domingo, 20 de setembro de 2009

O CAMINHO DE VOLTA

Continuação. Para ler o capítulo anterior clique aqui.

CAPÍTULO 08


Caminhei até o sol se por completamente. Quando voltei para casa já passavam das sete da noite. Encontrei Carolina absorta na janela, olhando para o horizonte, como se buscasse ali respostas para as inúmeras perguntas que martelavam sua mente. Não quebrei o seu silencio. Eu também procurava respostas para perguntas que sequer sabia enunciar. Sentei no chão da sala e a observei atentamente, até que ela falou.
-Caco, você vai lá em casa comigo? Queria dormir aqui mais uma noite, mas preciso pegar umas coisas. Você me deixa ficar aqui?
- Como posso dizer não a este rostinho angelical? Para falar a verdade vou amar tê-la mais uma noite ao meu lado. Vou tomar um banho rápido e saímos já.
Talvez eu ainda não tivesse consciência, mas acabara de mergulhar de cabeça num mar de tormentas e riquezas. Sem dúvida nenhuma, movido pelo amor. Seria possível um sentimento tão forte nascer em tão pouco tempo? Que magia tinha aquela garota para me deixar tão envolvido? Porque eu não ouvia a voz da razão? Não tinha respostas para nada daquilo apenas queria viver o momento que se apresentava, me deixar levar.
Pegamos um táxi e quinze minutos depois estávamos na frente de uma mansão cinematográfica, encravada num dos pontos mais altos do Horto Florestal, um dos mais nobres bairros da cidade. Carolina abriu o vidro, falou breves palavras ao segurança da guarita e em segundos o imenso portão de ferro torneado se abria a nossa frente. O táxi percorreu um caminho estreito que margeava uma piscina e um jardim, ambos deslumbrantes até chegar numa espécie de estacionamento para visitantes. Pedimos que nos aguardasse e entramos na casa pela porta da frente.
Eu olhava atentamente todos os detalhes. Nunca tinha estado numa casa daquelas, tão suntuosa e bonita. A sala era imensa, decorada com muito bom gosto e repletas de obras de arte. As esculturas foram as que mais me chamaram a atenção. Carolina tocou um sininho que descansava numa pequena mesa de canto, quando apareceu um senhor que aparentava estar perto dos setenta anos e tinha o típico porte de mordomo de romance inglês.
-Aurino, onde estão todos?
-Seus pais saíram senhorita. A senhorita Paula está com o namorado vendo um filme no home theater.
-Aurino, gostaria de lhe perguntar uma coisa, mas queria que fosse muito sincero.
-Pois não D. Carolina.
-Você tem muitos anos aqui em casa. Trabalha com meus pais desde antes do meu nascimento não é?
-Sim senhorita.
-Como foi que eles me adotaram?
-Do que a senhora está falando?
-Pare com isso Aurino. Sei que você sabe de tudo. Você vê tudo que se passa nessa casa.
-Não senhorita. Não tenho olhos, ouvidos ou boca. Faz parte do meu trabalho. Não deveria me perguntar tais coisas. Se quer saber de algo, porque não pergunta a Dr. Mário ou a D. Sandra?
-Se você fala assim é porque sabe de alguma coisa Aurino. Por favor me conte, eu preciso muito saber.
-Senhorita já disse que nada sei, não me pergunte mais nada.
Foram inúteis os apelos de Carolina. Aurino nada falou, sua fidelidade aos patrões era irretocável.
-Onde está Luzia, Aurino?
-Hoje é sua folga senhorita. Deve chegar mais tarde ou amanhã cedo.
-Obrigada.
Carolina dispensou os serviços do mordomo e falou com Caco.
-Meu amor, vou pegar algumas coisas lá em cima e já volto. Fique à vontade.
-Eu espero Carol. Não demore, não quero estar aqui sozinho se seus pais chegarem.
Trocaram um longo beijo e neste momento, vestindo apenas um camisão, entra na sala uma bela morena, de cabelos negros, olhos expressivos, sobrancelhas grossas e sensualidade à flor da pele. Olhou bem para o Casal e disse:
-Maninha! Não vai me apresentar seu mais novo namorado. Ele é um gato!
-Caco esta é minha irmã Paula.
-Muito prazer, me chamo Caio.
-Seja bem vindo Caco. O prazer é todo meu. –Falou Paula com um tom visivelmente provocador.
Neste momento Carolina me puxou pelo braço e fomos até seu quarto no andar superior. Lá chegando, enquanto ela botava umas mudas de roupa na mochila, ligou a televisão. Foi então que vimos a notícia num programa dominical. Seria aquilo uma coincidência?

Um comentário:

Humana disse...

Interrompe sempre na hora H, não é Sr. Adriano Caroso? Lol
Continuo a gostar muito da história e lamento a maneira insensivel da irmã e até dos próprios pais.
Beijos meu amigo.