INTRODUÇÃO
XII
Salvador, 28 de Maio de 1969
Quando Hermínio deixou Joca no aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre, este estava com uma cara inconfundível: a de quem vai viajar de avião pela primeira vez. Era para ele uma experiência fantástica. Sempre sonhara com isso. Preferia apenas que fosse numa outra circunstância. O padre cuidou do embarque de Joca e da menina. Não tiveram nenhum problema pela presença da criança. A certidão que Hermínio providenciara abriu as portas do vôo para a criança. Hermínio orientou o rapaz de como proceder durante a viagem.
-Bem Joca, espero que faça uma ótima viagem. Ducas vai te esperar no aeroporto de Salvador. Daí em diante é com ele. Ele pagará a você. Quando for pagar a minha parte pedirei que deixe um pouco contigo pela sua competência.
-Não precisa Hermínio. O que for a minha parte já me basta.
-Precisa sim. Não se desvalorize. Seu trabalho foi fundamental e de grande importância. Além do mais, nada paga os momentos maravilhosos que vivemos. Vá com Deus meu filho. Que ele te proteja sempre. Agora pense muito no que te propus. Pense nos seus filhos, na sua mulher, e como será bom tudo isso para nós. Deus te guie!
-Não sei Hermínio. Vejo muita confusão em torno disto. Acho que não vai dar certo.
-Vai sim. Vai com Deus. É a última chamada. Você não pode perder este avião. Daqui pra frente o funcionário da companhia aérea vai te guiar. Boa viagem.
-Obrigado padre. Fica com Deus você também.
Joca passou o vôo inteiro pensativo. Não pode sequer curtir a sua primeira viagem aérea tamanha era a confusão na sua mente. Em tão pouco tempo, muitas coisas aconteceram na sua vida que o deixaram atordoado. Bebeu muito durante a viagem e sentiu um forte enjôo. A comissária logo percebeu que Joca não estava passando bem.
-O Sr. está sentindo alguma coisa?
-Estou um pouco enjoado.
-Se der vá ao toillete que eu fico com a menina. Ou então use o saquinho.
-Joca levantou às pressas e conseguiu chegar ao sanitário a tempo. Vomitou tudo que comera e bebera naquele dia, mas saiu bastante aliviado. O vôo foi demorado. Quatro escalas se sucederam até a chegada em Salvador. Teve a sensação que se cansara mais do que na ida, mas achou maravilhoso sair de tão longe e chegar no mesmo dia.
Ducas se encontrava no Aeroporto Internacional Dois de Julho a espera do sacristão. Estava tranqüilo, pois a pouco havia mantido contato com Hermínio e tivera um relatório detalhado de toda ação. Ficara bastante satisfeito com o desempenho de Joca na missão. No início, ficou um pouco apreensivo pela inexperiência do rapaz. Ele próprio não poderia se expor tanto. Resolveu arriscar. Quando a chegada do vôo foi anunciada nos alto-falantes, correu para o mirante e aguardou ansioso. Quando Joca desceu da aeronave com a criança no colo, mandou-lhe um aceno com um sorriso que em poucas ocasiões era tão sincero.
-Joca meu amigo! Fez boa viagem com sua filhinha?
-Fiz padre. Um pouco cansativa, tive alguns enjôos, mas tudo bem.
-É natural da primeira vez meu filho. E a criança como está?
-Muito bem. Esta menina é um doce. Não estranha, quase não chora. Sabe padre, criei muito afeto por ela. Parece até que é minha filha mesmo.
-Ela é sua filha rapaz! Não estrague tudo depois de fazer tudo certo. Vamos, no carro a gente conversa.
Ducas foi até o estacionamento retirar o carro e foi pegar Joca na plataforma de desembarque. Ao entrar no veículo, a menina acordou e mostrou seus lindos olhos azuis para o sacerdote.
-Que bela menina Joca!
-Carolina padre. Foi a mãe quem deu o nome quando ela nasceu.
-Ela não tem nome Joca. Quem dará seu nome serão os verdadeiros pais daqui pra frente.
-Quando ela embarca para a Europa?
-Os planos mudaram meu filho. Esta menina deve ficar aqui mesmo. Será menos complicado e mais lucrativo. O mesmo preço com muito menos despesa.
-Como assim padre?
-Saberá de tudo em breve. Não se preocupe. Afinal, será você mesmo quem vai entregá-la. Falta acertar alguns detalhes. Até amanhã tudo se resolve, mas quero lhe pedir uma coisa. Não vamos comentar nada destas mudanças com Hermínio. Ele não precisa saber. Assim os lucros serão maiores pra gente. Para todos os efeitos a menina embarca para Itália amanhã cedo. Certo Joca?
-Claro padre. – Falou Joca tomado por um profundo sentimento de decepção.
-Bem Joca, espero que faça uma ótima viagem. Ducas vai te esperar no aeroporto de Salvador. Daí em diante é com ele. Ele pagará a você. Quando for pagar a minha parte pedirei que deixe um pouco contigo pela sua competência.
-Não precisa Hermínio. O que for a minha parte já me basta.
-Precisa sim. Não se desvalorize. Seu trabalho foi fundamental e de grande importância. Além do mais, nada paga os momentos maravilhosos que vivemos. Vá com Deus meu filho. Que ele te proteja sempre. Agora pense muito no que te propus. Pense nos seus filhos, na sua mulher, e como será bom tudo isso para nós. Deus te guie!
-Não sei Hermínio. Vejo muita confusão em torno disto. Acho que não vai dar certo.
-Vai sim. Vai com Deus. É a última chamada. Você não pode perder este avião. Daqui pra frente o funcionário da companhia aérea vai te guiar. Boa viagem.
-Obrigado padre. Fica com Deus você também.
Joca passou o vôo inteiro pensativo. Não pode sequer curtir a sua primeira viagem aérea tamanha era a confusão na sua mente. Em tão pouco tempo, muitas coisas aconteceram na sua vida que o deixaram atordoado. Bebeu muito durante a viagem e sentiu um forte enjôo. A comissária logo percebeu que Joca não estava passando bem.
-O Sr. está sentindo alguma coisa?
-Estou um pouco enjoado.
-Se der vá ao toillete que eu fico com a menina. Ou então use o saquinho.
-Joca levantou às pressas e conseguiu chegar ao sanitário a tempo. Vomitou tudo que comera e bebera naquele dia, mas saiu bastante aliviado. O vôo foi demorado. Quatro escalas se sucederam até a chegada em Salvador. Teve a sensação que se cansara mais do que na ida, mas achou maravilhoso sair de tão longe e chegar no mesmo dia.
Ducas se encontrava no Aeroporto Internacional Dois de Julho a espera do sacristão. Estava tranqüilo, pois a pouco havia mantido contato com Hermínio e tivera um relatório detalhado de toda ação. Ficara bastante satisfeito com o desempenho de Joca na missão. No início, ficou um pouco apreensivo pela inexperiência do rapaz. Ele próprio não poderia se expor tanto. Resolveu arriscar. Quando a chegada do vôo foi anunciada nos alto-falantes, correu para o mirante e aguardou ansioso. Quando Joca desceu da aeronave com a criança no colo, mandou-lhe um aceno com um sorriso que em poucas ocasiões era tão sincero.
-Joca meu amigo! Fez boa viagem com sua filhinha?
-Fiz padre. Um pouco cansativa, tive alguns enjôos, mas tudo bem.
-É natural da primeira vez meu filho. E a criança como está?
-Muito bem. Esta menina é um doce. Não estranha, quase não chora. Sabe padre, criei muito afeto por ela. Parece até que é minha filha mesmo.
-Ela é sua filha rapaz! Não estrague tudo depois de fazer tudo certo. Vamos, no carro a gente conversa.
Ducas foi até o estacionamento retirar o carro e foi pegar Joca na plataforma de desembarque. Ao entrar no veículo, a menina acordou e mostrou seus lindos olhos azuis para o sacerdote.
-Que bela menina Joca!
-Carolina padre. Foi a mãe quem deu o nome quando ela nasceu.
-Ela não tem nome Joca. Quem dará seu nome serão os verdadeiros pais daqui pra frente.
-Quando ela embarca para a Europa?
-Os planos mudaram meu filho. Esta menina deve ficar aqui mesmo. Será menos complicado e mais lucrativo. O mesmo preço com muito menos despesa.
-Como assim padre?
-Saberá de tudo em breve. Não se preocupe. Afinal, será você mesmo quem vai entregá-la. Falta acertar alguns detalhes. Até amanhã tudo se resolve, mas quero lhe pedir uma coisa. Não vamos comentar nada destas mudanças com Hermínio. Ele não precisa saber. Assim os lucros serão maiores pra gente. Para todos os efeitos a menina embarca para Itália amanhã cedo. Certo Joca?
-Claro padre. – Falou Joca tomado por um profundo sentimento de decepção.
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Passando pra ler a continuaçao do livro.
Abraço!
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