domingo, 6 de setembro de 2009

O CAMINHO DE VOLTA

Continuação. Para ler o capítulo anterior clique aqui.


CAPÍTULO 06


-Meus amigos! Onde estaria a justiça de Deus se não existisse a reencarnação. Porque o Senhor colocaria no mundo um pobre coitado, aleijado e miserável enquanto outro é afortunado e perfeito? Aos olhos do Criador não deveriam ser todos iguais sendo Ele pura bondade, justiça e compreensão? Não meus senhores, não seria Deus justo conosco permitindo e criando tamanhas diferenças. É por isso que nascemos e morremos para nascer de novo, tendo a oportunidade de a cada vida reparar os erros de vidas passadas e assim elevar o nosso espírito em busca do engrandecimento e da paz. Somos iguais sim meus irmãos aos olhos de Deus, mas temos contas diferentes a acertar. O mal que causamos aqui, pode nos ser cobrado aqui mesmo, mas muito comumente damos conta dele nas encarnações futuras. É por isso que devemos, na medida do possível, reparar os nossos erros na vida corrente, na mesma encarnação que o cometemos. É uma maneira de amenizar o calvário do espírito até que ele possa reencarnar, para uma vida mais serena, mais feliz. Vou contar uma história aos amigos aqui presentes: Numa pequena cidadezinha do interior, existia um rapaz, ignorante, sem educação ou fortuna, mas que teve a oportunidade de construir uma vida e uma família feliz. Casou com uma moça trabalhadora, fiel e dedicada. No entanto o rapaz, preferia a vida boêmia, refestelando-se nos bares e bordéis da cidade, gastando com bebida e mulheres o pouco dinheiro que a esposa auferia com o suor do seu trabalho. Invariavelmente andava trôpego, sem alimentação adequada, minava a própria saúde na esbórnia da vida. Então a esposa engravidou e ele não gostou nada disto. Não queria uma criança disputando com ele os cuidados e, principalmente, o dinheiro da mulher. Ignorou a gestação ficando cada dia mais longe de casa sem dar o devido apoio que a situação exigia. Chegou o dia da esposa dar a luz. Nasceu uma linda menina e mais uma vez o rapaz teve a chance de redimir-se dos erros e destemperos que cometera, uma vez que o Senhor levou a mãe para junto de si no momento do parto. Em vez disto ele abandonou a guria a própria sorte, na mão de estranhos. Certa feita, um forasteiro aparece na cidade e lhe propõe comprar a garota. Oferece-lhe míseros vinténs e o que fez o rapaz? Raptou a menina da casa das pessoas que a cuidavam entregando-lhe ao forasteiro. Pouco durou o dinheiro recebido. Foram muitas farras e orgias que consumiram o vil metal até o último centavo. Mais uma vez na miséria, sem amigos, sem dinheiro, sem nada, passou a viver perambulando pelas ruas, da caridade do próximo, mendigando trocados que invariavelmente gastava com cachaça. Maltrapilho, sujo e solitário, vivia a espera de esmolas para beber. Ás vezes bondosas almas lhe davam comida e cobertores, sua vida entrava em profundo vazio, num colapso total. Até que um dia, anos depois do acontecido teve uma visão: sua esposa apareceu e disse: - Vá buscar a nossa filha, ela está sofrendo e vai sofrer muito mais ainda. Seu semblante era triste, sua voz embargada pelo choro. Pensou estar tendo uma alucinação provocada pelos nocivos efeitos do álcool, mas a esposa o tomou nos braços, levitaram e sobrevoaram sua vida. Viu seus dias de criança pobre, mas bem cuidada. Sua mãe zelosa a lhe ensinar os caminhos tortuosos do destino. Lição que insistia em não assimilar. Viu o dia que jogou veneno de rato no prato da irmã por pura brincadeira maldosa, levando-a a passar dias e dias internada na enfermaria de um fétido hospital. Viu o dia que apagara da memória, quando foi violentado pelo padrasto e a imensa dor interior que a isto se sucedeu. Viu seu primeiro gole, sua primeira aposta, suas infindas derrotas. Por fim, viu uma linda mulher de olhos azuis com a expressão desesperada dos suicidas á beira de um penhasco. Antes que ele dissesse algo ela se jogou. Observava inerte o corpo em queda livre tendo certeza de que era a sua filha quando a esposa o falou: -Vai, ainda dá tempo de pegá-la antes da queda. Neste momento acordou imundo, no meio da rua, sob um frio de três graus. A vergonha e a indignação o tomavam. Como pode ter sido tão torpe? Era um monstro. O rapaz fugiu da cidadezinha e foi para a capital. Pediu ajuda neste Centro Espírita onde foi acolhido, alimentado e orientado. Deixou de beber, estudou, e trabalhou durante treze anos, sempre marcado pelo remorso e arrependimento. A culpa lhe corroia até que se sentiu pronto para iniciar o caminho da sua redenção e segurar a mulher antes da queda. Era chegado o momento.

-Bem amigos este rapaz da história, é a pessoa que vos fala. Neste momento me despeço de vocês para ir em busca da minha salvação. Preciso me redimir dos meus erros, encontrar o meu caminho e salvar a minha filha. Talvez não salve a minha vida, mas assim poderei descansar em paz.


O palestrante Marcolino foi aplaudido de pé pela imensa platéia presente no auditório do Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes em Porto Alegre.


Um comentário:

HSLO disse...

ótimo...gostei.

ta me devendo uma visita viu.


abraços

Hugo