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CAPÍTULO 05
-Você acha que é o que? Quem você pensa que é? Se enxerga garota. Devia dar graças a Deus de ter a nós. Uma família nobre, dinheiro, posição. Mas não! Ainda reclama. Tem inveja de mim porque? Estou cansada de você, de suas chorumelas e lamentos. Fica posando de santinha, de boa, mas a mim você não engana. Você queria estar no meu lugar, ser a filha verdadeira. Se enxerga Carol!
-O que você disse Paula? Filha verdadeira? Do que você está falando?
-Vai dizer que a ingênua nunca percebeu? Que painho e mainha não parecem com você? Que lhe tratam com indiferença, que gostam mais de mim? Você é burra mesmo!
Carolina desfalecia na cama. O pranto lhe tomava. As duras palavras da irmã eram como um punhal em seu peito. No fundo sempre desconfiara, mas ouvindo daquela maneira era um golpe fatal.
-O que eu te fiz pra você ter tanta raiva de mim Paula? Somos irmãs, fomos criadas juntas, te vi nascer e crescer.
-Eu não tenho irmã. Não sou da sua laia. Nunca fui entregue por meus pais a traficantes. Nem eles mesmos lhe quiseram.
-Traficantes? Aonde você ta querendo chegar? Conta logo de uma vez. Não me torture assim.
-Pergunte pro pai, ele vai lhe dizer quanto pagou pelo brinquedinho deles enquanto me esperavam, até mamãe poder me ter. Como uma quadrilha de traficantes trouxe você pra Bahia. Ele te conta tudo.
-Mentira sua louca, mentira! Você é um monstro. Como pode ser tão torpe?
-Mas é verdade. Eu ouvi painho e seu padrinho conversando outro dia no escritório. Você foi trazida por traficantes de crianças que a levariam para a Europa. Veio de uma cidadezinha do Rio Grande do Sul chamada Minuano e nosso pai comprou você deles. Mamãe não podia engravidar até fazer o tratamento nos Estados Unidos. Então pegaram você, registraram e criaram-na até que eu nascesse. De lá para cá, você foi um estorvo na vida de todos nós. Só você não nota isto.Carolina não conseguia mais emitir uma palavra. Apenas chorava copiosamente olhando desesperada para irmã querendo acreditar que tudo fosse mentira. No fundo sabia que era verdade. Porque Paula a tratava assim? O que tinha feito de mal a ela ao ponto de despertar tanto ódio? Nunca entendera tanta maldade, indiferença e hostilidade por parte da irmã. Agora com a confirmação da desconfiança que não era filha legítima, as coisas começavam a ficar mais claras. Saiu do quarto em disparada a procura dos pais. Eles não estavam em casa. Foi aí que saiu sem rumo, andando pelas ruas ao léu. Era seu aniversário, mas não tinha nada para comemorar. Continuou vagando pelas ruas quando percebeu que já havia anoitecido. Perguntou as horas a um estranho, andou mais um pouco até que sentou num banco de praça e voltou a chorar copiosamente
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Que delicia de leitura!
Gostei estou te seguindo,um livro on line,legal.
Um abraço
Gê
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