o seu site que, até hoje, está da forma como foi criado quando eu ainda trabalhava com ele, em 2001. Mas, uma visita por lá, deixará claro pra qualquer um o talento deste artista que vem pontuando a música baiana com a plástica do seu trabalho.(Vale salientar que ele tomou vergonha na cara e atualizou o seu site. Merece uma visita)

O cortejo seguiu Cidade Baixa adentro e o trio manobrou para voltar no Largo de Roma. Não sei precisar bem mas devia faltar 1km dos 8km que, aproximadamente, tem o trajeto. Despachados caminhão e equipamentos, músicos e nós da técnica, seguimos a pé até escadaria da Igreja do Bonfim. A noite já havia caído há tempos.

Aos pés da escadaria, depois da benção do Senhor do Bonfim, desfizemos o desfile, embarcamos os músicos e equipamentos no ônibus e caminhão que já esperavam por perto, com destino a seus lares e cases*. Fomos então pra casa de Ivana Souto, amiga de Brown, que veio a ser durante um bom tempo empresária da carreira solo dele mais tarde. Ela morava ali mesmo no Bonfim e em sua residência, nos esperava uma feijoada e muita cerveja gelada. Não consigo lembrar se Ray foi com a gente ou se mesmo, ficou até o fim do cortejo. Se bem o conheço, acho que deve ter picado a mula muito antes dali. Preferi não perguntar a ele, não tenho compromisso com as minúcias dos detalhes mas com a verdade dos fatos. Cabeça e bucho cheios, de álcool e feijão respectivamente, fui dormir na Kombi até as outras pessoas que retornariam comigo, se refestelarem na festa. Foi a única vez na vida que participei de uma lavagem do Bonfim. De lá pra cá, mesmo estando em Salvador, vou sempre pro lado oposto da cidade.

Dias depois, com um atraso significativo e depois de muita reclamação, já que como falei antes a maré não andava pra peixe, Ray foi no escritório receber o resto do pagamento pelo seu trabalho no trio. Reclamou bastante por ter sido um dos últimos a receber. É sempre assim, e nisso ele estava coberto de razão, os de casa vão sendo protelados em benefício dos estranhos, estes cortam o crédito primeiro. Acontece que os de casa também têm contas a pagar e, no caso dele, uma legião de operários que mais tarde vim a conhecer bem todos, esperavam também pelos seus pagamentos com suas contas a pagar, numa cadeia de dívidas e compromissos interminável.

Bolsos abastecidos, ânimos arrefecidos, Ray sacou do bolso um presente pra mim. Aquele gesto nunca vai sair da minha cabeça, marcou a minha vida. Era uma foto que, não tenho a mínima idéia de que momento, ele tirou enquanto eu estava na boléia do caminhãozinho. Minha expressão embora cansada estava muito bôa. Talvez ele não saiba o quanto aquele presente significou pra mim. Nada de valor material teria me tocado tanto. Até hoje não me perdôo por não tê-la mais comigo. Se perdeu nas minhas intermináveis mudanças de casa em casa por Salvador.

*Cases - Estojo onde se guardam instrumentos ou equipamentos. A pronúncia é algo como queises.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

ILHA DO PIRATA – Ray Vianna Na História - I

Publicado em 12 de abril de 2007 no marcador textos








Ray Vianna


Depois de iniciar minha carreira profissional como professor de matemática do 2º grau na Escola Tomaz de Aquino em Salvador, prematuramente é bem verdade, afinal tinha apenas 20 anos de idade, mas isto é outra história a se contar, fui convidado por um grande amigo, Cícero Menezes, para participar e trabalhar num projeto que ele tava produzindo para Carlinhos Brown, a TIMBALADA. Estávamos em 1992 e a Timbalada não passava de um embrião na cabeça e nos sonhos do iluminado Brown. Este eu já conhecia de outras épocas. Amigo e parceiro de meu irmão Edmundo Carôso, fui testemunha do nascimento de algumas canções dos dois e ainda tive o privilégio de vê-lo cantar, no quarto de Edmundo do cubículo que era seu apartamento no Edifício Barbosa Romeu, em Pitangueira de Brotas, algumas canções inéditas suas que, mais tarde, vieram a ser sucesso nacional. “Meia Lua Inteira” é uma delas.

O primeiro passo foi organizar os ensaios do candeal. Não aqueles que foram, há poucos anos atrás, o point do verão em Salvador, no Candyall Gueto Square, uma super casa de show com equipamentos de primeira geração, onde só tinha grã-fino, uma vez que a meia entrada custava R$ 40,00, mas os que eram realizados no meio da rua sem calçamento, cujo palco era a carroceria de um caminhão caindo aos pedaços, e o som, era uma velharia zoadenta do impagável Nicolau Rios. Tempos difíceis aqueles, o escritório era a sala de D. Madalena, mãe de Brown, equipado com um aparelho de fax que Carlinhos tinha trazido de uma de suas viagens como músico de outros artistas.

Enquanto os ensaios a cada domingo ficavam cada vez mais lotados, levando gente de todos os níveis socias a descer o Candeal Pequeno, a Timbalada emplacava nas rádios o sucesso "Canto Pro Mar" (Carlinhos Brown). Surgiu o convite pra gravar o primeiro disco e resolvemos montar um escritório de verdade. Alugamos uma salinha de 10m2 na Ladeira do Acupe em Brotas. O grupo de funcionários era composto por uma imensa equipe, eu e a secretária recém contratada. Cícero sempre passava por lá, mas como não tinha espaço, despachava comigo e seguia para o trabalho de campo.

Foi nessa salinha que vi Ray Vianna pela primeira vez. Coincidência do destino, Ray era, ou pelo menos imaginava que era, amigo de Edmundo. Este nutria por ele uma antipatia gratuita e não gostava do cara, porém Ray não sabia de nada. Ele foi lá receber o pagamento pelos serviços prestados como artista plástico para a Timbalada. Naquelo momento, ninguém imaginava que estava nascendo, uma amizade de vida, uma parceria profissional e o batizado de Júlia, que, como eu ainda nem sonhava em conhecer Cynthia, não fazia parte dos meus planos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

RETIRO TUDO QUE DISSE - Entendendo a ótica de Caetano

Publicado em 21 de abril de 2007 no marcador Textos

Sampa

(Caetano Veloso)

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mas possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

Mário Quintana já dizia: - Não há porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação. Já Antonio Brasileiro, em prefácio para o livro não publicado, Cinema Secreto, de Edmundo Carôso, fala que poesia e letra são coisas totalmente distintas. Concordo plenamente com os dois. Unindo estas duas afirmações, eu, que sempre teimei interpretar e buscar o sentido das letras e poesias, fico meio perdido com "Sampa". Letra ou poesia? Pra mim são as duas coisas. Me lembro de quando ainda não conhecia São Paulo, aos doze anos, e aprendi a tocar “Sampa” no violão. Como, para meus parcos talentos musicais, era uma música difícil de executar, tive que treinar a exaustão até conseguir tocá-la de forma convincente. Com isso acabei por decorar a letra que, já naquela época, me fascinava. É óbvio que tentei interpretá-la e acho que consegui. Não vou me deter nos detalhes e conclusões que um menino de doze anos tirou de tal interpretação, até porque poesia é assim, cada um entende do seu jeito, mas acho que nela contém uma clara mensagem.

Quando conheci Lílian já havia estado em São Paulo duas vezes. Cheguei na cidade de corpo fechado pelo preconceito. Não gostei nada do que vi. Aquele trânsito infernal, as pessoas agitadas correndo de um lado pro outro sem cumprimentar ninguém, o ar carregado pela poluição e os arranha-céus gigantes faziam com que me sentisse um nada no meio da multidão. Definitivamente São Paulo não era a minha praia.

Aí entrou Lílian na minha vida. Com ela comecei a aprender gostar de São Paulo e do povo paulista, a derrubar as barreiras do preconceito e entender o verdadeiro significado daquela cidade, o seu imenso valor. Nossa amizade, que foi se multiplicando pois conheci vários paulistas através dela, me fez olhar aquele povo com outros olhos. Daí em diante passei a ir a São Paulo com mais freqüência e, já de peito aberto, a entender melhor as suas nuances. Uma grande metrópole que, como todas, não pode ser menosprezada.

Um dia, Zé Fábio, um tio meu muito espirituoso, entrou num táxi em Sampa e o motorista perguntou: - Onde o Sr. quer que o leve? Prontamente respondeu: - Onde acontece alguma coisa no coração de Caetano. Por falar no cruzamento da Ipiranga com a São João, vivi lá uma história inusitada. Num dos prédios, em uma das esquinas, fui resolver um problema que tinha com um famigerado cartão de crédito. Pelo menos não era dívida. Peguei uma senha e aguardei ser atendido. Justamente na minha vez o alarme de incêndio disparou. Foi um alvoroço danado. Desci os seis andares pelas escadas feito um louco, em meio a um pânico enorme, pra chegar lá embaixo com o coração disparado botando os bofes pela boca, e descobrir que foi um defeito no sistema. Nunca mais subi lá. Voltei pra casa e deixei o problema pra ser resolvido em Salvador.

Passei a freqüentar o dia-a-dia dos paulistanos. Andar pelas ruas, visitar mercados e feiras, pegar ônibus e metrô, conversar com as pessoas nas ruas e coisas desse tipo, que fazem você realmente conhecer uma cidade e entender seu coração e sua cultura. Numa dessas vi uma coisa que me chamou a atenção, achei até que estava tendo uma alucinação. Não lembro bem o lugar, mas acho que foi na Santa Ifigênia. Um camelô vendendo dentaduras. O cliente chegava, experimentava várias até encontrar a que melhor se adequava na boca. Vocês acreditam nisto? Pois isto é São Paulo. Com o tempo fui mudando de opinião e hoje penso, nunca vi um feio tão bonito quanto Sampa. Todo ser humano deveria ter a oportunidade de mirar aquela cidade à noite dentro de um avião. Esta visão me marcou como uma das imagens mais bonitas que vi na vida.

Por isso retiro tudo que disse e melhor, desdigo se for preciso. Hoje amo São Paulo, amo o seu povo e a sua loucura. Nada me resta senão falar: me desculpa Sampa!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

LAI

Abrigo no meu peito um outro infame
Não cansa de sonhar que sou medonho
E como não achasse o bastante
Desdenha do meu ser e do que sonho

Que parca poesia me revela
Torpor a atiçar fortes açoites
Mesmo tendo eu criado ela
Nas insones e infindáveis noites

Se minh'alma de poeta está morta
E o breu da insegurança já me corta
E ninguém está ligando pro que digo

Quem sabe essa noite é de sorte
O amor de Lai enfim me mostre o norte
Pra conquistar aquilo que eu sigo?

terça-feira, 29 de julho de 2008

RETIRO TUDO QUE DISSE - São Paulo de Lílian a Adriano - I

Publicado em 15 de abril de 2007 no marcador Textos

A cidade de São Paulo



Retiro Tudo Que Disse
(Rudney Monteiro/Jorge Magalhães/Edmundo Carôso)

Nada em russo quer dizer tudo é possível
Eu não quero morrer sem conhecer São Paulo
Retiro tudo falso do que disse
Só vão sobrar as tolices

Retiro a culpa da culpa
De me achar por inteiro
Retiro o pão do açúcar
Te deixo o Rio de Janeiro

Nesse lampejo de medo
É tudo mesmo uma questão de sorte
Nesse lampejo de medo
Que passe a ponte o rio é sempre forte

Justo eu que falo tanto dos preconceituosos, aqueles que rotulam um povo inteiro pela atitude de alguns, tenho meus momentos de fraqueza. Um dia no entanto, a gente acaba levando na cara e tendo de reconhecer os nossos erros. Nordestino que sou, fico indignado quando alguém fala da gente. Sofremos muito nas mãos, ou melhor, nas bocas de cariocas, sulistas e, principalmente, paulistas. Tanto é que em São Paulo, ser baianinho é ser ridículo. Esta expressão me enojava. Hoje isto já não me toca mais, vejo com outros olhos. Depois que conheci Sampa e os paulistas com quem convivo, tive eu mesmo de engolir meu preconceito contra São Paulo.

Não sei exatamente porque, mas São Paulo para mim era um horror. Não gostava, falava mal, numa atitude idiota. Como alguém pode não gostar ou falar mal daquilo que não conhece? Os versos acima, escrito por Magal e Edmundo sobre uma linda melodia de Rudney, expressam um pouco o que falo. Inicialmente Magal, movido por preconceito igual ao meu, escreveu “Eu quero morrer sem conhecer São Paulo”. Edmundo a tempo, chegou para colocar o “não”. Sábia colocação. O próprio Magal recentemente, quando bebericávamos umas geladas na praia de Piatã em Salvador, me confessou o quão importante foi a intervenção de Edmundo. E que, se fosse hoje, ele mesmo teria colocado o “não” na letra. Uma palavrinha de três letras, que mudou completamente o discurso e seu sentido, evitando assim que fosse perpetuada uma visão preconceituosa e burra, típica de quem fala do que não conhece.

Lílian, tirando onda de modelo!
Aí entra Lílian na história. Uma paulista que conheci em circunstâncias totalmente casuais e que, sem ter a menor noção disso, demoveu-me deste preconceito imbecil e me colocou no meu devido lugar. Gosto muito desta paulistinha, uma amiga sincera e leal que há catorze anos me dá o prazer de participar da sua vida.

Carnavalesca de primeira grandeza, houve tempos em que não perdia um carnaval de Salvador. Foi num deles que a conheci. Estava acompanhada de uma amiga, talvez seja prima, Marília, que passou mal durante o desfile da Timbalada, onde na época eu trabalhava, era 1993. Nada demais, apenas um mal estar momentâneo, em função de um sol escaldante e um pequeno exagero nas fortes comidas baianas. Eu e um colega de trabalho, Tico, demos socorro às duas. Levamos Marília para o posto médico do carro de apoio com Lílian acompanhando, onde ela foi atendida e tudo ficou bem. Foi o suficiente pra ficarmos amigos. Naquele ano Brown tava idealizando fazer um arrastão na quarta-feira de cinzas, com a Timbalada tocando no trio sem cordas para o povo todo brincar. Não sabíamos se seria possível. Havia uma série de implicações, desde os custos de músicos, seguranças, trio à liberação da prefeitura e outras coisas. Este arrastão por sinal, virou uma tradição no carnaval de Salvador, acontecendo até hoje que além da Timbalada outros artistas pongaram na idéia de Brown, a exemplo de Ivete Sangalo. Só de saber desta possibilidade, Lílian enlouqueceu. Fiquei encarregado de avisá-la, pois ela não queria perder de jeito nenhum. O pior é que o arrastão só foi confirmado na madrugada da terça pra quarta e eu mesmo só fiquei sabendo às cinco horas da manhã quando ligaram pra minha casa acordadando-me para que eu começasse a tomar as devidas providências de produção. Quando tava pra sair, já perto das seis, lembrei de Lílian. Fiquei na dúvida se ligava uma hora daquelas pro hotel pra avisar. Imaginei que ela poderia ter ficado até tarde na rua se despedindo do carnaval e seria uma sacanagem acordá-la. Por outro lado caso eu não ligasse e ela viesse a saber que o arrastão saiu, poderia achar descaso da minha parte. Na dúvida, não ultrapasse. Eu ultrapassei e liguei. Isto eu não me lembro bem, mas acho que elas, mortas pelos pulos da noitada anterior, acabaram por não ir.

Nos anos seguintes, a cada carnaval ela voltava e a cada ano trazia uma amiga nova que eu acabava conhecendo e fazenda amizade também. Uma delas foi minha namorada por alguns anos. Mas, deixemos de lado o carnaval e voltemos para São Paulo no próximo capítulo que é o tema em questão.

domingo, 13 de julho de 2008

TATUAGENS

Cadê tuas tatuagens?
Lamento não vê-las
Enquanto passas na rua
Intrépida e elegante

De outra forma,
Eu tenho a certeza
Na vida vou tê-las
A mim tão expostas, brilhantes

Como seu coprpo,
Onde derramei desejos
Zanago fiquei e atordoado,
Inebridado com tanta beleza

Não deixe de expor teus desenhos
Hoje, amanhã, não importa
Apenas que eu veja
Duas, três, quatro...marcas perenes

E, te vendo passar mais uma vez
Esguia, altiva, diruptiva
Deixando o rastro do pecado
Visceralmente marcado nos curiosos

Aqueles que como eu te admiram
Lamentam não ver as figuras
Deste belo corpo magro...
Olhas para mim, eu sei!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

QUANDO O DESTINO QUER...

Publicado em dois capítulos em Setembro e Dezembro de 2007 no marcador crônicas

Quando Evandro entrou em casa logo percebeu que havia algo diferente. Já fazia muitos anos que ele morava sozinho e conhecia cada canto do lugar, a milimétrica posição de cada objeto, nada escapava ao rigoroso crivo do seu jeito sistemático de ser. Extremamente organizado notou imediatamente que o telefone estava um pouco mais a direita do que de costume. Quando foi conferir, erá óbvio que alguem o afastara para dar passagem à mão e alcançar o fundo da mesinha. Logo viu que o fio estava desconectado da tomada. Como poderia alguém ter feito aquilo. Não havia nem um sinal de arrombamento. A porta e fechadura estavam intactos. Ninguém possuía uma cópia da chave, nem poderia, aquele era o seu mundo, seu porto seguro, não havia como compartilhar com outrem. Ficou um pouco amedrontado. Será que havia mais alguém em casa? O que estaria fazendo ali? Seria um assalto? Uma vingança? Os pensamentos fluíram desordenadamente e uma sensação de pânico invadiu o seu interior.

Naquele momento, ele lembrou os acontecimentos da noite anterior. Fizera algo horrível, desumano e talvez estivesse agora pagando por sua conduta deplorável. Atropelou um mendigo e se negou a dar socorro. Chegou a parar o carro, viu o corpo agonizante e ensanguentado do homem no chão. Quando imaginou a sujeira que seria no seu estofamento novinho, olhou ao redor e, àquela hora da madrugada, não havia uma viva testemunha do acontecido. Contudo, tal atitude lhe tirou a paz. Não houve um segundo sequer desde o acidente, que sua mente não ruminasse um remorso sem fim. Começou a ficar assustado. Teria alguma relação com estes fatos da noite anterior?

Ofegante, começou a examinar cada detalhe e percebeu outros claros sinais de que alguém esteve ou estava ali. Apurou a audição, nem um ruído. Restava o andar superior onde ficava seu quarto, o banheiro e a biblioteca, o lugar mais preservado da casa, pelo qual ele seria capaz de morrer. Teve medo de subir os degraus, nem podia imaginar o que o esperava. Sem outra alternativa, começou a subir. A cada degrau seu coração acelerava. Tinha a impressão que saltaria do peito. Primeiro o banheiro. Nada além da torneira que pingava lentamente. Devia ter consertado o vazamento, pensou. No quarto outro sinal. O telefone da cabeceira também havia sido desligado. De resto tudo normal. A essa altura, o coração parecia furar-lhe o peitoral, tamanha a força e velocidade dos batimentos. Uma dor aguda começou a tomar-lhe o braço esquerdo projetando-se levemente para o peito. A respiração ficou mais difícil, faltava-lhe ar. Com as poucas forças que restavam, arrastou-se até a biblioteca. Ao entrar, olhando as estantes vazias, nenhum livro sequer, o que acontecera? Quem roubaria um monte de livros velhos? Para ele, era sua maior fortuna. Foi aí que a dor ficou insuportável, como se alguém batesse em seu peito com muita força. Perdeu os sentidos e desmaiou.

Quando Evandro acordou, a visão que teve foi assustadora. Seu corpo desacordado no chão de uma biblioteca intacta. Seus livros valiosos jaziam na estante, criteriosamente arrumados como sempre. Estaria tendo uma alucinação. Há poucos instantes as prateleiras estavam vazias. Como isto poderia acontecer? Lembrou da sala e correu para verificar. Ficou surpreso ao perceber que não andava e sim flutuava lentamente. Um forte terror invadiu sua mente e ele teve por um momento nova ânsia de desmaio. Na sala, tudo no seu devido lugar. O fio do telefone conectado, o aparelho na devida posição. O que estaria acontecendo? Voltou à biblioteca e ficou longos minutos contemplando o seu corpo no chão sem entender o que estava acontecendo.

Foi aí que lembrou do acidente. Mais uma vez o remorso o corroeu. Rapidamente saiu flutuando até local e mais surpreso ainda ficou ao ver o mendigo são e salvo, sentado na calçada comendo um pão velho provavelmente dado por algum transeunte. De repente o inesperado. O mendigo levanta-se, visivelmente bêbado e atravessa a rua rapidamente. Um carro, em alta velocidade o atropela jogando-lhe a alguns metros de distância. O mendigo agonizava e sangrava muito. O carro parou e seu motorista desceu. Como podia? Era ele. Assustado olhou em volta como se procurasse testemunhas àquela hora da madrugada. Após alguns segundos de dúvida, pegou o mendigo colocou no banco de trás e o levou a unidade de emergência mais próxima.

Lá chegando imaginou como a vida era injusta, como o mundo era cruel. Como podia alguém ser tratado num local como aquele? O que estava sendo feito com os milhões que o governo arrecadava com a previdência? Bem, ele não ia consertar o mundo. Estava mesmo preocupado em saber o estado do pedinte. Foi aí que veio o médico e deu a notícia. O mendigo não resistira aos ferimentos e acabara de vir a óbito. Evandro empalideceu. Uma dor aguda começou a tomar-lhe o braço esquerdo projetando-se levemente para o peito. De repente a dor ficou insuportável, como se alguém batesse em seu peito com muita força. Perdeu os sentidos e desmaiou. Imediatamente o médico acionou os enfermeiros e o removeram para uma unidade de tratamento intensivo. Muitos aparelhos foram ligados. Deram vários choques em seu peito, uma agitação insana tomou conta da sala. o aparelho que monitorava seus batimentos mudou o gráfico na tela e o ritmo dos sinais. Não entendia nada, mas devia ser uma coisa boa a tirar pela mudança positiva dos semblantes da equipe. O médico então retirou a máscara e falou sorrindo: - Ainda não foi desta vez meu amigo! Só então Evandro entendeu que estava morto.

domingo, 6 de julho de 2008

O CASAMENTO PERFEITO

Publicado no dia 05 de Maio de 2007 na marcador Crônicas

Cibele e Jânio recentemente completaram sete anos de casados. Ao contrário do que todos dizem, para eles não era uma fase de crise e sim de muita harmonia. Conquistaram muitos progressos desde que selaram o matrimônio e, hoje, viviam de forma estável. Problemas e brigas existiam, mas num contexto geral, podiam considerar-se um casal feliz. Desde a época de namoro haviam combinado que seria uma união deles e para eles, por isso não queriam ter filhos. Ela nunca se imaginou como mãe. Perdendo noites, as preocupações naturais da maternidade, a perda da privacidade e da liberdade. Definitivamente não era pra ela. Em Jânio encontrou o homem ideal. Carinhoso, bonito, promissor, aparentemente fiel e, o mais importante, não queria crianças.

Os dois estavam embutidos nos mesmos objetivos de estudos e crescimento profissional, além da dedicação mútua. Assim estavam vivendo, assim estavam felizes. Cibele fazia uso de contraceptivos regularmente e, embora tivesse uma vida sexual intensa, sem uso de preservativos, nunca suspeitara de uma gravidez. Acontece que o destino reservara uma surpresa. Fazia três semanas que sua menstruação não chegava. Ela começava a sentir enjôos e achava a barriga um tanto inchada. Tinha certeza que estava grávida. Como dar a notícia a Jânio? Ele certamente tomaria aquilo como uma traição ao pacto dos dois. Ela não planejara, certamente o anticoncepcional havia falhado, mas tinha medo da reação do marido. O pânico foi tanto que não teve condições de fazer o exame para atestar a gestação. Passaram-se duas semanas e nada. Cibele mudou, ficou distante, fria e Jânio percebeu. Ela usou uma série de desculpas e justificativas, mas Jânio notara claramente a alteração no comportamento da esposa. Começou a ficar com uma pulga atrás da orelha e a pressioná-la para que abrisse o jogo.

Foi tanta a pressão que Cibele não suportou. Acabou por contar a Jânio da sua suspeita. A reação dele foi a pior possível. Primeiro acusou-a de desleixo, irresponsabilidade, de tentar enganá-lo. Depois contestou a paternidade. Cibele não sabia, mas Jânio era estéril e, mesmo no calor daquele momento, não teve coragem de contar. Na verdade ele era um complexado, falava que não queria filhos por não ter coragem de assumir sua condição de infértil. E, por último, isto foi à gota d´água, logo sugeriu o aborto. Cibele tremeu nas bases. Não queria ser mãe, mas jamais cometeria um ato daqueles. Preferia abrir mão de todos os seus princípios, a carregar a culpa de tirar a vida de uma criança inocente, cuja existência não foi sua escolha e por quem se sentia com total responsabilidade. Jânio foi irredutível. Sabia que o filho não era dele embora não contestasse com a esposa a situação, para não expor o seu grande fracasso. Era incapaz de procriar. Aí nasceu a desconfiança, a decepção, a desarmonia, coisas que alguém jamais imaginaria existir entre os dois.

Os últimos dias foram um inferno. Mal se falavam e, quando isto acontecia, só trocavam acusações e ofensas. Cibele, já não agüentando a situação, buscou os conselhos da mãe. Esta, por sua vez, levou-a ao médico. Era o mais natural, tudo estava movido por meras suposições. Realizados os exames, veio o surpreendente diagnóstico. Ela não estava grávida. Uma pequena disfunção hormonal atrasou suas regras e a cabeça cuidou para o surgimento do resto dos sintomas. Um verdadeiro alívio. Não via à hora de contar ao marido que tudo não passara de um grande engano.

Assim as coisas se resolveram. Ficou, no entanto, uma grande seqüela, uma nova visão de um para o outro, na forma de enxergar o seu companheiro. Botadas as cartas na mesa, o casal prosseguiu com a vida de sempre. Mas o casamento perfeito jamais foi o mesmo depois da suposta gravidez de Cibele. Não foi à-toa que eles vieram a se separar um ano depois.