INTRODUÇÃO
II
Minuano-Rs, 02 de maio de 1969
Maria começou a sentir fortes dores e aos poucos começaram as contrações. Ela estava lavando suas pobres roupas e do marido Marcolino. Deixou-se cair sobre a imensa bacia e começou a gritar. Logo chegaram as vizinhas e alguns curiosos que passavam pela rua no momento.
-Corre Jesuína, vai chamar o Marcolino tchê! A Maria vai parir. - Gritou Gerusa.
- Onde ele está Géu?
- Sabe Deus criatura. Vai gritando por aí que ele aparece. O desgraçado não faz nada mesmo. Deve estar no Bigodão e provavelmente está gambá(1), aquele vagabundo!
- Bah! Não fala assim do meu Marquinho! - Era maria defendendo o seu homem mesmo gemendo de tanta dor.
Na verdade Gerusa não estava mentindo. Marcolino nunca foi dado ao trabalho. Vivia bebendo com os amigos na rua, jogando bilhar no bar de seu Juca, “O Bigodão” como era chamado por causa do farto bigode do seu dono. Um ambiente quase familiar. Lá ele encontrava outras mulheres com quem gastava a maior parte do dinheiro que Maria com muito sacrifício ganhava fazendo doces e guloseimas para a granfinada da cidade. Fazia também faxinas nas casas das madames, lavava e passava para trazer o sustento da casa e Marcolino gastava quase tudo na boemia. Cachaça, mulheres e jogo. Eram suas prediletas ocupações. Foi justamente lá, no Bigodão, que Jesuína encontrou Marcolino. Estava bêbado debruçado sobre a mesa do bilhar perdendo a décima primeira partida.
-Corre tchê! A Maria está sentindo as dor. Vamos homem de Deus!
-Para de amolar criatura. Manda ela tomá um anador Jesú.
- Vem filho da puta. As dor dela são de ter menino.
- Eu disse pr'aquela vagabunda que não queria criança em casa. Só serve pra cagar e mijar tudo além de ficar berrando nos ouvido da gente. Pois diga a desgraçada da Maria pra ter o filho sozinha.
-Eu não acredito. Tu não vai acudir a mulher que te ama? Que vai parir um filho teu?
De nada adiantaram os apelos de Jesuína. Marcolino totalmente insensível saiu trocando as pernas e gritando palavrões que não se podem repetir.
Enquanto isso, Maria cada vez mais se contorcia com o chegado da hora. Os vizinhos mandaram chamar D. Ferdinanda, parteira da mais alta competência, famosa em toda periferia da cidade. Gerusa com a ajuda dos amigos, levou Maria para a sua casa e deitou-a na cama. Enquanto a parteira não chegava, já foram sendo providenciados todos os apetrechos para um bom parto: bacia, panos limpos e água no fogo.
Não foi um parto difícil. Poucas horas depois Maria dava a luz a uma linda menina. Olhos azuis como o céu. Nasceu berrando sem parar e com saúde. Gerusa e Ferdinanda cortaram o cordão umbilical, enrolaram a menina num manto branco e colocaram-na sobre o peito de Maria.
- É uma linda guria Maria.
- Carolina. Vai se chamar Carolina. - Foram as últimas palavras de Maria. Em seguida, fechou os olhos e morreu serenamente com um sorriso nos lábios.
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N.A. 1. Gambá: Bêbado.
-Corre Jesuína, vai chamar o Marcolino tchê! A Maria vai parir. - Gritou Gerusa.
- Onde ele está Géu?
- Sabe Deus criatura. Vai gritando por aí que ele aparece. O desgraçado não faz nada mesmo. Deve estar no Bigodão e provavelmente está gambá(1), aquele vagabundo!
- Bah! Não fala assim do meu Marquinho! - Era maria defendendo o seu homem mesmo gemendo de tanta dor.
Na verdade Gerusa não estava mentindo. Marcolino nunca foi dado ao trabalho. Vivia bebendo com os amigos na rua, jogando bilhar no bar de seu Juca, “O Bigodão” como era chamado por causa do farto bigode do seu dono. Um ambiente quase familiar. Lá ele encontrava outras mulheres com quem gastava a maior parte do dinheiro que Maria com muito sacrifício ganhava fazendo doces e guloseimas para a granfinada da cidade. Fazia também faxinas nas casas das madames, lavava e passava para trazer o sustento da casa e Marcolino gastava quase tudo na boemia. Cachaça, mulheres e jogo. Eram suas prediletas ocupações. Foi justamente lá, no Bigodão, que Jesuína encontrou Marcolino. Estava bêbado debruçado sobre a mesa do bilhar perdendo a décima primeira partida.
-Corre tchê! A Maria está sentindo as dor. Vamos homem de Deus!
-Para de amolar criatura. Manda ela tomá um anador Jesú.
- Vem filho da puta. As dor dela são de ter menino.
- Eu disse pr'aquela vagabunda que não queria criança em casa. Só serve pra cagar e mijar tudo além de ficar berrando nos ouvido da gente. Pois diga a desgraçada da Maria pra ter o filho sozinha.
-Eu não acredito. Tu não vai acudir a mulher que te ama? Que vai parir um filho teu?
De nada adiantaram os apelos de Jesuína. Marcolino totalmente insensível saiu trocando as pernas e gritando palavrões que não se podem repetir.
Enquanto isso, Maria cada vez mais se contorcia com o chegado da hora. Os vizinhos mandaram chamar D. Ferdinanda, parteira da mais alta competência, famosa em toda periferia da cidade. Gerusa com a ajuda dos amigos, levou Maria para a sua casa e deitou-a na cama. Enquanto a parteira não chegava, já foram sendo providenciados todos os apetrechos para um bom parto: bacia, panos limpos e água no fogo.
Não foi um parto difícil. Poucas horas depois Maria dava a luz a uma linda menina. Olhos azuis como o céu. Nasceu berrando sem parar e com saúde. Gerusa e Ferdinanda cortaram o cordão umbilical, enrolaram a menina num manto branco e colocaram-na sobre o peito de Maria.
- É uma linda guria Maria.
- Carolina. Vai se chamar Carolina. - Foram as últimas palavras de Maria. Em seguida, fechou os olhos e morreu serenamente com um sorriso nos lábios.
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N.A. 1. Gambá: Bêbado.
3 Comenta ou desminta, mas fale!:
Hummm, essa história tende a prender nossa atenção!!!!
Quero saber "no q vai dar".
Beijo grande.
Sucesso!!!
Uma história que tem tanto de real, infelizmente...
Quero muito saber qual será o destino de Carolina!
Beijos
E eu estou acompanhando também...
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